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Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A AURA E OBRA



    A invenção da fotografia assinala uma revolução no âmbito das linguagens figurativas, não apenas por ela mesma, como modo de expressão, mas também pelas conseqüências dela, derivadas para o processo de reprodução da obra de arte. Este é o tema do célebre ensaio de Walter Benjamin A Obra de Arte na Época da Reprodutibilidade Técnica.
    
    Antes da invenção da fotografia, a reprodução de uma obra de arte – a Mona Lisa, por exemplo – só podia ser feita, artesanalmente, ou seja, por alguém que a reproduzisse tão fielmente quanto possível sobre uma outra tela. Pondo-se de lado o fato de que seria praticamente impossível fazê-la em tudo igual ao original, resta o fato de que, mesmo que o conseguissem, esta reprodução seria considerada uma falsificação, pela simples razão de que o valor e a autencidade da Mona Lisa, residem em seu caráter de objeto único, insubstituível, nascido das mãos de Da Vinci. A reprodução fotográfica supera esses óbices (s.m. Empecilho, obstáculo; dificuldade, impedimento) porque não é uma imitação da obra e, sim, a reprodução de sua imagem real – é a obra mesma captada pela objetiva da máquina fotográfica e impressa numa folha de papel. Noutras palavras, a autencidade do original se transfere para a cópia que assim se torna um novo modo de existência dele.
 
    Foi a observação deste fato que levou Walter Benjamin a elaborar a teoria da aura e seu desaparecimento com a possibilidade de reprodução técnica, ou seja, fotográfica. Com razão, o filósofo alemão constata que a obra de arte, em sua origem, é expressão mágica, depois religiosa, de modo a fundir-se nela o artístico e o mágico ou místico. Essa aura teológica, que acompanhou a obra de arte em quase toda a sua história, transformou-se em aura estética, na medida em que a sociedade foi se tornado menos religiosa e mais laica, com o desenvolvimento do capitalismo e da concepção burguesa dos valores sociais. A essa vinculação com o mágico e o místico, somou-se o caráter da obra como objeto único, assim definido no espaço e no tempo. A possibilidade de reproduzi-lo mecanicamente em milhares de cópias que são a imagem fiel do original eliminou, segundo a teoria de Benjamin, a aura que mantinha a obra de arte como raridade, fora do alcance da vasta maioria dos homens. 
   
    Na sua visão de marxista, ele exulta com o fim da aura, cuja declínio “deriva de duas circunstâncias, estreitamente ligadas à difusão e intensidade dos movimentos de massas. Fazer as coisas ficarem ‘mais próximas’ é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como sua tendência a superar o caráter único de todos os fatos através da sua reprodutibilidade. A cada dia fica mais irresistível a necessidade de possuir o objeto, tão perto quanto possível, na imagem, ou antes, na sua cópia, na sua reprodução”. E acrescenta: “Retirar o objeto de seu invólucro (pacote, proteçao), destruir sua aura, é a característica de uma forma de percepção, cuja capacidade de captar ‘o semelhante no mundo’ é tão aguda que, graças à reprodução, ela consegue captá-lo até no fenômeno único”. Como conseqüência última deste processo, ele considera que, “no momento em que o critério de autenticidade deixa de aplicar-se à reprodução artística, toda a função social da arte se transforma. Em vez de fundar-se no ritual, ela passa a fundar-se em outra práxis: a política”. Por isso mesmo, conclui dizendo que, no futuro, talvez a função artística da obra se torne secundária.
 
   Se a análise que faz Walter Benjamin das novas relações surgidas, no campo da expressão visual com as novas técnicas de reprodução, é penetrante e inovadora, algumas de suas conclusões foram negadas pelo futuro. A previsão de que a reprodução fotográfica e gráfica das obras de arte as despiria de toda e qualquer aura não se confirmou; pelo contrário, a multiplicação da imagem da Mona Lisa em milhões de cópias fiéis ao original, ao invés de desmistificá-la, fez com que um número crescente de pessoas no mundo inteiro desejem ver-lhe o original. Basta ir ao Museu do Louvre para constatá-lo. Aliás, o que ocorreu foi o contrário do que previra o pensador: a multidão que, atraída pela aura daquela obra, invade diariamente o museu para contemplá-la, não consegue manter-se diante dela mais que dois minutos e a uma distância de cinco metros. Como o quadro se encontra, numa espécie de nicho e dentro de uma caixa de vidro, mais que nunca lembra uma santa relíquia a que a multidão vai prestar reverência. A aura que a envolvia, em vez de apagar-se, aumentou.

    Mas a Mona Lisa, bem ou mal, é uma obra de arte do século 16 pintada por um gênio. O que dizer, porém, de objetos industriais do século 20, produzidos em série, que não se podem classificar de obra de arte, como automóveis de passeios, carros de corridas? No entanto, alguns exemplares desses veículos, saídos de linha há muitos anos, são conservados como preciosas raridades, isto é, ganharam aura, embora não tenham origem nem mágica nem religiosa. Parece lógico admitir que, ao contrário do que Walter Benjamin pensava, envolver os objetos de aura é uma necessidade do ser humano.
 
    E o que ocorre com os chamados clássicos do cinema? Vejam bem: o cinema foi citado por Benjamin como o exemplo da arte sem aura, uma vez que não possui original. O “original” do filme é um negativo, que não é de fato o filme, uma vez que, lá, as imagens estão ao revés do que são quando projetadas. O filme é uma obra sem corpo, mera ilusão criada pela projeção luminosa na sala escura. Por isso mesmo já houve quem comparasse uma seção de cinema a um sonho, que acaba quando a luz de serviço da sala se acende e o espectador “acorda”. Não obstante, esta obra sem corpo também ganhou aura, pois é com indisfarçável reverência que o cinemaníaco se põe como espectador para ver (ou mesmo rever) obras-primas como "O Encouraçado Potenkim" ou "Cidadão Kane".
 

Fonte original: Revista Continente Multicultural: www.continentemulticultural.com.br
Proximas postagens:
  • Arte versus mercado
  • Arte na idade industrial
  • Impasse da Antiarte
 
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