Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A ARTE E O ABSTRACIONISMO (Parte 3 final)

Tentativa de definição

Na experiência, do ponto de vista da relação com os objetos, o abstracionismo dá conta do possível distanciamento psíquico que sente o artista em sua produção, do temor, da constante intenção de transcendência ao fluxo do real. Coloca-se, desta forma, em oposição ao naturalismo, cuja base na experiência psíquica dá-se pela aproximação com o objeto, à empatia, ao envolvimento.
Ao chamarmos o abstracionismo uma categoria, não significa que ele se identifique com a definição kantiana do a priori puro. O abstracionismo não é uma forma dada anteriormente, sobre a qual é possível meditar-se sem qualquer relação ao real. Depende, ao contrário, inteiramente de um contato com o mundo da experiência; forja-se, o abstracionismo, diretamente sobre a vivência humana.
Por outro lado, não há coincidência entre o abstracionismo como categoria estética e o progressivo distanciamento entre o sensível e o racional, formulado por Hegel. Primeiro porque esta categoria abstrata é uma forma dada já na apreensão do objeto, portanto não necessariamente distante do sensível. Segundo, porque o distanciamento do real na experiência faz-se não em direção a uma análise (racional), logocêntrica, mas em direção à uma síntese plástica.

O abstracionismo e o estilo

Ao retornarmos à questão do estilo, após esta colocação do abstracionismo como uma categoria estética, é possível obter muitas luzes na análise das obras de arte. Diversamente de agrupar as obras apenas enquanto tem esta ou aquela aparência, pode-se buscar uma abordagem mais profunda, que saliente as raízes destes estilos na experiência vivencial com que foram produzidos.
É possível entender certas "anomalias" estilísticas, que ficariam não compreendidas se apelássemos para distinções superficiais. O estilo pontilhista, por exemplo, que superficialmente é figurativo, tem a abstração como concepção estética produtora. Contrariamente, a catedral gótica, que é abstrata na aparência e na construção, exige uma aproximação estética empática. Estes exemplos mostram como as categorias podem se relacionar complexamente com os estilos.
Por outro lado, é possível compreender o verdadeiro lugar do surgimento da abstração contemporânea: ao invés de apenas um modismo, como muitas vezes tem sido encarada por artistas e críticos, a abstração vem dar resposta às novas formas de experiência trazidas pela Revolução Industrial e pela Revolução da Informação.


Fonte: http://www.auladearte.com.br/galeria/abstracionismo.htm#ixzz3rJnHFoNI 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A ARTE E O ABSTRACIONISMO (PARTE 2)

Abstração e estética

Se tomarmos o estilo abstrato, entretanto, no seu aspecto positivo na modernidade, desenvolvido principalmente pelos abstracionistas formais, e que consistia em uma resposta aos (então) novos contextos sociais, então é possível situar e entender não somente a arte abstrata contemporânea, como delimitar a verdadeira esfera do abstracionismo inerente à arte.
Não tomaremos o abstracionismo apenas enquanto um estilo artístico, entre outros, mas relacionaremos o abstracionismo à experiência vivencial, não só no tempo presente mas no passado também. A própria constatação de que o abstracionismo surge como estilo em diversos períodos históricos, leva-nos a supor que as suas características são muito mais gerais que particulares, muito mais comuns a vários períodos que restritas a este ou aquele específico.
A tese que se coloca é a de que o abstracionismo é, na verdade, uma autêntica categoria de experiência estética. O abstracionismo seria uma forma de experiência, qual seja, uma maneira que tem o sujeito de experimentar o real.
Se concordamos em que, genericamente, nosso trânsito com o real dá-se na experiência, ou por aproximação ou por distanciamento (não físico, mas psíquico), então podemos situar o abstracionismo como uma categoria estética. Se por aproximação entendermos toda forma de experiência que se constitua pela empatia com o objeto, então distanciamento seria toda forma de experiência que visa a um deslocamento, a uma transcendência dos objetos.
A categoria abstrata, em arte, seria caracterizada pela representação que não tivesse, por experiência psíquica, uma necessidade de apropriação ou envolvimento com objetos particulares. Essa categoria abstrata buscaria, pelo distanciamento ao real, uma universalização da linguagem artística.
É possível perceber, mesmo ainda sem exemplos ilustrativos de obras de arte, que essa categoria abstracionista seria uma descrição, particularizada na experiência estética artística, do processo abstrativo geral da cultura, que, em um amplo quadro histórico, conduziu às formulações de uma religião transcendental monoteísta em oposição aos mitos animistas anteriores, a um processo de investigação pelo pensamento em oposição às práticas mágicas anteriores, etc.
continuaçao 15/12

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A ARTE EO ABSTRACIONISMO (parte 1 de 3)

A ARTE EO ABSTRACIONISMO
JOÃO WERNER, autor
   A arte abstrata é uma grande polêmica entre artistas, críticos e historiadores. A questão de saber o que é abstracionismo, como pode ser apreendido esteticamente, ou, até mesmo, se pode o abstracionismo serartístico, foi central em inúmeros debates.
   A arte abstrata pode ser pensada como um estilo, entre outros diversos, dentro da história da arte. Como estilo, foi retomada a partir da modernidade inicialmente com cubistas e futuristas, disseminando-se, a partir de então, em diversas outras tendências artísticas, ora formais, que prezam a articulação inerente à obra, ora informais, cuja intenção é a desarticulação interna da obra.
   Como abstracionistas formais teríamos o Neoplasticismo, a Arte Concreta, a Minimal Art, etc. Como exemplos do abstracionismo informal temos a Action Painting, o Tachismo, o Neo-Expressionismo etc.
   A retomada do estilo abstrato nos primeiros anos do século, teve uma dupla origem. Por um lado, foi fruto das novas experiências estéticas exigidas pela modernidade econômica e social na Europa. Por outro lado, o estilo abstrato foi retomado porque prestava-se, como "novidade", às intenções vanguardistas de alguns movimentos artísticos.
   Neste segundo sentido, vanguardista, a arte abstrata foi retomada porque representava, para a época, um "estar à frente do tempo". Dado que, desde antes da Renascença, nenhuma tradição artística européia podia assumir ser a origem do abstracionismo artístico, este estilo dava a nítida impressão a todos de umaruptura com aquelas tradições.
   Esta intenção de colocar o abstracionismo no epicentro de um movimento social e político de ruptura, especialmente levado a cabo por abstracionistas informais, revelou-se despropositada.
   Como estilo artístico, o abstracionismo é quase tão antigo no tempo como a sua antítese, o naturalismo. Se, na pré-história, toda a arte do período paleolítico foi de um naturalismo vigoroso, no neolítico, ao contrário, a linguagem artística usual era o abstracionismo.
    Nos desenhos rupestres neolíticos, no uso das técnicas da cestaria ou da cerâmica, está atestada uma origem para o estilo abstrato. Cai por terra a idéia de uma "novidade" no ressurgimento do estilo abstrato na modernidade.
Continuaçao dia 8/12


terça-feira, 24 de novembro de 2015

AFINAL, O QUE INTERATIVIDADE EM MUSEUS?

Interatividade nao é claro para muita gente mas para quem usa videogames isso eh bem claro. O interativo quer dizer age entre duas coisas ou mais, isso quer dizer se voce faz uma ação ele te responde com uma reação imediata sem precisar que alguem o lembre disso. Entao os totens de respostas, os eletronicos, enfim... 

Afinal, o que é interatividade em museus?

   Na última década, tem crescido a febre por “Museus Interativos”. E as definições divulgadas na mídia nada mais são do que uma confusão danada, tentando convencer os visitantes que qualquer coisa que pisque, é interativa.  Apertou um botão? Passou e um sensor ascendeu uma luz? Viu um vídeo?  Olha que coisa, está interagindo com o museu! Só que não.
Vamos então fazer o caminho contrário. O que não é interatividade em museus?
   O fato de um museu ter muitos monitores, vídeos, gadgets, luzes e efeitos especiais não o torna interativo. O fato de dar qualquer estímulo sensorial para o museu também não o torna interativo por si só. Diversão em museu, joguinhos, controles remotos, entre outros, por si só, também não o são.
O fetiche pelos dispositivos digitais fez com que se investissem milhões de reais (ou dólares) nas Novas Tecnologias de Informação e Comunicação e dos dispositivos audiovisuais e muito pouco em pesquisa. A aparente “facilidade” da apreensão do conteúdo, data por esses recursos, é capaz de transformar grandes museus em parques de diversões. Não sou contra o visitante aprender se divertindo. Nada disso. Mas até que ponto isso ocorre realmente nos museus brasileiros modernos, como o da Língua Portuguesa ou o do Futebol?

Se olharmos no dicionário, encontraremos a definição de interativo:
Diz-se de fenômenos que reagem uns sobre os outros.
Dotado de interatividade.
Diz-se de um suporte de comunicação que favorece uma permuta com o público.
  • HANDS ON: muito utilizada em museus de ciência, é aquela em que o visitante tem uma interação mecânica com um objeto e assim é demonstrado um fenômeno.
  • MINDS ON: “Aqui, os elementos de interação estimulam o funcionamento da mente, instigando os visitantes a empreender um “exercício” mental, elaborando questões, solucionando problemas, criando analogias e percebendo contradições. Coloca-se, então, a expectativa de que, ao se estabelecer uma atividade capaz de correlacionar mente e realidade através da reflexão, se faça possível a produção de significados e o desejo de se colocar novas questões. Esse tipo de interatividade nem sempre se produz pelo intermédio de recursos digitais, podendo a experiência ser “desencadeada” em momentos de interação entre visitantes ou por um processo de mediação ou visita guiada.” (http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/article/viewFile/273/267)
  • HEART ON: busca uma identidade cultural do visitante com o objeto exposto e reforça as questões emocionais de vivenciar a experiência.

      A interatividade do tipo “hand-on” é a que mais se difundiu e se distorceu nos ultimos anos. Nos museus de ciências, em geral esta experiência tem como função comprovar conceitos físicos, através da experimentação do usuário. Como se vê em:  https://youtu.be/boEyU0Pq_Lc


Mas essa experiência não tem nenhum valor se não se entender o conceito explicado, em geral mediado por um monitor da exposição ou por algum aparato explicativo.



   Caso contrário, ela se torna uma experiência vazia, como a exposição temporária de Bia Lessa, em que o visitante fazia o movimento de puxar as 400 paginas ampliadas de Grande Sertão Veredas e ler um trecho em um dispositivo diferente. Essa “experiência” não agrega valor ao conteúdo e o leitor não aprende com ela. A interatividade “hands-on” se torna então, um belíssimo aparato cenográfico.


                                   

Fonte:https://criticaexpografica.wordpress.com/2015/11/18/afinal-o-que-e-interatividade-em-museus/

Proximas postagens: A ARTE EO ABSTRACIONISMO (parte 1 de 3)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ARTE CONTEMPORANEA

ARTE CONTEMPORANEA

Almandrade, autor

    Quando se fala em "arte contemporânea" não é para designar tudo o que é produzido no momento, e sim aquilo que nos propõe um pensamento sobre a própria arte ou uma análise crítica da prática visual. Como dispositivo de pensamento, a arte interroga e atribui novos significados ao se apropriar de imagens, não só as que fazem parte da historia da arte, mas também as que habitam o cotidiano. O belo contemporâneo não busca mais o novo, nem o espanto, como as vanguardas da primeira metade deste século: propõe o estranhamento ou o questionamento da linguagem e sua leitura.
     Geralmente, o artista de vanguarda tinha a necessidade de experimentar técnicas e metodologias, com o objetivo de criar novidades e se colocar à frente do progresso tecnológico. Hoje, fala-se até em ausência do "novo", num retorno à tradição. O artista contemporâneo tem outra mentalidade, a marca de sua arte não é mais a novidade moderna, mesmo a experimentação de técnicas e instrumentos novos visa a produção de outros significados. Diante da importância da imagem no mundo que estamos vivendo, tornou-se necessário para a contemporaneidade insinuar uma critica da imagem. O artista reprocessa linguagens aprofundando a sua pesquisa e sua poética. Ele tem à sua disposição como instrumental de trabalho, um conjunto de imagens. A arte passou a ocupar o espaço da invenção e da crítica de si mesmo.
    As novas tecnologias para a arte contemporânea não significam o fim, mas um meio à disposição da liberdade do artista, que se somam às técnicas e aos suportes tradicionais, para questionar o próprio visível, alterar a percepção, propor um enigma e não mais uma visão pronta do mundo. O trabalho do artista passa a exigir também do espectador uma determinada atenção, um olhar que pensa. Um vídeo, uma performance ou uma instalação não é mais contemporâneo do que uma litogravura ou uma pintura. A atualidade da arte é colocada em outra perspectiva. O pintor contemporâneo sabe que ele pinta mais sobre uma tela virgem, e é indispensável saber ver o que está atrás do branco: uma história. O que vai determinar a contemporaneidade é a qualidade da linguagem, o uso preciso do meio para expressar uma idéia, onde pesa experiência e informação. Não é simplesmente o manuseio do pincel ou do computador que vai qualificar a atualidade de uma obra de arte.
   Nem sempre as linguagens coerentes com o conhecimento de nosso tempo são as realizadas com as tecnologias mais avançadas. Acontece, muitas vezes, que os significados da arte atual se manifestam nas técnicas aparentemente «acadêmicas». Diante da tecnologia a arte reconhece os novos instrumentos de experimentar a linguagem, mas os instrumentos e suportes tradicionais estão sempre nos surpreendendo, quando inventam imagens que atraem o pensamento e o sentimento.
     Mas em que consiste essencialmente a arte contemporânea? Ou melhor: qual o segredo da arte na atualidade? Pode parecer um problema de literatura ou de filosofia. - É muito mais uma questão de ética do que de estilo, para se inventar com a arte uma reflexão. Não existem estilos ou movimentos como as vanguardas que fizeram a modernidade. O que há é uma pluralidade de estilos, de linguagens, contraditórios e independentes, convivendo em paralelo, porque a arte contemporânea não é o lugar da afirmação de verdades absolutas.
Almandrade, autor
Artista plástico, poeta, arquiteto

Fonte: http://www.auladearte.com.br/galeria/almandrade.htm#ixzz3rJgzzPc5 
Proximas postagens : Interatividade nos museus e as 3 partes de: A Arte e o abstracionismo de JOÃO WERNER


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