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Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 17 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO Parte 2: Ilustrar não é só fazer bonequinhos


   Estes “bonequinhos” que podemos classificar como doces de coco podem ser ilustrações apetitosas e açucaradas bastante aceitas como infantis, fato que não esconde sua outra face, nauseante e repetitiva. Longe dessas imagens, poderíamos definir a ilustração como uma representação da ausência do objeto, sem saudades ou nostalgias, muito menos atrelada à sua reprodução fiel.
     Faz parte do universo das ilustrações para livros infantis e juvenis sua íntima relação com a ilusão do objeto ou do corpo humano.
    Isso não significa uma trapaça. Apesar de massificado em livros, catálogos e premiações, esse gênero de ilustração tão comum é uma representação duvidosa dos objetos e dos seres. As ilustrações aqui denominadas doces de coco apresentam, com suas imagens geralmente em traços ingênuos e cores chapadas, um naifismo aculturado e contrabandeado dos cartuns, RPGs, gibis e TV. São ilustrações que parecem padrões têxteis para quartos e enxovais de crianças, ou mesmo papel de embrulho para presentes.
    O legítimo direito que tem o ilustrador de desenvolver seu trabalho em qualquer estilo que bem lhe aprouver se torna questionável quando essa opção soberana oculta em realidade seu pouco adestramento à arte de desenhar. Um artifício ante a falta de ofício.
    Como reflexo do final do texto acima, advém a pergunta: o que é desenhar bem para o ilustrador?   Desenhar e estruturar satisfatoriamente a figura humana não preenchem totalmente os requisitos de uma boa ilustração. O desenho é como se fosse uma caligrafia, e todos temos a nossa. A ilustração é ma forma de literatura e o desenho é o seu alfabeto, as formas, as suas sentenças.
     Creio ser impossível classificar o que seja desenhar bem sem considerar o passado e a cultura de um artista. É lamentável ver, às vezes, talentosos desenhistas brasileiros, principalmente quadrinistas, professando o catecismo nipônico e colonizador do Mangá e do Animê, ou desenhando sob a tutela e garrote da anatomia monstruosa do universo Marvel.
   Concluímos, então, que o domínio da representação figurativa é necessário. O aprendizado também. Mas esta qualidade, mesmo que virtuosa enquanto ilustração, não é um fim em si mesma, ou pré-requisito, muito menos salvo-conduto para uma boa imagem narrativa.
    O universo figurativo, muito além de sua mimese, deve estar perfeitamente integrado nos objetivos da ação, na proposta e atmosfera literárias e com o fundo onde transcorre a ação. É necessário que haja um isomorfismo absoluto entre forma e fundo. Uma ilustração hiper-realista deixa poucos espaços para o complemento da imaginação do pequeno leitor.  Esta participação imaginária significa que vemos na verdade a nossa expectativa do ver, não necessariamente o que está de forma tão realista explicitado em demasia.
    Esta participação imaginária, acima proposta, simboliza o direito que o pequeno leitor tem de exercer a sua legítima alternativa pessoal do olhar. O que está nas sombras, ou apenas sugerido, é muito mais legível do que as formas sob a luz da precisão cirúrgica. Nada é mais tedioso aos domínios do que supomos ver que um livro para crianças narrado através de fotos. O real imaginário prescinde do realismo, mas se origina no verdadeiro.
     As maravilhosas aventuras do ursinho Winniethe-Pooh, desenhadas em 1926 por Ernest H. Shepard, com ligeiros, soltos e expressivos bicos de pena, são muito mais fantasiosas, e até mesmo comunicativas, do que as modernas versões deste personagem feitas através de um realismo frio e infográfico (imagens digitalizadas/informatizadas). As imagens de Shepard não eram abstratas (formas não identificáveis), ou comumente chamadas de estilizadas, porém suas figuras permitiam o ato de abstrair (pensar sobre, retirar algo dela). Este domínio entre a concreção e a leve soltura da indefinição de seus desenhos comprova que abstração e abstrair são conceitos divergentes.

     Retornando ao início destas reflexões sobre o significado da representação figurativa, surge incontinente, e de novo, a pergunta: o que é desenhar bem? Acredito ser este um dos grandes problemas na formação de jovens ilustradores, acrescidos pelo abandono sistemático das escolas de arte do aprendizado tradicional da forma, quer humana ou dos objetos e plantas. Em outras palavras, foi dada uma nefasta prioridade ao conhecer, em lugar do ver. Uma sacralização do auto-expressar. Uma tirania do conceitual.


                     Ursinho Pooh de Shepard



                                                                                                Ursinho Pooh Atual

   (Minha análise: Shepard não definiu toda a vegetação deixando um espaço para a imaginação assim como as formas e as cores marrons dos personagens que não são tão arredondadas e definidas e se misturam.O mesmo vale para os rostos. Observem)



  Minha interpretação do texto

   Pelo que entendi Rui Oliveira pensa que a ilustração não deve ser objetiva e igual ao que se acabou de ler pois isso não acrescenta nada ao leitor e nem haveria motivo dela estar lá. O ilustrador deve interpretar o texto e expressar isso sobre a forma de imagem permitindo que quem lê questione o conteúdo como se fosse um outro texto na mesma página.
    Ele finaliza o texto criticando esta liberdade de expressão que as escolas de arte tentam passar para seus alunos, esta ideia de que é desnecessario saber desenhar. Para fazer arte basta ter entender a teoria,  evitando de ensina-los a desenhar o básico que é a estruturação de todo desenho oferendo uma falsa idéia sobre arte. E Quem não sabe desenhar, de certa forma se torna incapaz de criar por lhe faltar principios estruturais.
   Outro apontamento: pelo fato de ilustração ser para criança não quer dizer que precise ser menos trabalhada (mais simplificada).  Se a ilustração tem que ser atrativa, o ilustrador pode continuar com seu estilo de ilustrar, basta respeitar a idade da criança para não abusar demais no modo de como faz a ilustração. 

Proxima data e texto: 24/05 A imagem e magia nos contos de fadas e A ilustração de livros para crianças e jovens no Brasil (parte dele)

Dica: blog do autor http://ruideoliveira.blogspot.com/
         Site do autor: http://www.ruideoliveira.com.br/#
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