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Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 12 de março de 2013

A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO parte 3

 Finalizamos finalmente esta semana com a terceira parte do texto, parte esta que se foca na cultura brasileira e os beneficios e problemas enfrentados assim como os beneficios que ela pode trazer.  

    Somos internacionalmente reconhecidos e admirados por nossa criatividade e pela riqueza de nossa diversidade cultural. Semiodiversidade e biodiversidade são a nossa maior riqueza. É através delas que temos nos afirmado internacionalmente. Nossa verdadeira vocação está delimitada pela cultura brasileira. É ela que nos tem feito singulares e festejados mundo a fora. Existe hoje, em praticamente todo o mundo, um grande interesse pela nossa cultura, que vem acompanhando o crescimento da presença econômica e política do Brasil. Isso acontece com nossa música, nossas manifestações tradicionais, nosso futebol arte, telenovelas, nosso cinema, arquitetura, nossa dança e nossa inteligência corporal. Temos nos destacado pelo nosso amor à vida e por nossa alegria e disposição para celebrações e festas, e pela nossa capacidade de assimilação e convívio entre diferentes… Entretanto, temos que admitir, não estamos preparados para atender a estas demandas culturais elencadas acima, nem internamente, nem para este crescente mercado internacional.

   Tal realidade salta aos olhos. Nós, brasileiros, temos muitas condições e possibilidades de nos tornarmos um dos maiores produtores de conteúdos e bens culturais e a termos nesta economia um dos eixos centrais de desenvolvimento e produção de riqueza, juntamente com a indústria tradicional, o agronegócio e o setor tradicional de serviços.
    Para que em dez ou quinze anos tenhamos atingido essa meta, deveremos pactuar uma grande política, capaz de fazer dessa riqueza cultural uma grande atividade econômica. 

   Essa é uma estratégia que conta com grandes dificuldades para ser elaborada e implementada. A amplitude de questões que envolvem o campo cultural e sua economia são grandes complicadores. É enorme o leque de assuntos em pauta. Ele envolve desde políticas educacionais até novas tecnologias do conhecimento. Ele exige a formatação de novos modelos de negócios. O estágio de dispersão em que vivemos e a falta de formulação e informação do próprio setor cultural sobre as grandes questões que envolvem a cultura, associados aos entraves que restringem as cadeias produtivas e o conjunto dessa economia, bem como a falta de clareza de muitos quanto ao papel do estado e da iniciativa privada, são desafios que temos que enfrentar.

   (...) O Brasil precisa de um novo Projeto de Nação, construí-lo com a sociedade é a nossa maior missão. (...) Temos que ter a compreensão de que não basta aumentar o poder aquisitivo da população. A educação de qualidade e o acesso pleno à cultura são componentes básicos do nosso desenvolvimento. Para que a nossa economia da cultura avance ela também depende da inclusão de milhares de brasileiros que dela carecem.

    O governo herdou a tradição de manter e “estimular” um Ministério da Cultura fraco e atrofiado institucionalmente:(...) a histórica insuficiência de recursos alocados ao setor cultural. Levantamentos apontam que o orçamento do Ministério da Cultura na década anterior recorrentemente o menor de todos os orçamentos ministeriais, criando uma grande desproporcionalidade entre a importância da cultura e sua presença efetiva na vida social do país.

   (...) As razões desse enfraquecimento da responsabilidade do Estado no que se refere à cultura se encontram, por certo, na estreita visão da matéria, e do papel do Estado dela decorrente.

  Além do mais, é por meio do desenvolvimento cultural que a sociedade capacita-se a produzir idéias e processos contra-hegemônicos. 

      "Para nós, a cultura está investida de um papel estratégico, no sentido da construção de um país socialmente mais justo e de nossa afirmação soberana no mundo. Porque não a vemos como algo meramente decorativo, ornamental. Mas como a base da construção e da preservação de nossa identidade, como espaço para a conquista plena da cidadania, e como instrumento para a superação da exclusão social – tanto pelo fortalecimento da auto-estima de nosso povo, quanto pela sua capacidade de gerar empregos e de atrair divisas para o país.

    Quando assumiu o Ministério da Cultura, em janeiro de 2003, o Ministro Gilberto Gil afirmou em seu discurso de posse: “Tenho para mim que a política cultural deve permear todo o Governo, como uma espécie de argamassa de nosso novo projeto nacional”. Nessa frase se expressa de forma clara a nossa convicção sobre a centralidade da atividade cultural numa vida política e social mais elevada, e sobre a importância da atividade cultural para a economia do país, para a criação de novas oportunidades de trabalho mais qualificado.

     A cultura produz muitas “externalidades”; os impactos dos processos simbólicos, das ações e dos conteúdos culturais e artísticos iluminam de diversas formas os diferentes segmentos da sociedade e a vida das pessoas nas mais diversas dimensões: impactos da cultura são visíveis na economia, na saúde, na educação, na ciência e tecnologia, na pesquisa,(...) na possibilidade de desenvolvimento de subjetividades complexas, fundamentais na formação de uma cultura democrática, solidária e participativa. (...)

      Diante desta compreensão passamos a operar uma política cultural unindo três de suas dimensões mais fundamentais.

    Inicialmente, a cultura em sua dimensão simbólica. A arte e a cultura intimamente conectadas com a interpretação que fazemos do mundo. Afinal, é no campo da cultura que se qualifica as relações sociais. É ela quem “dá liga” à cidadania. É através dela que nos identificamos como partes de uma mesma nação.

      Cabe aqui um parêntesis. O destaque que aqui se dá a amplitude do conceito de cultura em nenhum momento pode obscurecer a importância que tem a arte para a sociedade humana. Desde a sua mais remota manifestação a arte está associada ao sentido da vida e à transcendência da condição humana. A arte é a parte mais sofisticada da cultura humana. Ela é sua essência. Arte é a cultura de todos recriada por um indivíduo, por isso cada obra de arte é única, insubstituível.  A arte consegue essa façanha aparentemente impossível: unir o máximo de individualidade e o máximo de expressão coletiva.

     Depois, a dimensão cidadã. A cultura como fator de inserção social, como um direito fundamental, como uma necessidade humana básica,(...). Algo sem o que o ser humano não se realiza.

    E, por fim, a cultura como matéria prima de um dos processos mais dinâmicos da economia, sua dimensão econômica, algo em franca expansão em todo o planeta (...).

   Com base nesses princípios e segundo esses conceitos de política cultural, aqui elencados, avançamos por todo o território nacional.(...)

   Mas, apesar de tudo o que fizemos ainda há muito a realizar. Mesmo com todo o esforço do Governo para ampliar o orçamento da cultura, nosso déficit é imenso (...) 92% dos municípios não têm um cinema sequer, nem teatros ou museus, e menos de 14% dos brasileiros vão ao cinema uma vez por mês; 92% nunca foram a museus, 93% não vão a exposições de arte e 78% não assistem a espetáculos de dança.

   Muitos não sabem que a cultura movimenta uma economia que emprega mais que a indústria automobilística. Essa economia em franca expansão tem demandado regras claras e transparentes, exigido um marco legal que garanta o direito do autor – de artistas e criadores, e que viabilize um maior acesso do cidadão aos bens culturais; que elimine os entraves à livre negociação, e que, ao mesmo tempo, dê segurança jurídica também ao investidor. Precisamos de uma legislação que nos inclua no mundo digital, e que garanta neste universo de relações e mídias os direitos do autor. Que, enfim, nos atualize na história.
(...)

     Juca Ferreira
Sociólogo e Ministro de Estado da Cultura


“A centralidade da cultura no desenvolvimento” – In. Barroso, Aloísio Sérgio; Souza, Renildo (orgs.). Desenvolvimento: idéias para um projeto nacional. São Paulo: Fundação Maurício Grabois, 2010. p. 265-278.


Comentario: Desde o inicio queria evitar as partes relacionadas a governo e me concentrar apenas na fala sobre a cultura, porem num texto retirado de um site de governo é inevitavel entao nao teve como fugir e sim encara-lo de frente pois no papel tudo pode ser escrito e fica muito bonito de ser lido porem vai ver a realidade da cultura num pais no qual as escolas (principal fonte de ensinamento da cultura) muitas vezes nao possui um material descente ou os professores um salario digno sendo que estudar em  escola publica antigamente era orgulho e hoje muitos pais preferem a particular para dar um pouco mais de conhecimento ao filho. No Brasil, obras e bens publicos mal são inaugurados e junto com eles alguem quer deixar sua marca ou algo do tipo. E entao vem um texto deste exaltando a importancia da cultura e ao mesmo tempo nos atualiza aos dados culturais vividos pela vida real, dados estes que são reflexo da condição de muitos que precisam muito mais de comida e casa para morar nao tendo tempo para se preocupar com a cultura que aqui geralmente é ligada a pessoa rica. E ai como ficamos nisso?!
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