Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

sexta-feira, 5 de março de 2010

ARTE E ARTESANATO: Por Que Barreiras? Texto de Ana Júlia Crocomo


    Este texto foi copiado porque é o assunto que se mais ouve dizem em faculdades. De um lado os professores te criticam porque voce fez um trabalho e o tema utilizado é "muito comum". Por exemplo, pode ser encontrado em qualquer feira e arte não é "vendável" porém os mesmos professores acabam fazendo artesanato para se manter. Complicado não? Então, vamos ao texto:
Obs: caso gostem da autora leiam este texto tambem dela que fala sobre a importancia do desenho: http://lauraartes.blogspot.com/2011/08/sobre-o-desenho-texto-da-mesma-autora.html 
  • Arte e Artesanato: por que barreiras?
Ana Julia Cromo  
  
     Desde meu ingresso na universidade, um assunto que despertou meu interesse e minha inquietação foi pela a distinção estabelecida entre arte e artesanato, como se houvesse uma barreira entre os dois conceitos, como se fossem coisas completamente distintas.
    Não me refiro aqui aos objetos fabricados em grande quantidade, como em uma linha de produção artesanal. Mas sim àqueles objetos que são únicos, fabricados pelo artesão minuciosamente, com todo um exercício de criação e de dedicação, em que cada um deles apresenta uma impressão do artista.

Octavio Paz, em seu texto "Ver e Usar: Arte e Artesanato", discute esta questão.

     “Feito com as mãos, o objeto artesanal conserva, real ou metaforicamente, as impressões digitais de quem o fez. Essas impressões são a assinatura do artista, não um nome, nem uma marca. São antes um sinal: a cicatriz quase apagada que comemora a fraternidade original dos homens. Feito pelas mãos o objeto artesanal está feito para as mãos: não só podemos ver como apalpar. A obra de arte nós vemos, mas não tocamos.” (p.51)
      Os objetos artesanais são feitos um a um, manualmente. É impossível que não exista neles a criação, o trabalho e o fazer artístico. A história da arte, desde sua origem, está intimamente ligada ao artesanato e à utilidade. Com o passar do tempo, estabeleceram-se barreiras em torno da arte, os quadros foram dispostos nas paredes brancas dos museus e galerias, intocáveis e eternos. O artesanato tornou-se utilitário, descartável e passou a ser vendido em feiras a baixo custo, para que o artesão possa sobreviver. Tornaram-se conceitos diferentes, como se nunca houvesse existido relação entre eles.
     Icleia Cattani, no texto "Mestiçagens na Arte Contemporânea: conceitos e desdobramentos", comenta: “no momento contemporâneo, constata-se que a arte é campo de experimentação no qual todos os cruzamentos entre passado e presente, manualidade e tecnologia, materiais, suportes e formas diversos se tornam possíveis”. Na atualidade, o campo das artes tem se tornado cada vez mais amplo, abrangendo e buscando outras áreas de conhecimento. Já a manualidade, o fazer artesanal, por vezes, acabam sendo deixados à margem. Porém, como afirma Cattani, há espaço para todo o tipo de experimentação.
     Walter Gropius, um dos fundadores da Bauhaus (considerada uma das primeiras escolas de design do mundo), escreve um manifesto em 1919, ele afirma:
    “Não há nenhuma diferença essencial entre artista e artesão, o artista é uma elevação do artesão, a graça divina, em raros momentos de luz que estão além de sua vontade, faz florescer inconscientemente obras de arte, entretanto, a base do ‘saber fazer’ é indispensável para todo artista. Aí se encontra a fonte de criação artística. Formemos, portanto, uma nova corporação de artesãos, sem a arrogância exclusivista que criava um muro de orgulho entre artesãos e artistas”.
     Não vejo o artista como elevação do artesão, mas acredito, sim, que os dois campos devem caminhar juntos. Toda a atividade artística envolve uma atividade artesanal. Mesmo as novas mídias (vídeos, instalações, performances, manipulação de imagens) exigem dedicação, tempo e manualidades do profissional. Escolhi esta citação de Gropius, por acreditar não ser necessária a construção deste muro que separa a atividade artística do artesanato.
     Não estou aqui defendendo a idéia de que toda atividade artesanal é artística, mas acredito que as artes estão inegavelmente ligadas ao artesanato. Em meus trabalhos busco sempre o fazer artesanal, gosto de evidenciar em meus desenhos o tempo, a dedicação que tenho para com eles. Faço peças utilitárias, bijuterias e jóias. Considero que esta entrega do artista a seu ofício é importantíssima e encantadora. É certo que na atividade artística persistem o saber fazer e a sensibilidade artesanais.

Referências Bibliográficas
PAZ, Octavio. Convergências: ensaios sobre arte e literatura. Rio de Janeiro: Rocco. (p. 45 a 55).

GROPIUS, Walter. Manifesto Bauhaus, 1919. Disponível em . Acesso em 10 de set. de 2008.

CATTANI, Icleia Borsa (org). Mestiçagens na Arte Contemporânea. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2007.


   Obs: Para vocês terem uma idéia, a divisão entre arte e artesanato foi criada durante o Império Romano para separar escravos (que no caso faziam artesanato) de libertos e mais ainda pessoas ilustres (tinham o dom por isso faziam arte). E mesmo despois do imperio romano ter acabado a tanto tempo assim com aparentemente a  escravidão que no caso do Brasil aconteceu em 18... ainda mantemos esta ideia absurda. Será que ainda  achamos que um artesão não pensa quando faz seu trabalho?
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