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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

CULTURA COMO EIXO DE DESENVOLVIMENTO

  Viu ne gente, cultura pode ser um eixo de desenvolvimento entao vamos deixar de nos (a)culturar ou tornar uma cultura global massificada para evoluirmos melhor 

Cultura como eixo de desenvolvimento 

16/12/13 Redação
 
Foto: Norman B. Leventhal Map Center at the BP     A pluralidade da identidade cultural é a chave para o progresso humano. Esta foi a essência do discurso do Prêmio Nobel Amartya Sen durante a primeira edição do Fórum Mundial de Cultura (WCF, na sigla em inglês), que aconteceu em Bali, na Indonésia, entre os dias 24 e 27 de novembro.

   O evento foi o primeiro de uma série de fóruns internacionais que a região deve sediar com o objetivo de criar um espaço permanente para questionar ideias estabelecidas e identificar soluções para incorporar a cultura como parte do desenvolvimento sustentável. O fórum reacende debate levantado pelo Relatório de Economia Criativa da ONU, que apresenta a dimensão do impulso que as indústrias culturais e criativas dão à economia global.

O WFC quer ajudar a moldar a próxima fase estratégica antes que os Objetivos do Milênio da ONU expirem em 2015 e garantir que o papel da cultura seja plenamente reconhecido no futuro. O encontro reuniu 1.360 delegados e artistas de 67 países, 12 ministros da Cultura, embaixadores e representantes nacionais, que participaram nas discussões em mesa-redonda ao lado de altas representações ​​políticas, ONGs e profissionais da cultura.

Um dos editores da CNN, Fareed Zakaria, reconheceu em seu discurso que a cultura é o elixir do desenvolvimento de um país, mas questionou se o sucesso econômico de uma nação (ou falta de) pode ser atribuído apenas à sua cultura. Alguns traços culturais podem abrir o caminho para o desenvolvimento econômico, ele admitiu.

Mas um desafio comum para as nações em desenvolvimento é se modernizar mantendo a própria cultura sem tornarem-se cópias baratas de países ocidentais. “Tenho pena do antropólogo”, disse Zakaria. “Não há nativos para estudo porque todos eles estão bebendo Starbucks.”

A Comissão Brundtland (cuja missão é reunir países rumo ao desenvolvimento sustentável) apresentou suas três dimensões principais: crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental. Mas a cultura deve ser estabelecida como o quarto pilar, afirmou Jordi Pascual, coordenador da Agenda 21 da Cultura, que está fazendo lobby para que o setor seja colocado no centro do desenvolvimento nacional e internacional.

Os painéis, com oradores diversificados, mostraram a importância da cultura para uma sociedade civil e democrática. Yenny Rahmayati apresentou a história do movimento de patrimônio cultural na região de Aceh, na Indonésia, após o tsunami em 2004. Os slides ilustraram os danos ao patrimônio local e acompanharam a reabilitação e reconstrução, que surgiu de forma independente do governo local – um verdadeiro testemunho do empoderamento conduzido pelo voluntariado.

Mark Miller, organizador do Tate Britain e de programas para jovens da Tate Modern, também compartilhou sua experiência no “Circuit”, um projeto colaborativo que oferece oportunidades para os jovens conduzirem sua própria aprendizagem e criarem atividades em todas as áreas artísticas.
O fórum culminou na assinatura de um documento, Promessa Bali, declaração de ações propostas durante as mesas-redondas. Entre as 10 recomendações finais vigoraram: apoiar a liderança de jovens que buscam realizar empreendimentos culturais, defender a integração do setor e desenvolver parcerias entre os setores público e privado.

A promessa Bali foi inserida na legislação da Indonésia e será obrigatório para os próximos governos desenvolvê-la para um conjunto de objetivos e políticas concretos e programas usando uma abordagem baseada em evidências. Como Estado membro das Nações Unidas, a Indonésia tem a intenção de ser referência em liderança cultural usando a Promessa Bali como alavanca para influenciar a formulação das Metas  Sustentáveis​​ do Milênio.

Enquanto isso, os organizadores esperam que a WCF torne-se parte da agenda global transformando cultura em desenvolvimento, em algo parecido com o que Davos, na Suíça, tem representado em impacto para as políticas globais, e como o Rio+20 , no Rio de janeiro, influencia a agenda de desenvolvimento sustentável.

A próxima conferência está agendada para 2016 em Bali. Enquanto isso, um projeto online está indo ao ar para condensar e distribuir informações atuais e futuras relacionadas à cultura e a agenda de desenvolvimento pós-2015 para ajudar o setor cultural global a comunicar seu trabalho para um público maior.

*Yasmin Khan, autora deste artigo, é curadora independente, produtora e consultora cultural.
**Publicado originalmente no site Culture Professional Network do jornal britânico The Guardian.

Fonte http://www.empreendedorescriativos.com.br/artigos/cultura-como-eixo-de-desenvolvimento/
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