Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
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terça-feira, 17 de maio de 2016

CULTURA E EDUCAÇÃO

   Recentemente, no país aconteceu uma mudança que causou e está causando muita polemica e irritando profundamente a maioria das pessoas da área da Educação e da Cultura. Esta mudança foi a fusão do ministério da Cultura com o da Educação mas cultura e educação não são a mesma coisa? Posso ate falar besteira, mas educação e cultura não são a mesma coisa podem ter suas semelhanças mas não podem ser colocadas no mesmo balaio. Para não falar besteira vamos recorrer ao dicionario:


    Educação: "Educação é o ato de educar, de instruir, é polidez, disciplinamento.
   Cada país tem a sua própria cultura, que é influenciada por vários fatores. A cultura brasileira é marcada pela boa disposição e alegria, e isso se reflete também na música, no caso do samba, que também faz parte da cultura brasileira.(...)
        Não sei se perceberam com estes significados mas a Cultura vai mais alem que a educação. Um bom exemplo são as pessoas simples que não frequentaram a escola e as vezes tem uma sabedoria ate maior sobre alguns letrados, pois elas aprenderam com a experiencia, testando e vendo como cada ação reagia a um evento e foi se adaptando a ele. As danças, as artes, a nossa comida todos estes elementos foram uma reação de adaptação ao meio ambiente que tínhamos quando surgiram nos formando o que é hoje. 
     Se formos ver também a educação e a cultura antes eram dois ministérios.    O primeiro com enfase nas escolas o outro na tradição do povo do patrimonio material e imaterial e tinham verbas separadas, agora sendo apenas 1 ministério, ele terá que dar conta de toda essa nossa cultura e de todas nossa educação (escolas) com a verba reduzida então nos da area da cultura e o pessoal da área de educação que já lutavamos por mais melhorias e infraestrutura teremos que continuar lidando com os mesmos problemas e com muito menos dinheiro, imaginem só o que vai acontecer. Então não é apenas a fusão de dois ministérios que estamos tratando e sim a banalização e a perda do olhar da diferença cultural e educacional que temos neste imenso país chamado Brasil. São questões muito amplas para serem resolvidas por somente um campo e ministério, é o nosso enfraquecimento como ser.
   Não sei se fui clara, se consegui esclarecer mas era isso que eu queria tratar hoje
   No seu sentido mais amplo, educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de uma geração para a geração seguinte. A educação vai se formando através de situações presenciadas e experiências vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida.(...) O conceito de educação engloba o nível de cortesia, delicadeza e civilidade demonstrada por um indivíduo e a sua capacidade de socialização.    
   No sentido técnico, a educação é o processo contínuo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade ou no seu próprio grupo.
http://www.significados.com.br/educacao/


    Cultura: Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.
        http://www.significados.com.br/cultura/

      A principal característica da cultura é o mecanismo adaptativo, que consiste na capacidade que os indivíduos têm de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais até que possivelmente uma evolução biológica.

Para quem se interessar, aqui esta uma reportagem explicando a diferença entre ministerio da cultura e secretaria: "Entre-o-ministerio-e-a-secretaria-qual-o-poder-da-cultura-5820131.html" ai sim nao  tera mais duvida.

Proxima postagem: dia 07/06/2016 "O artista paga alto por levar uma vida nao convencional"

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Continuaçao de: "MUSEU FAZ BEM A SAUDE" (parte 2)

Vamos ao segundo exemplo. No fim de 2015 houve a inauguração do Museu do Amanhã, um gigante (em custos, em mídia, arquitetura e objetivos) que teve a infelicidade de, após inúmeros adiamentos, ser lançado enquanto a saúde do Rio de Janeiro enfrentava (ainda enfrenta) mais um baque, com o fechamento de hospitais e o habitual desrespeito aos doentes e seus acompanhantes.
A crucificação foi imediata. A julgar pela reação das pessoas nas redes sociais, não se pode investir em um equipamento novo se outros estiverem em mau estado. E não se deveria investir tanto dinheiro em cultura se a saúde estiver no CTI. Não concordo com a segunda afirmação, e não sei se acredito na primeira.
É verdade que vários museus, dos mais de três mil existentes no Brasil, estão em situação delicada: imóveis que precisam de restauro, equipamentos quebrados, gestão ineficiente, escassez de pessoal especializado, falta de recursos – para falar dos problemas mais evidentes. Temos museus fechados de facto e museus "fechados" porque não sabem ou não conseguem se relacionar com o público e o entorno. Neste cenário, há um tema que precisa ser debatido com urgência, num exercício interno da área museal, mas também compartilhado com toda a população: a ideia do "museu do século XXI".
E que museu é esse? O que devemos esperar, o que podemos cobrar dele? Muito. A ideia de museu se modificou imensamente nas últimas décadas, e mesmo a mais recente definição de museu, divulgada em 2007 pelo Conselho Internacional de Museus (Icom, na sigla em inglês), está sendo rediscutida. Usada como referência na comunidade internacional, essa definição afirma que "o museu é uma instituição sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, que adquire, conserva, pesquisa, comunica e expõe o patrimônio tangível e intangível da humanidade e do ambiente, com o propósito de educação, estudo e prazer". Para além do fato de esta definição já estar defasada, se quiséssemos chamar de "museu" apenas as instituições que se encaixam, ao pé da letra, nessa classificação, teríamos problemas.
Os museus mudaram muito, mas precisam continuar mudando para se adaptar a uma sociedade e a um planeta completamente diferentes daqueles do século passado. Há pouco mais de trinta anos, não havia internet, redes sociais, selfies e nem buscadores como o Google. Não tínhamos noção da enormidade do problema ambiental que a raça humana estava impingindo ao planeta. A superpopulação assustava menos. Os modelos intelectuais do século XIX, no que diz respeito à economia, à política e à educação, ainda eram vigentes (ainda o são, embora estejam em plena transformação).
O museu do século XXI não precisa ser físico nem ter patrimônio tangível. Ele pode, por exemplo, ter acervo virtual ou colecionar memórias pessoais, como é o caso do Museu da Língua Portuguesa (cujo imóvel foi consumido pelo fogo há alguns meses, mas cujo acervo foi salvo porque havia backup) ou do novíssimo e experimental Museu das Coisas Banais, projeto de pesquisa de um grupo de estudantes da Universidade Federal de Pelotas.
O museu de hoje pode estar num prédio histórico ou ser todo um território, como o recém-inauguradoEcomuseu de Santa Cruz, no Rio. Ele pode viajar num ônibus cheio de mestrandos que ensinam ciências em regiões remotas, como o Questacon Science Circus australiano, ou ser um dos pilares de transformação de toda uma cidade, como o Parque Explora foi para Medellín, na Colômbia. O museu do século XXI transcende seu espaço, reavalia, propõe, inova, incomoda. Cria formas de ajudar pessoas com demência, como fez oNational Museums Liverpool, no Reino Unido, e abre literalmente as portas para a comunidade à sua volta (expondo-se, inclusive, a reações acaloradas nada positivas), como fez o Santa Cruz Museum of Art & History, nos Estados Unidos. Ele pode inovar nas redes sociais, como o Horniman Museum, de Londres, que passeou com sua morsa taxidermizada pelo sul da Inglaterra e criou para ela um perfil no Twitter que interagia com as pessoas ao longo da viagem. Pode falar do legado do inimigo a um país, como fez o Canadian War Museum em 2014, em sua exposição sobre os alemães em memória da I Guerra Mundial. Pode ser o Museu da Empatia, ou o Museu dos Relacionamentos Partidos.
Ao contrário de um tempo em que museu era sinônimo de coisa velha e empoeirada, os museus do século XXI querem ser espaços de discussão, criatividade e pensamento crítico. São fóruns dinâmicos, e não caixinhas de joias. São relevantes para a vida real do público que o frequenta porque o ajudam a lidar com ela. Abrem diálogo com imigrantes, drogados, marginalizados. Constroem exposições e projetos em conjunto com adultos, crianças e idosos, leigos e doutores.
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Vista lateral do Museu do Amanhã (Foto: MAHM)
É neste contexto que acho que o Museu do Amanhã tem sua maior relevância. Para além da discussão sobre seu potencial turístico ou de seus elevados custos de implantação, ele traz para a população do Rio de Janeiro uma proposta muito diferente da que ela está acostumada a entender como museu. Ele apresenta todo o seu conteúdo por meio de tecnologia digital, de um modo grandioso e interativo como ainda não tínhamos visto na cidade. Ele é contemporâneo, impactante, fresco, ambientalmente sustentável. Já nasceu trabalhando em parcerias, tanto com o Museu de Arte do Rio (MAR) quanto com outros museus, como o Museu da Vida (da Fiocruz) e o Science Museum de Londres. Ele fala de ambiente fazendo advocacia do tema: ele se posiciona, o que é raro num museu.
Se o Museu do Amanhã vai resistir ao amanhã, isso o tempo vai dizer. Espera-se que um projeto dessa dimensão tenha um plano de gestão coerente com a realidade brasileira, e isso inclui previsão de recursos para manutenção, tanto do equipamento, quanto do conteúdo em si, que, no modelo proposto, terá de ser renovado com periodicidade razoavelmente curta. Mas o fato é que se trata de um museu que buscou trazer para o cidadão do Rio outros tipos de respostas, diferentes das que estavam, antes, ao nosso dispor. Sua existência vem estabelecer outros patamares, liberar novas possibilidades, definir novos parâmetros de expectativa do público.
Não sei se o Museu do Amanhã, que muito promete, será um bom museu, pois evito julgar um museu em seus primeiros momentos de vida. Também não sei se o MAM, com seu curador recém-empossado, será um museu melhor. O que sei é que os museus, quando são bons, inspiram, alegram, aceleram, acalmam, agregam, melhoram, frutificam. Eles fazem bem à saúde, de uma forma mais sutil do que a de uma cirurgia bem feita, mas com resultados igualmente positivos e duradouros. Com a vantagem de que suas intervenções podem alcançar toda uma sociedade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

MUSEU FAZ BEM A SAÚDE (parte 1)

 O texto a seguir ao mesmo tempo que fala bem da instituição  Museu, faz tambem uma critica ao modelo empregado na maioria das instituiçoes do Brasil que ate agora nao se atentaram para a importancia que o local tem aos seu publico, pois geralmente nao cuidamos ou valorizamos as instituições educadoras, apenas as criamos e nao a mantemos alem de nao acompanharmos suas evoluçoes... Enfim, é preciso ler para entender.  

Museu faz bem à saúde

Ao contrário de um tempo em que museu era sinônimo de coisa velha e empoeirada, os museus do século XXI querem ser espaços de discussão, criatividade e pensamento crítico. São fóruns dinâmicos, e não caixinhas de joias. São relevantes para a vida real do público que o frequenta porque o ajudam a lidar com ela. Abrem diálogo com imigrantes, drogados, marginalizados. Constroem exposições e projetos em conjunto com adultos, crianças e idosos, leigos e doutores.
"Museu faz bem à saúde". Esta afirmação, cada vez mais repetida por profissionais de museus, pesquisadores e acadêmicos no mundo todo, ainda pega muitas pessoas desprevenidas, inclusive no Brasil. No início deste ano, no Rio de Janeiro, vivenciei dois exemplos de como nós ainda não nos convencemos do poder benéfico que o museu pode ter na saúde e no bem-estar do ser humano.
O primeiro foi de natureza pessoal. Comemorando o ano novo, aderi à provocação de uma campanha no Twitter que incitava as pessoas a visitarem um museu novo, logo após o réveillon. Certo, eu trapaceei: o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) não era exatamente novo para mim, pois foi lá que comecei minha carreira, há mais tempo do que me interessa confessar. Mas fazia tempo que não ia até lá, e havia uma exposição que interessava à família toda. Fomos.
Não bastasse o espetacular projeto arquitetônico de Eduardo Affonso Reidi, em meio a um parque planejado por Lina Bo Bardi com jardins de Burle Marx, o MAM possui um acervo igualmente grandioso, ao qual se junta a Coleção Gilberto Chateaubriand (cedida em comodato ao museu desde 1993), uma das melhores seleções de arte moderna e contemporânea brasileira. Para esta museóloga de alma modernista, tudo isso já seria garantia de um ótimo domingo. Não foi.
A visita nos lembrou o castelo da Bela Adormecida, um reino perfeitamente próspero e funcional que, de repente, para no tempo. Os jardins e espelhos d’água estavam descuidados, sem corte, sem poda e com lixo.
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O estado do balcão de madeira logo à entrada do Café do MAM (foto: Claudia Porto)
À entrada do museu, nem mesmo um "bom dia". Tudo o que ouvimos, ao encostar o código de barras do bilhete no leitor digital da catraca, foi um "pode passar direto, não está funcionando". "Vivemos ", pensei, "na terra em que os equipamentos são instalados mas não se planeja a sua manutenção no longo prazo".
O castelo adormecido ficou ainda mais palpável quando subimos para o segundo andar e percorremos as exposições. O MAM costuma ter uma programação de qualidade irretocável; o que precisa ser urgentemente repensado é o modo como esse conteúdo é tratado.
Uma das coisas que mais incomoda no MAM é a falta de qualquer oportunidade de nos aprofundarmos em um determinado assunto, seja lendo mais sobre a técnica e o pensamento de um artista, sobre a época em que ele viveu ou até sobre fatos curiosos de sua personalidade. Será que o público não adoraria saber o que passou pela cabeça de Cildo Meireles ao criar o Zero Dollar? Isso poderia ser feito, por exemplo (mas não só), por meio digital: tablets, telas touch e apps para as exposições temporárias seriam apenas algumas formas de ampliar o conteúdo, despertar o interesse de diferentes faixas etárias e grupos sociais e promover uma maior interação com o público – outra coisa que o MAM não vem explorando em sua programação.
Se a exiguidade de conteúdos disponíveis nas exposições do MAM nos remete ao distanciamento entre o museu e seu público, as etiquetas só reforçam esse fato. Em um país onde as estatísticas não param de alertar para o fato de que a população está envelhecendo, etiquetar as obras com letra de corpo pequeno é não se importar com a transmissão da informação mais básica (lembro-me de mostras em que as etiquetas, em letra muito pequena, foram aplicadas diretamente no chão, e dava pena ver as pessoas mais velhas se curvando ou, pior, desistindo de ler).
A expografia que se repete há décadas, a falta de conhecimento, diálogo e relacionamento com o público, a dificuldade de ressignificar as coleções, de provocar questionamentos e de, assim, passar a ocupar um espaço real e relevante na vida das pessoas: nada disso é prerrogativa do MAM. Há inúmeros museus nessa situação, no Brasil e em tantos outros países – mesmo naqueles do "primeiro mundo".
Postei um resumo desta crítica nas redes sociais e duas respostas surgiram de imediato: a culpa seria dos curadores e da falta de dinheiro. Não concordo (quem dera o problema fosse tão simples!) e deixo o assunto propositalmente em aberto, esperando que este artigo possa gerar novas respostas e debates.
Continua (09/02)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

APRENDA COMO APRECIAR A ARTE CONTEMPORANEA

Ola pessoal, primeiramente Feliz ano novo. Aqui esta o primeiro post do ano fresquinho e copiado integramente. Espero que gostem!!!

 Aprenda como apreciar a arte contemporânea


"Olá, leitores do Canal do Ensino!
Gostar de arte é uma questão de opinião, certo? Será? Será que você sabe como apreciar uma obra de arte, principalmente em se tratando de arte contemporânea? Este artigo é para você parar para pensar e, até mesmo, aprendercomo apreciar a arte contemporânea.
Obras de arte contemporânea, mesmo sendo estas figurativas, podem parecer abstratas aos olhos da maioria dos observadores. Além disso, a arte moderna é frequentemente taxada de “desenho de criança” quando o espectador se depara, por exemplo, com uma série de rabiscos ou manchas coloridas.

Evolução da arte

A arte é uma grande incompreendida e o artista, na maior parte das vezes, é taxado de excêntrico ou gênio, sendo a sociedade no geral bastante complacente com suas atitudes, sem nunca levá-los realmente a sério fora de seu campo de trabalho.
É importante notar que o artista na Antiguidade e Idade Média, era valorizado por suas habilidades manuais – aí entendemos o motivo pelo qual no grego antigo, a palavra téchne (“técnica” ou “ofício”) era o mais próximo na língua para designar o temo “arte”. Porém, a ideia de gênio criador, veio somente com a Renascença e a Idade Moderna. A noção de “artista maldito” – aquele sofredor depressivo que através desse fundo de poço e seu dom genial cria grandes obras – se popularizou após Van Gogh que teve um fim trágico, além de cortar a própria orelha.

As obras de arte

A artista plástica e historiadora Aline Pascholati publicou um artigo no site Literatorturano qual ela fala como é o processo de apreciação da arte.
Segundo Aline, quando, por exemplo, pensamos nas mais “recentes” formas de arte, da arte conceitual (que como o nome diz, é o conceito antes de tudo) até as mais tecnológicas e inusitadas (vídeo arte, performance e instalação), a percepção do público leigo é ainda pior, a não ser que se trate de algo interativo, legal e bonitinho.
Aí entra algo fundamental para apreciação da arte: o conhecimento, aliado à observação e à reflexão. É claro que existem obras que devem apenas ser sentidas, ou artistas não muito sérios que jogam algo na tela com o único intuito de ganhar dinheiro, mas isso já é outra história, que não caracteriza necessariamente e exclusivamente a grande maioria dos casos.
É mais fácil admirar e apreciar uma arte bela ou que ostenta alta qualidade técnica, reproduzindo o mundo de maneira “perfeita”. Quando é preciso verdadeiramente refletir para entender uma obra e suas referências, é bastante difícil fazê-lo sem possuir as ferramentas intelectuais necessárias, além de que o ser humano, por natureza, tende a lei do mínimo esforço, com a ideia quase inconsciente de que “pensar dá preguiça”.

Como apreciar uma obra de arte

Aline Pascholati diz que um ponto de extrema importância é que nós não somos educados e treinados a refletir frente a uma obra de arte. E isso é uma característica do Brasil. Em diversos países da Europa, principalmente no caso da França, as crianças entram desde cedo em contato com a arte – até mesmo a contemporânea.
Aline conta que já presenciou diversas vezes no Museu do Louvre, em Paris, professores e alunos, com menos de dez anos de idade, frente àquelas imensas pinturas a óleo. E antes de “explicar” a obras, o mestre pedia que as crianças dissessem o que pensavam e o que sentiam enquanto observavam. E nesse meio ia explicando sobre a arte.
A artista ainda diz que sente falta aqui no Brasil de um treino da simples reflexão, através da qual podemos penetrar em pelo menos parte da obra. Sobretudo no mundo da arte contemporânea, essa reflexão é extremamente importante, pois, apesar de alguns artistas tratarem de temas facilmente reconhecíveis, como aqueles que fazem referência à cultura pop, muitos possuem temas únicos e maneiras exclusivas de representá-los, gerando assim, uma quantidade bem grande de informação a assimilar.
Segundo Aline, nos dias atuais está mais difícil definir a que estilo ou corrente artística este ou aquele artista pertence. Pelo menos em teoria, hoje o artista é completamente livre e a falta desses padrões dificulta uma leitura mais automática da obra.

Dicas para apreciar obras de arte

Aline Pascholati dá algumas dicas que podem ajudar:
  • Comece por mostras mais “fáceis”, digamos de algum artista renomado, seja um daqueles “das antigas”, um Da Vinci, por exemplo, ou um dos grandes da arte contemporânea.
  • No caso de uma visita a um museu bem grande, com centenas de obras, escolha somente algumas, as que lhe chamaram mais atenção ou aquelas que já ouviu falar. E então pare frente a esta, observe, sinta, interprete, aprecie. Tentar absorver um Louvre inteiro em uma só visita pode ser bastante desgastante.
  • Tudo bem que, quando você é um turista, quer absorver o máximo no pouco tempo que tem. Mas vá com calma, senão você sairá de lá com um turbilhão de imagens misturadas e dor de cabeça.

  • Escolha algumas peças de cada período e as “famosas” do museu em questão, se você fizer questão de vê-las. Esse exercício pode ser feito em qualquer tipo de museu.

  • Leituras de arte: leia sobre arte, seja livro, revista, entrevistas de artistas, e não só isso, mas também música, cinema – pois as artes se influenciam mutuamente e assim será mais fácil reconhecer referências diretas que as cruzem.
Pouco a pouco, esses quadros, esculturas e todo tipo de arte que, a princípio pareciam incompreensíveis, passará a ter talvez um pouco mais de sentido, na maioria dos casos.
Embarque nessa aventura e aprenda a apreciar arte contemporânea! É conhecimento e alimento para mente e alma.
Até mais!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AFINAL, O QUE É ARTE CONTEMPORANEA? (parte 2)

Continuaçao das respostas de varios pensadores ligadis a area
Marcia Tiburi (doutora em filosofia, escritora e apresentadora de TV)
“Arte contemporânea é um conceito que, a meu ver, vale mais como produto da ‘arte conceitual’ do que como recorte histórico que signifique algo. Na verdade, é uma definição anacrônica, tanto quanto a arte conceitual, que nasceu da crise dos críticos (a morte da crítica, sim, foi pouco avaliada). Também a palavra arte se tornou anacrônica. Ninguém entende de arte, nem de arte conceitual. Nem de conceitos. Não temos, é claro, aparato conceitual que dê conta dos fenômenos. Em outras palavras: ‘arte contemporânea’ é uma definição que usamos vagamente para sinalizar que nas produções atuais vemos algo de arte. Mas não sabemos o que é arte e ficamos a insistir em arte contemporânea por falta de domínio conceitual. Círculo vicioso, sim. Portanto, eu não confio nessa ideia. O povo? Ora, deixemos o povo pra lá que, como o marido, é o último a saber. Mais importante é avaliar que estamos no tempo da performance, do design e do espetáculo. Performance é o que há de mais parecido com o que chamávamos de arte, design com o que envolvia conceitos, espetáculo com o que chamávamos cultura de massa. Enquanto as categorias permanecerem em tensão, nossa cultura tem futuro. Do ponto de vista das formas, o que me interessa hoje é literatura como tal, que não se importa em ser literatura, que cospe nos roteiros de cinema disfarçados de escritura, que vomita no contentamento dos semianalfabetos de alma, que o são também políticos, ou os bem-pensantes; prefiro os insuportáveis, os sem-medo nem limites, quem sabe Lobo Antunes, mas, sobretudo, os pichadores das cidades grandes. Para mim, tudo o que chamamos de arte um dia está nos muros, perturbando a ordem enfeitadinha do nosso circo. Mas não é mais arte, é apenas o que nos faz ver que retornamos ao pó.”

Márcio Harum (pesquisador do grupo Hélio Oiticica e do Programa Ambiental)
“Essa indagação não é nada simples e não tem resposta alguma que satisfaça as pessoas… Enquanto estou aqui pensando, acho que não vou conseguir escapar das reminiscências do credo difundido por Charles Baudelaire (1821-1867): ‘É preciso ser de seu tempo’ (Il faut être de son temps, citação original do pintor Honoré Daumier, 1808-1873). Hoje em dia, o ponto de inflexão comum a todos talvez seja: ‘Preciso ser mesmo do meu tempo, mas que tempos são esses, afinal?’.”

Sônia Alves Dias (formada em artes plásticas, participou do coletivo Vinte e Sete+Um e assina o blog A Letreira)
“Chama-me atenção o fato de vivermos uma fase artística carente de novos talentos individuais. Há uma sensação incômoda no ar, de que no mundo atual uma parte significativa da sociedade se autodenomina artista e, em decorrência desse excesso de pseudotalentos, a arte fica no meio-fio entre o que é permitido e o que é possível e quem são os executores práticos dessas ideias. Não dá para falar em arte contemporânea sem pensar em TV, internet e tantos outros recursos tecnológicos e audiovisuais, que fazem com que as transformações e intervenções da arte em movimento sejam captadas e reinventadas em tempo real. Atualmente, o que mais chama atenção é o campo literário. Pois a quantidade de escritores fantasmas que se revelam através de blogs e comunidades literárias é cada vez maior. No Brasil, inclusive, existem cursos acadêmicos de formação de escritores e agentes literários, onde cada aluno mantém um blog. Essa nova condição de escritor virtual multiplica-se vertiginosamente deixando no ar a pergunta ‘o que esperar da escrita futura feita por escritores formados e formatados?’.”


(...)
Eduardo Senna Boaventura (historiador, artista visual, gestor cultural)
“Como é visível em tudo que foi dizível por diversos autores, arte contemporânea constrói uma divisibilidade, própria das contradições em sermos ‘contemporâneos de nós mesmos’, cuja existência é inexoravelmente contradição em uma história marcada pelo exercício da corrupção. A arte mostrou-se no processo histórico como o melhor dos meios de comunicação para retratar a realidade em que cada autor esteve ou está contextualizado.


Ao lutarmos contra as imagens prontas, os desejos pasteurizados, as conclusões acabadas, não nos opomos aos instrumentos de comunicações dominantes, mas ao domínio dos instrumentos como fórmulas prontas de resultados previstos e testados.
A guerra contra a imagem como instrumento de subversão da realidade não pode se opor à realidade como forma de subversão da imagem, nas quais atuamos como criadores e criaturas.”
Christiana Daisy
“De qualquer modo qualquer coisa é sempre alguma coisa…!


   Algo muito simples, algo muito complexo, algo muito controverso ou talvez contra o verso, o inverso do que se pretende ser? o universo do ser? Como definir arte contemporânea se o próprio termo arte ainda é algo vago, abstrato e intangível. Arte, anti-arte afinal do que se trata? Haja singularidade, pluralidade, imcompletude, polissêmia, o dito e o não dito, o vísivel e o invisível, o tangivel e o intangível …afinal do que se trata?! O que legitima, o que exclui, o que torna a arte mais arte que outra arte? O que torna a arte uma anti-arte ou uma arte qualquer. O que é arte contemporânea afinal? Seria a arte deste tempo, do nosso tempo? Seria a arte com tempo? a arte sem tempo? Porquê arte contemporânea e não arte Extemporânea? Porque arte? Porque perguntar? Porque responder? Porque o confronto? Porque o conflito? Arte é tudo que assim se denomina? Ou tudo o que domina, pre-domina? O instituído, o constituído, o destituído? Afinal oq que é arte contemporanea? A arte que se faz no confronto com a obra, independente de seu estado, de seu estágio, de seu tempo? O que se cria, concebe e denomina? O que se diz arte? o que se sente arte? O que o artista cria, o que o observador casual e o aficcionado entendem do que se cria? Outras criações? Arte afinal o que é? Um valor construido pelo olhar especializado, ou desconstruido pelo olhar despretencioso do olhar comum, do senso-(in)comum? Arte-final, finalizada…obra imcompleta de nosso imaginário. Arte afinal, o que é? Como definir? Porque ~simplesmente “não fruir e usufruir” do que se diz arte, se assim se intitula? Arte que se consuma na fruição, arte que se consome na fruição, arte que consumo, arte com sumo, em suma o que afinal é arte comtemporânea retirados os conceitos, preceitos e preconceitos que embalam, rotulam e lacram e isolam tudo o que não seja arte, ou pelo menos a arte que vemos, a arte que cremos , a arte que acreditamos ver? Algo muito simples, algo muito complexo, algo muito controverso…melhor só indagar, não responder…deixar que a arte se faça em seu confronto com a obra, com o artista, com o público e com o privado…desde que a arte se faça contemporânea, extemporânea ou como queiram!”
Charô (que acredita que meerkats don’t wa-da-tah to the shama cow e assina o blog Artposts da Charô e @acharolastra)
“Definir arte tem como objetivo tolher horizontes. Trata-se de impor limites sócio-culturais, financeiros e políticos à expressão humana. Ainda assim, diria que arte pode ser encontrada em tudo o que é concebido, interpretado ou entendido como arte. Mas isso seria perda de tempo.”


Daniel Brazil (roteirista e diretor de TV e assina o blog Fósforo)
“O velho conceito dicionarizado de arte ainda resiste: arte é tudo aquilo feito pelo homem com intenção de provocar uma emoção de ordem estética.


Mudaram os suportes, os contextos, as técnicas, mas não mudou a intenção primordial. No limite, se relativizou. Sensações como o tédio, o desconforto, a irritação e a mera curiosidade ganharam status de emoção estética. Sintoma de contemporaneidade.”

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

AFINAL, O QUE É ARTE CONTEMPORANEA? parte 1

SE a pergunta o que é arte ja nos aflinge tanto imagine o que arte contemporane. Nao me pergunte pois ate hoje estou na primeira pergunta e ainda custo a entender mesmo gostando pois muita das coisas nao precisa entender pra gostar, basta sentir ne? Este é um artigo com varias opinioes para escolherem a sua

Afinal, o que é arte contemporânea?

Micheliny Verunchk
Decifra-me ou te devoro. É o que parece dizer a arte contemporânea a qualquer pobre mortal que ousa encará-la. Filha do desencanto e das tensões advindos do instável século XX, surge representando uma ruptura com o que, até então, se chamava arte moderna.
Como a esfinge, que aqui lhe serve de metáfora, a arte contemporânea nasceu, sobretudo, questionadora, amante da polêmica. Não lhe interessavam os velhos moldes, o cânone, o sentido tradicional da beleza. No entanto, denunciam alguns, e atualmente tem se rendido a um mercado cada vez mais manipulador e caracterizado por cifras estratosféricas.
Oscilando entre a incompreensão e os julgamentos de valor traduzidos em questões sobre sua utilidade e autenticidade, é alvo de discussões apaixonadas. Assim, a Continuum convidou algumas pessoas a responder ao enigma: O que é arte contemporânea?
Affonso Romano de Sant’anna (poeta, ensaísta e professor)
“A expressão ‘arte contemporânea’ é muito precária, não resiste a uma análise. Não se pode considerá-la sem investigar outra expressão igualmente confusa: ‘pós-modernidade’. Isso, de maneira geral, caracteriza muito do que se fez nos últimos 40 anos. Tem muita bobagem teórica e prática para ser revista. Cito alguns tabus. Veja John Cage – tinha algum talento e perdeu-se no histrionismo. Veja Duchamp, mal lido e mal interpretado há 100 anos. Continuo insistindo: temos que passar o século XX a limpo, não para voltar ao XIX, mas para equacionar os equívocos de nossa geração. Uma das tolices de nossa época foi achar que a ‘modernidade’ era o topo da história. Como se diz, ‘pretensão e água benta cada um toma quanto quer’. ”

Ana Mae Barbosa (doutora em arte-educação e professora)
“Não dá para resumir a arte contemporânea numa só característica, pois a pluralidade domina nosso tempo. Assim, podemos apreendê-la pela seguinte série de qualidades:
– consciência da morte da autonomia da obra ou do campo de sentido da arte em prol da contextualização.
– metalinguagem: reflexão sobre a própria arte.
– incorporação de matrizes populares na arte erudita.
– preocupação em instaurar um diálogo com o público e levá-lo a pensar.
– tendência ao comentário social.
– ‘interritorialidade’ das diversas linguagens.
– tecnologias digitais substituindo a vanguarda.
O que mais me tem chamado atenção é a confirmação do comentário de Arthur Danto, de que sob a designação de arte contemporânea temos muitas vezes a continuação da arte moderna. Isso é verdade especialmente no Brasil, que é muito apegado ao modernismo.”

Dalva Soares Bolognini (especialista em cultura popular)
“Arte contemporânea é toda expressão artística que revela, em traços ou por inteiro, a atualidade da vida social – local ou mundial. Assim, cada momento da sociedade, cada mudança visível de um grupo social, pode ser representado e percebido nos seus vários suportes. Historicamente esse tempo social é geralmente longo, suficiente para gerar um movimento artístico. Gostaria de mencionar que, no final da Segunda Guerra Mundial, os automóveis americanos, pesados e quase sempre pretos, que haviam cedido seu lugar nas fábricas para os veículos bélicos, ressurgiram enormes e coloridos, como a sinalizar um tempo de bonança e felicidade plena, onde o espaço era primordial.”

Ivôn Rabelo (mestrando em literatura e interculturalidade pela Universidade Estadual da Paraíba)
“O dizer sobre arte, em si, já é algo complicado. Mas carrega algo de simplório, pois qualquer tentativa de expressão que condense os conhecimentos acumulados pela humanidade, e, além disso, os saiba traduzir como manifestação simbólica, deve ser alçada ao posto de discurso sacralizado. A arte na contemporaneidade não foi vanguarda, mas torna-se agora, em nossa pós-contemporaneidade: um atributo da velocidade com que (es)corre a areia fina da ampulheta do século XXI, passagem instantânea que a deixa (es)correndo pelas frestas da litania [ladainha] de paz e paciência pela qual oramos diariamente nessa grande sala babélica de exibições em que se transformou a internet, a TV digital, a parafernália musical, audiovisual e literária das celebridades instantâneas de Warhol. Nada precisa fazer ou dizer fazer um sentido, mas, sim, vários (além dos triviais e exauridos cinco que desde sempre disseram que possuímos), em qualquer forma de expressão dita artística, pós-contemporaneamente falando. É essencial que nos remeta ao mais pré-histórico dos intentos: uma tentativa de união com um algo dito sagrado. Ou até mesmo perfeita e convincentemente profano. Mas que seja sacro, e não um saco!”


Parte 1. O texto continua semana que vem com o link de referencia

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