Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

GALERIA DE ARTE AINDA É RELEVANTE PARA O ARTISTA?

O post desta semana foi copiado de um site e a referencia esta no final do texto.

Galeria de arte é relevante?

       Muitas coisas mudaram para os artistas desde o início da Internet. Mais notavelmente, os artistas agora têm muito mais opções para apresentarem a sua arte. O sistema de galeria de arte tradicional ainda tem o seu lugar, mas já não controlam mais o show como antes da era da Internet. Ser representado por uma galeria de arte já não é necessariamente o melhor e único caminho a seguir pelo artista. Apesar de tudo isso, muitos artistas continuam sua incessante busca pela representação por uma importante galeria sem perceber que outros caminhos se abriram em relação as negociações, comercializações e produções de arte.
         A principal razão por essa mudança nos negócios das arte é que agora o artista pode conversar diretamente com o seu público e defender seus interesses de forma mais consistente e com menos dependência de terceiros, algo que na era pré-internet tinha um sentido maior ser feito pela Galeria. Pela primeira vez na história e em diferentes formatos o artista pode acumular milhares ou até milhões de seguidores.
        Na era pré-internet o sucesso de um artista estava muito mais atrelado a Galeria que o representasse e o quanto de dinheiro que essa Galeria iria investir para divulgação do artista no mercado doméstico ou internacional.
        Mesmo que tudo isso ainda aconteça, já não é tão grande e o que antes era a única via agora é apenas uma das vias. Está muito mais fácil e incrível a comunicação entre artista e o público e o tempo de governança das Galerias de Artes acabou, os compradores estão a poucos passos da obra do artista.
         Os artistas agora podem fazer praticamente tudo on-line, todo o trabalho que um dia a galeria de arte fez por eles agora pode ser feito pelo artista ou seus assistentes. A Internet também facilitou o acesso a mão de obra barata para a produção de tarefas que não façam parte das habilidades dos artistas.
           A comunicação direta entre artistas e compradores era um grande problema e quase que não existia. Era praticamente impossível um comprador localizar um artista.  
        Atualmente o artista está presente em diversos canais de divulgação e está muito mais fácil enviar uma mensagem diretamente a ele com a garantia que ele ou alguém da sua equipe vá ler.
         É certo que alguma pessoas podem argumentar que as galerias de artes sempre terão o seu papel para os artistas que não querem se aprofundar em marketing e participar mais ativamente da internet, preferem um mundo mais solitário e menos social, mas a internet é um mundo solitário e pouco social. As redes sociais, por exemplo, estão mais a serviço do artista do que da venda de um quadro e essa relação artista-público é mais eficiente feito pelo artista do que pela Galeria de arte.
       No time das Galerias são poucos artistas que vendem e fazem o grosso do faturamento, em sua maioria os artistas ficam a margem das vendas o que significa que a Galeria não tem uma preocupação tão grande em expor, investir, tentar apresentar para colecionadores ou feiras esse artista de poucas vendas. Mesmo um artista representado por uma importante Galeria de Arte não tem garantia nenhuma de venda e muito mais de exposição, no online o artista tem controle total da sua divulgação e de sua carreira.
       Tradicionalmente as galerias são um passo necessário para os artistas que desejam que sua obra trafegue em museus, instituições, coleções corporativas e os níveis mais altos do mundo da arte. Mas isso também mudou. Muita pessoas que consomem arte pesquisam e compram pela internet o tempo todo incluindo colecionadores, curadores, investidores, especuladores, galeristas e qualquer outra pessoa interessada em arte, incluindo o pessoal do museu. Todos estão a procura da nova grande estrela e a internet possibilita uma pesquisa muito mais ampla que nos meios tradicionais.
          Para os artistas, as chances de serem descobertos on-line está cada vez mais reais. Sites de arte, blogs, publicações e outras mídias especializadas estão atrás de artistas com qualidade para apresentar para o seu público. Como resultado desse novo modelo de divulgação é que os artistas estão cada vez mais reconhecidos no mercado sem ter necessariamente trafegado pela via tradicional das artes.
       E a notícia mais surpreendente é que a relação hierárquica entre Galeria de Arte x Artista está se convertendo. A Galeria sempre teve controle total do seu time. Ela que definia de forma mais direta quem seria representado e hoje com o poder do artista através das mídias sociais ele se faz presente e mais necessário para as Galerias, seu potencial de divulgação, muitas vezes, é superior que da própria Galeria. Uma quebra de paradigma levando em conta que esse papel é da Galeria a pelo menos 100 anos ou desde que elas foram fundadas.
       Enquanto uma galeria de arte típica pode ter alguns milhares de seguidores on-line, não é tão incomum para um artista ter dezenas ou mesmo centenas de milhares de fãs. Não há nada excitante em seguir a maioria das galerias, praticamente tudo o que fazem é postar as artes dos artistas representados, enquanto seguir o artista é bem mais exitante porque é um contato direto com seu ídolo e é comum que sua narrativa e o seu perfil de postagens agregue bem mais valor que um post de Galeria.
        Nós que temos uma Galeria de Arte vemos exatamente isso acontecer em nossos relatórios. Um exemplo é que nossas obras são vendidas mais por buscas por nome de artistas do que pelo nome da nossa Galeria. Em nossos relatórios fica claro que muitos clientes chegam em nosso site porque procuraram determinado nome de artista e devido a facilidade em comprar a obra em nosso site acabamos fechando negócio. Uma informação relevante e que prova como a hierarquia entre Galeria x Artista mudou completamente.
         Isso mostra como artistas com um grande número de seguidores, artistas que tem um projeto de internet bem organizado tem um valor enorme para a Galeria e como seus fás podem ser uma valiosa moeda de troca no mundo da arte.
       Agora, antes de ficar entusiasmado com tudo isso, temos que pensar de forma consistente e objetiva e não se maravilhar por uma utopia de sucesso. Não são todos os artistas que conseguem se destacar no mundo digital. São inúmeros os fatores que irão influenciar no sucesso de alguém, é difícil definir e muito menos mensurar as características necessárias para o sucesso.
       O importante é o artista estar concentrado e preparado para trabalhar duro em seu projeto. Nada é impossível, mas tudo requer muito trabalho e para se destacar no mundo digital o artista tem que ter um projeto consistente e seus objetivos bem claros. É importante trabalhar com objetivos reais e que sigam uma crescente. Nós que trabalhamos a muitos anos com artistas e já vimos de tudo podemos perceber que somente os artistas que trabalham duro, que colocam metas reais e buscam por essas metas que conseguem se dar bem nas artes visuais.
 
http://www.artistavisual.com.br/galeria-de-arte-x-artista/

terça-feira, 3 de março de 2015

Parte 2 O IMPACTO DO ENSINO DE ARTE (ou da falta dele) NA PERCEPÇÃO DO MUNDO

Continuaçao da semana passada    Era de se esperar que as faculdades que oferecem cursos de artes liberais dessem ênfase à educação artística, mas não é esse o caso. O atual currículo, de estilo self-service, torna os cursos de história da arte disponíveis, mas não obrigatórios. Com raras exceções, as universidades abandonaram toda noção de um núcleo de aprendizado. Os departamentos de humanidades oferecem uma mixórdia de cursos feitos sob medida para os interesses de pesquisa dos professores. Tem havido um gradual eclipse, nos Estados Unidos, do curso de história geral da arte, que cobria magistralmente, em dois semestres, da arte das cavernas ao modernismo. Apesar de sua popularidade entre os estudantes, que se recordam deles como pontos culminantes em suas vivências universitárias, os cursos gerais são cada vez mais vistos como excessivamente pesados, superficiais ou eurocêntricos – e não há mais vontade institucional de estendê-los para a arte mundial.

Jovens professores, criados em meio ao pós-estruturalismo, com sua suspeita mecânica da cultura, consideram-se especialistas, e não generalistas, e não foram treinados para pensar sobre trajetórias tão vastas. O resultado final é que muitos alunos de humanidades se formam com pouco senso da cronologia ou da deslumbrante procissão de estilos que constituía a arte ocidental.

A questão mais importante acerca da arte é: o que permanece e por quê?

As definições de beleza e os padrões de gosto mudam constantemente, mas padrões persistentes subsistem. Defendo uma visão cíclica da cultura: os estilos crescem, chegam ao ápice e decaem para tornarem a florescer, num renascer periódico. A linha de influência artística pode ser vista claramente na cultura ocidental, com várias interrupções e recuperações, desde o Egito antigo até hoje – uma saga de 5 mil anos que não é (como diria o jargão acadêmico) uma “narrativa” arbitrária e imperialista. Grande número de objetos teimosamente concretos – não apenas “textos” vacilantes e subjetivos – sobrevivem desde a antiguidade e as sociedades que moldaram.

A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.

O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas.

Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político.

Hoje, ensinam aos estudantes a olhar a arte com ceticismo, por seus equívocos, suas parcialidades, suas omissões e ocultos jogos de poder. Admirar e honrar a arte, exceto 
quando transmite mensagens politicamente corretas, é considerado ingênuo e reacionário. 

Um único erudito marxista, Arnold Hauser, em seu épico estudo de 1951, A história social da arte, teve bom êxito na aplicação da análise marxista, sem perder a magia e o mistério da arte. E Hauser (uma das influências iniciais do meu trabalho) trabalhava com base na grande tradição da filologia alemã, animada por uma ética erudita que hoje se perdeu.

A arte é o casamento do ideal e do real. Fazer arte é um ramo da artesania. Artistas são artesãos, mais próximos dos carpinteiros e dos soldadores do que dos intelectuais e dos acadêmicos, com sua retórica inflacionada e autorreferencial. A arte usa os sentidos e a eles fala. Funda-se no mundo físico tangível.

O pós-estruturalismo, com suas origens linguísticas francesas, tem a obsessão pelas palavras e, com isso, é incompetente para interpretar qualquer forma de arte além da literatura. O comentário sobre arte deve abordá-la e descrevê-la em seus próprios termos. 

Deve-se manter um delicado equilíbrio entre os mundos visível e invisível. Aqueles que subordinam a arte a uma agenda política contemporânea são tão culpados de propaganda e rigidez literal como qualquer pregador vitoriano ou burocrata stalinista.

- Leia na íntegra este ensaio introdutório por Camille Paglia, o primeiro da obra Imagens cintilantes
Assista à Camille Paglia no canal do Fronteiras no YouTube:
- A ansiedade masculina e a civilização
- Minhas escolhas


Fonte: http://fronteiras.com/canalfronteiras/entrevistas/?16%2C341 

Comentario: No meu entendimento, a autora  esta questionando a falta de teoria que temos sobre arte e sem conhecimento de toda esta historia da arte nos passa despecebidos detalhes que completam e fundamentam o todo e fica vulneravel a ações do mundo, ficamos nas maos do mercado e do excesso de imagem sem poder nem saber criticar

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O IMPACTO DO ENSINO DE ARTE (ou da falta dele) NA PERCEPÇÃO DO MUNDO - (Parte 1)

 O texto inicialmente pode ate parecer nao falar sobre o assunto do titulo porem quando chega na copia do texto da autora propriamente dito ai sim podemos entender do que se trata

O IMPACTO DO ENSINO DE ARTE (ou da falta dele) NA PERCEPÇÃO DO MUNDO
 
"A arte é o casamento do ideal e do real. Fazer arte é um ramo da artesania. Artistas são artesãos, mais próximos dos carpinteiros e dos soldadores do que dos intelectuais e dos acadêmicos, com sua retórica inflacionada e autorreferencial. A arte usa os sentidos e a eles fala. Funda-se no mundo físico tangível." - Camille Paglia, Imagens cintilantes
 
(...). Polêmica até por afirmar que há gêneros. A escritora norte-americana Camille Paglia é conhecida por desafiar as ideias em voga nos mais diversos campos. Professora de Humanidades e Estudos Midiáticos da University of the Arts da Filadélfia, é autora de obras que misturam cultura pop, história da arte, sexualidade e os diferentes meios que tornam o homem um espectador: seja na frente da televisão, de um Pollock ou de sua própria vida. 

Em sua mais recente obra, Imagens cintilantes — uma viagem através da arte desde o Egito a ‘Star Wars’ (Apicuri, 2014), Camille retorna ao local que a consagrou, a crítica à arte contemporânea. No livro, a autora de Personas sexuais analisa 29 obras que considera fundamentais na história da arte e afirma, com certa decepção, que os jovens deixaram ofícios como a pintura e a escultura para emprestar sua lealdade à tecnologia e ao design industrial.

Em entrevista, Paglia resumiu o panorama que motivou a produção do livro: “O olho sofre com anúncios piscando na rede. Para se defender, o cérebro fecha avenidas inteiras de observação e intuição. A experiência digital é chamada interativa, mas o que eu vejo como professora é uma crescente passividade dos jovens, bombardeados com os estímulos caóticos de seus aparelhos digitais. Pior: eles se tornam tão dependentes da comunicação textual e correio eletrônico que estão perdendo a linguagem do corpo.” De acordo com ela, esta degeneração gradativa da percepção/expressão tem um grande inimigo: o mercado – das galerias às instituições de ensino.

Segundo a norte-americana, este mercado não é apenas um objeto a ser combatido, mas sim um profundo problema de visão sobre a vida, que parte, também, do espectador. Ensinado a enxergar o mundo apenas de forma política e ideológica, o homem contemporâneo teria perdido a esfera do sensível, do invisível, do metafísico. A isso, somam-se a rapidez da tecnologia e a promessa de lucro aos artistas, que acabam trocando o lento processo de aprendizado por contratos exclusivos ou por telas digitais.
Longe de ser uma questão restrita a quadros e esculturas, este contexto de constante estímulo atinge a sociedade como um todo, como Camille argumenta logo na introdução da obra:
“A vida moderna é um mar de imagens. Nossos olhos são inundados por figuras reluzentes e blocos de texto explodindo sobre nós por todos os lados. O cérebro, superestimulado, deve se adaptar rapidamente para conseguir processar esse rodopiante bombardeio de dados desconexos. A cultura no mundo desenvolvido é hoje definida, em ampla medida, pela onipresente mídia de massa e pelos aparelhos eletrônicos servilmente monitorados por seus proprietários. A intensa expansão da comunicação global instantânea pode ter concedido espaço a um grande número de vozes individuais, mas, paradoxalmente, esta mesma individualidade se vê na ameaça de sucumbir.

Como sobreviver nesta era da vertigem?  Precisamos reaprender a ver. Em meio à tamanha e neurótica poluição visual, é essencial encontrar o foco, a base da estabilidade, da identidade e da direção na vida. As crianças, sobretudo, merecem ser salvas deste turbilhão de imagens tremeluzentes que as vicia em distrações sedutoras e fazem a realidade social, com seus deveres e preocupações éticas, parecer estúpida e fútil. A única maneira de ensinar o foco é oferecer aos olhos oportunidades de percepção estável – e o melhor caminho para isso é a contemplação da arte.”

Ainda em seu texto introdutório, Camille critica as instituições de ensino por falharem completamente no ensino da visão que nos tiraria desta vertigem. Se precisamos reaprender a ver, as faculdades de arte, para ela, poderiam ser consideradas mais um empecilho do que uma parceira nesta tarefa. Leia, abaixo, o que ela tem dizer sobre isso a partir de excerto do livro Imagens cintilantes

“É de uma obviedade alarmante que as escolas públicas norte-americanas têm feito um mau serviço na educação artística dos estudantes. Da pré-escola em diante, a arte é tratada como uma prática terapêutica – projetos com cartolina do tipo “faça você mesmo” e pinturas com os dedos para liberar a criatividade oculta das crianças. Mas o que de fato faz falta é um quadro histórico de conhecimentos objetivos acerca da arte.  As esporádicas excursões ao museu, mesmo que haja um por perto, são inadequadas. Os cursos de história da arte deveriam ser integrados  ao currículo do ensino primário, fundamental e médio  - uma introdução básica à grande arte e a seus estilos e símbolos. O movimento multiculturalista que se seguiu à década de 1960 ofereceu uma tremenda oportunidade para expandir o nosso conhecimento do mundo da arte, mas suas abordagens têm com demasiada frequência sacrificado a erudição e a cronologia em favor de um partidarismo sentimental e de queixumes rotineiros.

 Continua dia 03-03...


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

PRECISAMOS FALAR DE IMAGEM (PARTE 2)

Continuando o Texto de terça passada...

o entrarei aqui na história do quadro, cujo título é uma espécie de falsa legenda, já que não se trata ali de uma ronda propriamente dita nem de uma cena noturna. A fotografia me atrai por dois motivos: em primeiro lugar porque a pintura sempre retorna para assombrar a imagem digital, e é exatamente assim, como coisa assombrosa, ao mesmo tempo distante e presente, que o quadro comparece na foto; por outro lado, a cena é emblemática de um problema bastante contemporâneo: como chegar a fazer com que uma imagem seja reconhecida em sua potência, seja realmente vista em meio à algazarra do visível? O desafio da formação de público se encontra aí com o problema ainda mais escorregadio da formação do olhar.

Diante da perda de prestígio cultural do campo artístico, muitos museus redefiniram sua missão cultural tentando e testando o ajuste entre essas duas questões – vale lembrar que o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) criou a sua Escola do Olhar –, aliando a necessidade de formação de público a certa pedagogia do olhar. Sem diminuir a importância desses programas, em alguns dos quais já participei como artista, e reconhecendo o importante desafio que assumem, há também na proliferação veloz dessas iniciativas o risco de transformação dos museus em entidade pedagógica e da arte em aula infinita.

Independentemente da classe social ou do público que se pretende atrair para dentro dos museus, nem sempre os procedimentos propiciam de fato uma experiência do olhar. Ocorre muito quando, desajeitada ou apressadamente, tenta-se facilitar a compreensão das obras lançando mão de recursos lúdicos não tão cuidadosamente formulados como deveriam. Nos piores casos, a arte se transforma em pretexto luxuoso para atividades colaterais que infantilizam o espectador. O espectador emancipado fica aprisionado nos projetos de emancipação do seu próprio olhar.

Voltando aos jovens visitantes do Rijksmuseum, o fato de estarem de costas e desatentos ao quadro não significa que estejam rejeitando a pintura de Rembrandt. Irritados com os comentários agressivos, funcionários do Rijksmuseum esclareceram no Facebook que aquelas pessoas estavam na verdade consultando em seus celulares o novo aplicativo do museu, portanto continuavam interessadas no quadro, provavelmente em sua história, podendo também ampliar partes e detalhes, conforme as possibilidades do aplicativo.

Podemos questionar a pertinência, a necessidade ou a importância desse tipo de aplicativo para a formação do olhar, mas, apesar da indignação generalizada, é bem pouco provável que o novo app do Rijksmuseum seja mais nocivo do que um audioguia mal preparado ou um texto de parede excessivamente pedagógico. Lembro de um professor que acompanhava minha turma do Liceo Gaudenzio Ferrari à Galleria degli Uffizzi, em Florença, e falava tanto que desviava nossos olhos. É claro, a voz de um professor também é capaz de aproximar o olho da potência do que é visto, assim como os novos aplicativos também têm permitido aos pesquisadores e professores de História da Arte uma visualização dos meandros da pintura ampliando detalhes como nunca antes havia sido possível. Oferecem a possibilidade de um contato visual exploratório, quase arqueológico.

Interessa também não descolar totalmente o debate em torno das tecnologias de visão do contexto universitário do ensino de arte, já que no Brasil dependemos fortemente da reprodução de imagens. Assim, o problema se desviaria da recusa enojada ou do deslumbramento fútil com os novos aparatos de visualização, levando em conta que visualizar não é o mesmo que perceber. Tanto o olhar supersônico quanto o excesso de informação biográfica não garantem por si sós uma percepção mais apurada nem um encontro decisivo com um fato ou objeto artístico. Se o problema da formação do olhar dependesse exclusivamente do incremento ótico, não precisaríamos das histórias da arte, da arqueologia, dos antropólogos da imagem ou da própria crítica.

Por outro lado, é ingênuo acreditar que somos capazes de uma experiência puramente visual do visível. Não existe uma tal ilha da pureza sensorial fora da condição mediada da imagem na qual, por bem ou por mal, estamos instalados. Não há como escapar inteiramente dos “aplicativos” que orientam a compreensão de uma imagem, sejam eles os tradicionais guias turísticos, os discursos históricos, as ferramentas conceituais da teoria da arte, a pedagogia museológica ou nossa própria inércia perceptiva.
   O acesso à porção invisível do visível não passa necessariamente pelo aumento da capacidade ótica ou pela erudição desenfreada, mas por certa cautela diante da imagem. Como sugere John Berger, talvez seja uma boa hora para perguntas ingênuas cujas respostas podem ser tudo menos simples. O que impele a pintar, desde o Paleolítico até os nossos dias? O que toda pintura têm em comum?

Talvez um olhar digressivo, uma aproximação ao mundo imaginal – nas brechas entre o material e o espiritual – dos ícones bizantinos, um olhar demorado sobre o retrato espantosamente próximo de uma jovem do primeiro século em El Fayoum, ou o espanto produzido pelas pinturas pré-históricas cada vez mais recuadas no tempo, ajudem a desarmar algumas armadilhas do visível que nos rodeia.

Laura é artista visual e escritora, professora adjunta do departamento de Teoria do teatro da UNIRio

Fonte:http://www.blogdoims.com.br/#ims/precisamos-falar-sobre-as-imagens?&_suid=1419000661022011116145009446304

   Pensando sobre as questoes levantadas no texto, geralmente achamos que quem vai ao museu é gente interessanda em ver o que tem la dentro, ver sua arte e tal. Porem nem sempre isso acontece, as pessoas nem sempre estao preparadas para ver e pensar sobre as imagens e o que veem. Lembrei que pessoas tambem vao ao museu porque por obrigaçao e sem interesse do que tem la dentro, vai numa exposiçao porque esta "bombando" e para mostrar que apenas foi no caso de selfs e localizadores. Vendo esta imagem das crianças no museu, será que o quadro por si so nao é tao atrativo que é necessario se apegar a um aplicativo, será que nao podemos ver a imagem e refletir o que ela representa para nos pessoalmente tendo que ler informaçoes extras sobre ela. Isso ate podemos fazer sim mas depois ou antes que escolhemos nossas imagens preferidas e saimos do museu. Nao sei o que dizer, apenas fico pensativa sobre isso... Será que estou ficando atrasada no tempo por nao querer me apropriar destas tecnologias?! Adoro computador mas a ponto de deixar de ver imagens presenciais para ficar com as virtuais não. Pode ser que eles estao anotando suas percepçoes no bloco de notas virtual né como faço ao ir nas expos e posso passar a mesma impressao que eles. Nao sei, é tudo muito questionador. 

Proximo: DIlemas da curadoria é o proximo texto do dia 20/01

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PRECISAMOS FALAR SOBRE IMAGENS (PARTE 1)

O texto abaixo fala sobre o poder das imagens que mesmo estando cercada delas acaba sendo nao nos afetando. Elas se tornaram banais e nao nos afetando tanto

Precisamos falar sobre imagens

POR Laura Erber Colaboração especial | 15.12.2014


O título deste texto não é um chamado, um apelo, credo íntimo ou estético, apenas a constatação banal de que imagens, muitas delas, nos impelem a falar. E, como se não bastasse a eloquência visual de que muitas são portadoras, falamos também por elas, em seu lugar, como se compelidos à tradução que transforma o visível em legível. Falamos tanto e talvez, entre outras razões, porque, apesar da enxurrada cotidiana a que somos submetidos e para a qual também contribuímos, a definição de imagem seja ainda escorregadia e sua percepção, problemática. Ora deduzimos das fotografias aquilo que estaria atrás do que mostram, como um subtexto a ser extraído e explicitado, ora as utilizamos para fazer calar os discursos pela força de uma evidência visual que julgamos indiscutível.
A história recente do olhar é também a história do olho ameaçado pelo excesso de visível e pela falta de imagens. A fotografia eloquente, através da qual algo fala, e a fotografia como elemento comprobatório, muda e inibidora do verbo, são apenas dois dos possíveis modos de nos confrontarmos com o visível que nos rodeia. E, ainda assim, talvez não se trate ainda de imagens num sentido mais pleno ou radical, se aceitarmos que a existência de uma imagem depende não tanto de sua capacidade de afirmar o visível, mas de fazer com que o olhar hesite diante daquilo que vê. Daí a situação paradoxal na qual, mesmo em excesso, a imagem, como algo que se destaca do visível, continua a fazer falta.
Tomo como exemplo o Facebook, esse espaço de murmúrios e lamentos, sem entradas ou saídas, jardim de nossos narcisos em flor, pulsões escópicas cotidianas e compulsivos compartilhamentos de links em geral mais eficazes para a sobrevida da informação do que para seu metabolismo. Lugar também do desacordo, do desagravo, da gritaria, da citação e dos gatos. O que poderia ser – e às vezes é – um dispositivo de enlace crítico ou poético entre texto e imagem acaba reduzido ao cacoete da redundância ilustrativa ou da legendagem infinita, preferencialmente sob a forma lapidar do comentário breve. O layout dos murais verticais incentiva, ou pelo menos não impede, o tensionamento de imagens e textos.
Nesse ambiente, porém, toda imagem já funciona de antemão como comentário - e aí não importa muito se o tema é a última novidade futebolística, a catástrofe urbana do dia, o menu do almoço de domingo ou a menina tomando banho de esgoto na sua cidade. As condições de visibilidade de uma imagem na rede são precárias, entre tantos motivos, porque o ambiente midiático de compartilhamento tem como modelo a informação jornalística, a mensagem. Por mais distintas que sejam as fotos disseminadas, tudo fica nivelado pela ilusão de transparência e pelo imediatismo da codificação social. Assim, o mundo das imagens é frequentemente tomado por imagem do mundo, através de fotos que afirmam o que mostram e mostram o que afirmam.

 

Kunsthistorisches Museum, Viena, 1987

                                                                            
                                                                   
   
                                                                                                                                         Rijksmuseum, Amsterdam, 2014
           As duas fotos acima constituem cenas de leitura de imagens em ambientes museológicos. Uma delas faz parte de meu arquivo pessoal, a outra viralizou recentemente nas redes sociais por apresentar um grupo de jovens de costas para A ronda noturna, de Rembrandt, e não só isso, mas também o magnetismo das pequenas telas de seus celulares, enquanto a grande tela fica evidenciada ali atrás por abandono. Nesse caso, parece que, ao compartilhar a imagem, compartilhava-se também a ideia de que certo mundo perceptivo teria chegado ao fim. Jovens alienados, não se fazem mais espectadores como antigamente etc. O olhar tátil, da concentração imersiva, da capacidade de experimentar uma pintura grandiosa em sua potência plástica e estética se perdeu. É o fim do mundo, ou pelo menos, o fim de certo mundo em que ainda éramos capazes de detectar a verdadeira imagem no brejo da mediocridade circundante.

   Essa melancolia não é completamente infundada. Entretanto, se abrirmos mão do seu catastrofismo, recuando um pouco na leitura, talvez a foto nos diga bem menos sobre o fim dos tempos do que sobre a condição perceptiva em tempos de hipermediação do visível. Diante dela, como diante de uma cena flagrada em determinado instante, talvez o que se mostre seja não mais do que um grupo de jovens muito louros, provavelmente estudantes do ensino médio ou secundário, sentados perto uns dos outros e com os olhos voltados para seus celulares. Ao fundo, uma grande tela escura com homens “de antigamente” procurando alguém ou alguma coisa num ambiente de sombras atingido por um feixe de luz.
continua terça que vem...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O DESCASO PELA ARTE (parte 2)

  Continuando o texto da semana passada...
 
Há um desinteresse geral pela cultura que ocupa um lugar cada vez menos importante nos discursos do cotidiano. Para ser artista, antes de mais nada, é preciso um tráfego de influências pessoais, acesso à mídia e aos patrocinadores, que fazem da arte um produto incapaz de atribuir um sentido à existência da sociedade. E quem realmente patrocina a arte? – "Os contribuintes pagam aquilo que as empresas recuperam através de isenções fiscais pelas suas doações, e somos nós que verdadeiramente subvencionamos a propaganda." (Hans Haacke). Numa sociedade comandada pela economia, tudo se resume à lei da oferta e da procura.
A arte, burocraticamente falando, é mais uma imagem carente de sentido que divulga um certo prestígio social e econômico, e menos um meio de conhecimento indispensável para o homem contemplar o mundo. Se a obra de arte é expressão de uma sociedade, testemunho de um tempo, de um estágio de conhecimento, renunciar à sua inteligibilidade é renunciar à história.
A política, por sua vez, apropriou-se da cultura e fez dela um verniz para animar ou dar um polimento ao discurso político. A arte perdeu sua inocência, ela agora é objeto do mercado, do Estado e de outras instituições que desconhecem seus mecanismos de produção e sua história. Se os partidos políticos que falam de cultura em seus programas de campanha querem fazer alguma coisa pela cultura, não deveriam fazer coisa alguma, e sim, devolverem aos intelectuais, aos artistas, a quem trabalha diretamente com a cultura, o poder de decisão e o comando do processo cultural. É preciso devolver à arte seu território perdido.
Quem atualmente exerce o poder sobre o destino dos bens culturais, trabalha, direta ou indiretamente para o mercado, ou é burocrata de carreira que pouco entende das linguagens artísticas e suas leituras. Acabam desprezando os seus valores a serviço do senso comum. Muitas instituições que lidam com a arte, sem recursos econômicos e sem um corpo técnico ligado à área, perderam a importância e a autonomia, quando não são agências de eventos irregulares sem um projeto definido. A mídia dominou a cultura e o artista deixou de lado a indagação da linguagem da arte, abandonou a solidão do atelier, para se tornar um personagem público do teatro social. E a proliferação de um produto designado como arte e do discurso estético, sem a arte, pode significar o desaparecimento da própria arte.
Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O DESCASO PELA ARTE (parte 1)

     O texto foi dividido em duas partes e é bastante critico, pois comenta como a arte e as politicas culturas sao vistas pelos governantes...

 DESCASO PELA ARTE

"Olá pessoal,
compartilhamos um texto escrito
pelo Almandrade.
Agradecemos a gentileza
e desejamos boa leitura a todos!!"


"Na época atual, a fatalidade de toda e qualquer arte é ser contaminada pela inverdade da totalidade dominadora."

Theodor W. Adorno
   A arte como um trabalho intelectual, que amplia a experiência que o homem tem do real e do imaginário, se opõe ao trabalho alienante da sociedade moderna. Por outro lado, no meio de arte convivem compromissos e interesses alheios à própria arte; suas condições de produção se encontram dentro de um campo social e político, sujeito a um conjunto de pressões. O Estado, os patrocinadores e o mercado, visando interesses imediatos, privilegiam, muitas vezes, artistas cujas obras pouco acrescentam ao mundo da inteligência.

No espetáculo montado pela política, tudo se confunde, tudo passa pela ideologia do poder e pela estética do espetáculo, como a educação, a economia, a ecologia e os discursos políticos. Nesse palco, a cultura foi relegada a uma coisa mundana, uma espécie de conhecimento ornamental que serve à mídia e ao jogo social; a arte perdeu sua singularidade e suas qualidades que a colocavam acima das banalidades do cotidiano, deixando de ser o olhar que interroga, que transforma cores, texturas, formas, experiências sensoriais em meio de conhecimento. Nesta relação cultura e poder, insere-se a "crise da arte", onde o poder tem prevalecido diante da pesquisa estética.

Enquanto trabalhos que têm alguma importância pela pesquisa neles investidos, passam despercebidos trabalhos diluidores da informação, reproduções de clichês divulgados pela mídia são celebrados pelos consumidores de decorações e divertimentos culturais. Uma sociedade sem demandas culturais acaba fazendo da arte uma atividade menor. O cotidiano da política e da economia faz o discurso que se infiltra em todos os espaços, expulsando a cultura para a periferia dos interesses da cidadania. Os artistas, que mesmo sem construírem uma obra, tem os seus reconhecimentos garantidos pela indústria da publicidade, se sobrepõem àqueles que têm uma vida dedicada à pesquisa e ao trabalho de edificar uma linguagem, contribuindo para a demolição da ética e do pensamento crítico.

Sem uma consciência crítica e sem uma convicção ética, artistas, críticos, intelectuais, administradores culturais inventados pela mídia e pelo poder político tomam posição e decidem contra a autonomia e a independência do trabalho de arte. Promovem e divulgam os bens culturais em proveito próprio, para se sustentarem de forma privilegiada numa relação de poder. – Nada mais paradoxal, por exemplo, do que essas leis de incentivo a cultura. Por que incentivar a cultura se ela é um componente essencial para o enriquecimento da sociedade? Antes de ser uma questão de lei, a cultura é uma questão de sensibilidade e de cidadania.
(PArte 1)
 
Continua na semana que vem. Para ver o texto todo clique aqui: http://repensandomuseus.blogspot.com.br/2014/11/o-descaso-pela-arte_18.html?spref=fb
 

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