Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 26 de março de 2013

LUCIO FONTANA: DISCUSSAO SOBRE O ESPAÇO E O TEMPO

  O assunto de hoje é sobre um artista que trouxe novas questoes e questionamentos para a pintura e sobre a pintura que foram inovadoras para a epoca e os efeitos utilizados ate hoje 

Lucio Fontana: Discussão sobre o espaço e o tempo

Valéria Peixoto de Alencar*


   Em relação ao espaço, a pintura se define por possuir duas dimensões - e a escultura três. Uma pintura em perspectiva pode até nos levar a imaginar a profundidade da cena retratada, mas o desenho possui apenas duas dimensões: altura e largura.
   Na década de 1960, contudo, o artista Lucio Fontana levou às últimas consequências a reflexão sobre a espacialidade da pintura, "maltratando" a tela com furos e cortes que fazem com que o espectador tenha à sua frente uma obra bidimensional.

   Esse tipo de obra de arte discute a questão do espaço e do tempo, ou seja, a profundidade (a terceira dimensão no caso da escultura) e o espaço temporal (a quarta dimensão, segundo Einstein).

Mas como Lucio Fontana registra o tempo? Observe:


           
   Reprodução
Lucio Fontana. Conceito espacial. 1965.
  
  Na tela acima podemos ver seis incisões feitas pelo artista. (...)
   Se você conseguiu imaginar, até mesmo reproduzir ou tentar imitar seus movimentos (do artista), isso é sinal de que Lucio Fontana realizou o registro do tempo: não é só uma pintura em duas dimensões, mas o gesto do artista ficou na tela.

Reprodução

Registro de Lucio Fontana produzindo um Conceito Espacial.

Temporalidade espacial

   As obras dessa fase de Lucio Fontana trazem questões há muito discutidas na arte. A profundidade na pintura é uma problemática surgida com a perspectiva, no Renascimento, e rebatida com o Cubismo.
   Fontana nos faz pensar na terceira dimensão, mas sem o uso da perspectiva, que cria a ilusão da profundidade, e sem a proposta de retratar um objeto por todos os seus ângulos, que, contraditoriamente, elimina a noção de profundidade.

    A temporalidade espacial está no gesto do artista. E também no gesto do espectador, que procura olhar pelo vão na tela, como se uma curiosidade inexplicável buscasse ver algo por trás do corte ou do buraco.

   Também é possível discutirmos o momento histórico em que estas obras foram produzidas, pós Segunda Guerra: durante a Guerra Fria, as teorias de Einstein se popularizavam e a corrida espacial estava em pleno andamento.

Influências na arte brasileira

Podemos encontrar as influências das propostas de Lucio Fontana na arte brasileira da década de 1960, como, por exemplo, em trabalhos de Lygia Clark, Ligia Pape, Hélio Oiticica, Ivens Machado, Amílcar de Castro, entre outros.
   A presença de Fontana é mais forte na fase ligada ao concretismo e ao monocromatismo, principalmente no que se refere à questão tempo/espaço, como nos trabalhos de Nelson Leirner intitulados Homenagem a Fontana, de 1967.

Nessa fase da obra de Leirner, ele não só retoma a problemática proposta por Lucio Fontana, mas vai além, trazendo uma cor para a profundidade - e a possibilidade, implícita, de fechar ou abrir o corte por meio de um zíper, reforçando a idéia de passagem para outra dimensão. Observe:

Reprodução 
Nelson Leirner. Homenagem à Fontana. 1967.

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação  

*Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).

fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/lucio-fontana-discussao-sobre-o-espaco-e-o-tempo.htm

terça-feira, 19 de março de 2013

TRANSMISSAO ORAL DE TRADIÇOES ESTA AMEAÇADA

grio
Clique na imagem acima e escute a entrevista

    Por muito tempo, as tradições foram transmitidas oralmente, de geração para geração, por meio de contas, lendas e cantigas. A oralidade se tornou um meio de conexão entre o passado e o presente. Mas com a chegada da internet e com o avanço das novas tecnologias, essa forma de comunicação e ensinamento está ameaçada. Especial produzido pelo radiojornalismo da EBC discute a importância da conservação da tradição oral como ferramenta de transmissão do conhecimento. Confira a série de reportagens “Griô – a preservação das tradições orais”.

Você sabe o que é um griô?
De origem africana, ‘griô’ é um guardião da memória da história oral de um povo ou comunidade. A palavra é usada para designar as pessoas que têm a missão de receber e transmitir ensinamentos como um fio condutor entre gerações e culturas.

Cultura oral é desprezada pelo ensino formal
Mesmo com toda riqueza e diversidade da cultura popular, as escolas excluem de seus currículos o ensinamento da transmissão oral de tradições. O professor da Escola de Comunicação e Artes de Universidade de São Paulo (ECA/USP), Sérgio Bairon, diz que o país perde ao desvalorizar esse tipo de conhecimento, presente em inúmeras comunidades.

Jovens ajudam a resgatar tradição oral
Os griô aprendizes estão descobrindo as histórias dos mestres da cultura e reaprendendo a escutar na tentativa de se reconectar com o saber que pode ser transmitido pelas narrativas orais. Nessa busca, eles acabam por se encontrar e se reconhecer na ancestralidade das tradições transmitidas oralmente. Enteda a importância desse resgate.

Griôs são fontes vivas de ensinamentos
Para garantir a valorização da tradição oral e o ensino desse saber nas escolas, foi criado o Projeto da Lei Griô, que pretende implementar uma política nacional para o reconhecimento e incentivo da oralidade.

fonte original http://www.ebc.com.br/cultura/2013/02/transmissao-oral-de-tradicoes-esta-ameacada

terça-feira, 12 de março de 2013

A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO parte 3

 Finalizamos finalmente esta semana com a terceira parte do texto, parte esta que se foca na cultura brasileira e os beneficios e problemas enfrentados assim como os beneficios que ela pode trazer.  

    Somos internacionalmente reconhecidos e admirados por nossa criatividade e pela riqueza de nossa diversidade cultural. Semiodiversidade e biodiversidade são a nossa maior riqueza. É através delas que temos nos afirmado internacionalmente. Nossa verdadeira vocação está delimitada pela cultura brasileira. É ela que nos tem feito singulares e festejados mundo a fora. Existe hoje, em praticamente todo o mundo, um grande interesse pela nossa cultura, que vem acompanhando o crescimento da presença econômica e política do Brasil. Isso acontece com nossa música, nossas manifestações tradicionais, nosso futebol arte, telenovelas, nosso cinema, arquitetura, nossa dança e nossa inteligência corporal. Temos nos destacado pelo nosso amor à vida e por nossa alegria e disposição para celebrações e festas, e pela nossa capacidade de assimilação e convívio entre diferentes… Entretanto, temos que admitir, não estamos preparados para atender a estas demandas culturais elencadas acima, nem internamente, nem para este crescente mercado internacional.

   Tal realidade salta aos olhos. Nós, brasileiros, temos muitas condições e possibilidades de nos tornarmos um dos maiores produtores de conteúdos e bens culturais e a termos nesta economia um dos eixos centrais de desenvolvimento e produção de riqueza, juntamente com a indústria tradicional, o agronegócio e o setor tradicional de serviços.
    Para que em dez ou quinze anos tenhamos atingido essa meta, deveremos pactuar uma grande política, capaz de fazer dessa riqueza cultural uma grande atividade econômica. 

   Essa é uma estratégia que conta com grandes dificuldades para ser elaborada e implementada. A amplitude de questões que envolvem o campo cultural e sua economia são grandes complicadores. É enorme o leque de assuntos em pauta. Ele envolve desde políticas educacionais até novas tecnologias do conhecimento. Ele exige a formatação de novos modelos de negócios. O estágio de dispersão em que vivemos e a falta de formulação e informação do próprio setor cultural sobre as grandes questões que envolvem a cultura, associados aos entraves que restringem as cadeias produtivas e o conjunto dessa economia, bem como a falta de clareza de muitos quanto ao papel do estado e da iniciativa privada, são desafios que temos que enfrentar.

   (...) O Brasil precisa de um novo Projeto de Nação, construí-lo com a sociedade é a nossa maior missão. (...) Temos que ter a compreensão de que não basta aumentar o poder aquisitivo da população. A educação de qualidade e o acesso pleno à cultura são componentes básicos do nosso desenvolvimento. Para que a nossa economia da cultura avance ela também depende da inclusão de milhares de brasileiros que dela carecem.

    O governo herdou a tradição de manter e “estimular” um Ministério da Cultura fraco e atrofiado institucionalmente:(...) a histórica insuficiência de recursos alocados ao setor cultural. Levantamentos apontam que o orçamento do Ministério da Cultura na década anterior recorrentemente o menor de todos os orçamentos ministeriais, criando uma grande desproporcionalidade entre a importância da cultura e sua presença efetiva na vida social do país.

   (...) As razões desse enfraquecimento da responsabilidade do Estado no que se refere à cultura se encontram, por certo, na estreita visão da matéria, e do papel do Estado dela decorrente.

  Além do mais, é por meio do desenvolvimento cultural que a sociedade capacita-se a produzir idéias e processos contra-hegemônicos. 

      "Para nós, a cultura está investida de um papel estratégico, no sentido da construção de um país socialmente mais justo e de nossa afirmação soberana no mundo. Porque não a vemos como algo meramente decorativo, ornamental. Mas como a base da construção e da preservação de nossa identidade, como espaço para a conquista plena da cidadania, e como instrumento para a superação da exclusão social – tanto pelo fortalecimento da auto-estima de nosso povo, quanto pela sua capacidade de gerar empregos e de atrair divisas para o país.

    Quando assumiu o Ministério da Cultura, em janeiro de 2003, o Ministro Gilberto Gil afirmou em seu discurso de posse: “Tenho para mim que a política cultural deve permear todo o Governo, como uma espécie de argamassa de nosso novo projeto nacional”. Nessa frase se expressa de forma clara a nossa convicção sobre a centralidade da atividade cultural numa vida política e social mais elevada, e sobre a importância da atividade cultural para a economia do país, para a criação de novas oportunidades de trabalho mais qualificado.

     A cultura produz muitas “externalidades”; os impactos dos processos simbólicos, das ações e dos conteúdos culturais e artísticos iluminam de diversas formas os diferentes segmentos da sociedade e a vida das pessoas nas mais diversas dimensões: impactos da cultura são visíveis na economia, na saúde, na educação, na ciência e tecnologia, na pesquisa,(...) na possibilidade de desenvolvimento de subjetividades complexas, fundamentais na formação de uma cultura democrática, solidária e participativa. (...)

      Diante desta compreensão passamos a operar uma política cultural unindo três de suas dimensões mais fundamentais.

    Inicialmente, a cultura em sua dimensão simbólica. A arte e a cultura intimamente conectadas com a interpretação que fazemos do mundo. Afinal, é no campo da cultura que se qualifica as relações sociais. É ela quem “dá liga” à cidadania. É através dela que nos identificamos como partes de uma mesma nação.

      Cabe aqui um parêntesis. O destaque que aqui se dá a amplitude do conceito de cultura em nenhum momento pode obscurecer a importância que tem a arte para a sociedade humana. Desde a sua mais remota manifestação a arte está associada ao sentido da vida e à transcendência da condição humana. A arte é a parte mais sofisticada da cultura humana. Ela é sua essência. Arte é a cultura de todos recriada por um indivíduo, por isso cada obra de arte é única, insubstituível.  A arte consegue essa façanha aparentemente impossível: unir o máximo de individualidade e o máximo de expressão coletiva.

     Depois, a dimensão cidadã. A cultura como fator de inserção social, como um direito fundamental, como uma necessidade humana básica,(...). Algo sem o que o ser humano não se realiza.

    E, por fim, a cultura como matéria prima de um dos processos mais dinâmicos da economia, sua dimensão econômica, algo em franca expansão em todo o planeta (...).

   Com base nesses princípios e segundo esses conceitos de política cultural, aqui elencados, avançamos por todo o território nacional.(...)

   Mas, apesar de tudo o que fizemos ainda há muito a realizar. Mesmo com todo o esforço do Governo para ampliar o orçamento da cultura, nosso déficit é imenso (...) 92% dos municípios não têm um cinema sequer, nem teatros ou museus, e menos de 14% dos brasileiros vão ao cinema uma vez por mês; 92% nunca foram a museus, 93% não vão a exposições de arte e 78% não assistem a espetáculos de dança.

   Muitos não sabem que a cultura movimenta uma economia que emprega mais que a indústria automobilística. Essa economia em franca expansão tem demandado regras claras e transparentes, exigido um marco legal que garanta o direito do autor – de artistas e criadores, e que viabilize um maior acesso do cidadão aos bens culturais; que elimine os entraves à livre negociação, e que, ao mesmo tempo, dê segurança jurídica também ao investidor. Precisamos de uma legislação que nos inclua no mundo digital, e que garanta neste universo de relações e mídias os direitos do autor. Que, enfim, nos atualize na história.
(...)

     Juca Ferreira
Sociólogo e Ministro de Estado da Cultura


“A centralidade da cultura no desenvolvimento” – In. Barroso, Aloísio Sérgio; Souza, Renildo (orgs.). Desenvolvimento: idéias para um projeto nacional. São Paulo: Fundação Maurício Grabois, 2010. p. 265-278.


Comentario: Desde o inicio queria evitar as partes relacionadas a governo e me concentrar apenas na fala sobre a cultura, porem num texto retirado de um site de governo é inevitavel entao nao teve como fugir e sim encara-lo de frente pois no papel tudo pode ser escrito e fica muito bonito de ser lido porem vai ver a realidade da cultura num pais no qual as escolas (principal fonte de ensinamento da cultura) muitas vezes nao possui um material descente ou os professores um salario digno sendo que estudar em  escola publica antigamente era orgulho e hoje muitos pais preferem a particular para dar um pouco mais de conhecimento ao filho. No Brasil, obras e bens publicos mal são inaugurados e junto com eles alguem quer deixar sua marca ou algo do tipo. E entao vem um texto deste exaltando a importancia da cultura e ao mesmo tempo nos atualiza aos dados culturais vividos pela vida real, dados estes que são reflexo da condição de muitos que precisam muito mais de comida e casa para morar nao tendo tempo para se preocupar com a cultura que aqui geralmente é ligada a pessoa rica. E ai como ficamos nisso?!

terça-feira, 5 de março de 2013

A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO parte 2

 Continuanado o texto da semana passada sobre a importancia da cultura, a parte de hoje (a qual acho mais legal)  esta centrada na cultura e os beneficios que ela pode trazer a um povo. Tambem começa a falar sobre a cultura brasileira. 

 A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO parte 2

    Cultivar é ordenar e sistematizar um conhecimento, nascido de um conjunto de valores, transformando-o em uma ou mais práticas. Não se pode ter dúvida que o desenvolvimento de uma sociedade humana é a tradução mais corriqueira de um processo civilizatório mais amplo. Projetar o desenvolvimento de uma sociedade é, em última instância, idealizar um modelo de civilização.

    A afinidade entre cultura e civilização é tão grande que costumeiramente são confundidas. Para determinadas correntes de pensamento do século XVIII e XIX elas foram sinônimas. De uma coisa, entretanto, não se pode ter dúvida. A civilização é um projeto de sociedade formado por valores e por uma visão de mundo, corporificados em instituições e representações sociais e políticas; em suas realizações e em seu modo de vida. É evidente, por tudo isto, que a base de uma civilização são suas culturas.

   Todo desenvolvimento material corresponde a um dado desenvolvimento intelectual. São interdependentes, faces de uma mesma moeda. A ninguém espanta que cultura e conhecimento também estejam permanentemente sendo confundidas. Não é para menos, a tradução que fazemos da vida está condicionada ao conhecimento que dela temos. A qualidade de vida numa sociedade humana depende das culturas que nela predominam.  

    Depende das ideias predominantes sobre o valor da vida humana, das necessidades criadas pela nossa existência coletiva, dos modos de satisfazer as necessidades básicas e de criar formas mais variadas de aproveitar a própria vida.  Todas as nossas necessidades são construídas culturalmente ao longo da História, mesmo que sejam as mesmas em qualquer lugar e época. Isso significa que a própria noção de “desenvolvimento” está carregada de valores.

   Especialmente no mundo contemporâneo, não temos como falar em desenvolvimento sem questionar a sua sustentabilidade. O desafio de buscar um desenvolvimento sustentável já é em si mesmo expressão de confronto com um modo de ser que ainda hoje é hegemônico. 
(...). Vivemos num século em que se evidencia a irracionalidade do estilo ocidental de desenvolvimento, construído com base em valores culturais forjados em uma visão de mundo etnocêntrica e antropocêntrica, que marcou e têm ainda marcado em muito o pensamento científico ocidental.

   (...). Como vemos, é a cultura, em suma, quem lhe dá os contornos e as coordenadas de sua ampliação. A questão ambiental, que a busca por um desenvolvimento sustentável nos impõe, está a nos exigir outra sensibilidade e visão de mundo. (...) Meio ambiente não se confunde com a natureza, ele nasce da relação do homem com ela. É resultado de um propósito civilizatório. Não existe sem uma cultura(...).

   Temos uma história que não é apenas “natural”, que também é cultural, urdida por uma natureza muito particular: a humana. A chamada luta contra a natureza foi um dos maiores motes do processo civilizatório ocidental até a bem pouco tempo. A palavra cultura (...) nasce no centro da invenção de uma dicotomia e de um conflito entre o homem e natureza. Está na raiz de sua definição ser algo que nasce em oposição ao natural. Sua meta, em primeira instância, está associada à superação da condição de primata.

   Cultivar é de fato alterar a ordem natural das coisas; a agricultura e o fogo foram nossas duas primeiras interferências no meio ambiente. A cultura passou a ser o nosso grande diferencial frente aos outros animais (...).

   Não é demais repetir: temos que ter em mente, a questão ambiental é, sobretudo, uma questão cultural, que envolve mudança de sensibilidade, comportamento e visão de mundo. 

   (...)Não costumamos ver a cultura como uma necessidade básica. Temos que entender que sem uma radical mudança de valores, não há salvação para a vida do homem no planeta. (...)Carecemos de outra visão do que seja desenvolvimento (...).

    Foi assim, com essa visão do papel estratégico que cabe à cultura no desenvolvimento de nosso país, sentimos a necessidade de ampliar o raio de compreensão da ideia de cultura (...). Eliminamos as caixinhas que o restringiam ao mundo das artes e da literatura. Redesenhamos a sua estrutura institucional para uma atuação mais ampla em todos os sentidos. Sabíamos que tínhamos que ativar todo o corpo cultural brasileiro. 
    (...)Precisávamos desconcentrar a nossa política cultural, trazer para o seu raio de ação expressões culturais até então sem acesso ao apoio do Estado.

   Precisávamos ir ao encontro da diversidade cultural brasileira, enfim. Sabíamos que toda forma de cultura vale a pena. Estamos convencidos de que nossa grande contribuição a um mundo globalizado é a nossa diversidade cultural.(...) Aliás, nossa singularidade é mesmo a nossa pluralidade.(...)
 
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