Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 31 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO parte 4: Fundamentos e técnicas da arte de ilustrar

Fundamentos e técnicas da arte de ilustrar 
Guto Lins
Autor de livros de literatura para crianças e jovens.
                                                                                    Designer e professor no Departamento de Artes e    
                                                                                                                                        Design  da PUC-Rio.

Na literatura, evidentemente, a imagem não pode exercer uma mera figuração. Ela não está lá para o livro ficar bonitinho. A imagem (ilustração e projeto gráfico) potencializa o objeto livro como veículo de comunicação com sua ludicidade particular e única. (...)
O autor da imagem, por meio de uma interpretação subjetiva e objetiva ao mesmo tempo, transforma o texto em livro, dando-lhe personalidade. A interpretação exclusiva do ilustrador permite ao leitor a oportunidade de conhecer novas visões da história e de inventar outras.
Isto fica mais claro quando tomamos como exemplo um personagem universalmente conhecido como a Alice, de Lewis Carrol.O traço do ilustrador (fruto de sua leitura e interpretação) insere personalidades diferentes ao mesmo personagem.
Este diálogo de interpretações e de linguagens só faz enriquecer a obra literária. Afinal, o texto escrito conta uma história recheada de imagens nas linhas e nas entrelinhas. A imagem complementa e enriquece esta história, a ponto de cada parte de uma imagem poder gerar diversas histórias. O texto e a imagem juntos dão ao leitor o poder de criar, na sua cabeça, a única história que realmente interessa: a história dele.
Fica evidente que, em um mundo tão diverso, a ilustração extremamente literal ou puramente ornamental e decorativa não representa mais a pluralidade e a riqueza de informações visuais a que as crianças de hoje têm acesso. Assim, o autor da imagem passou a ter papel fundamental em todo o processo, envolvendo-se com questões artísticas, literárias e de marketing editorial. Afinal, além de serem bons e bonitos, os livros têm que ser lidos e comercializados.
Assim, o ilustrador amador que ilustrava os livros como hobby, ou nas horas vagas, deu lugar a um profissional com formação acadêmica, criterioso e encarregado de dar qualidade estética, funcional e lúdica a um produto bastante peculiar. Cada livro pede uma solução específica e cada profissional terá sua interpretação individual. Não existe técnica mais ou menos nobre, mas sim a mais adequada ao projeto e ao momento histórico do ilustrador.
O ilustrador tem hoje um universo de referências e materiais quase que inesgotável. Além de todas as técnicas clássicas e tradicionais como guache, aquarela e lápis de cor, estão ao alcance dos olhos e das mãos soluções fotográficas, técnicas  digitais, imagens tipográficas, etc. Cada uma com o seu posicionamento conceitual e com resultados estéticos específicos.
A imagem literal e óbvia é, evidentemente, limitante. Assim como a imagem fiel à realidade e anatomicamente perfeita não condiz com a variedade da natureza que nos cerca. O canal olho>
            Da mesma forma, o que é ‘desenhar bem’ ou ‘saber desenhar’? Em geral, estes termos são usados para identificar aqueles que conseguem representar fielmente aquilo que é visto, o real. Mas e o irreal, o imensurável, o sentimento e a emoção? Como representar aquilo que não vemos com os olhos, mas com o coração, e que passa a fazer parte de nossa memória afetiva?
E este ‘universo paralelo’ é infinitamente maior que o mundo real. É nele que vivemos. É nele que transformamos sonhos em realidade e realidade em sonhos.
Mas, normalmente, o próprio ambiente escolar acaba sendo limitador. Acaba acontecendo uma ‘seleção natural’ e aquela criança que sabe desenhar perfeitamente um cavalo galopando na relva acaba concentrando toda a produção estética da turma. E aqueles outros alunos, a grande maioria, por sinal, que não têm a mesma destreza manual, não são incentivados a buscar formas interpretativas e a se comunicar visualmente. Tornam-se leitores passivos de imagens alheias.
A palavra, portanto, é diversidade. A mesma diversidade que existe no mundo que nos cerca e que a criança encontra em seu presente e que, certamente, se intensificará no futuro. Diversidade que abre o leque de opções e instrumenta o leitor a ter senso crítico, ao ser convidado a interpretar também. Uma leitura menos passiva, mais moderna e dinâmica.
O leitor, seja infantil ou adulto, é diverso, multifacetado e bombardeado diariamente por imagens, sons, sabores e emoções. E a literatura é feita para este leitor, não para um leitor hipotético, ideal. Embora toda a produção literária voltada para a criança no Brasil esteja direcionada quase que exclusivamente à escola,  literatura também é magia e abrir mão disso é um retrocesso em todo e qualquer processo ou ação que pretenda incentivar o hábito da leitura.
Muitos acreditam que um dos caminhos seria aproximar o livro, morfologicamente falando, de outro objeto, como um brinquedo. Livros com ‘cinto de utilidades’, com luzes piscando e efeitos especiais. Estes livros merecem, sim, lugar nas prateleiras, mas não é necessário transformar o livro em outra coisa para torná-lo atrativo. O livro já é, por si só, um objeto fantástico, cheio de possibilidade formais, funcionais e de linguagem. Livros são portas para mundos desconhecidos e a imagem é, sem dúvida nenhuma, uma das chaves para estas portas todas.

Abre-te sésamo!

Proxima postagem : 07/06
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