Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 17 de junho de 2014

VIVENDO MOMENTO DE TRANSIÇAO: Arte deve se separar da modernidade?

Obs: As postagens não estão tão corrente pois após escrever o blog por pelo menos 7 anos fica difícil achar um assunto semanal ainda mais quando não se esta tão antenada com o que acontece.
  
  Bom dia, o post de hoje, comenta como a arte evolui conosco e ao mesmo tempo nos traz estranhamento pois na minha opiniao algumas mudanças ocorrem naturalmente na nossa vida cotidiana porem quando a arte a coloca, a expoem, nos muitas vezes nos chocamos ou a rejeitamos porque não acompanhamos/aceitamos a mudança tao verdadeiramente assim.

Vivendo momento de transição, arte deve se separar da modernidade  

 Charles Esche, UOL Notícias


Artigo de Charles Esche, curador da Bienal de SP, originalmente publicado no UOL Notícias em 1 de junho de 2014.

Não é muito fácil mudar. Todos nós subestimamos o quanto nos sentimos seguros com verdades e convicções familiares. Paradoxalmente, muitas vezes nos aferramos a elas mesmo quando não nos satisfazem nem explicam muito bem nossas experiências concretas. Graças ao convite para ser curador da 31ª Bienal de São Paulo, tive a chance de viajar pelo Brasil e ver algumas de minhas próprias verdades e convicções básicas transformadas no processo.
Como participante de uma equipe curatorial, observo que o Brasil, ao lado de muitos outros lugares, está vivendo um momento de transição, não só na arte mas também na sociedade, na economia e na política. Algumas das ideias mais básicas sobre a vida moderna e a modernidade estão dando lugar a novas possibilidades e aspirações. Surgem fenômenos que ainda não conseguimos descrever, e isso gera uma impressão quase tangível de que se vive no entremeio de tempos, espaços e identidades.

Uma das tarefas da arte é ajudar o moderno a desaparecer para que as experiências concretas de vida se tornem visíveis

Nossas jornadas pelo Brasil nos levaram a alguns trabalhos fabulosos e a alguns pensamentos muito claros sobre nossa condição corrente. Mas, em geral, ainda sentimos uma forte paixão e um grande comprometimento com a modernidade brasileira.
Esse impulso emocional aproxima-se da nostalgia, pois as certezas da era moderna não se encontram apenas no Brasil, e são um desafio em todos os locais que se engajaram nos ideais modernos. Isto me leva a suspeitar que uma das tarefas da arte hoje é aplainar a trilha da transição e ajudar o moderno a desvanecer-se para possibilitar que as experiências concretas de vida hoje se tornem visíveis.
Na preparação da 31ª Bienal encontramos trabalhos artísticos que se reportam mais a tradições pré-modernas ou mesmo não modernas. Embora outrora possam ter parecido "fora do tempo", agora se mostram muito relevantes para o presente.
Nesta mesma linha, algumas das tentativas mais obscuras ou descartadas de imaginar o mundo durante os tempos modernos estão se tornando hoje maduras para reavaliação, e podem ser muito úteis à reflexão sobre a natureza de nossa transição corrente. Procuramos reunir projetos desse tipo de forma a possibilitar que a percepção global sobre a Bienal seja a de um fluxo de culturas e sociedades em busca de novos lugares em torno dos quais se aglutinar e estruturar.
Está bem claro que as velhas hierarquias de uma ordem mundial com identidades fixas para pessoas e nações estão perdendo terreno para o que se poderia chamar de humanidade superdiversa.

Comprometimento com a modernidade brasileira aproxima-se da nostalgia

Grupamentos temporários e dinâmicos de opiniões, ações comuns e personalidades hoje se formam para fins particulares, e mesmo assim moldam nosso entendimento do quadro social e político mais amplo. Parece haver uma necessidade mais geral de se entender onde reside o potencial para a sociedade humana e de renegociar a relação entre o individual e o coletivo em favor do que podemos compartilhar e usar, em lugar de apenas possuir.
À medida que essas mudanças na sociedade tomam seu curso, é inevitável o surgimento de antagonismos e o agravamento dos protestos. Existem muitos interesses investidos nos velhos sistemas modernos de organização que ainda não deram o último suspiro.
Mesmo assim, penso que podemos olhar para a situação atual do mundo com um grau de otimismo. A mudança está a caminho, a direção da viagem é mais ou menos clara e o ímpeto se encontra nas relações abertas, diversas, plurais e emaranhadas que estão sendo geradas.
Espero que possamos captar um pouco de sua energia sob o estandarte da 31ª Bienal. Porém, mais importante que as discussões e o debate em torno dela será abraçar esta ideia de transição, analisá-la e usá-la como um caminho para compreender algo sobre como vivemos

fonte:  http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/006089.html

Proxima Postagem: 24/06 O museu e o artista parte 1. Texto dividido em 2 partes.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

FANATISMO: O que fazemos para ter uma simples foto de arte/patrimonio

    O assunto de hoje envolve duas duplas de assuntos: arte/patrimônio e conservação/restauro e os absurdos que vemos e escutamos por ai, por causa da vontade de registrar ou de se estar perto de algo admirado. 
FANATISMO: O que fazemos para ter uma simples foto de arte/patrimônio

   Bem, neste ultimo grande feriado, conversando com uma amiga que trabalha como guia dentro de um prédio histórico, ela me contou cada coisa que as pessoas estavam fazendo apenas para tirar fotos do interior deste prédio (o que era proibido). Apesar de todos os avisos ilustrativos de uma maquininha com o circulo de proibido, pessoas aproveitavam da quantidade de gente para fotografar mesmo com o celular e ao serem abordados empurravam os monitores, gritavam e faziam um fuzuê dizendo que celular era de uso privado pois não podiam mostrar o conteúdo. Mesmo avisando a todos, os guias tiveram que ate chamar guarda municipal para resolver o caso e proibir gente mascando chiclete pois crianças depois de masca-los os pregavam nos bancos e mobiliário.  
   Outro exemplo, é o casal de turistas em santos que picharam um monumento. Sorte que neste caso, a população os castigou fazendo o mesmo pichando-os
   Que conclusão tiro disso tudo? Que estamos ficando muito egoístas, querendo ter ali nosso premio de imediato e não pensando na conservação e nos futuros possíveis visitantes, eu quero e tiro minha foto, depredo o patrimônio não me importando o resto já que consegui o que queria mesmo.
   Então gente, vamos respeitar mais nossa arte. Vamos agir como se fossem nosso e que é nosso mesmo que não pareça.

terça-feira, 29 de abril de 2014

TURISMO E CULTURA, por Adriana Aparecida Marques Albertino

   O turismo cultural é um movimento físico onde pessoas se deslocam de um lugar para outro, em cidades diferentes, para conhecer a cultura, ou seja, modo de vida de determinada localidades, monumentos, etc.

    O turismo cultural também representa uma das mais amplas estratégias de desenvolvimento sustentável, já que há uma preocupação em aliar planejamento econômico e de infraestrutura à percepção da procura por bens culturais e estilos de vida, buscando preservar os recursos naturais e culturais e sociais de uma determinada localidade.

    O impacto sociocultural do turismo cultural é manifestado através de uma gama enorme de aspectos, desde as artes e o artesanato até o comportamento fundamental de indivíduos e grupos coletivos. Os impactos positivos podem ser possíveis, o turismo preserva ou mesmo ressuscita as habilidades artesanais da população e aumenta o intercâmbio cultural entre duas populações diferentes.
   
    Cabe, então, à sociedade e poder público se organizar a fim de promover a cidade.

Adriana Aparecida Marques Albertino, aluna do curso de Gestão de Turismo do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) – Campus Barretos.

http://defender.org.br/artigos/turismo-e-cultura-por-adriana-aparecida-marques-albertino/

terça-feira, 22 de abril de 2014

PRESERVAR É COISA SERIA. RESTAURAÇÃO TAMBEM,

Preservar é coisa séria. Restauração também, por Jorge Luis Stocker Jr

A restauração de bens históricos é competência do profissional arquiteto e urbanista, segundo a legislação existente e as resoluções internas do CAU. O conhecimento técnico e teórico necessário para propor uma restauração, no entanto, ainda passa longe de integrar efetivamente os currículos. Este conhecimento específico está restrito às pós-graduações profissionalizantes, que ainda são poucas e, devido a geral não exigência de especialização para assumir uma obra de restauro, tornam-se pouco atrativas.
 O efeito Dona Cecília está presente em muitas obras de restauração.
O efeito Dona Cecília está presente em muitas obras de restauração.
O resultado deste lapso de informação e de formação é a agressão contínua a bens patrimoniais de importância ímpar, que são submetidos a intervenções equivocadas ou até desastrosas que aceleram sua degradação, desfiguram seu aspecto volumétrico ou mesmo implicam praticamente na perda total do bem.
Antes de mais nada: Existem casos e casos
É preciso sempre deixar muito claro que patrimônio cultural é diverso e não um conceito fechado e absoluto. Existem diferentes tipos de valores, e diferentes intensidades de importância destes valores, que podem ser atribuídos aos bens culturais.
Existe, portanto, aquele bem que pode ser inventariado como patrimônio cultural ainda que não tenha grandes valores artísticos ou históricos – mas em contrapartida, compõe paisagem ou pertence a uma tipologia característica do local. Estes bens patrimoniais normalmente se prestam a receber intervenções mais profundas, desde que mantenham suas características principais (volumetrias, ritmo de fenestrações, etc).
E existem aqueles bens que tem enorme relevância arquitetônica e/ou histórica, bem como paisagística, documental, social e etc. que, por suas características únicas, merecem muita prudência, sensibilidade e cuidados ao receberem intervenções recuperativas. Isso não significa que não possam ser adaptados e receber anexos, e sim que essas adaptações anexos devem ser elaboradas com todo cuidado e seguindo diretrizes de preservação.
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Jogo dos 7, ou mais, erros.
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É importante frisar que o senso comum de “manter apenas a fachada” é bastante perigoso e equivocado. Faz-se necessário analisar sempre muito bem os valores de cada bem histórico, para que se defina o que nele é importante e o que eventualmente possa não ser.
Intervenções desastradas
Recentemente o caso da desfiguração de uma pintura religiosa promovida pela “dona Cecília” teve grande repercussão na mídia internacional. A deformação de uma obra de arte é bastante fácil de reconhecer. Já a deformação de obras de escultura e de arquitetura muitas vezes passam despercebidas, devido aos poucos bons referenciais estéticos e culturais da população.
O efeito "dona Cecilia" - na arte visual é fácil de reconhecer. Já tentou em edificações?
O efeito “dona Cecilia” – na arte visual é fácil de reconhecer. Já tentou em edificações?
O tema torna-se delicado e difícil pois, para o senso comum, qualquer obra recuperativa seria melhor do que o abandono. O problema é que as obras recuperativas equivocadas acabam sendo tão agressivas para a preservação do bem histórico quanto o abandono. A analogia com a pintura anteriormente apresentada é válida – será que esta “recuperação” salvou a pintura? Será que estas reformas desastrosas salvam, de fato, os bens históricos?
O senso comum considera restaurada a edificação que após algumas obras fica em aparente bom estado, com tinta fresca colorida e “ bonita”. A questão, no entanto, é muito mais complexa: além do conceito de “beleza” ser muito relativo, soluções técnicas inadequadas, mesmo com intenção de recuperar, costumam inclusive piorar a saúde da edificação.
Podemos citar como alguns exemplos mais recorrentes o uso de reboco composto por cimento em edificações incompatíveis (deixando as paredes rapidamente com reboco craquelado – o que facilita infiltrações pluviais); uso de tintas inadequadas – como a latex acrílica ou até a antipixação – sufocando as paredes antigas (que rapidamente se destacam da parede, gerando bolhas que igualmente facilitam infiltrações); construção de lajes, proto-lajes e outros tipos de coberturas ou anexos contíguos a edificação histórica com técnicas inadequadas, gerando áreas de contato problemáticas que facilitam infiltrações, exposição indevida de madeiramentos que passaram décadas escondidos por reboco, expondo material frágil às intempéries, envernizamento de taipas de barro; aterramento de porões e fechamento dos respiros, causando umidade ascendente e prejudicando a longo prazo até mesmo as fundações, entre tantos outros inúmeros desastres.
Efeito do uso de tinta inadequada. Bonitinha, mas ordinária!
Efeito do uso de tinta inadequada. Bonitinha, mas ordinária!
As intervenções inadequadas são muito mais dispendiosas a longo prazo, visto que geram novas patologias e até problemas estruturais graves que precisarão ser corrigidos; e principalmente, descaracterizam o conteúdo cultural da edificação, agredindo o direito à memória de todos os cidadãos. A descaracterização dos bens históricos protegidos por lei é gravíssimo, pois torna questionável todo o esforço pela preservação, uma vez que derruba diretamente o principal objetivo que é a manutenção da memória através do documento histórico (edificação e paisagem), servindo a toda a sociedade.
Reboco inadequado para paredes com rejunte a base de barro e cal e seu efeito...
Reboco inadequado para paredes com rejunte a base de barro e cal e seu efeito…
Torna-se, portanto, urgente e necessária a maior difusão do conhecimento técnico de restauração de bens históricos, tanto para o projeto quanto para a execução das técnicas tradicionais. Ainda mais urgente é a evolução das políticas de patrimônio cultural, para que de fato contemplem e possibilitem que proprietários de imóveis particulares tombados ou inventariados financiem a recuperação dos imóveis com assessoramento técnico adequado. E o aparelhamento dos órgãos de preservação nacional e estaduais, permitindo que contribuam no processo de estabelecimento de diretrizes, aprovação de projetos e acompanhamento das obras mais importantes, uma vez que ainda é numericamente impossível que cada Prefeitura mantenha técnicos capacitados nesta área.
Enquanto a questão não evoluir, continuaremos nos deparando com inúmeras restaurações com o padrão “dona Cecília”.
Jorge Luís Stocker Jr., estudante de Arquitetura e Urbanismo, delegado regional da Defender no Vale do Sinos e Encosta da Serra
Fonte: dzeit.blogspot.com.br

terça-feira, 25 de março de 2014

MESMO COM O AUMENTO DE PUBLICO, MUSEUS CONTINUAM FORA DAS PRIORIDADES DO ESTADO

   Ola pessoal, confirmo que no inicio quando li este texto, pensei em apenas colocar o resumo dele ou o que entendi pois é cansativo devido a tantos números que aparece em um texto que aparentemente nem é sobre cultura. Porem se aguentarmos firmes e prestarmos atenção nele, percebemos que os dados são usados para comparar a desigualdade em termos de cultura que há no Brasil em relação a outros países. Se pensarmos que é errada esta comparação como no próprio texto diz, entao não veremos o quanto o pais tem grandes passos para dar e fica querendo mostrar para nos brasileiros que esta tentando desenvolver. Se um pais quer desenvolver porque não investe em cultura (no caso aqui museu, espaços estes que também são de aprendizados, assim como as escolas mesmo muitas delas não tenham ao menos uma infra-estrutura descente). Investir em cultura é tornar um "país rico...é um país sem pobreza" como é dito em nosso slogan nacional. Enfim, leiam o texto caso se interessem para ver o que estou falando. Comentem tambem.

Mesmo com aumento de público, museus continuam fora das prioridades do Estado, por Teixeira Coelho

Em política cultural, a primeira questão é: como poderia ser?  É essa a pergunta básica das ciências, as exatas e as ditas humanas, entre as quais está a política cultural.
E quando se busca a resposta, a referência, se houver alguma, tem de ser a que estiver lá na frente, não a mediana, nem a pior. Digamos, a França. Em 2011, ainda crise na Europa, o Estado francês investiu 13,4 bilhões de euros em cultura, que apresentou um valor agregado (espécie de PIB na área, tudo somado) de 57,8 bilhões de euros, equivalentes a 3,2% do valor agregado geral da economia francesa. Veja bem: 3,2% é o mesmo índice da produção agrícola da França.
Com a cotação do euro em R$ 3,28, o valor investido pelo Estado francês é de R$ 43,9 bilhões. Dados de 2012 indicam que o orçamento do MinC para 2013 foi previsto em  R$ 2,9 bilhões. O próprio MinC indicava que faria a gestão de uns R$ 5 bi, se incluídos os R$ 2 bi previstos para a Lei Rouanet. Digamos que nada do orçamento do MinC foi contingenciado (não gasto, por ordem do Executivo).
Digamos que os R$ 2 bi da Rouanet foram de fato aprovados, conseguidos e investidos. Mas, se os dados estiverem corretos e tudo tiver sido executado, o Estado brasileiro terá colocado na cultura uns R$ 5 bi; o francês investiu cerca de oito vezes mais que isso.
Alguém dirá que não se pode comparar a França com o Brasil. Mas o quadro do PIB dos países diz que o do Brasil, na 7ª posição mundial, é maior que o da França. É apenas pouco superior (menos de US$ 100 bi) mas é superior. A participação do setor agrícola no PIB do Brasil é de 4,53% (fora o agronegócio). Se o Brasil tivesse a mesma atitude da França em relação à cultura, estaria investindo pelo menos esses R$ 44,7 bi por ano.
A participação da cultura no PIB do Brasil costuma ser superestimada, chega-se a falar em 6%. Especialistas neutros apontam para uma fatia de 3% do PIB para a cultura nos países desenvolvidos. É mais prudente. Mesmo que no Brasil a cultura tenha só 3% do PIB, é provável que ela esteja, aqui, apenas pouco mais de um ponto abaixo da agricultura.
É muito respeitável, considerando que o Brasil é um país agrícola. O investimento do Estado em cultura no Brasil poderia estar ao redor daqueles R$ 44,7 bi por ano. Mesmo acrescentando-se eventuais gastos em cultura de outros ministérios, das cidades e dos Estados, não se chega perto dos números franceses (também lá seria preciso acrescentar outros 7,6 bi de euros gastos pelas coletividades territoriais). E, no entanto, o Brasil tem um PIB maior que o da França.
Com esse dinheiro, a França apoia seus museus em pelo menos 50% de seus orçamentos. A cultura é importante para a “marca França” e, nela, os museus são decisivos para a imagem da marca no exterior. Só o Louvre puxa para Paris 10 milhões de visitantes por ano, a maioria estrangeiros. A principal razão para a vinda de turistas a São Paulo é um museu: o Masp.
Museus não vivem só do Estado. A sociedade civil é decisiva, sobretudo em países onde o Estado não controla os principais museus, como nos EUA. Ali, a sociedade civil “comparece” na economia e na gestão dos museus. O MoMA é uma verdadeira corporation disfarçada de museu, obtendo índices das agências de avaliação econômica melhores que o da maioria dos países.
Quer dizer, emprestar ao MoMA, doar para o MoMA, investir no MoMA é seguro. E a sociedade civil não apenas colabora com os museus existentes: os colecionadores abrem os seus. Como na Alemanha. No Brasil, isso é raridade.
E o terceiro pé de sustento dos museus é a iniciativa privada, o mecenato corporativo. No Brasil, a regra é dar para a cultura o que couber na dedução fiscal. Só. Se o ano for ruim, se a remessa de lucros for alta, se os investimentos (dedutíveis) forem grandes, pouco se dá. Ou nada.
Tudo isso explica por que os museus no país não participam da “marca Brasil”, que, se houver, continua a ser samba, futebol e cerveja – e seus desdobramentos.
Os museus brasileiros melhoraram na última década, em termos de público. Inhotim é uma estrela em ascensão, o Estado de São Paulo cuida bem da Pinacoteca e a Fundação Iberê Camargo é um farol no sul. O Masp, único museu com lugar internacional reconhecido (ainda), não é enxergado pelos três poderes públicos, apesar de ser a jóia da cidade; e a presença da sociedade civil em seus quadros é tímida.
Copa do Mundo e Olimpíada são pretextos para investimentos maciços dos Estados, também em cultura. Uma boa parte dos turistas quer ver fantásticas arquiteturas de museus e, neles, obras de arte excitantes. Os museus deveriam estar na lista de prioridades pelo menos do Estado. Não estão. Ah, alguém dirá: “não vale comparar com a França, que é um Estado cultural”. Mas, é isso que o Brasil poderia ser – com seus museus.
Teixeira Coelho é escritor, doutor em teoria literária pela USP e curador do Masp (Museu de Arte de São Paulo)
Fonte: UOL

http://defender.org.br/artigos/mesmo-com-aumento-de-publico-museus-continuam-fora-das-prioridades-do-estado-por-teixeira-coelho/

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