Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 10 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO Parte 1

      Como sou uma apaixonada por ilustração e achei este texto produzido pela TV Escola muito interessante, resolvi postá-lo para vocês. Ele nao esta por completo aqui mas pode ser baixado gratuitamente no site. No final deixarei dicas de revistas para ilustração com acesso gratuito na internet. Esta primeira parte é apenas a introdução do texto que na verdade, no site ele é um arquivo unico que dividi em partes para a leitura ficar mais atrativa.
  •   A Arte de ilustrar livros para crianças e jovens (documententário e texto da TV ESCOLA)
    Na criação de um livro de imagens, o ilustrador/autor pensa em um texto verbal/escrito ou as imagens surgem por elas mesmas? Janaína Fusinato, Ibirama - SC. Para responder a esta e a muitas outras questões, convidamos o escritor, ilustrador, pesquisador, professor Rui de Oliveira, premiado autor de livros para crianças e jovens, cuja produção literária volta-se também para os estudos teóricos sobre a arte de ilustrar. Nas palavras de Rui de Oliveira
    “Gosto de ilustrar livros com conteúdos e propostas literárias bem diferentes uma da outra. Acredito que este seja o aspecto mais fascinante do ato de ilustrar, e sem dúvida o maior desafio para o ilustrador. Em meu trabalho, sempre almejo que a interpretação que tenho do texto não seja a única. Procuro, sempre que possível, criar portas – verdadeiras passagens secretas para que as pessoas tenham as suas próprias e particulares visões. Preocupa-me, portanto, não condicionar em demasia o leitor. Penso que o ato de criação de imagens se origina não diretamente na palavra, mas no entre-palavras. Daí vem minha preocupação em criar para cada texto uma imagem adequada, que muitas vezes está de acordo, ou não, com meus gostos pessoais, ou com a minha visão de arte. Por isto, não tenho nenhuma intenção em ser reconhecido de um livro para outro. Eu substituiria em meu trabalho a palavra estilo por método de abordagem. O texto é a origem de tudo. É impossível ilustrar sem gostar de literatura. É impossível ilustrar sem gostar de ler.”
    (...) buscamos traçar um panorama da ilustração no Brasil, falamos do papel do professor como um mediador de leituras das imagens produzidas para e pelas crianças e, ainda, sobre como as ilustrações nos livros de literatura são relevantes na construção de representações sociais. Destacamos, então, a importância das escolhas e do acesso de crianças e jovens a uma diversidade de imagens que expressem o imaginário e a cultura dos vários grupos que compõem a nação brasileira, sem deixar de considerar o panorama mundial desta arte tão significativa na constituição de leitores críticos e criativos.  Esta publicação, assim como os programas televisivos, trazem um repertório visual que junto com os textos e os depoimentos certamente possibilitarão compreender as narrativas produzidas por imagens e palavras como expressões a um tempo independentes e complementares, no contexto da arte literária. 
                                                                                                                              Rosa Helena Mendonça
                                                                     (Supervisora Pedagógica do programa Salto para o Futuro.) 


Arte de ilustrar livros para crianças e jovens
                                                Rui de Oliveira²

           A premissa é que toda ilustração, além de suas inter-relações com o texto escrito, possui qualidades estruturais e artísticas que precisam ser analisadas, considerando que as imagens dos livros são elementos importantes na criação da memória visual, em especial, na infância e na adolescência. 
  • A leitura da imagem  
      Infelizmente, priorizamos para as crianças, de forma até perversa, o aprendizado da leitura das palavras como atestado de alfabetização. Seria mais conveniente se, nas escolas de educação básica, a iniciação à leitura das imagens precedesse a alfabetização convencional. Certamente teríamos no futuro melhores leitores e apreciadores das artes plásticas, do cinema e da TV, além de cidadãos mais críticos e participativos diante de todo o universo icônico que nos cerca. A posterior alfabetização convencional seria muito mais agradável às crianças. Os critérios de avaliação e de escolha de livros ilustrados são geralmente baseados no âmbito da “preferência pessoal”, alicerçados em gostos e aversões não justificados. Assim como existe uma sintaxe das palavras, existe também uma relativa sintaxe das imagens.Logicamente que para “ler” uma imagem é impossível adotar um método rígido, um sistema, por exemplo, que avalie unicamente as questões estruturais — ritmo, linha,cor, textura, etc.
    Os textos apresentados (...) são reflexões. (...)Todas as linhas de estudo do fenômeno artístico — por meio da sociologia da arte, da psicologia, da história da arte e até mesmo da biografia do artista — são conhecimentos sempre parciais. A leitura de uma obra de arte se dá por camadas, níveis, filtros esclarecedores; são aproximações que nos revelam uma das muitas faces da arte. Os mergulhos psicanalíticos, a decifração da imagem pelos labirintos semiológicos, os reducionismos da obra de arte às questões históricas e sociais, os idealismos de que as imagens se originam de imagens e seguem indiferentes aos clamores humanos individuais e coletivos, enfim, todas essas leituras — e existem outras — o nome já as define bem, são leituras da obra de arte. Necessárias. Importantes. No entanto, são aproximações, camadas reveladoras da criação artística.
    Essas abordagens diferenciadas não invalidam o fato de que a leitura da imagem possui uma iniciação metodológica e que, acima de tudo, é aptidão adquirida; uma capacidade adestrada e cultivada. Toda ilustração, além de suas inter-relações com o texto, possui qualidades configuracionais e estruturais perfeitamente explicáveis e analisáveis. A frequente alusão à pintura e às suas sutis diferenças e semelhanças com a ilustração será sempre necessária.
    Sem colocar a ilustração em posição inferior, é preciso admitir que existem percepções diferenciadas
da ilustração perante a pintura, quer seja no ato de sua criação, sempre relacionada com um texto literário, quer seja na sua circunstancialidade de existir dentro de um livro ao passar das páginas, sem mencionar o seu destino de imagem reproduzida, quase sempre em contradição e infiel ao que o ilustrador criou. Tudo isso, e muitos outros fatores, nos conduzem a uma expectativa menor, a uma fruição mais simples e, consequentemente, a uma análise sem as complexidades de quando estamos diante da obra de um grande mestre da pintura. 
    Portanto, sem humilde reverência, é mais legítimo, para entendermos a arte da ilustração, admitir suas diferenças com a pintura. Existem os salões e as salas, o ouro e a prata, as monumentais óperas e os musicais norteamericanos, todos legítimos em sua própria linguagem. Diferentes, mas iguais em suas potencialidades artísticas.
    A leitura será sempre parcial, segmentada e particularizada. Vemos aquilo que esperamos ver.
    Vemos a nossa ilusão e a nossa pessoal realidade a partir de uma ilustração de umtexto. A mágica da ilustração é um truque que nós mesmos fazemos e revelamos. Eis o sentido do que foi exposto como antes e depois. O momento presente da imagem é apenas um ardil para resgatarmos nossa experiência vivida e projetarmos e criarmos sua memória futura. É a pessoalidade da criação do ilustrador que permite o transporte ao vivido e ao que se vai viver. Nesse particular, quais são os limites da subjetividade, da pessoalidade do ilustrador diante de um texto?
    É difícil saber onde está o ponto exato, a justa interpretação. A sensatez nos diz que deverá sempre existir um equilíbrio entre as intenções literárias do escritor e a visão pessoal do ilustrador dessas intenções. A originalidade da leitura visual do texto não é uma negação do mesmo. Na arte de ilustrar, as leituras paralelas de um texto são imagens radiantes e profundamente pregnantes.
    O virtuosismo da imagem e a interpretação do ilustrador não podem ser mais importantes que a obra. Apesar de vivermos em uma época em que as releituras são sinônimos de originalidade e pessoalidade, frequentemente nos detemos e apreciamos a leitura, e não no texto original.
    Só haverá interesse na ilustração se ela nos possibilitar a criação de um novo texto visual. Uma das finalidades da ilustração nos livros não é apenas apresentar uma versão do texto, mas sim favorecer a criação de outra literatura, uma espécie de livro e imagem pessoais dentro do livro que estamos lendo.
     A arte de ilustrar está assentada no equilíbrio e na harmonia entre a imaginação verbal e a imaginação visual. Em realidade, o que esperamos de um ilustrador é que ele seja um livre intérprete do texto, e não um médium.
   Um dos objetivos básicos do ilustrador é tornar incomum o comum, transformar o real em fantástico, sugerir e representar o que o leitor supõe ver. O espaço imaginário entre o visto e o não-visto é a área preferencial de atuação do ilustrador ante a sua inexorável referência a um texto literário.
    Como dizia Anatole France, o homem inventou a ninfa, mas antes havia a água. É fácil e cômodo desenhar aquilo que nunca se viu. Infelizmente grande parte das ilustrações para livros infantis trabalha sobretudo com o universo do grotesco. Toda esta introdução tem o objetivo de nos situar diante das convenções que caracterizam grande parte das ilustrações, principalmente para os pequenos leitores.

Assita os Programas sobre Ilustração no link:

Informações sobre o programa Salto para o futuro TV escola
E-mail: salto@mec.gov.br
Rua da Relação, 18, 4o andar – Centro.
CEP: 20231-110 – Rio de Janeiro (RJ)

Proxima postagem Parte 2: Ilustração não é fazer bonequinhos dia 17/05/2011
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