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Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

TRILHAS E CAMINHOS PARA A PRODUÇÃO CULTURAL

  Como este blog tem como foco a cultura artistica e o patrimonio, nao poderiamos deixar de falar sobre a profissao de produtor cultural que tambem esta envolvida no assunto. Este profissional ajuda a desenvolver a cultura de um local desenvolvendo projetos e organizando eventos. Como é uma materia que surgiu a partir de pesquisa feita, entao ela possui muitos dados estatisticos e que nos ajuda a entender um pouco mais sobre estes profissionais que na maioria sao artistas interessados em promover a cultura e seus pares.

Trilhas e caminhos para a produção cultural

| quarta-feira, 21 novembro 2012

Gestão (ou produção) cultural é uma profissão que, apesar de recentemente ter sido compreendida como tal, ainda não é reconhecida formalmente no território nacional. (isso tambem acontece com profissoes antigas)

   Dos produtores/gestores culturais que responderam à pesquisa Panorama Setorial da Cultura Brasileira 2011/2012 - patrocinada pela Vale e Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet -, 64% afirmam terem começado a produzir por ter surgido a oportunidade; 47% por serem artistas e, assim, terem se tornado produtores de seus próprios trabalhos; 31% sugeriram que a produção de projetos culturais é um meio para conseguirem atingir sua vocação real, a artística; 25% e 19% indicaram a influência de amigos produtores e da família de artistas, respectivamente; e 25% ingressaram na atividade por pertencerem a um grupo artístico que precisava de produtor.

  Porém, nestes números, existem mais informações para entendermos – de onde vem? – este produtor, que não constam do relatório da pesquisa, publicado em agosto de 2012.
    
   Destes todos, vale ressaltar um dado muito representativo: 52% dos pesquisados tiveram a oportunidade de se iniciar na atividade por serem artistas – ainda que apenas 20% dos produtores tenham afirmado este como principal motivo para o exercício da produção. Nesses casos, a perspectiva pessoal incentivou em muito o exercício da atividade. Além de ser artista, “a paixão (que tenho) pela cultura, pela arte, pela história brasileira (…) motivou o meu ingresso na atividade”, conta um artista-produtor entrevistado.

   Claro que a necessidade também entrou em ação na hora de ‘motivar’ os artistas a exercerem a função de produtores. 41% dos artistas-produtores – 21% do total de produtores entrevistados – pertencem a um grupo artístico que precisava de alguém para produzir.

   O interessante é que, dos artistas que se tornaram produtores, apenas 7,5% enxerga os artistas brasileiros como “artistas-produtores”. Nesta perspectiva, apontam que os artistas que se produzem são “muito criativos porque fazem de tudo um pouco, carregam e tocam o piano ao mesmo tempo (…) desde a criação do projeto até sua finalização”, “multiplicam-se para atender o público”.

   O índice de 7,5% de “artistas-produtores” para definir os artistas brasileiros também representam a perspectiva dos produtores que não são artistas.

    Esses números são constrastantes com o percentual de produtores que ingressaram na atividade por serem artistas. Porém, tornam-se irrelevantes se comparados com os 76,5% de artistas que se tornaram produtores e vêem os artistas brasileiros como alguém “dedicado/apaixonado” e, assim, natural que toda e qualquer tarefa seja realizada em nome de sua arte.

  Em geral, essa percepção apareceu ligada à obstinação do artista em desenvolver sua atividade artística, mesmo que em situações adversas. Isto os faz “guerreiros apaixonados pela causa”, já que “não têm o apoio de ninguém – governo, patrocinador – e têm muita dificuldade para sobreviver”.

  Destes mesmos artistas que se tornaram produtores, 34,5% verificam que os produtores são viabilizadores, “pessoas importantes dentro dos projetos”, que “permitem que os artistas trabalhem e mostrem seu talento e seu trabalho”. 29% dos entrevistados que não são artistas enxergam os produtores da mesma forma, caracterizando-os como “intermediadores da arte e do patrocínio”.

   Para 32% dos artistas-produtores, os produtores culturais são guerreiros, heróis por trabalharem em um mercado em que “as dificuldades são imensas como, por exemplo, ter pouco incentivo, respeito e informação geral sobre a profissão”. Isso é percebido por 27% daqueles que não são artistas.

  Já 29,5% dos artistas-produtores verificam que são “profissionais que desenvolvem, planejam e executam projetos culturais”, contra 15% dos não artistas, que compreendem o produtor como “articuladores que fazem tudo num projeto cultural”, já que “é difícil montar uma equipe com bons profissionais (…) cabe ao produtor fazer tudo ao mesmo tempo, atuar em várias frentes”.

  Será mesmo por isso que ingressaram na atividade?
Dos produtores que desenvolveram e explicaram em maiores detalhes por que produzem (6,2% do total dos entrevistados), 26% afirmaram que o que os motiva são questões sociais, como “viabilizar o resgate do nosso patrimônio cultural de bens, móveis e imóveis”, ou ainda a “melhor qualidade cultural da cidade”.

   “O que me faz produzir é ajudar as pessoas de menor poder aquisitivo a terem acesso à cultura” e “ajudar as pessoas” foram explicações que caminharam no sentido de fazer com que o papel do produtor se assemelhe com funções filantrópicas e, às vezes, assistencialistas. Será?

   Certamente este não é o ponto de vista de um grupo menor de produtores. 6,5% deles acreditam que a produção é um negócio e constituem um “empreendimento (…) na área cultural”.

   Há também os que acreditam no trabalho de produção e se realizam pessoalmente a partir dele. Esse é o caso de 29% dos respondentes que explicaram melhor os motivos que os levaram  a produzir; seja por “realização pessoal” ou pela “satisfação do trabalho”, seja pela crença em alguma manifestação ou arte como “a paixão pelo cinema” ou “pela história (…) mineira”. Já outros 17% dos que detalharam seu início na atividade discorreram sobre a necessidade de promover seus próprios trabalhos e entenderam a produção como “única maneira de colocar a visibilidade no meu trabalho”.

   Já nem 1% dos que explanaram sobre o que os levou a produzir, sugeriram que sua formação acadêmica os orientou nesta direção. Também nesta mesma representatividade, verificam-se aqueles que produzem como necessidade gerada por outro trabalho como, por exemplo, “consequência do trabalho como diretora de escola” ou pela “oportunidade (gerada) por desenvolver atividades com crianças”.

    Sejam quaisquer dos motivos que tenham sido detalhados, percebeu-se que a atividade da produção cultural ainda não apresenta formação orientada para seu exercício. Além disso, seu não reconhecimento acarreta em mercado não estruturado que, além de permitir posturas das mais amadoras às mais profissionalizadas, favorece as mais distintas maneiras de ingresso na atividade.
Há o que se pensar!

   *Matéria escrita a partir de base de dados originária de questionário aplicado com proponentes de projetos inscritos na Rouanet, em entrevistas realizadas por telefone no mês de abril de 2011. Mais informações sobre a metodologia desta pesquisa em www.panoramadacultura.com.br.

fonte: http://www.culturaemercado.com.br/analise/trilhas-e-caminhos-para-a-producao-cultural/ 

Proxima Postagem: Refletindo sobre publicos: Turismo, patrimonio, museus
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