Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 31 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO parte 4: Fundamentos e técnicas da arte de ilustrar

Fundamentos e técnicas da arte de ilustrar 
Guto Lins
Autor de livros de literatura para crianças e jovens.
                                                                                    Designer e professor no Departamento de Artes e    
                                                                                                                                        Design  da PUC-Rio.

Na literatura, evidentemente, a imagem não pode exercer uma mera figuração. Ela não está lá para o livro ficar bonitinho. A imagem (ilustração e projeto gráfico) potencializa o objeto livro como veículo de comunicação com sua ludicidade particular e única. (...)
O autor da imagem, por meio de uma interpretação subjetiva e objetiva ao mesmo tempo, transforma o texto em livro, dando-lhe personalidade. A interpretação exclusiva do ilustrador permite ao leitor a oportunidade de conhecer novas visões da história e de inventar outras.
Isto fica mais claro quando tomamos como exemplo um personagem universalmente conhecido como a Alice, de Lewis Carrol.O traço do ilustrador (fruto de sua leitura e interpretação) insere personalidades diferentes ao mesmo personagem.
Este diálogo de interpretações e de linguagens só faz enriquecer a obra literária. Afinal, o texto escrito conta uma história recheada de imagens nas linhas e nas entrelinhas. A imagem complementa e enriquece esta história, a ponto de cada parte de uma imagem poder gerar diversas histórias. O texto e a imagem juntos dão ao leitor o poder de criar, na sua cabeça, a única história que realmente interessa: a história dele.
Fica evidente que, em um mundo tão diverso, a ilustração extremamente literal ou puramente ornamental e decorativa não representa mais a pluralidade e a riqueza de informações visuais a que as crianças de hoje têm acesso. Assim, o autor da imagem passou a ter papel fundamental em todo o processo, envolvendo-se com questões artísticas, literárias e de marketing editorial. Afinal, além de serem bons e bonitos, os livros têm que ser lidos e comercializados.
Assim, o ilustrador amador que ilustrava os livros como hobby, ou nas horas vagas, deu lugar a um profissional com formação acadêmica, criterioso e encarregado de dar qualidade estética, funcional e lúdica a um produto bastante peculiar. Cada livro pede uma solução específica e cada profissional terá sua interpretação individual. Não existe técnica mais ou menos nobre, mas sim a mais adequada ao projeto e ao momento histórico do ilustrador.
O ilustrador tem hoje um universo de referências e materiais quase que inesgotável. Além de todas as técnicas clássicas e tradicionais como guache, aquarela e lápis de cor, estão ao alcance dos olhos e das mãos soluções fotográficas, técnicas  digitais, imagens tipográficas, etc. Cada uma com o seu posicionamento conceitual e com resultados estéticos específicos.
A imagem literal e óbvia é, evidentemente, limitante. Assim como a imagem fiel à realidade e anatomicamente perfeita não condiz com a variedade da natureza que nos cerca. O canal olho>
            Da mesma forma, o que é ‘desenhar bem’ ou ‘saber desenhar’? Em geral, estes termos são usados para identificar aqueles que conseguem representar fielmente aquilo que é visto, o real. Mas e o irreal, o imensurável, o sentimento e a emoção? Como representar aquilo que não vemos com os olhos, mas com o coração, e que passa a fazer parte de nossa memória afetiva?
E este ‘universo paralelo’ é infinitamente maior que o mundo real. É nele que vivemos. É nele que transformamos sonhos em realidade e realidade em sonhos.
Mas, normalmente, o próprio ambiente escolar acaba sendo limitador. Acaba acontecendo uma ‘seleção natural’ e aquela criança que sabe desenhar perfeitamente um cavalo galopando na relva acaba concentrando toda a produção estética da turma. E aqueles outros alunos, a grande maioria, por sinal, que não têm a mesma destreza manual, não são incentivados a buscar formas interpretativas e a se comunicar visualmente. Tornam-se leitores passivos de imagens alheias.
A palavra, portanto, é diversidade. A mesma diversidade que existe no mundo que nos cerca e que a criança encontra em seu presente e que, certamente, se intensificará no futuro. Diversidade que abre o leque de opções e instrumenta o leitor a ter senso crítico, ao ser convidado a interpretar também. Uma leitura menos passiva, mais moderna e dinâmica.
O leitor, seja infantil ou adulto, é diverso, multifacetado e bombardeado diariamente por imagens, sons, sabores e emoções. E a literatura é feita para este leitor, não para um leitor hipotético, ideal. Embora toda a produção literária voltada para a criança no Brasil esteja direcionada quase que exclusivamente à escola,  literatura também é magia e abrir mão disso é um retrocesso em todo e qualquer processo ou ação que pretenda incentivar o hábito da leitura.
Muitos acreditam que um dos caminhos seria aproximar o livro, morfologicamente falando, de outro objeto, como um brinquedo. Livros com ‘cinto de utilidades’, com luzes piscando e efeitos especiais. Estes livros merecem, sim, lugar nas prateleiras, mas não é necessário transformar o livro em outra coisa para torná-lo atrativo. O livro já é, por si só, um objeto fantástico, cheio de possibilidade formais, funcionais e de linguagem. Livros são portas para mundos desconhecidos e a imagem é, sem dúvida nenhuma, uma das chaves para estas portas todas.

Abre-te sésamo!

Proxima postagem : 07/06

terça-feira, 24 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO Parte 3: A imagem e magia nos contos de fadas e A ilustração de livros para crianças e jovens no Brasil

  
A imagem e magia nos contos de fadas
         Rui Oliveira

O que mais nos encanta e seduz ao olharmos uma ilustração não é ver o que estamos vendo. Na verdade, o que nos atrai não é necessariamente aquilo que o ilustrador fez. Por mais estranho que possa parecer esta reflexão, o que desperta o interesse do olhar é aquilo que supomos que estamos vendo. Em outras palavras: as sombras são muito mais reveladoras que as luzes. O que está indefinido na penumbra, o que não foi ilustrado, mas sugerido, esta imagem que se origina em nossa mente, em nosso passado, em nossa expectativa e ansiedade de ver, sem
dúvida, esta é a imagem que possui maior poder de pregnância no imaginário do pequeno e mesmo do leitor adulto.
A ilustração é uma ambígua sugestão. Um mosaico onde faltam algumas peças, e são justamente estas ausências que preenchemos com as nossas imagens. Poderíamos até afirmar que as imagens se originam bem antes das imagens. Onde? Talvez em um passado recente ou num passado imemorial. Quem sabe no finnis terra de cada um.
As imagens funcionam como movediças partituras de música, algo para ser tocado e interpretado pela nossa sensibilidade — muito longe das intenções do autor. Em qualquer ilustração, o que está oculto é o que mais queremos ver e vivenciar. As imagens são invocações que procuram mais as nossas imaginações noturnas do que as diurnas.
 Os Elementos básicos da ilustração: evocação sobre os processos figurativos, narrativos e descritivos.  [Parece estranho afirmar, porém, as pessoas precisam saber e perceberem que] Nem todo grande pintor é um grande ilustrador, e vice-versa. O pintor enquanto ilustrador é um capítulo à parte na história da ilustração.
[Quanto a função da ilustração] Não existe ilustração se esta não estimula a verbalização. § Acredito que uma das funções primordiais da ilustração é criar a memória afetiva e feliz da criança. A história da ilustração está repleta destes artistas, destes magos da imagem que transcenderam as palavras e o tempo. Impregnada na essência da arte de ilustrar livros para crianças e jovens, a imagem fantástica, para ser convincente e crível, necessita ser originária do real, não necessariamente do realismo. O real é o caminho mais legítimo para o imaginário.
                                                                 
A ilustração de livros para crianças e jovens no Brasil
                                               Graça Lima
             (Ilustradora de livros para crianças e jovens.
                                                             Mestre em Design pela PUC-Rio. Professora de Metodologia Visual na Escola de Belas Artes da UFRJ.)

A ilustração é uma arte instrutiva, pois desenvolve nosso conhecimento visual e a percepção das coisas. Através da imagem, podemos reconstruir o passado, refletir sobre o presente e imaginar o futuro, ou mesmo criar situações impossíveis no mundo real. A ilustração é uma forma de arte visual que, por sua criatividade, projeção, estilo ou forma, amplia, diversifica e pode até, por vezes, ir muito além da própria leitura do texto narrado.
A obra de um ilustrador é uma arte, porque, assim como os pintores, os escultores, os músicos ou outros artistas, ele tem a necessidade de fazer compreensíveis seus sonhos e, através de sua capacidade profissional, interpretar o mundo em que vive com sua visão imaginativa. O livro infantil ilustrado pode ser encarado como uma espécie de ritual iniciatório, que obedecerá a uma série de etapas progressivas na formação de um homem esteticamente civilizado.
            A inteligência visual aumenta o efeito da inteligência humana, amplia o espírito criativo. Não se trata apenas de uma necessidade, mas de uma promessa de enriquecimento cultural para o futuro.
  Textos retirados do texto complementar sobre os programas da serie: Arte de Ilustrar para crianças e jovens do canal: TV escola.
  
Próximo texto para finalizar esta série sobre ilustração:  Parte 4: Fundamentos e técnicas da arte de ilustrar Imagens data: 01/06

terça-feira, 17 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO Parte 2: Ilustrar não é só fazer bonequinhos


   Estes “bonequinhos” que podemos classificar como doces de coco podem ser ilustrações apetitosas e açucaradas bastante aceitas como infantis, fato que não esconde sua outra face, nauseante e repetitiva. Longe dessas imagens, poderíamos definir a ilustração como uma representação da ausência do objeto, sem saudades ou nostalgias, muito menos atrelada à sua reprodução fiel.
     Faz parte do universo das ilustrações para livros infantis e juvenis sua íntima relação com a ilusão do objeto ou do corpo humano.
    Isso não significa uma trapaça. Apesar de massificado em livros, catálogos e premiações, esse gênero de ilustração tão comum é uma representação duvidosa dos objetos e dos seres. As ilustrações aqui denominadas doces de coco apresentam, com suas imagens geralmente em traços ingênuos e cores chapadas, um naifismo aculturado e contrabandeado dos cartuns, RPGs, gibis e TV. São ilustrações que parecem padrões têxteis para quartos e enxovais de crianças, ou mesmo papel de embrulho para presentes.
    O legítimo direito que tem o ilustrador de desenvolver seu trabalho em qualquer estilo que bem lhe aprouver se torna questionável quando essa opção soberana oculta em realidade seu pouco adestramento à arte de desenhar. Um artifício ante a falta de ofício.
    Como reflexo do final do texto acima, advém a pergunta: o que é desenhar bem para o ilustrador?   Desenhar e estruturar satisfatoriamente a figura humana não preenchem totalmente os requisitos de uma boa ilustração. O desenho é como se fosse uma caligrafia, e todos temos a nossa. A ilustração é ma forma de literatura e o desenho é o seu alfabeto, as formas, as suas sentenças.
     Creio ser impossível classificar o que seja desenhar bem sem considerar o passado e a cultura de um artista. É lamentável ver, às vezes, talentosos desenhistas brasileiros, principalmente quadrinistas, professando o catecismo nipônico e colonizador do Mangá e do Animê, ou desenhando sob a tutela e garrote da anatomia monstruosa do universo Marvel.
   Concluímos, então, que o domínio da representação figurativa é necessário. O aprendizado também. Mas esta qualidade, mesmo que virtuosa enquanto ilustração, não é um fim em si mesma, ou pré-requisito, muito menos salvo-conduto para uma boa imagem narrativa.
    O universo figurativo, muito além de sua mimese, deve estar perfeitamente integrado nos objetivos da ação, na proposta e atmosfera literárias e com o fundo onde transcorre a ação. É necessário que haja um isomorfismo absoluto entre forma e fundo. Uma ilustração hiper-realista deixa poucos espaços para o complemento da imaginação do pequeno leitor.  Esta participação imaginária significa que vemos na verdade a nossa expectativa do ver, não necessariamente o que está de forma tão realista explicitado em demasia.
    Esta participação imaginária, acima proposta, simboliza o direito que o pequeno leitor tem de exercer a sua legítima alternativa pessoal do olhar. O que está nas sombras, ou apenas sugerido, é muito mais legível do que as formas sob a luz da precisão cirúrgica. Nada é mais tedioso aos domínios do que supomos ver que um livro para crianças narrado através de fotos. O real imaginário prescinde do realismo, mas se origina no verdadeiro.
     As maravilhosas aventuras do ursinho Winniethe-Pooh, desenhadas em 1926 por Ernest H. Shepard, com ligeiros, soltos e expressivos bicos de pena, são muito mais fantasiosas, e até mesmo comunicativas, do que as modernas versões deste personagem feitas através de um realismo frio e infográfico (imagens digitalizadas/informatizadas). As imagens de Shepard não eram abstratas (formas não identificáveis), ou comumente chamadas de estilizadas, porém suas figuras permitiam o ato de abstrair (pensar sobre, retirar algo dela). Este domínio entre a concreção e a leve soltura da indefinição de seus desenhos comprova que abstração e abstrair são conceitos divergentes.

     Retornando ao início destas reflexões sobre o significado da representação figurativa, surge incontinente, e de novo, a pergunta: o que é desenhar bem? Acredito ser este um dos grandes problemas na formação de jovens ilustradores, acrescidos pelo abandono sistemático das escolas de arte do aprendizado tradicional da forma, quer humana ou dos objetos e plantas. Em outras palavras, foi dada uma nefasta prioridade ao conhecer, em lugar do ver. Uma sacralização do auto-expressar. Uma tirania do conceitual.


                     Ursinho Pooh de Shepard



                                                                                                Ursinho Pooh Atual

   (Minha análise: Shepard não definiu toda a vegetação deixando um espaço para a imaginação assim como as formas e as cores marrons dos personagens que não são tão arredondadas e definidas e se misturam.O mesmo vale para os rostos. Observem)



  Minha interpretação do texto

   Pelo que entendi Rui Oliveira pensa que a ilustração não deve ser objetiva e igual ao que se acabou de ler pois isso não acrescenta nada ao leitor e nem haveria motivo dela estar lá. O ilustrador deve interpretar o texto e expressar isso sobre a forma de imagem permitindo que quem lê questione o conteúdo como se fosse um outro texto na mesma página.
    Ele finaliza o texto criticando esta liberdade de expressão que as escolas de arte tentam passar para seus alunos, esta ideia de que é desnecessario saber desenhar. Para fazer arte basta ter entender a teoria,  evitando de ensina-los a desenhar o básico que é a estruturação de todo desenho oferendo uma falsa idéia sobre arte. E Quem não sabe desenhar, de certa forma se torna incapaz de criar por lhe faltar principios estruturais.
   Outro apontamento: pelo fato de ilustração ser para criança não quer dizer que precise ser menos trabalhada (mais simplificada).  Se a ilustração tem que ser atrativa, o ilustrador pode continuar com seu estilo de ilustrar, basta respeitar a idade da criança para não abusar demais no modo de como faz a ilustração. 

Proxima data e texto: 24/05 A imagem e magia nos contos de fadas e A ilustração de livros para crianças e jovens no Brasil (parte dele)

Dica: blog do autor http://ruideoliveira.blogspot.com/
         Site do autor: http://www.ruideoliveira.com.br/#

terça-feira, 10 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO Parte 1

      Como sou uma apaixonada por ilustração e achei este texto produzido pela TV Escola muito interessante, resolvi postá-lo para vocês. Ele nao esta por completo aqui mas pode ser baixado gratuitamente no site. No final deixarei dicas de revistas para ilustração com acesso gratuito na internet. Esta primeira parte é apenas a introdução do texto que na verdade, no site ele é um arquivo unico que dividi em partes para a leitura ficar mais atrativa.
  •   A Arte de ilustrar livros para crianças e jovens (documententário e texto da TV ESCOLA)
    Na criação de um livro de imagens, o ilustrador/autor pensa em um texto verbal/escrito ou as imagens surgem por elas mesmas? Janaína Fusinato, Ibirama - SC. Para responder a esta e a muitas outras questões, convidamos o escritor, ilustrador, pesquisador, professor Rui de Oliveira, premiado autor de livros para crianças e jovens, cuja produção literária volta-se também para os estudos teóricos sobre a arte de ilustrar. Nas palavras de Rui de Oliveira
    “Gosto de ilustrar livros com conteúdos e propostas literárias bem diferentes uma da outra. Acredito que este seja o aspecto mais fascinante do ato de ilustrar, e sem dúvida o maior desafio para o ilustrador. Em meu trabalho, sempre almejo que a interpretação que tenho do texto não seja a única. Procuro, sempre que possível, criar portas – verdadeiras passagens secretas para que as pessoas tenham as suas próprias e particulares visões. Preocupa-me, portanto, não condicionar em demasia o leitor. Penso que o ato de criação de imagens se origina não diretamente na palavra, mas no entre-palavras. Daí vem minha preocupação em criar para cada texto uma imagem adequada, que muitas vezes está de acordo, ou não, com meus gostos pessoais, ou com a minha visão de arte. Por isto, não tenho nenhuma intenção em ser reconhecido de um livro para outro. Eu substituiria em meu trabalho a palavra estilo por método de abordagem. O texto é a origem de tudo. É impossível ilustrar sem gostar de literatura. É impossível ilustrar sem gostar de ler.”
    (...) buscamos traçar um panorama da ilustração no Brasil, falamos do papel do professor como um mediador de leituras das imagens produzidas para e pelas crianças e, ainda, sobre como as ilustrações nos livros de literatura são relevantes na construção de representações sociais. Destacamos, então, a importância das escolhas e do acesso de crianças e jovens a uma diversidade de imagens que expressem o imaginário e a cultura dos vários grupos que compõem a nação brasileira, sem deixar de considerar o panorama mundial desta arte tão significativa na constituição de leitores críticos e criativos.  Esta publicação, assim como os programas televisivos, trazem um repertório visual que junto com os textos e os depoimentos certamente possibilitarão compreender as narrativas produzidas por imagens e palavras como expressões a um tempo independentes e complementares, no contexto da arte literária. 
                                                                                                                              Rosa Helena Mendonça
                                                                     (Supervisora Pedagógica do programa Salto para o Futuro.) 


Arte de ilustrar livros para crianças e jovens
                                                Rui de Oliveira²

           A premissa é que toda ilustração, além de suas inter-relações com o texto escrito, possui qualidades estruturais e artísticas que precisam ser analisadas, considerando que as imagens dos livros são elementos importantes na criação da memória visual, em especial, na infância e na adolescência. 
  • A leitura da imagem  
      Infelizmente, priorizamos para as crianças, de forma até perversa, o aprendizado da leitura das palavras como atestado de alfabetização. Seria mais conveniente se, nas escolas de educação básica, a iniciação à leitura das imagens precedesse a alfabetização convencional. Certamente teríamos no futuro melhores leitores e apreciadores das artes plásticas, do cinema e da TV, além de cidadãos mais críticos e participativos diante de todo o universo icônico que nos cerca. A posterior alfabetização convencional seria muito mais agradável às crianças. Os critérios de avaliação e de escolha de livros ilustrados são geralmente baseados no âmbito da “preferência pessoal”, alicerçados em gostos e aversões não justificados. Assim como existe uma sintaxe das palavras, existe também uma relativa sintaxe das imagens.Logicamente que para “ler” uma imagem é impossível adotar um método rígido, um sistema, por exemplo, que avalie unicamente as questões estruturais — ritmo, linha,cor, textura, etc.
    Os textos apresentados (...) são reflexões. (...)Todas as linhas de estudo do fenômeno artístico — por meio da sociologia da arte, da psicologia, da história da arte e até mesmo da biografia do artista — são conhecimentos sempre parciais. A leitura de uma obra de arte se dá por camadas, níveis, filtros esclarecedores; são aproximações que nos revelam uma das muitas faces da arte. Os mergulhos psicanalíticos, a decifração da imagem pelos labirintos semiológicos, os reducionismos da obra de arte às questões históricas e sociais, os idealismos de que as imagens se originam de imagens e seguem indiferentes aos clamores humanos individuais e coletivos, enfim, todas essas leituras — e existem outras — o nome já as define bem, são leituras da obra de arte. Necessárias. Importantes. No entanto, são aproximações, camadas reveladoras da criação artística.
    Essas abordagens diferenciadas não invalidam o fato de que a leitura da imagem possui uma iniciação metodológica e que, acima de tudo, é aptidão adquirida; uma capacidade adestrada e cultivada. Toda ilustração, além de suas inter-relações com o texto, possui qualidades configuracionais e estruturais perfeitamente explicáveis e analisáveis. A frequente alusão à pintura e às suas sutis diferenças e semelhanças com a ilustração será sempre necessária.
    Sem colocar a ilustração em posição inferior, é preciso admitir que existem percepções diferenciadas
da ilustração perante a pintura, quer seja no ato de sua criação, sempre relacionada com um texto literário, quer seja na sua circunstancialidade de existir dentro de um livro ao passar das páginas, sem mencionar o seu destino de imagem reproduzida, quase sempre em contradição e infiel ao que o ilustrador criou. Tudo isso, e muitos outros fatores, nos conduzem a uma expectativa menor, a uma fruição mais simples e, consequentemente, a uma análise sem as complexidades de quando estamos diante da obra de um grande mestre da pintura. 
    Portanto, sem humilde reverência, é mais legítimo, para entendermos a arte da ilustração, admitir suas diferenças com a pintura. Existem os salões e as salas, o ouro e a prata, as monumentais óperas e os musicais norteamericanos, todos legítimos em sua própria linguagem. Diferentes, mas iguais em suas potencialidades artísticas.
    A leitura será sempre parcial, segmentada e particularizada. Vemos aquilo que esperamos ver.
    Vemos a nossa ilusão e a nossa pessoal realidade a partir de uma ilustração de umtexto. A mágica da ilustração é um truque que nós mesmos fazemos e revelamos. Eis o sentido do que foi exposto como antes e depois. O momento presente da imagem é apenas um ardil para resgatarmos nossa experiência vivida e projetarmos e criarmos sua memória futura. É a pessoalidade da criação do ilustrador que permite o transporte ao vivido e ao que se vai viver. Nesse particular, quais são os limites da subjetividade, da pessoalidade do ilustrador diante de um texto?
    É difícil saber onde está o ponto exato, a justa interpretação. A sensatez nos diz que deverá sempre existir um equilíbrio entre as intenções literárias do escritor e a visão pessoal do ilustrador dessas intenções. A originalidade da leitura visual do texto não é uma negação do mesmo. Na arte de ilustrar, as leituras paralelas de um texto são imagens radiantes e profundamente pregnantes.
    O virtuosismo da imagem e a interpretação do ilustrador não podem ser mais importantes que a obra. Apesar de vivermos em uma época em que as releituras são sinônimos de originalidade e pessoalidade, frequentemente nos detemos e apreciamos a leitura, e não no texto original.
    Só haverá interesse na ilustração se ela nos possibilitar a criação de um novo texto visual. Uma das finalidades da ilustração nos livros não é apenas apresentar uma versão do texto, mas sim favorecer a criação de outra literatura, uma espécie de livro e imagem pessoais dentro do livro que estamos lendo.
     A arte de ilustrar está assentada no equilíbrio e na harmonia entre a imaginação verbal e a imaginação visual. Em realidade, o que esperamos de um ilustrador é que ele seja um livre intérprete do texto, e não um médium.
   Um dos objetivos básicos do ilustrador é tornar incomum o comum, transformar o real em fantástico, sugerir e representar o que o leitor supõe ver. O espaço imaginário entre o visto e o não-visto é a área preferencial de atuação do ilustrador ante a sua inexorável referência a um texto literário.
    Como dizia Anatole France, o homem inventou a ninfa, mas antes havia a água. É fácil e cômodo desenhar aquilo que nunca se viu. Infelizmente grande parte das ilustrações para livros infantis trabalha sobretudo com o universo do grotesco. Toda esta introdução tem o objetivo de nos situar diante das convenções que caracterizam grande parte das ilustrações, principalmente para os pequenos leitores.

Assita os Programas sobre Ilustração no link:

Informações sobre o programa Salto para o futuro TV escola
E-mail: salto@mec.gov.br
Rua da Relação, 18, 4o andar – Centro.
CEP: 20231-110 – Rio de Janeiro (RJ)

Proxima postagem Parte 2: Ilustração não é fazer bonequinhos dia 17/05/2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

CAMINHO DAS PEDRAS: A arte da proximidade


28/09/2004 - 03h18

Cacilda Teixeira da Costa
especial para a Folha de S.Paulo

   Entrar numa galeria ou numa grande exposição de arte, como a Bienal de São Paulo, é normalmente mais intimidante do que deveria ser. Mas o que faz a arte contemporânea tão "difícil"? Justamente o que ela tem de mais simples: a proximidade com nosso tempo. Diante dela, há pouca ou nenhuma perspectiva histórica. Por outro lado, se a apreciação é prejudicada, é nas obras contemporâneas que a relação entre vida e arte é mais forte.



   Cada vez que surgem obras "estranhas", realizadas em meios
  
inéditos, como os trabalhos da fase cubista de Picasso —em que surgem as primeiras colagens— e os "ready-mades" de Duchamp, há um esforço da crítica para classificá-las. Ainda hoje isso acontece, com termos como webarte, videoinstalação e ambientes imersivos.
Reprodução                                               
"Roda de Bicicleta" (1913), obra de Marcel Duchamp     

Geralmente, são os críticos que os inventam, mas os artistas também participam da criação dessa nomenclatura. Em princípio necessárias, as classificações podem, entretanto, levar a reduções ou rótulos empobrecedores, principalmente num momento como o atual, marcado pela mais desconcertante variedade de experimentações e incorporações de novos materiais e novas tecnologias.

   O termo "moderno" designava, em sua origem, o que é atual, presente, que está acontecendo agora, seja em que tempo for. Assim, na Idade Média, ele diferenciava aquele momento da Antigüidade. Todas as épocas foram, a seu tempo, modernas.

    Charles Baudelaire utilizou o termo no ensaio "O Pintor da Vida Moderna" (1863), em que descreve o artista Constantin Guys como uma espécie de repórter da atualidade, do espetáculo da vida contemporânea, dos modos —da beleza transitória e fugaz da vida presente— que ele chamou de "modernidade".

    Assim, a chamada arte moderna surgiu no ocidente no final do século 19, mas a data escolhida para marcar o seu início foi 1905 (apresentação dos fauvistas no Salão de Outono, em Paris), ou a década de 1910, quando surgiram simultaneamente movimentos que romperam radicalmente os cânones da arte acadêmica.
   Esses movimentos, conhecidos como vanguardas, tiraram sua denominação de um termo de origem militar e significavam o avanço de pequenos grupos de atores culturais sobre a grande massa da população, engendrando revoluções permanentes, até aproximadamente a Segunda Guerra Mundial. Foram os chamados "ismos": fauvismo, cubismo, futurismo, expressionismo, construtivismo, suprematismo, neoplasticismo, dadaísmo, surrealismo etc.
   Englobando a todos, o modernismo difundiu-se pelo mundo, integrando a América Latina a partir da década de 1920 —no Brasil, a Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco dessa adesão. A modernidade dos latino-americanos desenvolveu-se com características próprias, mesclando a visão moderna com o mergulho nas raízes de uma identidade cultural. Exemplos indiscutíveis são as obras dos brasileiros Vicente do Rego Monteiro e Tarsila do Amaral.
   Em 1929, foi inaugurado em Nova York o MoMA (Museu de Arte Moderna), concebido para abrigar obras de arte moderna, o que deu origem a inúmeros museus pelo mundo todo, inclusive no Brasil, onde os MAM de São Paulo e do Rio foram inaugurados na década de 1940. O espírito moderno consolidou-se, e é aceito que o modernismo teve seu ponto de maior estabilidade na década de 1950, quando as abstrações tornaram-se a expressão oficial da arte —exceto na União Soviética, onde imperava o realismo socialista.
    Já os revolucionários anos 1960 constituem a fase tardia do modernismo, em processo de fragmentação. Surge a visão figurativa inédita da pop art, trazendo consigo uma avalanche de novos meios e novas atitudes, como objetos, ambientes, "happenings" e novas tecnologias, quase ao mesmo tempo em que se inicia o movimento conceitual, propondo uma imersão no lado secreto e desmaterializado das artes visuais —a arte como idéia.
    Ainda nos anos 60 e 70, surge na arquitetura o movimento pós-moderno, que utilizava todo o repertório iconográfico da história da arte e rapidamente se espalhou para os outros campos artísticos. A partir daí, nos referimos à arte como contemporânea ou atual. É a arte que se apresenta nas Bienais, nos museus e nas galerias, em ininterrupta renovação, interagindo com política, filosofia, psicologia, sexualidade e tecnologia, além de influenciar publicidade, TV, moda e todas as faces da produção cultural.

   Cacilda Teixeira da Costa é doutora em artes pela Universidade de São Paulo e especialista em arte moderna e contemporânea. É autora de "Arte no Brasil 1950-2000" (Alameda Casa Editorial), "Livros de Arte no Brasil" (Cosac & Naify/Itaú Cultural) e "O Sonho e a Técnica" (Edusp).

Proxima Semana 09/05/20011 começa uma série de 4 textos sobre ilustração. Parte 1: A Arte de Ilustrar
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