Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 25 de junho de 2013

OS ARTISTAS E AS UNIVERSIDADES: LIBERDADE DE CRIAÇAO?

Os artistas e as universidades: Liberdade de Criação? Publicado: 22 de junho de 2013 em Explosão

As universidades sempre valorizaram as manifestações culturais e foi, consequentemente, palco de surgimento de movimentos artísticos. Em um rápido contexto histórico, no Brasil do século XIX, a Faculdade de Direito instalada no antigo Convento de São Francisco, foi cenário de uma grande escola literária: O Ultrarromantismo. Foi também na universidade que Salvador Dalí conheceu Buñuel e Federico García Lorca. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, década de 1970, surgiu a Geração Mimeógrafo. Era em universidades que Austregésilo Carrano Bueno divulgava o seu livro “Canto dos Malditos”.

Diversas bandas de Rock também surgiram ou tocaram pela primeira vez em uma universidade. Foi um período de efervescência cultural e de inquietação que marcou a História, a Psicologia, as Letras, as Artes, que mostravam mecanismos de sobrevivências diante um cotidiano entediante, sufocante e inóspito.

A arte sempre foi uma aliada de intervir na rotina, impactar e de suavizar o sufoco da sociedade e das instituições. Há diferentes formas de intervenção ou de interferência para humanizar um ambiente: pode ser a literária através de matérias-primas do inconsciente e com isso, promover desenhos em versos. Há quem busca na música, as canções de suas dores. Há quem busca no graffiti condições de interação e denunciar o desconforto de estar em um espaço de pouca comunicação, reflexão e companheirismo.

Nos últimos anos, parece que a arte só existe nos livros e na internet. As universidades que outrora prezavam esse contato visceral com os poetas e músicos, deram espaço para uma instituição com parcas manifestações culturais que apenas geram mão de obra qualificada e barata. A Cultura, que era um pilar de sustentação das universidades, foi trocado pelas certezas da racionalidade. Impossível não lembrar uma frase do poeta Chacal: “Cultura sem Educação é entretenimento insosso. Educação sem Cultura é formatação para o mercado de trabalho”. As universidades devem resistir perante as tentações do Capitalismo. É necessário prezar as suas raízes e incentivar as expressões livres do âmago gritante de um sujeito.

Se nem as universidades oferecem espaço para a Liberdade de Criação, onde mais os artistas poderão se expressar livremente? Já que apreciamos a comunicação visual, por que as paredes dos blocos estão sempre em cores neutras? Uma parede pode ser também uma excelente mensageira de angústias. Diferente em uma folha de papel, a escrita não está morta quando é colocado em uma parede, por isso que o graffite impõe a nossa atenção. O graffite denuncia, escandaliza, enfrenta, zomba e nos faz pensar ou nos emocionar. Tudo o que provoca a emoção e nos leva à reflexão, possui valor Estético e Cultural, desenvolve a inteligência, incita a capacidade de socialização, amplia o conhecimento e a sensibilidade.

Acredito na necessidade de não afastarmos os artistas das universidades. São parceiros que deram certos ao longo da História. Se a arte é impactante, serve para repensarmos algumas questões. Se deixarmos o Capitalismo romper de vez a ligação da arte com as universidades, seremos apenas mãos de obras e consumidores. As tentativas do Capitalismo em desprezar a Emoção e a Estética, revela que a próxima tentativa será com a ruptura de conhecimento científico das universidades. A genialidade da frase do Chacal atinge uma precisão incrível e me dou a liberdade de acrescentar um pensamento: Educação sem Cultura é instituição manicomial.

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Obs.: Esse artigo será publicado também, segunda-feira, no site Olhar Direto!!!
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

E QUANDO NEM SE É CONSIDERADO POSSÍVEL PUBLICO DOS MUSEUS?

Ola leitores do Templo. O Texto de hoje foi uma copia do blog repensando museus. Ele foi escrito em primeira pessoa entao nao fiz nenhuma modificação de pessoa para que ele continuasse como o original. 
  
E quando nem se é considerado possível público dos museus?

ENVIADO PELA CELIA FLORES (autora do texto). 


Recentemente tive acesso ao “Relatório final da pesquisa – O ‘não público’ dos museus:levantamento estatístico sobre o ‘não ir’ a museus no Distrito Federal” e logo fiquei curiosa para percorrer as páginas e desvendar os resultados obtidos através da pesquisa. E, também, logo percebi a exclusão das crianças como possível público considerado por ela. Não sendo “economicamente ativas”, as crianças não foram consideradas neste estudo.
Prosseguindo na leitura, fui sendo impelida, pelos próprios argumentos da investigação, a pensar que precisamos considerar as crianças como potenciais frequentadores dos museus. A começar pela própria finalidade da pesquisa em questão – “oferecer subsídios para a constituição de melhores e mais eficazes políticas públicas para o campo museal…” (p. 2, grifos meus), a leitura dos resultados obtidos deve anunciar reflexões e ações que transformem uma realidade que já é, há muito, conhecida: a maior parte da população do nosso país NÃO frequenta os museus.
Em 2005, ingressei no Mestrado em Educação na UFSC, tendo como projeto de pesquisa um estudo exatamente sobre crianças e museus – com dissertação defendida em 2007, intitulada “O que as crianças falam sobre os museus…”. E um dos questionamentos que me levaram a este recorte foi pensar em por que numa cidade, como o Rio de Janeiro, tantas pessoas passam diariamente em frente a museus e não entram, nem ao menos pensam sobre a possibilidade de ir lá, por curiosidade, que seja. Naquele momento eu ainda não havia feito muitas leituras sobre o tema, mas já tinha a ideia de que museus eram equipamentos acessados por poucos…
Assim como encontro neste Relatório final, as relações entre escolarização e frequência nos museus, por exemplo, já foram percebidas anteriormente. E, agora, me pergunto se as ações desencadeadas por este documento devem continuar centradas apenas na população economicamente ativa; ou se isso será, algum dia, suficiente.
Voltando a argumentos do próprio documento, se sabemos que “(…) a prática cultural de ir a museus não constitui um ato natural. É resultado de um processo dinâmico de constituição cultural” (p.3), me parece coerente aproximar as crianças desta prática. Se o papel dos adultos numa sociedade (ao menos no que tange às relações que estabelecem com as crianças) é apresentar a elas o mundo social no qual estão inseridas, ampliar suas possibilidades de visão e leitura deste mundo, “apresentar” os museus para esses sujeitos de pouca idade, é nossa função! Se compreendemos que a construção “dos meios simbólicos necessários para a fruição dos bens culturais musealizados são adquiridos pela educação familiar e escolar, isto é, pela transmissão de capital cultural mediante práticas pedagógicas formais e informais”(p.3), é urgente desenvolvermos ações efetivas (e criativas) que envolvam o público infantil dos museus.   
Me parece que continuar não percebendo as crianças como possível público dos museus faz perdurar o índice altíssimo de sujeitos economicamente ativos e totalmente distantes da frequência nos museus, distantes da possibilidade de entendimento destes espaços como um dos lugares onde se encontra lazer e diversão, percepção vivenciada por um público, hoje, muito, muito restrito.

Inevitável voltar lá em minha pesquisa de Mestrado, quando ouvi crianças falando sobre museus, constatarem que museu é “lugar para aprender, divertir-se e ver arte”. Não é, afinal, o que gostaríamos de possibilitar a todos?

terça-feira, 11 de junho de 2013

O PATRIMONIO INVISIVEL

 O texto de hoje é um texto que trata particularmente da cidade de Sao Paulo porem ao mesmo tempo para nos introduzir aos pontos especificos acaba nos mostrando situações reais que acontece em todo o país e oferece dicas que podem ser adaptas a cada regiao em relação ao cuidado com o patrimonio

O patrimônio invisível

Por Nadia Somekh*

A demanda pela proteção do patrimônio histórico não vem sendo valorizada, e o resultado disso são ações fragmentadas e, às vezes, invisíveis.

A Folha vem publicando reportagens sobre problemas de preservação do nosso patrimônio cultural, como a falta de recursos para a manutenção de casarões e a intermitência e mesmo paralisação do programa Adote uma Obra Artística.

A falta de interesse das empresas reflete o distanciamento entre a população da cidade de São Paulo e o seu patrimônio histórico. Tal retrato, certamente, é fruto de uma política de preservação equivocada, reproduzida ao longo dos anos.

Mas o patrimônio histórico retrata a relação da sociedade com a sua história. A demanda por sua proteção não vem sendo valorizada, e o resultado disso são ações fragmentadas e, às vezes, invisíveis.

A proposta desta administração municipal é a formulação de uma gestão territorial da cultura e de uma política de preservação do patrimônio histórico compreensiva e vinculada ao plano diretor, ora em processo de revisão participativa.

Para dar visibilidade à nossa história, é necessário superar a ideia de monumentos e imóveis públicos isolados. Precisamos proteger conjuntos urbanos que traduzam a nossa identidade de forma coletiva.

Desde 2004, a população foi inserida no processo, podendo indicar imóveis a serem preservados. É um avanço, mas demanda reformulação de novos critérios.

Atualmente, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) estuda a formulação dessa política de preservação efetiva e desfragmentada. Os altos custos de preservação do patrimônio deverão ser objeto de articulações de fontes de financiamento: desde a legislação de incentivos até a articulação com operações e projetos urbanos a serem incluídos no plano diretor.

O tombamento deverá ser melhor entendido pela sociedade. Não se trata de congelamento e, sim, de atribuição de valor coletivo. É o primeiro passo para a preservação.

Para a articulação das três esferas de governo que, hoje, aparentemente, complicam e burocratizam a vida do cidadão que tem um imóvel tombado, está sendo proposta a criação de um escritório de gestão compartilhada de Iphan (nacional), Condephaat (estadual) e Conpresp (municipal).

Seu objetivo será a definição comum das áreas envoltórias dos bens tombados. Assim, facilitará a vida dos contribuintes que resistem a enfrentar a burocracia necessária para preservar o seu patrimônio.

Projetos especiais poderão ser definidos, buscando a identidade da cidade. Não se pode entender São Paulo sem reconhecer seus caminhos históricos e o seu patrimônio industrial e ferroviário.

A proclamação da independência do país ocorrida no Ipiranga localiza a área como patrimônio das três esferas, devendo o Monumento do Ipiranga ser federalizado, o que potencializaria os investimentos estaduais e municipais.

O DPH e o Conpresp deverão ser reorganizados para atender ao passivo existente e ampliar a participação da sociedade civil. O Conpresp deverá gerir os recursos que serão potencializados pela reorganização dos fundos que investem em recuperação de patrimônio histórico (Funpatri e Funcap).

Só assim conseguiremos valorizar e dar visibilidade ao nosso patrimônio, herança da população de São Paulo.

*Nadia Somekh, 60, arquiteta, é diretora do Departamento do Patrimônio Histórico e presidente do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

Fonte: Folha de S. Paulo – Coluna Opinião

terça-feira, 4 de junho de 2013

LIBERDADE, DEMOCRACIA E PATRIMONIO CULTURAL

  O texto de hoje fala que é importante manifestarmos democraticamente sim nossos anseios e descontentamentos mas /patriara devemos ter cuidado com a maneira que nos expressamos pois nao é certo criticarmos uma situação descontando em nossos bens materiais criando assim crimes irreversiveis em nossa historia e/ou patrimonio. Para entenderem melhor leem abaixo.

Liberdade, democracia e patrimônio cultural

Por Ana Maria Moreira Marchesan*

Os recentes protestos contra o valor da passagem de ônibus em Porto Alegre têm apresentado um viés nefasto e que de certa forma desqualifica o movimento: o vandalismo, prática odiosa, porque autofágica. Recursos que poderiam ir para a construção de uma sociedade mais feliz acabam sendo investidos para repor, tanto quanto possível, bens públicos ou de interesse público afetados.

Vivemos em uma democracia que permite a livre manifestação da população. Estamos maduros como sociedade consciente de que não há retrocesso possível. O que não podemos acatar é a depredação de nosso patrimônio cultural _ seja ele público ou privado _ em nome de qualquer causa, por mais justa que seja. O aspecto imaterial do patrimônio é bem de interesse público, socioambiental, vocacionado à elevação espiritual do indivíduo.

Em junho de 2005, um protesto de carroceiros no Paço Municipal trouxe como consequência indesejável o dano à Fonte Talavera de La Reina, um dos monumentos de maior valor artístico da nossa Capital, presente da Sociedade Espanhola de Socorros Mútuos, no centenário da Revolução Farroupilha, em 1935.

Ao subir na bacia da fonte, um manifestante quebrou parte da cerâmica e jamais foi possível a recuperação integral daquele bem cultural. A peça foi remetida à Espanha e a fonte voltou desfigurada porque a própria artesania talaverana informou não ter mais o molde original. Perdeu-se irreversivelmente parte da nossa memória.

Quase oito anos depois, os manifestantes contrários ao atual preço da passagem de ônibus em Porto Alegre vandalizam o prédio da prefeitura, um primor da arquitetura positivista, e que traduz uma marca na cena urbana da capital gaúcha.

Essa atitude iconoclasta nos remete aos primórdios da Revolução Francesa no período conhecido como Terror, quando houve uma política de destruição das obras de arte arquitetônicas ligadas ao Ancient Régime. Esse movimento de destruição suscitou uma reação de defesa que objetivou não apenas conservar as igrejas medievais, mas estabelecer uma política de preservação do patrimônio nacional. Revolucionários com uma visão prospectiva criaram uma comissão para inventariar esses bens que passaram a ser patrimônio do povo francês.

Essa breve referência histórica busca despertar nossa reflexão para que possamos doravante construir práticas democráticas que não se voltem contra os bens de nossa memória, por mais representativos de uma hegemonia que nos parece repulsiva, mas que precisa ser preservada para que a história possa ser contada pelos testemunhos sem voz de nossos bens culturais imóveis. Bens que por sua simples presença contam histórias e que merecem ser “ouvidos” pelas presentes e futuras gerações.

*Promotora de Justiça

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