Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

COMO CONSEGUIMOS VER AS TRANSFORMAÇÕES DO MUNDO ATRAVES DA ARTE? COMO AS IDEIAS SE ESPALHAM?

    Nossa! Já estamos a poucos dias do ano novo então tomara que todos passem a virada do ano bem e que consiguem tudo de bom. Que 2011 seja um ano de boas novas.

  • Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte?
     Podemos verificar que tipo de arte foi feita, quando, onde o como, desta maneira estaremos dialogando com a obra de arte, e assim podemos entender as mudanças que o mundo teve.

  • Como as idéias se espalham pelo mundo?
    Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas (mecenas) costumam apresentar às pessoas idéias de outras culturas. Os progresssos na tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se espalham através da arqueologia, quando se descobrem objetos de outras civilizações; pela fotografia, a arte passou a ser reproduzida e, nos anos 1890, muitas das revistas internacionais de arte já tinham fotos; pelo rádio e televisão, o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926, permitindo que as idéias fossem transmitidas por todo o mundo rapidamente, os estilos de arte podem ser observados, as teorias debatidas e as técnicas compartilhadas: pela imprensa, que foi inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450, assim os livros e e arte podiam ser impressos e distribuídos em grande quantidade; pela Internet, alguns artistas colocam suas obras em exposição e podemos pesquisá-las, bem como saber sobre outros estilos.

    Como mencionado anteriormente, estilo é como o trabalho se mostra, depois do artista ter tomado suas decisões. Cada artista possui um estilo único. Assim, Salvador Dalí tinha um estilo diferente de Picasso e de Tarsila do Amaral. Por esse motivo, a categorização de estilos e movimentos é importante.

  Confira abaixo uma lista de estilos artísticos importantes e bastante conhecidos:


Fonte: http://www.spiner.com.br Spiner O portal para jovens

Proxima postagem: Arte-Terapia dia 04/01/2011

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

COMO ENTENDEMOS ARTE? O QUE É ESTILO? POR QUE ROTULAMOS OS ESTILOS DE ARTE?

   Primeiramente, quero lhes desejas um Feliz Natal ja que estamos proximos a ele. Um aviso, as postagens serão publicadas de 1 em 1 semana tanto que no final de cada publicação ela cita o proximo texto. Espero que gostem, hoje falaremos sobre:  

  •  "Como entendemos a arte?"  
    Alguns temas do site no qual peguei as referencias sao tao pequenos que em alguns há opinioes minha, como é mostrado hoje.

  • "Como entendemos a arte?" e O que é estilo? Por que rotulamos os estilos de arte?
    O que vemos quando admiramos uma arte depende da nossa experiência e conhecimentos, da nossa disposição no momento, imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar. 

Minha opinião:  

  A arte so pode ser entedida quando a relacionamos com algo  comum a nos, ou seja, deve existir uma troca entre o espectador e o objeto observado. Podemos captar algo somente quando (de alguma forma) ela consegue nos afetar. Caso sejamos indiferente, ela nos passa despercebida e é como nem tivessemos visto nada. Tudo é uma associação, um reconhecimento.

  • O que é estilo? Por que rotulamos os estilos de arte?
     Estilo é como o trabalho se mostra, depois do artista ter tomado suas decisões. Cada artista possui um estilo único.
    Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas numa sala gigantesca. Nunca conseguiríamos ver quem fez o quê, quando e como. Os artistas e as pessoas que registram as mudanças na forma de se fazer arte, no caso os críticos e historiadores, costumam classificá-las por categorias e rotulá-las. É um procedimento comum na arte ocidental.
Ex.: Surrealismo

Minha forma de ver:  

 Rotulamos a arte para melhor compreende-la, destacar a diferença entre uma e outra pois se todas fossem iguais nao haveria razao de classifica-la, de fazer apontamentos e assim conseguimos admira-la ou nao. A arte é a expressao de um tempo e de um povo. Como estamos sempre em transformação, a arte precisa acompanhar este desenvolvimento e estar em continua mutação.

Proximo Texto: "Como conseguimos ver a transformação do mundo atraves da Arte?"      Data 28/12

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ALGUMAS QUESTOES SOBRE ARTE

  • Quem faz arte?
    O homem criou objetos para satisfazer as suas necessidades práticas, como as ferramentas para cavar a terra e os utensílios de cozinha. Outros objetos são criados por serem interessantes ou possuírem um caráter instrutivo. O homem cria a arte como meio de vida, para que o mundo saiba o que pensa, para divulgar as suas crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas.

  • Por que o mundo necessita de arte?
     
  Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos de função da arte que pode ser feita para decorar o mundo, para espelhar o nosso mundo (naturalista), para ajudar no dia-a-dia (utilitária), para explicar e descrever a história, para ser usada na cura doenças (arte terapia) e para ajuda a explorar o mundo. 
   (Minha adição)  A arte pode ser um documento muito importante para conhecer o modo de vida e o costume, os gostos das civilizações antigas por isso a arqueologia é uma ciência tão importante.

 Próximo Postagem: "Como entendemos a arte? Quais são seus estilos? Por que a rotulamos". Data:21/12

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

MINHA ESCOLHA DE ESTUDAR ARTE e o CURSO TECNICO EM CONSERVAÇAO e RESTAURO DE BENS

  O tópico de hoje é para falar como cheguei a estas duas formações: Artes Plasticas/Visuais que tanto amo e o tecnico em  Conservação e Restauração de bens móveis que descobri e aprendi a gostar quando fiz o curso.

      Artes Plasticas:

   Falar sobre as artes plásticas é fácil, pois toda criança que frequenta a escola já descobre o lápis e as cores bem cedo e isso pelo jeito me encantou e me influenciou na minha escolha. Eu cresci com livros infantis/ilustrados (minha mãe sempre nos deu livros e nos incentivou a ler; que é minha outra paixão).
     Foi vendo estes livros que comecei a prestar atenção nas imagens e depois passei a copia-las apenas olhando. Porem não sabia que existia a profissão artista até os 10 ou 12 anos de idade já que na minha infância as aulas de arte eram mais ligadas as formas e não para conhecer artistas e suas obras.
     Tomei minha decisão de se tornar artista quando vi, em uma revista de curso a distancia, o curso de desenho e pintura. A partir de então não tirei mais esta ideia de ser desenhista da cabeça, pois desenho para mim era transformador; capaz de mudar o mundo. Tanto que isso me levou a formar em Artes Plásticas na área bidimensional (desenho, pintura, gravura e desenho gráfico).
     Mesmo tendo esta certeza do que eu queria, ainda sim no 2º período do curso tive uma crise de me achar incapaz para o curso (o que não mudou muito pois até hoje) ao ponto de querer mudar de faculdade porem nenhuma outra me satisfazia tanto quanto a artes e continuei.

    Conservação e Restauração em Bens Moveis

     Já falar sobre restauração é bem estranho pois no meu curso de artes sempre haviam alunos apaixonado por arquitetura, construções, coisas antigas e restauração lembra muito isso e eu não conseguia entender este gosto. Para mim, não tinha graça nenhuma visitar museu de moveis, ver casas (eu era preconceituosa mesmo neste assunto). Ao meu ver museu interessante era só de telas, escultura e gravuras.
      Então após um tempo de formada e como sempre desesperada por não exercer minha profissão e não ter emprego, minha mãe quem diria (apegada e superprotetora como ela é) me "expulsou" de casa: Ela viu na propaganda que uma Fundação de arte (700 Km de distancia de onde morava) iria abrir vagas de seleção para restauração e ficou mais empolgada que eu. Quando vi a grade do curso, achei muito interessante as matérias ligadas a arte e teóricas pois elas complementavam o que eu não tive no meu curso anterior.
    Aceitei o desafio de sair pela primeira vez de casa, conhecer o novo!  Fiz o curso, cresci tanto como pessoa quanto estudante, prendi a mudar o meu olhar para o antigo, me interessei  em conhecer Igrejas e a  prestar atenção nos santos, dos quais não sabia nada, pois não tenho religião e não gosto do assuntos.
    Agora é diferente, você aprender sobre o significado de cada imagem para a religião ate porque a maioria dos símbolos religiosos já existiam antes da própria igreja, ela que os tomou para si e lhes deu um sentido melhor que lhe interessava. Para conviver com o sacro, basta  observar  tudo pelo lado estético/tecnico e não religioso e assim consigo sair bem das situações alem de aprender um pouco sobre cada coisa.
   Bem, este foi o tópico de hoje, quando eu tiver mais ideia do que escrever volto a postar aqui e se tiverem sugestão também ...
                                                                                             Obrigada e Ate mais

Proxima Postagem dia 14/12 "Quem faz arte e porque necessitamos dela?"

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ARTES VERSUS RESTAURAÇAO


    Decidi escrever este texto pois nós os artistas geralmente não pensamos no quanto é trabalhoso o restauro ou não pensamos no depois da arte pronta apenas queremos criar e pronto. Falo isso, pois fui tomar consciência deste fator após estudar restauração.
     Quando somos artistas, nos é ensinado a criar, soltar a imaginação e fazer o quisermos de trabalho. Depois esta obra, por exemplo, vai parar na mão de alguém que gosta muito de arte e se deteriora com o tempo ou por acaso e ela acaba sendo enviada para um restaurador. Ai vem o trabalho...
    Todo material sofre deterioração porque suas moléculas vão se tornando acidas resultando no enfraquecimento da estrutura (fato natural para todos os materiais). A função do restaurador é impedir que este desgaste continue.
     O profissional em restauro não pode usar qualquer material ou mexer no trabalho sem ter um conhecimento sobre. Ele precisa fazer vários testes, usar materiais que estão disponíveis em sua área. Falo isso porque muitas vezes ao criar uma arte, nós os artistas, usamos papeis e tinta de baixa qualidade ou por não possuirmos condição de comprar melhores ou por achar que o resultado será mais satisfatório ou simplesmente por não pensar no futuro da obra.
     Se o artista usar o material adequado e com alta qualidade isto prolongara a vida da obra. O bom condicionamento (o jeito de guardar) também ajuda muito. Exemplo: Para uma pintura em tela necessita de uma boa base de preparo. Nada de usar material escolar pois existem materiais profissionais e de marcas conhecidas para isso, há papeis apropriados para cada tipo trabalho, etc.
     Então fica o dilema: Fazer um alto gasto na sua carreira, as vezes, sem ter um bom retorno para que seu trabalho dure ou usar a criatividade, fazer experimentações com variados suportes e materiais. A escolha é de cada um.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

RESTAURAÇÃO VAI MUITO ALEM DA PACIENCIA. HÁ MOMENTOS DE PEDREIRO TAMBEM

      Quando pensamos em restauração, associamos, na maioria das vezes,  com uma profissão que exija muita paciência-detalhista e esquecemos que ela não se resume a isso. Primeiro, restauração pode ser de moveis, de casas, de objetos, ou seja, restaurar é trazer algo  restaurado a vida e/ou a funcionalidade e isso inclui mexer na parte estrutural da obra também. Dentro do curso que fiz de restauração de escultura de madeira, papel e pintura em cavalete, a matéria que era mais "delicada" entre todas era a de papel que exige muita destreza com os materiais alem de um olho clínico milimétrico e mesmo assim trabalhávamos carregando baldes ou usando a prensa que necessita de muita força para ser movimentada.
  Ao dizer que esquecemos o outro lado, é porque as vezes, temos que ser pedreiros ou pintores; subirmos em andaimes o que exige o uso de materiais de segurança, usamos venenos e produtos altamente tóxicos que precisam ser usados com cautela para nossa saúde não correr risco fora os fungos que vem junto com as peças nas quais manipulamos e respira-los causa vários tipos de doenças.
Tanto é, que fiz uma pequena apresentação esquemática do curso usando fotos minhas feitas durante o tempo de estudo.

 Em nosso laboratório                              fazemos limpeza total            chegamos as vezes a lavar e a passar 





    Geralmente temos que ser carpinteiros, marceneiros, pedreiros alem de fazermos descobertas na bruta (com raspagens a base de bisturis )


Aprendemos a ser fotógrafos e levar nossas obras para tirarem radiografia










    
    

Também nos fazemos por culinaristas ou cientistas cientista que misturam trabalham com proporções, química, biologia.



    Para isso temos que usar o material necessário: luvas, jalecos e mascaras e qualquer outro que precisar. Tudo para manter nossa segurança total


    Também realizamos operações complicadas com nossos pacientes, e lidamos com situações e casos delicados que as vezes (para não dizer todas) também podem nos fazer mau/ são eles fezes de Insetos xilófagos (foto da direita), fungos e outros destruidores de peças/coleções



     Preenchemos lacunas porém não tornamos nada novo
 

     


E ainda temos que disfarçar rasgos para depois cortas tudo certinho

E vamos as alturas literalmente para conquistamos nossos objetivos

  

   Este link é de um trabalho em que uma colega de turma atuou. Preste atenção no que a restauradora chefe fala sobre o processo desta igreja e que serve de exemplo para todo trabalho feito em restauração.


  Esta é mais uma das postagens do blog, ate a próxima

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ALGUMAS FRASES RELACIONADAS A ARTE

     
                                                        Arte

 Resolvi colocar algumas frases relacionadas a arte, já que este é um Blog que trata sobre o assunto. Isso nao é para tentar explica-la e sim ver os sentimentos que podem se despertar e que de certa forma, alguma vez já pensamos ou sentimos porém não conseguimos expressar. Algumas destas citações nos tocam profundamente. Outra coisa; Como sempre foi falado aqui:  A arte é a palavra de difícil definição que entre em senso comum. Por isso para mim apesar de gostar muito dela tenho uma opinião que pode desagradar: A arte não existe, ela na verdade é a própria vida. Esta palavra foi inventada para tentar diferenciar da vida comum dar um sentido a algo que sentimos e não conseguimos explicar. Então resolvi escrever este tópico com algumas definições sobre arte dita por artistas que a vivem intensamente em seu trabalho. Aqui estão elas:
Observação: Uni os dois topicos do blog que diziam o mesmo assunto.

Frases:

  Esta primeira frase que citarei foi retirada do desenho Ratatouille da Disney, ela fala de comida e vale para as todas as artes também: 
   
      "Todos podem cozinhar porém somente os ousados se sobressaem." 
O que é a pura verdade pois se você não praticar continua como os comuns: despercebido.

"Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver." (Bertold Brecht)
                                                                    Retirada da comunidade do Orkut "Apaixonados pelas Artes"

"The whole point about my work is
that art grows out of
art. That is central,
no matter whether it is
high art, low art popular art or what"

-Mel Ramos

Tradução: Meu ponto de vista sobre meu trabalho é
que a arte vai para fora da 
arte. Isto é o principal, nao importa o que é
                                              arte refinada, artes menores, popular, ou o que seja.  

Agora frases retiradas do site: www.pensador.info

 "Temos a arte para não morrer da verdade."  
  Friedrich Nietzsche

"A arte conceitual errou em tentar a democratização da arte. Quanto mais conceitual a arte, mais elitizada ela ficava."   
Jacqueline Salgado

"A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível."
Leonardo da Vinci

 "A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo."
Oscar Wilde
  
"Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma."
George Bernard Shaw

 "A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta."
Fernando Pessoa

  "Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor."
Wolfgang Amadeus Mozart

"A arte começa onde a imitação acaba." Oscar Wilde

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação."
Fernando Pessoa

"A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são." 
Fernando Pessoa

"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade."   Pablo Picasso

" Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte."   Johann Goethe

"A finalidade da arte é, simplesmente, criar um estudo da alma."  Oscar Wilde

"O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar."  Fernando Pessoa

"A arte é uma flor nascida no caminho da nossa vida, e que se desenvolve para suavizá-la."
Arthur Schopenhauer

"A arte é uma flor nascida no caminho da nossa vida, e que se desenvolve para suavizá-la."

"A arte, felizmente, ainda não soube encobrir a verdade."

"A arte é a forma mais intensa de individualismo que o mundo já conheceu."
Oscar Wilde 

É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.
Simone de Beauvoir
 
"Só o amor e a arte tornam a existência tolerável."
William Maugham 

"A arte é o espelho e a crônica da sua época."
William Shakespeare 

"A arte é um resumo da natureza feito pela imaginação."
Eça de Queiroz
 
"Toda arte é imitação da natureza."
Séneca 

"A arte não é um espelho para reflectir o mundo, mas um martelo para forjá-lo."

"A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida..."

"Cada um de nós para o tempo em busca do segredo da vida. O segredo da vida está na arte."
Oscar Wilde
 
"Toda a arte e toda a filosofia podem ser consideradas como remédios da vida, ajudantes do seu crescimento ou bálsamo dos combates: postulam sempre sofrimento e sofredores."

"A lei suprema da arte é a representação do belo."
Leonardo da Vinci   

Obs:Este conceito em arte já esta em desuso pois na arte há tambem a valorização do feio

"Milhares de pessoas cultivam a música; poucas porém têm a revelação dessa grande arte."
Ludwig Beethoven 

"Em arte, procurar não significa nada. O que importa é encontrar."

A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.
Ariano Suassuna
"Todo o segredo da arte é talvez saber ordenar as emoções desordenadas, mas ordená-las de tal modo que se faça sentir ainda melhor a desordem."

"Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa."  

"A pintura é poesia sem palavras."
Voltaire
"Um retrato pintado com a alma é um retrato, não do modelo mas do artista."
Oscar Wilde 

"O amor e a arte não abraçam o que é belo, mas o que justamente com esse abraço se torna belo."

""Só a imaginação pode ir mais longe no mundo do conhecimento. Os poetas e os artistas intuem a verdade. Não pinto o que vejo, mas o que sinto."
                                                              Iberê Camargo  
(Pintor brasileiro e esta frase foi tirada do seu perfil)

"É preciso que o fruto que está dentro do artista amadureça no vagar do tempo. Aquele que tem pressa em vendê-lo, fará frutos de cera ou irá apanhá-los no pomar do vizinho."
                                                             Iberê Camargo  
(Pintor brasileiro e esta frase foi tirada do seu perfil)

"A arte é a linguagem natural da humanidade."
Fayga Ostrower

"Temos a arte para não morrer da verdade."
Friedrich Nietzsche

"A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo".
Oscar Wilde

"A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta."
Fernando Pessoa

"A arte começa onde a imitação acaba."
Oscar Wilde

"A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível."
Leonardo da Vinci

"Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma."
George Bernard Shaw

"A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são."
Fernando Pessoa

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação."
Fernando Pessoa

"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade."
Pablo Picasso

"Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor."
Wolfgang Amadeus Mozart

"A finalidade da arte é, simplesmente, criar um estudo da alma".
Oscar Wilde

"O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar."
Fernando Pessoa

"É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente."
Simone de Beauvoir

"A arte é um resumo da natureza feito pela imaginação."
Eça de Queiroz

"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte."
Mahatma Gandhi

"Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte."
Johann Goethe

"A arte é a contemplação; é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que a natureza também tem alma."
Auguste Rodin

"A essência da arte não está em ser, ou parecer bela, mas em despertar os recantos mais profundos da sensibilidade Humana"
Leonardo Horta

"Só a arte permite a realização de tudo o que na realidade a vida recusa ao homem."
Johann Goethe

"A arte representa um caminho de conhecimento da realidade humana"
Fayga Ostrower

"Toda a arte é completamente inútil."
Oscar Wilde

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PEQUENO RESUMO SOBRE ARTE RESTAURAÇÃO

(Assunto ainda pensado naquela longa viagem de 14 h)

  •      Alguem sabe como surgiram as primeiras coleções de Museus? 
    Para quem nao sabe surgiu a partir do ato mais temido por ela hoje o roubo. Pois é, isso mesmo, antigamente nao existia a politica de preservação que os paises possuem hoje e foi assim que os museus famosos da Europa conseguiram adquirir suas tão cobiçadas coleções: trazendo as novidades dos outros paises para serem conhecidas pelos seus habitantes formando os chamados gabinetes de curiosidades (figura ao lado) que eram restritos aos convidados dos reis, ou seja, as pessoas de posse.
    Estou falando isso para começar a descrever alguns fatos que aconteceram para se chegar a restauração que hoje é praticada.

    A evolução da arte foi assim... 
    Antigamente trabalhos eram feitos com o resto dos destroços de outros. Isso acontecia quando um país colonizava o outro ou quando a visao do que é arte mudava.
   As coleções surgiram dos saques praticados antigamente pelos povos antigos que conquistavam outros países. Tambem ocorriam as modificações de trabalhos ja prontos (como no poder em que  sempre um governante muda o que o outro fez porque acha o seu gosto melhor). Eram acrescentadas partes de como acreditavam que o trabalho fosse ou faziam modificações a pedido de alguem ou do pensamento da epoca.

    Ex: A igreja mandou tampar todos os orgaos genitais das figuras da capela Sistina pois achavam aquilo indecente. Muitos artistas se tornaram restauradores, pois como achavam que sabiam pintar podiam também restaurar.
    Então finalmente na Segunda Guerra Mundial quando a Europa foi completamente desolada é que tomou-se consciência de preservar e manter o que ainda restava e criou-se a noção de patrimônio e em seguida a conservação e a restauração.
     Falar em restauração é tão polemico quanto arte, pois como há a subjetividade cada um vai restaurar do jeito que pensa. Existe ate a discursao no ramo se a arte é Cientifica (pois ela exige comprovação dos métodos realizados) ou se há criatividade no seu fazer?

    O ato de restaurar é caro e poucos falam como e quanto cobrar. Muitas vezes é gasto um grande tempo restaurando para que no final a peça restaurada volte com a aparencia de nem ter sido mexida e isso frustra quem vê. Há correntes que acreditam que ao restaurar deve se fazer o uso de matérias diferentes do original porem se pareça com ele para que somente especializados identifiquem o que foi restaurado. 

   Muitos falam em evitar o achismo/invensionismo (imaginar o que artista podia ter feito em determinada parte no caso de áreas faltantes) e do processo de mínima intervenção, ou seja, deixar o maximo do original da peça (Contudo o que mede esta mínima intervenção?) A peça não deve parecer nova como a comprada na loja. Porem deve ser pensada qual é a funcionalidade da peça: se é uma peça museal (apenas ajustaria as partes q estão mais precárias), de devoção/de igreja (exige uma restauração maior). Em alguns países, acha-se que se deve conservar a patina da peça - esta patina no caso é uma camada escurecida que é formada no decorrer do tempo na peça que a deixa com aparência envelhecida - já em outros países, acham que esta patina deve ser retirada para manter a peça um pouco mais nova. Já existem pessoas que se acham restauradores e pintam as peças ou fazem ajustes da forma lhes convém.

   Ex: na nossa escola já apareceu Santa que foi queimada e como não sabiam como eram a vestiram de bolinhas (Existe santa assim???) 
 
    Como novas técnicas e novos materiais são descobertos a cada dia prega-se a técnica da reversibilidade (voltar e retirar), pois caso a peças necessitar de uma nova restauração e existir um novo material para determinada função o antigo pode ser substituído facilmente. E ai como será realmente a restauração.
 
   Agora vem o mais contraditorio, muitos dos antiquários e dos restauradores de arte entram nesta função para poderem roubar e vender arte;olha que bonito. Você manda restaurar algo e se o restaurador achar que compensa te furta a peça e ganha com ela ou vai em um antiquário comprar arte e pode ser que compre uma peça que seja procurada em outro lugar. Já parou para pensar nisso?!
   (Veja matéria do Yahoo sobre roubo de arte: Arte sacra vira lucro) É por isso que quando se restaura peça deve se fazer tudo com cautela, pois atelier são alvos visados e não se acha fácil anúncios sobre restauração.
                         Ate mais

*Proximo artigo: Frases sobre arte ditas por famosos

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

MINHA TENDENCIA DE ESCOLHER PROFISSOES DESAFIADORAS

 
   No dia 25/10 pensando no que iria ser escrito para o blog e fugindo da série de filosofia pude ter bastante idéia, já que passei 14h num banco de carro. O primeiro assunto que me veio a cabeça foi falar nos bastidores da arte, ou seja, a restauração e isso encaminhou para a historia de como chegamos a ela assim como as semelhanças existentes entre arte e restauração pois as duas profissões que apesar de dependerem uma da outra quem a estuda vê que ambas são opostas. Mas isso, deixarei para outros dois tópicos que serão postados em breve.
     O motivo de pensar que minhas opções profissionais são desafiadoras porque como disse o cara do Sine (Sistema Nacional de Emprego) em que visitei "Arte não se acha em classificado, pois nunca vi um anúncio de precisa-se de artistas", o mesmo acontece com restauração de arte que tem suas obras muito visadas para serem anunciadas assim.
     Quem faz Arte por exemplo, faz apenas para ter um 3º grau completo, ou por que é rico ou então muito sonhador pois pouca gente que se forma acaba trabalhando com isso mesmo. A maioria de quem é formado em arte vira professor então precisa enfrentar horas de jornada para conseguir sobreviver, enfrenta vários tipos de problemas com alunos porque a maioria das turmas não são como as de filme de professor no qual este profissional cai nas graças da turma e tudo percorre as mil maravilhas (poucas são as exceções) e com o excesso de trabalho a produção é deixada de lado.
     Ou então ter muito dinheiro ou ser patrocinado por alguém para poder viver de arte e esperar que descubram seu talento e consiga viver somente da sua criação ou finalmente escolher ser artista apenas no diploma e ter outro trabalho para conseguir se der tempo fazer arte pois como estava discutindo com uma conhecida, após formar (posso estar enganada mas não consegui fazer nenhuma produção) e quando estamos na faculdade a imaginação flui intuitivamente, você consegue criar muito mais fácil diferentemente de quando se forma que então o seu hobby precisa virar profissão, você tem contas para pagar e tudo muda de figura.
   Outra opção é ser monitor cultural que você acaba ensinando e sendo professor sem as pessoas perceberem pois quem faz um monitoria as vezes esta muito mais aberto a receber informações do que um aluno em sala de aula e é esta a minha opção se eu pudesse ser escolher o que fazer no ramo artístico ser monitora ou trabalhar com a área de criação de imagem. 
    Sobre a restauração acontece o mesmo, pois dentro do curso, vi que os professores aconselham não identificar seu atelier de restauração como tal então como você vai sai ai pedindo emprego. Você precisa é se sobre sair dentro da faculdade para então conseguir seus contatos e conseguir um emprego por indicação pois quem sai do curso não sai com a experiência profissional para já abrir um atelier e trabalhar por conta própria, precisa é pegar experiência recebendo instruções de profissionais mais experientes que você.
  Tudo isso que escrevi foi uma opinião que pode sim ser discutida. E já adianto, isso não quer dizer que me arrependo dos cursos que fiz ou que eu não goste deles muito pelo contrario.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O QUE É ARTE? TRES TEORIAS SOBRE UM PROBLEMA CENTRAL DA ESTETICA

O que é arte?

Três teorias sobre um problema central da estética
Aires Almeida

Introdução

     Este ensaio apresenta aos estudantes de filosofia os problemas teorias e argumentos da estética, o que será feito da seguinte maneira:
  1. Em primeiro lugar, procurarei mostrar que a estética é uma disciplina heterogénea, a qual tem sido encarada como teoria do belo, como teoria do gosto e como filosofia da arte. Direi muito rapidamente em que consiste cada uma dessas coisas e orientarei o seu interesse para a estética enquanto filosofia da arte, apresentando razões para isso.
  2. Seguidamente, apresentarei as principais noções de base necessárias à discussão crítica dos problemas, teorias e argumentos da filosofia da arte.
  3. Finalmente, apresentarei criticamente, mas de forma abreviada, algumas teorias e argumentos acerca do problema da definição de arte. A escolha das teorias tem por base o seu caráter intuitivo e a convicção de que traduzem de maneira organizada o que os alunos pensam de maneira desorganizada. Essas teorias são as designadas teorias essencialistas: teoria da imitação, teoria da expressão e teoria formalista.

1. O que é a estética?

    O ramo da filosofia a que se dá o nome de «estética» inclui um conjunto de conceitos e de problemas tão variado que, aos olhos daquele que se inicia no seu estudo, pode parecer uma matéria demasiado dispersa e inacessível. Essa primeira impressão é compreensível, mas ultrapassável. Uma maneira de desfazer tal impressão é começar por esclarecer que a estética é a disciplina filosófica que se ocupa dos problemas, teorias e argumentos acerca da arte. A estética é, portanto, o mesmo que filosofia da arte.
     Mas há um problema com esta forma de apresentar a estética: o termo «estética» não tem sido sempre utilizado nesse sentido. E isso não ocorre apenas em relação ao uso comum da palavra «estética»; ocorre também no interior da própria tradição filosófica.
   Na tentativa de desfazer essa dificuldade, a estética é muitas vezes apresentada como a disciplina filosófica que se ocupa dos problemas e dos conceitos que utilizamos quando nos referimos a objetos estéticos. Só que isso pouco adianta se não soubermos antes o que se entende por «objetos estéticos». Podemos, contudo, acrescentar que os objetos estéticos são os objetos que provocam em nós uma experiência estética. Mas, uma vez mais, ficamos insatisfeitos, pois teremos agora de saber o que é uma experiência estética. Resta-nos insistir e perguntar: «O que é uma experiência estética?» Uma resposta possível, mas sem ser circular ― sem voltar ao princípio e afirmar que uma experiência estética é o que resulta da contemplação de objetos estéticos ―, é apresentar alguns exemplos daquilo que consideramos ser juízos estéticos, isto é, juízos acerca de objetos estéticos e que, portanto, exprimem experiências estéticas.
    Eis alguns exemplos de frases que habitualmente proferimos e que qualquer pessoa estaria disposta a reconhecer que exprimem juízos estéticos:
F1: «Aquela casa é bonita»
F2: «O vale do Douro é belo»
F3: «O nascer do dia naquela amena manhã de Maio no Gerês com o cheiro a terra molhada e os pássaros a chilrear foi sublime»
F4: «A decoração desta montra está com muito bom gosto»
F5: «O último andamento da 9ª Sinfonia de Beethoven é emocionante»
F6: «O quadro Mulher-cão de Paula Rego é uma verdadeira obra-prima»
F7: «O livro Ulisses de James Joyce é uma obra complexa»
     Estas frases parecem trazer de volta a impressão inicial de que os problemas da estética são heterogéneos.
     Assim, frases como F1 e F2 exprimem juízos acerca do que se considera ser bonito ou belo, mas nenhuma das outras o faz. Talvez F1 esteja também a referir alguma obra de arte (...)
     Por sua vez, frases como F4, F5, F6 e F7 exprimem a opinião de alguém acerca de algo realizado por outras pessoas, mas enquanto as três últimas referem obras de arte, tal não sucede com F4.
    Quanto a F3 e F4 sabemos que não está em causa o conceito de belo nem se refere qualquer obra de arte, mas apenas o que sentimos em relação a algo que simplesmente nos agrada. Isso é também o que acontece em relação a F5, só que desta vez a propósito de uma obra de arte.
   O que podemos concluir daqui?
Se os nossos exemplos se limitassem a F1 e F2, então a estética seria entendida apenas como teoria do belo, pois o problema parece consistir em saber o que significa «ser belo».
   Caso pensemos apenas em F3, F4 e F5, o que temos como problema já não é rigorosamente o do significado de «ser belo» mas o de saber por que razão e sob que condições acabamos por formar esse tipo de juízos, ou seja, juízos de gosto (nesta perspectiva também F1 e F2 podem simplesmente ser tomados como juízos de gosto).
     Finalmente, se pensarmos em F1 (pelo menos em certos casos, como o da referida casa da cascata ), F5, F6 e F7, o problema com que nos deparamos não é o do belo, nem sequer o do juízo de gosto, mas sim o problema de saber o que é e como se avalia uma obra de arte.
   Estamos, assim, em condições de concluir que a estética pode ser ― o que de resto é mostrado pela sua história ― uma de três coisas: teoria do belo, teoria do gosto ou filosofia da arte.
     Deveria também ficar claro que a teoria do belo não exclui completamente do seu domínio muitas das obras de arte e a filosofia da arte não se desinteressa completamente de algumas obras belas, tal como a teoria do gosto se pode aplicar quer a objetos belos, quer a objetos de arte. 

Urinol, de Marcel Duchamp (1887-1968)     Mas não devemos confundir teoria do belo, teoria do gosto e filosofia da arte. Até porque há obras de arte que não são belas, como o célebre Urinol, de Marcel Duchamp; há obras de arte de que não gostamos, (...) há coisas belas que não são arte, como um pôr-do-sol natural e a planície alentejana; e há coisas de que gostamos que não são arte nem são belas, como a nossa caminha e melão com presunto.
     Isto significa que os objetos que fazem parte da extensão dos conceitos de belo, de gosto e de arte não são os mesmos, pelo que não estamos a discutir os mesmos problemas quando discutimos cada um desses conceitos.
     Em que ficamos, então?
     Se bem que a estética tenha sido entendida inicialmente como teoria do belo e só depois como teoria do gosto, é como filosofia da arte que ela é atualmente entendida. Vale a pena, ainda que brevemente, apresentar algumas razões para isso:
  1. Em primeiro lugar, tanto a teoria do belo como a teoria do gosto dirigiram o seu interesse de forma particular para as obras de arte. Para além do problema de saber o que é o belo, um dos problemas colocados pela teoria do belo foi o da distinção entre o belo natural e o belo artístico. No mesmo sentido também os defensores da teoria do gosto procuraram compreender porque é que a arte está na origem de grande parte dos nossos juízos de gosto.
  2. Em segundo lugar, a teoria do belo e a teoria do gosto não conseguem dar conta de muitos dos problemas que se colocam com o conceito de arte. É o caso das obras de arte que dificilmente podemos considerar belas e daquelas de que não gostamos mas não podemos deixar de considerar obras de arte.
  3. Em terceiro lugar, o desenvolvimento da arte consegue levantar problemas acerca dos conceitos de belo e de gosto que estes não conseguem levantar acerca da arte. Isso torna-se evidente quando, por exemplo, os gostos e a própria noção de belo se podem modificar à medida que contactamos com diferentes obras de arte (a ideia de que a arte educa os gostos e influencia a nossa própria noção de belo).

2. Estética e filosofia da arte

     É, pois, como filosofia da arte que a partir de aqui irei falar de estética. A filosofia da arte é, por sua vez, formada por um conjunto de problemas acerca da arte, para a resolução dos quais concorrem diferentes teorias. Algumas dessas teorias e os argumentos que as sustentam serão aqui discutidos, nomeadamente aquelas teorias que têm um conteúdo aparentemente mais intuitivo, isto é, aquelas que colhem a adesão espontânea de grande parte das pessoas que se defrontam pela primeira vez de forma direta com o problema. São também as teorias mais antigas e que, embora com um menor poder explicativo, gozam de uma popularidade assinalável.

2.1. O problema da definição de «obra de arte»

     O primeiro problema que qualquer teoria da arte tem de enfrentar é o problema da própria definição de «arte» ou de «obra de arte». Como podemos então definir «arte»? Para o saber temos de perceber antes o que é definir algo.

Tipos de definições:

    Há quem defenda que definir um conceito é dizer em que consiste e caso não saibamos defini-lo dessa maneira também não estamos em condições de o utilizar adequadamente. Defender isto é o mesmo que dizer que há apenas uma forma de definir conceitos, o que não é o caso. Ao contrário do que é vulgar pensar-se, não existe apenas um tipo de definições. Sabemos utilizar perfeitamente o conceito «azul» sem que, no entanto, o possamos definir dessa maneira. Não o saber definir dessa maneira não é o mesmo que o não poder definir. Para compreendermos isso é preciso distinguir dois tipos de definições: definições explícitas e definições implícitas.
    Diz-se que uma definição é explícita quando apresentamos as condições necessárias e suficientes do conceito a definir. Mas o que são condições necessárias e suficientes? Oferecemos uma condição necessária de X se apresentarmos uma propriedade que qualquer objeto tem de ter para ser X. Por exemplo, se dissermos que uma mãe é alguém que já teve filhos, estamos apenas a referir uma condição necessária para alguém ser mãe (de facto ninguém pode ser mãe se não tiver tido pelo menos um filho); só que isso não é suficiente, pois há pessoas que já tiveram filhos, como é o caso dos homens com filhos, e que não são mães. A condição necessária aplica-se a todas as mães, mas não tem de se aplicar só às mães. Temos, pois, de definir «mãe» de tal maneira que a definição inclua as mães e só as mães, o que se faz indicando a condição suficiente. Uma condição suficiente de X é uma característica tal que se um qualquer objeto a possui, então esse objeto é X. Isso indica-nos que se trata de uma característica de X e apenas de X. A condição suficiente de X não nos garante, pois, a inclusão de tudo o que queremos incluir na definição de X. Para dar um exemplo, é condição suficiente viver no Algarve para viver em Portugal, embora essa não seja uma condição necessária. Afinal de contas, as pessoas que vivem no Minho também vivem em Portugal. Voltando ao meu primeiro exemplo, se quisermos dar uma definição explícita de «mãe» teremos de dizer qualquer coisa como isto: «alguém é uma mãe se, e somente se, é do sexo feminino e já teve filhos». Ser do sexo feminino e ter tido filhos são em conjunto propriedades suficientes para alguém ser mãe; mas cada uma delas em separado é apenas condição necessária.
     Já numa definição implícita não temos de oferecer as condições necessárias e suficientes de um conceito. Exigir, por exemplo, as condições necessárias e suficientes do conceito de azul, é fazer uma exigência que não pode ser satisfeita. Penso que o mesmo acontece também com o conceito de filosofia. Daí o embaraço do professor de filosofia quando o aluno lhe pede que defina a disciplina que leciona. Significa isso que não podemos definir tais conceitos? Se estivermos a pensar numa definição explícita, é claro que não. Mas é perfeitamente possível dar uma definição implícita, que é o que fazemos com as crianças quando lhes queremos ensinar as cores (e com os alunos quando nos perguntam o que é a filosofia) e o que provavelmente teríamos de fazer se nos aparecesse por aí algum extraterrestre interessado em compreender o que dizemos. Assim, para dar uma definição de X, usamos esse conceito em situações diferentes de tal modo que, ao fazê-lo, estamos a exemplificar as propriedades dos objetos que com X queremos identificar. Diríamos, então, ao extraterrestre que o céu (poderíamos até apontar) é azul, que o mar é azul, que as camisolas do Belenenses são azuis, e por aí em diante.

Definições e caracterizações

     Mas acontece, ainda assim, que muitas das nossas definições implícitas nos deixam insatisfeitos. Precisamos de saber algo mais acerca dos conceitos definidos. Algo que seja relevante para a compreensão do conceito e que nos informe acerca das propriedades mais importantes dos objetos que fazem parte da sua extensão. Para isso é que servem as caracterizações, isto é, a apresentação das principais características daquilo que os conceitos referem. No caso da filosofia, o professor pode apontar exemplos de problemas, teorias e argumentos filosóficos. Estará assim a dar uma definição implícita de filosofia. Mas pode e deve ir mais longe, fazendo acompanhar a sua definição de uma caracterização. Nesse sentido, poderá referir o que distingue os problemas filosóficos dos problemas científicos e religiosos; as teorias filosóficas das teorias científicas, religiosas e artísticas, etc. É claro que tal caracterização nunca irá ser exaustiva nem pacífica, mas, concordemos ou não com ela, sempre clarifica aquilo que se tem em mente quando se usa tal conceito.

Utilização classificativa e valorativa de «arte»

    Retomando o problema da definição de «arte», quero desde já esclarecer que o termo «arte» ou a expressão «obra de arte» são frequentemente usados em dois sentidos diferentes: o sentido classificativo e o sentido valorativo. No primeiro destes dois sentidos não se tem em conta se uma determinada obra de arte é boa ou não, mas apenas se cai ou não debaixo da extensão do conceito de arte. Pretende-se apenas estabelecer se um certo objeto deve ser classificado como obra de arte. Ao classificarmos um veículo como automóvel nada dizemos acerca do seu valor como automóvel. Mas, às vezes, proferimos frases como «isto sim, é um automóvel», em que o significado de «automóvel» não é o mesmo que o apontado anteriormente. Estamos, neste caso, perante um exemplo da utilização valorativa de «automóvel», uma vez que com esta expressão queremos manifestar de forma positiva a nossa apreciação do veículo em causa, tal como o fazemos em relação a uma obra de arte ao afirmar «este quadro sim, é uma obra de arte». Aqui não estamos a classificá-la como obra de arte, mas a avaliá-lo como obra de arte boa. Estes dois usos são frequentemente confundidos e é imprescindível tê-los em mente quando se discutem as diferentes teorias da arte.

2.2. Definições explícitas de «arte»: as teorias essencialistas

    Irão ser aqui brevemente discutidas três teorias da arte essencialistas. Trata-se de teorias que defendem uma ideia de arte intuitivamente partilhada por muitas pessoas, apesar das dificuldades que, como iremos ver, revelam quando são criticamente avaliadas.
    Mas antes de avançar precisamos de esclarecer em que consiste uma teoria essencialista da arte. As teorias essencialistas defendem que existe uma essência de arte, ou seja, que existem propriedades essenciais comuns a todas as obras de arte e que só nas obras de arte se encontram. Ora as propriedades essenciais são diferentes das propriedades acidentais. Uma propriedade é essencial se os objectos que a exemplificam não podem deixar de a exemplificar sem que deixem de ser o que eram. Uma propriedade é acidental se, apesar de ser realmente exemplificada pelos objetos, poderia não o ser. Isso significa que as propriedades essenciais da arte são aquelas propriedades que não podem deixar de se encontrar nas obras de arte. São, portanto, exemplificadas por todas as obras de arte, reais ou meramente possíveis. Mas uma definição essencialista exige também que tais propriedades sirvam para distinguir a arte de outras coisas que não são arte. Daí que se procurem apenas identificar as propriedades essenciais que sejam individuadoras da arte. Por exemplo, uma propriedade essencial das obras de arte é a de terem um autor (pelo menos). Mas ter um autor não é uma propriedade individuadora da arte porque outras coisas que não são arte têm também essa propriedade essencial, como é o caso dos artigos de opinião dos jornais. Não seria por aí que iríamos identificar as obras de arte. Ora, se há propriedades comuns a todas as obras de arte e individuadoras das obras de arte, é então possível dizer quais são as suas condições necessárias e suficientes; quer dizer, é possível fornecer uma definição explícita de arte. Contudo, é preciso reconhecer que nem todas as definições explícitas são essencialistas.

Teoria da arte como imitação

   Esta é uma das mais antigas teorias da arte. Foi, aliás, durante muito tempo aceite pelos próprios artistas como inquestionável. A definição que constitui a sua tese central é a seguinte:
  • Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo homem e imita algo.
    A característica própria desta teoria não reside no fato de defender que uma obra de arte tem de ser produzida pelo homem, o que é comum a outras teorias, mas na ideia de que para ser arte essa obra tem de imitar algo. Daí que seja conhecida como teoria da arte como imitação.
    Vários foram os filósofos que se referiram à arte como imitação. Alguns desprezavam-na por isso mesmo, como acontecia com o conhecido filósofo grego Platão que, ao considerar que as obras de arte imitavam os objectos naturais, via essas obras como imagens imperfeitas dos seus originais. Ainda por cima quando, no seu ponto de vista, os próprios objectos naturais eram por sua vez cópias de outros seres mais perfeitos. Já o seu contemporâneo Aristóteles, mantendo embora a ideia de arte como imitação, tinha uma opinião mais favorável à arte, uma vez que os objetos que a arte imita não são, segundo ele, cópias de nada.
    O que agora nos interessa, mais do que saber quem defendeu esta teoria, é avaliar o seu poder explicativo. Vejamos então os principais pontos que perecem favoráveis a ela:

Composição, de Jackson Pollock (1912-1956)   POLLOCK, '"Composição"
  • Adequa-se ao facto incontestável de muitas pinturas, esculturas e outras obras de arte, como peças de teatro ou filmes imitarem algo da natureza: paisagens, pessoas, objetos, acontecimentos, etc.
  • Oferece um critério de classificação das obras de arte bastante rigoroso, o que nos permite, aparentemente, distinguir com alguma facilidade um objeto que é uma obra de arte de outro que o não é.
  • Oferece um critério de valoração das obras de arte que nos possibilita distinguir facilmente as boas das más obras de arte. Neste sentido, uma obra de arte seria tão boa quanto mais se conseguisse aproximar do objeto imitado.
    Um aspecto geral desta teoria mostra-nos que é uma teoria centrada nos objetos imitados. Ela exprime-se frequentemente através de frases como «este filme é excelente, pois é um retrato fiel da sociedade americana nos anos 60», ou como «este quadro é tão bom que mal conseguimos distinguir aquilo que o artista pintou do modelo utilizado».
    Mas será uma boa teoria? Para isso temos de testar cada um dos aspectos atrás apresentados que são favoráveis à teoria, começando pelo primeiro.

Pormenor de O Jardim das Delícias, de Jerónimo Bosh (1450?-1516)    Como o que é afirmado no primeiro ponto é do domínio empírico, não precisamos de procurar muito para percebermos que, apesar de muitas obras de arte imitarem algo, são inúmeras aquelas que o não fazem. O que constitui a sua refutação inequívoca. Obras de arte que não imitam nada encontramo-las tanto na pintura como na escultura abstratas ou noutras artes visuais não figurativas. De forma ainda mais notória encontramo-las na literatura e na música. Em relação à música é até bastante improvável que haja alguma obra musical que imite seja o que for, apesar de haver quem se tenha batido pela música programática (música que conta uma história, ilustra um acontecimento ou evoca um cenário natural). Até porque evocar ou ilustrar com sons não é o mesmo que imitar, a não ser indiretamente. Conscientes disso, os defensores mais recentes da teoria da arte como imitação, acabaram por substituir o conceito de imitação pelo conceito mais sofisticado de representação. Assim já poderíamos dizer que as quatro primeiras notas da 5.ª Sinfonia Composição (1946) de Jackson Pollock ou as Suites para Violoncelo Solo de Bach? Dificilmente diríamos que representam algo. Ficamos, deste modo, com uma teoria que não observa os requisitos anteriormente expostos acerca do que deve ser uma definição explícita, pois defende que uma condição necessária para algo ser arte é imitar, e isso não acontece com todas as obras de arte. Trata-se de uma definição que não inclui tudo o que deveria incluir, deixando assim muito por explicar. de Beethoven não imitam directamente a morte a bater à porta, mas representam a morte a bater à porta. O mesmo se passaria com a literatura, da qual talvez não se possa dizer que imita mas que representa sempre algo que acontece no mundo. Mas, ainda assim, podemos perguntar: o que representam a pintura.
      Em relação ao segundo aspecto, esta teoria deixa também muito a desejar. O que referi acerca do ponto anterior acaba também por desconsiderar o critério de classificação apresentado. Convém, portanto, realçar que o critério de classificação de arte proposto por esta teoria não pode ser bom, pois ficamos insatisfeitos ao verificar que há obras que são reconhecidamente arte e não são classificadas como tal. A conservar este critério, seriam as obras de arte que deveriam conformar-se à definição de arte e não o contrário. Mas acontece que nem esta nem nenhuma outra definição de arte disponível é suficientemente forte para nos fazer abandonar as nossas intuições de que certas obras são arte, ainda que tais definições as não classifiquem como tal.
     Finalmente, o terceiro ponto também é muito discutível. Apesar de ficarmos muitas vezes positivamente impressionados com a perfeição representativa de algumas obras de arte, o seu critério valorativo falha porque muitas outras obras de arte não poderiam ser consideradas boas nem más, já que não imitam nada. Mas falha ainda por haver obras que imitam algo sem que nos encontremos alguma vez em condições de saber se a imitação é boa ou má. Basta pensar em obras que imitam algo que já não existe ou não é do conhecimento de quem as aprecia. Como podemos saber se A Escola de Atenas, de Rafael,
 reproduz com perfeição as figuras de Platão e Aristóteles ou o ambiente da Academia? Pior, como sabemos que o Jardim das Delícias, de Bosch, imita bem aquelas figuras estranhas e inverosímeis, admitindo que algo está a ser imitado? Como podemos saber se O Nascimento de Vénus, de Botticelli, é uma boa imitação, se é que, mais uma vez, algo é imitado? E não será abusivo afirmar que qualquer pintura figurativa tecnicamente apurada é melhor do que o tosco Auto-Retrato com Chapéu de Palha, de Van Gogh, ou do que todas as obras impressionistas? Segundo este critério Picasso seria, com certeza, um artista menor e teríamos de reconhecer que a fotografia é a mais perfeita de todas as artes. Só que não é isso que acontece. Vemos, assim, que também em relação ao critério valorativo esta teoria está longe de dar resposta satisfatória a todas as objeções que se lhe colocam. 

O Nascimento de Vénus, de Sandro Botticelli (1445-1510)                                                                 A Escola de Atenas, de Rafael (1483-1520)

BOTTICCELI, O Nasimento da venus                                          RAFAEL, Escola de Athenas

Teoria da arte como expressão

     Insatisfeitos com a teoria da arte como imitação (ou representação), muitos filósofos e artistas românticos do século XIX propuseram uma definição de arte que procurava libertar-se das limitações da teoria anterior, ao mesmo tempo que deslocava para o artista, ou criador, a chave da compreensão da arte. Trata-se da teoria da arte como expressão. Teoria que, ainda hoje, uma enorme quantidade de pessoas aceita sem questionar. Segundo a teoria da expressão 

 VAN GOGH "Auto-Retrato com chapeu de palha"
  • Uma obra é arte se, e só se, exprime sentimentos e emoções do artista.
Vejamos o que parece concorrer a favor dela:
  1. São muitos e eloquentes os testemunhos de artistas que reconhecem a importância de certas emoções sem as quais as suas obras não teriam certamente existido. Mais do que isso, se é verdade, como parece ser, que a arte provoca em nós determinadas emoções ou sentimentos, então é porque tais sentimentos e emoções existiram no seu criador e deram origem a tais obras.
  2. Também nos oferece, como a teoria anterior, um critério que permite, com algum rigor, classificar objetos como obras de arte. Com a vantagem acrescida de classificar como arte todas as obras que não imitam nada, o que acontece frequentemente na literatura e sempre na música e na arte abstrata.
  3. Mais uma vez oferece um critério valorativo: uma obra é tanto melhor quanto melhor conseguir exprimir os sentimentos do artista que a criou.
    Uma teoria como esta manifesta-se frequentemente em juízos como «Este é um livro exemplar em que o autor nos transmite o seu desespero perante uma vida sem sentido» ou como «O autor do filme filma magistralmente os seus próprios traumas e obsessões».
        Mas também ela se irá revelar uma teoria insatisfatória. As razões são semelhantes às que apresentei contra a teoria da arte como imitação, pelo que tentarei aqui ser mais breve.
sem título, de Yves Klein
                                                              Yves Klein    
      
O primeiro ponto apresenta várias falhas. Desde logo, é também empiricamente refutado porque há obras que não exprimem qualquer emoção ou sentimento. Podemos até admitir que o emaranhado espesso de linhas coloridas do quadro de Pollock exprime algo ao deixar registados na tela os seus gestos (é geralmente incluído na corrente artística conhecida como expressionismo abstracto). Mas podemos dizer o mesmo da maior parte dos quadros de Yves Klein, Mondrian ou de Vasarely? O grande compositor do nosso século, Richard Strauss, autor de vários poemas sinfónicos, como o célebre Assim Falava Zaratustra, esclarecia que as suas obras eram fruto de um trabalho paciente e minucioso no sentido de as aperfeiçoar, eliminando desse modo os defeitos inerentes a qualquer produto emocional. E que dizer da chamada música aleatória (música feita com o recurso a sons produzidos ao acaso)? Além disso, mesmo que uma obra de arte provoque certas emoções em nós, daí não se segue que essas emoções tenham existido no seu autor. Se a ingestão de dez copos de vinho seguidos provocam em mim o sentimento de euforia, daí não se segue que o vinicultor que produziu o vinho estivesse eufórico. Trata-se, portanto, de uma inferência falaciosa. Tal como na definição de arte como imitação, o mesmo se passa aqui, pois acaba por não se verificar a condição necessária segundo a qual todas as obras de arte exprimem emoções. É, assim, uma má definição.

Quasarte, de Victor Vasarely
                                                                  Vasarelli


      A deficiência em relação ao critério de classificação é praticamente a mesma apontada à teoria da imitação. A única diferença é que, neste caso, uma maior quantidade de objetos podem ser classificados como arte. Mas nem todas as obras de arte são, de facto, classificadas como tal.
Sobre o critério de valoração, também as objeções são idênticas às da teoria da imitação. Se observarmos este critério, então as obras de arte que não podem ser consideradas boas nem más são inúmeras. Como podemos nós saber se uma determinada obra exprime corretamente as emoções do artista que a criou, quando o artista já morreu há séculos? Na tentativa de apurar até que ponto uma obra de arte é boa, muitos estudiosos defensores desta teoria lançaram-se na pesquisa biográfica do artista que a criou, pois só assim estariam em condições de compreender os sentimentos que lhe deram origem.     
    Alguns deles, como o famoso pai da psicanálise, Sigmund Freud, até se aventuraram a sondar as profundezas da psicologia do artista, sem o que uma correcta avaliação da obra não seria possível. Freud foi ao ponto de o fazer com um artista morto há séculos, como é descrito no seu livro Uma Recordação de Infância de Leonardo da Vinci. Supondo que, como já tem acontecido, a obra em causa tinha sido erradamente atribuída a outro autor, essa obra deixaria de poder ser considerada obra-prima? E as obras de autores anónimos ou desconhecidos não são boas nem más? E como avaliar uma obra de arte colectiva ou a interpretação de uma obra musical? O que conta aqui são as emoções do artista criador ou as do artista intérprete (ou dos artistas intérpretes, como sucede com a interpretação da Segunda Sinfonia de Mahler, a qual chega a exigir perto de 250 intérpretes em palco)? Enfim, todas estas perguntas são demasiado embaraçosas para a teoria da expressão.

Composição com Vermelho, Amarelo e Azul, de Piet Mondrian (1872-1944)

                                                            MONDRIAN Pintura em tela

 Teoria da arte como forma significante

     Verificando que a diversidade de obras de arte é bem maior do que as teorias da imitação e da expressão fariam supor, uma teoria mais elaborada, e também mais recente, conhecida como teoria da forma significante (abreviadamente referida como «teoria formalista»), decidiu abandonar a ideia de que existe uma característica que possa ser directamente encontrada em todas as obras de arte. Esta teoria, defendida, entre outros, pelo filósofo Clive Bell, considera que não se deve começar por procurar aquilo que define uma obra de arte na própria obra, mas sim no sujeito que a aprecia. Isso não significa que não haja uma característica comum a todas as obras de arte, mas que podemos identificá-la apenas por intermédio de um tipo de emoção peculiar, a que chama emoção estética, que elas, e só elas, provocam em nós. Por esta razão a incluo nas teorias essencialistas. De acordo com a teoria formalista de Clive Bell
  • Uma obra é arte se, e só se, provoca nas pessoas emoções estéticas.
      Note-se que não se diz que as obras de arte exprimem emoções, senão estar-se-ia a defender o mesmo que a teoria da expressão, mas que provocam emoções nas pessoas, o que é bem diferente. Se a teoria da imitação estava centrada nos objetos representados e a teoria da expressão no artista criador, a teoria formalista parte do sujeito sensível que aprecia obras de arte. Digo que parte do sujeito e não que está centrada nele, caso contrário não seria coerente considerar que esta teoria é formalista.
    Tendo em conta a definição dada, reparamos que a característica de provocar emoções estéticas constitui, simultaneamente, a condição necessária e suficiente para que um objecto seja uma obra de arte. Mas se essa emoção peculiar chamada «emoção estética» é provocada pelas obras de arte, e só por elas, então tem de haver alguma propriedade também ela peculiar a todas as obras de arte, que seja capaz de provocar tal emoção nas pessoas. Mas essa característica existe mesmo? Clive Bell responde que sim e diz que é a forma significante.
     Frases como «Este quadro é uma verdadeira obra prima devido à excepcional harmonia das cores e ao equilíbrio da composição», ou como «Aquele livro é excelente porque está muito bem escrito e apresenta uma história bem construída apoiada em personagens convincentes e bem caracterizadas», exprimem habitualmente uma perspectiva formalista da arte.
    Para já, esta teoria parece ter uma grande vantagem: pode incluir todo o tipo de obras de arte, inclusivamente obras que exemplifiquem formas de arte ainda por inventar. Desde que provoque emoções estéticas qualquer objecto é uma obra de arte, ficando assim ultrapassado o carácter restritivo das teorias anteriores.
     Mas as suas dificuldades também são enormes.
  1. Em primeiro lugar, podemos mostrar que algumas pessoas não sentem qualquer tipo de emoção perante certas obras que são consideradas arte. Quer dizer que essas obras podem ser arte para uns e não o ser para outros? Nesse caso o critério para diferenciar as obras de arte das outras de que serviria? Teríamos, então, obras de arte que não são obras de arte, o que não faz sentido. Também não é grande ideia responder que quem não sente emoções estéticas em relação a determinadas obras não é uma pessoa sensível, como sugere Bell, o que parece uma inaceitável fuga às dificuldades. 
  2. Uma outra dificuldade é conseguir explicar de maneira convincente em que consiste a tal propriedade comum a todas as obras de arte, a tal «forma significante», responsável pelas emoções estéticas que experimentamos. Clive Bell refere, pensando apenas no caso da pintura, que a forma significante reside numa certa combinação de linhas e cores. Mas que combinação é essa e que cores são essas exactamente? E em que consiste a forma significante na música, na literatura, no teatro, etc.? A ideia que fica é que a forma significante não serve para identificar nada. Não se trata verdadeiramente de uma propriedade, pois a forma significante na pintura consiste numa certa combinação de cores e linhas, mas na música, na literatura, no cinema, etc., já não podem ser as cores e linhas a exemplificar a forma significante. Não temos, assim, uma propriedade mas várias propriedades. É certo que diferentes propriedades podem provocar o mesmo tipo peculiar de emoções nas pessoas, mas chamar a diferentes propriedades "forma significante" é de tal forma vago que não se imagina o que poderia constituir uma contra-exemplo a esta definição. Também a resposta de que a forma significante é a propriedade que provoca em nós emoções estéticas, depois de dizer que as emoções estéticas são provocadas pela forma significante é não só inútil mas decepcionante, já que se trata de uma falácia: a falácia da circularidade.

E agora?

     Pelo que se viu, nenhuma das teorias aqui discutidas parece satisfatória. Tendo reparado nas insuficiências das teorias essencialistas, alguns filósofos da arte, como Morris Weitz, abandonaram simplesmente a ideia de que a arte pode ser definida; outros, como George Dickie, apresentaram definições não essencialistas da arte, apelando, nesse sentido, para aspectos extrínsecos à própria obra de arte; outros ainda, como Nelson Goodman, concluíram que a pergunta «O que é arte?» deveria ser substituída pela pergunta mais adequada «Quando há arte?». Serão estas teorias melhores do que as anteriores? Aí está uma boa razão para não darmos por terminada esta tarefa.

Trabalho realizado no âmbito da Acção de Formação "O Pensamento Crítico e a Tradição Socrática na Sala de Aula", lecionada por Desidério Murcho.

Fonte http://criticanarede.com/fil_tresteoriasdaarte.html
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