Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

segunda-feira, 13 de maio de 2013

AS ORIGENS DO MUSEU

 O texto de hoje foi colocado aqui porque fala sobre a origem do museu de uma maneira diferente: usando a mitologia. Porem ao mesmo tempo que texto tem suas partes interessantes ha tambem a sua parte que da voltas para falar do assunto ao inves de simplificar ele complica para chegar no que se quer dizer e o leitor acaba perdendo onde ele esta. Por ter trechos nao relacionados a arte e/ou repetitivos algumas foram partes foram cortadas mas quem tiver o interesse sinta-se a vontade de le-lo que vale a pena.

 As Origens do Museu 


Elton Luiz Leite de Souza

Quem se aproxima da origem se renova.Manoel de Barros

          Há um poema de Manoel de Barros no qual ele diz ter visto, quando criança, dois homens "escovando osso" ( o nome do poema é exatamente "Escova" [1]). Isso o afetou singularmente. Tempos depois, ele soube o nome do que aqueles homens estavam fazendo: eles faziam "arqueologia", eles eram "arqueólogos".Desse aprendizado ele inventou outro, pois o poeta diz que aprendeu a fazer algo semelhante , só que com as palavras. Ele aprendeu a "escovar" as palavras.
          Os arqueólogos escovam o osso , algo aparentemente inerte e morto, para nele fazer viver a "arqué". "Arque-ologia" procede de "arqué". "Arquivo" também procede. "Arqué" tem por sentido "princípio", "causa" ,"fonte", "origem" ou "começo".Só arquivamos( em armários, gavetas , museus ou em nossa própria memória) aquilo que julgamos ter alguma relação com nossa existência, seja como causa , fonte ou origem.Em nossa memória não está apenas o passado, está também o que dá sentido ao presente.Em A Arqueologia do Saber, Foucault mostra que o saber é prática de construção de "arquivos" que co-existem sem se sucederem em progressão.No exemplo de Manoel de Barros, os arqueólogos descobriam que havia, naquele osso, algo arquivado: arquivado não como um papel em uma gaveta, já que , nesse caso, o que está arquivado é o próprio osso como arquivo, como signo, como sentido. O tempo estava arquivado nele, e ele, o osso, estava arquivado no tempo. E este tempo não é o passado no qual aquele osso foi esqueleto, já que se trata também do tempo no qual ele é descoberto como arquivo.Um osso não é apenas um osso, quando nele descobrimos um arquivo.Outrora ele fazia parte de um esqueleto escondido sob pele e músculo.Hoje, como arquivo, percebe-se que ele faz parte do universo inteiro, e sobre este ensina.O osso vira um documento: docere, aquilo que ensina.
          O poeta escova a palavra, e a faz nos ensinar coisas que a mera informação utilitária não ensina. O poeta escova a palavra para nela fazer nascer sua alma: o sentido. Escovada, tornada arquivo, ela não designa apenas o referente que o uso consagra, pois ela passa a expressar também a origem que a inventou, e essa origem não está fora, mas lhe é imanente como ato de invenção.Esta é a fonte do sentido: a invenção. (...).
         Em um museu, um objeto exposto deveria expressar essa poesia que faz o objeto ser mais do que um objeto, tal como o escovar a palavra a faz ser mais do que mera informação utilitária que amanhã já será sucata, feito as informações do jornal de ontem. O que é verdadeiramente novo nunca vira sucata, o verdadeiro novo nunca vira ontem.O novo é sempre fonte:arqué. A fonte é a "origem que renova". A fonte não é como um ponto de onde um fluxo jorra, pois este fluxo que a atravessa vem de um infinito com o qual ela permanece ligada. Pois é isto ser uma fonte: nos ligar a um infinito que nenhuma metragem utilitária pode diminuir. A fonte é o que nos liga.
         Ao escavarmos, ao modo do poeta, a palavra “Museu”, encontramos a sua arqué: as Musas. As Musas não são apenas memória. Elas o são por parte de mãe, a deusa Mnemosyne. Sozinha, esta não vence o poder de morte de seu irmão, o deus-tirano Cronos,o Tempo,  que a tudo devora. Quem o vence primeiro é Zeus, e não apenas  com a  força bruta, já que Zeus é o deus da virtude ética da  justiça. Só a justiça vence a tirania. São virtudes, além da justiça, a amizade, a honestidade, a modéstia, a sabedoria, etc. Cronos, o tempo, matava fazendo esquecer, já que a morte é uma forma de esquecimento. Vence-se o esquecimento criando memória. Para criar essa memória da vitória, é que Zeus decide se casar com Mnemosyne. E desse casamento nascem as Musas, as que cantam. Elas não cantam um fato passado, eles cantam a vitória a cada instante em que as forças de destruição são vencidas no homem. Esse é o poder das Musas sobre o homem: o leva a vencer em si mesmo o que nele é morte, esquecimento. Conhecer as Musas também é experimentar um autoconhecimento como metamorfose. As obras que o homem produz servem para lembrá-lo, antes de tudo,  que ele é criador do sentido de si mesmo.
         (...) Na Grécia, sobretudo na época do apogeu do Teatro, evocava-se Dioniso como o deus cuja natureza melhor expressaria a essência da arte. Esse fato está inscrito no nome do Deus: Di-oniso, aquele que nasceu duas vezes. Reside em Dioniso, então, a convivência de dois mundos, o humano e o divino, que não se misturam, mas que nele fazem um. Ainda criança, Dioniso fora vítima de seus irmãos da parte divina, que em fúria o despedaçaram. Ao ver tal cena, Zeus se perguntou em quao, que Zeus fez nascer novamente o deus. Esse nascimento através do coração foi, em verdade, um renascimento. O coração expressa o afeto, a sensibilidade, a philia. O pai das Musas, Zeus, é o deus da maior virtude ética: a justiça. É por essa razão  que  musealizar também é fazer justiça ao que não pode ser esquecido, pois esquecê-lo seria esquecer o que faz de nós humanos. Aliás, recordar, criar memória, vem de re-cordis: cordis é, em latim, coração. Recordar: trazer de novo ao coração, que é o mediador que integra mãos e cérebro, técnica e teoria, e os faz viver a comunhão que os torna completos. Holístico procede de "holos", que significa, em grego, "todo" ou "completo". Em uma época de especializações e conhecimentos compartimentados como a nossa, o pensamento holístico se apresenta como um antídoto a tal proceder esquizóide (esquizo: o que vive à parte). O  holismo é uma maneira de ver as coisas a partir do todo, e não apenas das “especializações” que criam partes que não se comunicam. Ver a partir de um todo não significa ver segundo um “pensamentol daquelas partes o pequeno Dioniso estava inteiro, pois esta parte seria , sem dúvida, divina. Zeus descobriu então que era no coração que Dioniso se encontrava. Foi então do coração, a parte que contém o tod único” e homogêneo.
        O holismo não é alcançado pela junção de partes, parte a parte, como num quebra-cabeça. O holismo se expressa na relação de cada parte com o todo(...). Cada parte se torna completa quando expressa o todo em seu íntimo, em seu desejo. (...)
          Segundo Cury [3], a musealidade é uma qualidade intrínseca a toda realidade, seja ela produzida pelo homem ou pela própria natureza. A musealidade é a poesia que está presente em cada coisa. Assim, quando vemos em alguma coisa a musealidade que está contida nela, (...) vemos a coisa como o produto de uma produção que ainda lhe está imanente, como sua alma, sentido ou essência. No mito, após ser despedaçado pelas Fúrias (que representam a barbárie da violência e ignorância, que é tão terrível aos valores humanos quanto o esquecimento que a Memória busca vencer), a obra de Orfeu ficara em fragmentos, como partes sem um 
todo que as ligasse e lhes restituísse a vida, permanecendo espalhadas pelos lugares mais diferentes. Entra em cena então Museu, o filho de Orfeu. Pondo em prática o afeto do cuidado, Museu conseguia identificar, em cada fragmento, o todo que o produziria, todo este que lhe estava presente, mas de forma virtual ou latente. Este todo renascia em cada parte que, sob os cuidados de Museu, eram reunidas e postas juntas, como documentos que ensinavam sobre quem os fez , porque os fez e em quais condições os fez. Cada documento ensinava sobre si mesmo ao ensinar sobre quem os produzira. (...) Através desse contato com as obras de Orfeu que o Museu reuniu ( e que agora não eram apenas fragmentos, mas partes de um todo), os homens aprendiam não apenas sobre Orfeu, eles aprendiam também sobre o quanto pode ser bela a vida.
          Museu foi, pode-se dizer, o curador da obra de Orfeu , dado que ele cuidou de preservar e divulgar o que fizera seu pai. Havia um elo entre eles, portanto. Os sentidos mais comuns são “amor” e “amizade” ( como em philo-sophia, “amor ou amizade pela sabedoria”). É um afeto que liga Museu àquilo que ele musealiza. Não o move um interesse puramente material ou econômico. Museu não quer apenas fazer os homens conhecerem um passado que passou, ele não almeja conservar um  passado morto. Seu desejo é fazer viver o que nunca morre, e que sempre é objeto de um aprendizado sempre novo, feito também com arte e criatividade. Quando os homens entravam em contato com Orfeu através de suas obras exposta e reunidas, eles aprendiam não apenas sobre o passado, eles também aprendiam sobre si mesmos, aprendiam o quanto é possível mudar de idéia em relação a si, e compreender que a poesia, a produção, é o que dá vida e sentido a tudo. No mundo, não apenas as obras de Orfeu se encontram dispersas. Não raro, tudo parece estar disperso, desconectado, sem relação ou elo. Daí a importância de Museu ou de sua atitude, que é a de criar elos, pontes e  identidades no seio das diferenças [4], fazendo-as se comunicarem e descobrirem algo em comum.
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[1] Manoel de Barros, “Escova”, Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros, São Paulo: Editora Planeta, 2010, p. 13.
[2 Cf. Elton Luiz Leite de Souza, Manoel de Barros: a poética do deslimite, Rio de Janeiro: 7letras/FAPERJ, 2010.
[3 Marília Cury, Exposição: concepção, montagem e avaliação. São Paulo: Annablume, 2005.
[4 Cf.: Tereza Scheiner, Sobre laços, caminhos, pontes e museus. Disponível em: http://www.revistamuseu.com.br/18demaio/artigos.asp?id=5956 . Acesso em: 14 /jan/2013.Da mesma autora: Apolo e Dioniso no Templo das Musas. Museu: gênese, idéia e representações na cultura ocidental. Dissertação de Mestrado. RJ: UFRJ/ECO, 1998.

      Resumo Pessoal : Os objetos estao no museu nao porque sao velhos mas porque guardam em si sua aparencia de como eles eram antes ate o processo de ser encontrado e com isso há uma memoria do que eles passaram e servem como aprendizado/troca a quem os guardam pois ele possui um valor afetivo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

A ARTE DE CONTAR HISTORIAS

 O texto fala sobre o ato de representar historias porem sao dicas que podem ser adaptadas para a ilustração, o quadrinho e a animação/desenho animado em relação ao fato de serem narrativos

A arte de contar histórias

Quando o homem deixou de ser andarilho, tornou-se “homo-faber” e passou a fabricar instrumentos e a morar em cavernas.
Depois conquistou a palavra, tornando-se “homo-logus”. Por fim, conquistou o fogo e sentou-se ao seu redor para contar histórias.

Partilhavam-se as histórias das caçadas, os medos, os sonhos, as aventuras da vida, os encantos dos deuses.
Quem seria o nosso narrador? Aquele que contasse com mais emoção, que fosse um mestre das palavras.

Como toda arte, contar histórias possui técnicas e segredos. Técnicas e segredos que podem ser dominadas com alguma disciplina. Ter disciplina é ser discípulo de si mesmo. O contador de histórias é, antes, discípulo. Depois, mestre das tradições de sua tribo.

Depois de contar uma história devemos comentá-la, criar atividades que irão prolongar o prazer e trarão uma nova percepção dos personagens, da trama.

Mas cuidado! Comentar não significa propor questões interpretativas, nem destacar a mensagem contida na história. A mensagem se revela por si só. É preciso dar oportunidade ao ouvinte de refletir sobre o que ouviu, para que mergulhe na atmosfera que a audição cria. Devemosencorajá-los a falar sobre o assunto. Esta postura revelará que a história tem muito a oferecer emocional e intelectualmente.

A história não acaba ao término da narrativa. Devido à sua natureza metafórica, permanece na mente do ouvinte, que a incorpora como um alimento de sua imaginação criadora. Por isso é recomendável propor atividades subseqüentes que enriquecerão o universo individual, ajudando num processo de associação a outras atividades artísticas e educativas. Há vários tipos de atividades que podemos propor: painel de emoções, dramatização, desenhos, recortes, modelagem, dobradura, criação de textos etc. Todas estas atividades, quando utilizadas, mostram-se muito eficazes na construção de uma equipe de alta performance. E divertidas.

“Uma das muitas distinções entre a celebridade e o herói é que um vive apenas para si, enquanto o outro age para redimir a sociedade. O objetivo último da busca não será nem evasão nem êxtase, para si mesmo, mas a conquista da sabedoria e do poder para servir aos outros.” (Joseph Campbell)

terça-feira, 23 de abril de 2013

POR QUE NAO SE PRESERVA NOSSA HISTORIA?

   O texto de hoje tem a cidade de Fortaleza como foco de atenção porem na pratica o sentido pode ser aplicado a muitas cidades brasileira e é exatamente por isso que esta sendo postado aqui.

Fortaleza (CE) – Por que não se preserva a nossa História?

Para autoridades e especialistas, falta uma cultura de preservação por parte da população de Fortaleza. Futuro da Capital será debatido hoje no Fórum Adolfo Herbster.

Na Jacarecanga (e), casarões antigos, como a Escola de Artes e Ofícios (c), convivem com novas construções. No Centro, o Sobrado Doutor 
José Lourenço (d) é exemplo de preservação. Foto: Edimar Soares

Apreservação do patrimônio histórico de Fortaleza está na pauta do desenvolvimento da Cidade. Casos recentes de demolição de prédios antigos – como o bangalô azul, a Chácara Flora e a antiga sede do Hospital Mira y Lopez – levam a Capital a refletir sobre o modelo de desenvolvimento urbano que está sendo adotado.

Para especialistas ouvidos pelo O POVO, o problema é a falta um espírito de preservação da História no fortalezense. “Precisamos disso urgentemente”, alerta o professor do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC) e articulista do O POVO, Romeu Duarte.

O coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), Alênio Carlos Noronha Alencar, considera que a falta de uma disciplina sobre patrimônio histórico no currículo escolar é uma das raízes que explicam o desprezo de boa parte da população pelos prédios antigos.

A situação também é vivida por cidades consideradas modelos de preservação da História. “Em Recife, a população, de um modo geral, associa o seu patrimônio histórico à coisa velha, ultrapassada, que atrapalha o desenvolvimento da cidade. Isso, em parte, vem de uma formação modernista, onde o passado precisa ir embora. Se possível, sem deixar memória, para que o progresso chegue”, comenta o arquiteto e urbanista Zeca Brandão, coordenador do Núcleo Técnico de Operações Urbanas (NTOU) do Governo de Pernambuco. (...)
  
Cidade e patrimônio
Outro problema é a falta de sensibilidade da iniciativa privada, que, de maneira geral, não leva em conta a preservação em novos projetos. Também é necessário garantir o uso dos equipamentos, sob o risco de eles continuarem desprotegidos mesmo quando tombados. “Os órgãos de preservação não ajudam ao assumir uma postura ‘xiita’ na defesa desse patrimônio. A cidade é um patrimônio em permanente construção e precisa apresentar um certo grau de flexibilidade para se adequar às transformações”, defende o arquiteto e urbanista Zeca Brandão.

Entenda a notíciaAdolfo Herbster é o arquiteto responsável pela confecção da primeira planta detalhada de Fortaleza, em 1859. Outro material produzido por ele, em 1875, serviu de base.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O PAPEL DE CADA UM NA PRESERVAÇAO DO PATRIMONIO CULTURAL

O texto de hoje se trata de uma questão do seculo 21 em conservação do patrimônio cultural: A urbanização crescente e a manutenção do que ainda resta de patrimônio. Ele comenta questões desenvolvidas relacionadas ao Estado de Minas mas que pode ser aplicada a qualquer estado, é claro que há um pouco do lado politico de exaltar algo como se aquilo ocorresse sem maiores problemas (o que não e verdade mas que pode ser relevado e retirado apenas as boas ideias mas vamos ao texto)   

O PAPEL DE CADA UM NA PRESERVAÇÃO DO PATRIMONIO CULTURAL

Equacionar a proteção do patrimônio cultural e a expansão urbana é um desafio não só do poder público, mas também dos cidadãos
 
Daniel Quintão - Especial para o Lugar Certo
Frederico Prates - Especial para o Lugar Certo

Através do IEPHA/MG, a O3L Arquitetura está desenvolvendo o projeto de restauração da Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, no distrito de Milho Verde, no Serro (O3L Arquitetura)

   Através do IEPHA/MG, a O3L Arquitetura está desenvolvendo o projeto de restauração da Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, no distrito de Milho Verde, no Serro

   Preservar e cuidar da manutenção do patrimônio cultural construído é um grande desafio da atualidade. O crescimento das cidades, a expansão imobiliária, o déficit habitacional e os impactos ambientais constituem fatores que desafiam os gestores públicos a confrontar o desenvolvimento eminente, com a necessidade de minimização de impactos ambientais e sociais.

     No âmbito do patrimônio cultural, esforços têm sido canalizados visando a consolidação de uma política de proteção de acervos, assim como ações efetivas de restauração de bens culturais que se encontram em estado de conservação ruim.

    Ao circular pelas cidades do interior do país, observa-se, com frequência, a degradação de inúmeros imóveis seculares, de valor artístico e cultural, de propriedade particular ou pública, que lamentavelmente dão lugar a outras edificações. Estas surgem de maneira abrupta e se sobrepõem à paisagem vernacular, tradicional, desconsiderando todos os condicionantes conformadores do espaço urbano e sua história. Desse modo, a leitura espacial e sua compreensão ficam comprometidas, uma vez que os suportes físicos da memória das cidades são apagados, dando lugar a construções que não dialogam e não respeitam o meio existente.

    Algumas iniciativas se fazem válidas ao resgatar e garantir a permanência da identidade cultural, além de incentivar outras ações que atuarão na manutenção da memória coletiva. O poder público estadual, através do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais –IEPHA/ MG, empenha-se na preservação e conservação de monumentos religiosos, civis, fazendas e inúmeros elementos artísticos integrados que compõem o rico acervo cultural mineiro, que carece de atenção e cuidados especiais.

    Neste contexto, o patrimônio cultural de Minas Gerais registra um importante passo na conservação de parte de seu acervo, através da iniciativa do governo estadual, ao colocar em prática ações que intervirão diretamente na manutenção de importantes monumentos distribuídos no território mineiro.

     Minas Patrimônio Vivo é um programa da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, que visa a proteção do patrimônio cultural de Minas Gerais. Idealizado e coordenado pelo IEPHA/MG, o programa estabelece ações de restauração de bens culturais protegidos pelo estado, atividades de educação patrimonial, documentação e difusão de inventários, inspeção e vistoria aos bens, instalação de alarmes contra furtos e sistemas de proteção contra incêndio. O programa conta também com as parcerias do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, das Secretarias de Estado de Turismo e Educação, do Ministério Público de Minas Gerais, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

Em fevereiro deste ano, foram assinadas ordens de serviços para a execução de obras de restauro e projetos executivos de restauração dos seguintes bens culturais:
A Igreja Matriz de São Gonçalo, no distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, também no Serro, é outro exemplo de patrimônio que passa por processo de restauração, coordenado pela O3L Arquitetura, por meio do IEPHA/MG (O3L Arquitetura)


     A Igreja Matriz de São Gonçalo, no distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, também no Serro, é outro exemplo de patrimônio que passa por processo de restauração, coordenado pela O3L Arquitetura, por meio do IEPHA/MG
    Inúmeras outras ações são pioneiras e merecem ser lembradas. O programa de repasse do ICMS aos municípios - critério patrimônio cultural, estabelecido pela lei estadual 18.030/2009 – conhecida como Lei Robin Hood, já dispõe de grande adesão por parte dos municípios mineiros. Anualmente, trabalhos de catalogação do acervo, instauração de processos de tombamento, implementação de projetos de educação patrimonial, registro do patrimônio imaterial e fundo municipal de preservação do patrimônio cultural são atividades que podem ser desenvolvidas pelos municípios com efeito de pontuação no programa de repasse da quota do ICMS, critério patrimônio cultural. Minas Gerais é o estado da federação pioneiro no estabelecimento desta política pública de incentivo e descentralização das ações de preservação do patrimônio cultural local.


    A atuação da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, vinculada ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, também tem colocado em prática ações de vistoria, fiscalização, acompanhamento e orientações às comunidades detentoras de acervos culturais. Atualmente, o órgão publicou o Manual Básico de Segurança e Conservação do Patrimônio Cultural Sacro, cujo conteúdo, destinado às paróquias e às comunidades guardiãs do patrimônio religioso, apresenta normas e procedimentos na conservação e manutenção do acervo sacro. A publicação pode ser consultada online através do link: 



    De uma maneira mais tímida, registra-se também tentativas de recuperação de edificações históricas através da iniciativa de particulares em manter e revitalizar seus imóveis. Apesar de todas as dificuldades, tais intervenções garantem e contribuem na manutenção de verdadeiros suportes da memória coletiva das cidades.


    Equacionar a proteção do patrimônio cultural e a expansão urbana é um desafio não só do poder público responsável pela gestão das cidades, mas também dos cidadãos, principais guardiães e interessados no desenvolvimento do seu habitat com qualidade sustentável. De um lado, os poderes legislativo e executivo devem estabelecer uma ligação entre as políticas de uso e ocupação dos solos com a política de proteção do patrimônio cultural, na qual se estabelece os meios e mecanismos de proteção do acervo cultural, garantindo a eficácia no cumprimento do que é determinado em lei. A comunidade, por sua vez, deve se responsabilizar pela guarda e difusão deste acervo, entendendo-o como parte inerente de sua própria história.

   Apenas uma gestão integrada com os principais atores desempenhando suas funções adequadamente poderá garantir melhor qualidade e controle na construção e manutenção do habitat do século 21.

fonte:
http://estadodeminas.lugarcerto.com.br/app/noticia/colunas/o3l-arquitetura/2013/04/09/interna_o3larquitetura,47129/o-papel-de-cada-um-na-preservacao-do-patrimonio-cultural.shtml

quarta-feira, 10 de abril de 2013

ARTE CINETICA: MOVIMENTO ROMPE COM A CONTRADIÇAO ESTATICA DA ARTE

Arte cinética: Movimento rompe com a condição estática da arte

Assunto: artes
Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação


     Segundo o dicionário, cinética é o ramo da física que trata da ação das forças na mudança de movimento dos corpos. A palavra tem origem no grego kinétós, que significa móvel ou o que pode ser movido.
   Foi pensando nisso e numa antiga preocupação nas artes visuais, a realização do movimento (veja no texto Barroco - Igreja impulsiona arte sacra a escultura David, de Bernini), que artistas da década de 1950 levaram às últimas conseqüências essa discussão, exatamente quando aconteceu a exposição Le mouvement (O movimento), no ano de 1955, em Paris, com obras de artistas de diferentes gerações: Marcel Duchamp (1887-1968), Alexander Calder (1898-1976), Vasarely (1908), Jesus Raphael Soto (1923) Yaacov Agam (1928), Jean Tinguely (1925), Pol Bury (1922), entre outros.

    A arte cinética busca romper com a condição estática da pintura e da escultura, apresentando a obra como um objeto móvel, que não apenas traduz ou representa o movimento, mas está em movimento.



Reprodução
Alexander Calder, The Star, 1960.


   
  O artista Alexander Calder, por exemplo, é muito conhecido por seus famosos móbiles, como o da imagem acima. Construídos com peças de metal pintadas e suspensas por fios de arame, os móbiles movem-se por mais suave que seja a corrente de ar - e o movimento independe da posição e do olhar do observador, produzindo efeitos mutáveis em função da luz. Ao observador cabe contemplar o movimento inscrito nas obras, "desenhos quadridimensionais", como disse Calder.
 

Arte cinética brasileira

   No Brasil, podemos citar, dentre outros artistas, as obras de Abraham Palatnik. Considerado um dos pioneiros da arte cinética, nasceu em 1928, em Natal (RN).
   Pintor e desenhista, Palatnik mudou-se com a família, em 1932, para Israel, onde estudou, entre 1942 e 1945, na Escola Técnica Montefiori, em Tel-Aviv, especializando-se em motores de explosão. Também estudou arte nos ateliês de Haaron Avni e de Sternshus, e no Instituto Municipal de Arte de Tel-Aviv. Retornou ao Brasil em 1948, instalando-se no Rio de Janeiro, onde conviveu com os artistas Ivan Serpa e Renina Katz, e com o crítico de arte Mário Pedrosa.

    O contato com os artistas e as discussões conceituais com Mário Pedrosa fizeram Palatnik romper com os critérios convencionais de composição. Ele abandonou, então, o pincel e a arte figurativa, iniciando relações mais livres entre cor e forma.

    Por volta de 1949, iniciou estudos no campo da luz e do movimento, que resultaram no Aparelho cinecromático, exposto em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, pelo qual recebeu menção honrosa do júri internacional.

   A partir de 1964, Palatnik desenvolveu os Objetos cinéticos, um  desdobramento dos cinecromáticos, mostrando o mecanismo interno de funcionamento e suprimindo a projeção de luz. O rigor matemático é uma constante em sua obra, atuando como importante recurso de ordenação do espaço.


Reprodução
Abraham Palatnik, Comunicação cinética, 1967.


Veja mais


Leia uma interessante entrevista concedida por Abraham Palatnik.

Valéria Peixoto de Alencar*
 

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).

 Fonte http://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/arte-cinetica-movimento-rompe-com-a-condicao-estatica-da-arte.htm

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