Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
Mostrando postagens com marcador museus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador museus. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de julho de 2016

CAMPO DE ATUAÇÃO DO MUSEOLOGO É MAIS VASTO DO QUE PARECE

CAMPO DE ATUAÇÃO DO MUSEOLOGO É MAIS VASTO DO QUE PARECE


Reportagem de Geraldo Ribeiro

   Para muita gente, o exercício da atividade de museólogo esta restrito aos museus. Engana-se quem pensa assim. O campo de atuação é bem mais amplo do que parece. Atualmente existem cerca de 5 mil profissionais em atividade no país. Os salários variam de RS 2 mim a RS 5 mil.
     Alem dos museus públicos e privados, que absorvem grande parte da mão de obra, esses profissionais podem atuar ainda em secretarias da cultura, centros culturais, orgaos ligados a preservação do patrimônio histórico, empresas que possuem centro de memorias, na catalogação de coleções particulares e nos atelies de artistas plásticos contemporâneos. Há espaço para eles inclusive na organização de acervos de teatro e redes de TVs.
      __Qualquer instituição, orgao ou lugar que trabalhe com acervo demanda trabalho do museólogo, que não esta restrito aos museus. O campo é vasto__ afirma o professor de museologia da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), Ivan Coelho, que cobra a valorização da profissão pelo poder publico.
      O professor, que é tambem decano do Centro de Ciencias Humanas da universidade, diz que quem trabalha nesta area precisa gostar de historia,arte, antropologia e sociologia. (...)
        A profissa, regulamentada desde 1984, cresceu em importancia na ultima decada e meia, com o surgimento de uma politica nacional de museus. Entretanto, Ivan Coelho lamenta que em epocas de crise a cultura é o primeiro setor afetado e os museus sao os primeiros a sofrer o efeito dela.


Fonte: http://extra.globo.com/noticias/educacao/profissoes-de-sucesso/campo-de-atuacao-em-museologia-mais-vasto-do-que-parece-19565173.html

terça-feira, 29 de março de 2016

POR QUE IR SOZINHO AO MUSEU?

  Por que ir sozinho ao museu?


6 motivos (dentre muitos) para ir ao museu sozinho

  Quando se trata de falar sobre atividades solitárias e coragem, ir a um museu sozinho entra na categoria que fica entre ir ao cinema e almoçar sozinho em um restaurante.

Você tem algum tipo de estímulo visual para mantê-lo ocupado e você não precisa vestir a armadura de ler um livro ou ficar olhando para a tela do seu celular enquanto come.
Em vez de ser algo que devamos aceitar, gostaria de argumentar que ir ao museu sozinho é algo que deveríamos buscar.
Quando eu costumava trabalhar em um enorme e enciclopédico museu, eu frequentemente ficava andando pelas galerias sozinha no meu intervalo de almoço ou depois do trabalho.
Esses eram alguns dos momentos mais tranquilos e cheios de insight do meu dia, estivesse eu olhando nos olhos do retrato de Cindy Sherman ou perdida nas cores de Rothko.
Como bem disse a novelista Patricia Highsmith, “Minha imaginação funciona muito melhor quando eu não tenho que falar com as pessoas”.
E o museu tem o potencial de ser um grande parque de diversões para a imaginação, se você assim permitir. Aqui estão seis razões para ter um encontro com você mesmo no museu.

1. Você faz o seu próprio itinerário

Carro em miniatura e mapa

Quando você visita um museu como o Museu Metropolitano de Arte – umas das maiores instituições de arte com uma coleção que abrange 5.000 anos – você precisa ser altamente seletivo em como planeja realizar a sua visita, especialmente se existem certos tipos de obras que você está determinado em ver.
Se você fosse com alguém, sua companhia pode ser fã de obras antigas, mas você preferir passar o tempo examinando os retratos franceses do século 18.
Quando está sozinho, você pode ir diretamente às galerias que te interessam, sem perder tempo com obras que tem pouco ou nenhum interesse em ver.

2. Você anda no seu próprio ritmo
Pessoas olham para pinturas do século 19 no museu Rijksmuseum, em Amsterdam, em abril de 2013

3/7Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
Até em museus menores, é fácil ser apressado ou atrasado por uma outra pessoa. De acordo com o Museu Getty em Los Angeles, seus visitantes gastam em média 30 segundos na frente de uma obra de arte.
É claro que provavelmente varia baseado na preferência artística de cada um.
Se for sozinho, você pode gastar uma hora comtemplando aquela escultura de Kiki Smith ou apressar-se no “cão-balão” de Jeff Koons que você já viu uma meia dúzia de vezes.

3. Você aprenderá a apreciar a solidão

Visitantes no novo prédio do MET, The Metropolitan Museum of Art, em Nova York, dia 01/03/2016

4/7Don Emmert / AFP

Apreciar um museu sozinho pode, no geral, ajudar a que você aprecie também a solidão ao perceber os benefícios de passar um tempo com você.
Mesmo que você seja bem extrovertido, estar sozinho faz parte inevitável da vida. Por isso é importante aprender a se sentir confortável ao estar sozinho com você.
O museu é uma forma ideal de praticar isso intencionalmente e, como resultado, você estará melhor equipado para esses momentos mais solitários da vida.

4. Você pode conhecer novas pessoas, se quiser

Museu de Ciência (Kensington), em Londres

5/7Dan Kitwood/Getty Images
Por outro lado, quando você está sozinho no museu, você tem mais oportunidades de conhecer pessoas novas.
Se você trouxe alguém com você, você provavelmente estará ocupado conversando com seu amigo ou ser amado.
Mas sozinho, você provavelmente vai puxar assunto com estranhos e, afortunadamente, os museus de arte estão cheios de inícios de conversas perfeitos.
Você pode simplesmente fazer a seguinte pergunta aberta a alguém: “O que você acha deste quadro?”

5. Você abraça a inspiração nesses momentos quietos

Autorretrato de Vicent van Gogh

6/7

Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
Se você preferir continuar o caminho sozinho no museu, você não terá a distração da interação social.
Em vez disso, você pode focar na autorreflexão ou em buscar inspiração.
O museu é o lugar perfeito para trazer um caderno de desenho, instalar-se em algum lugar e desenhar o que está próximo de você – seja uma obra de arte ou as pessoas – sem nenhum objetivo ou julgamento.
Bônus: os museus são um lugar maravilhoso para observar as pessoas.

6. Vai estimular a sua confiança

O saguão do British Museum (Museu Britânico)

7/7Peter Macdiarmid / Getty Images

Fazer qualquer coisa sozinho, inclusive ir a um museu, pode ser incrivelmente empoderador.
É claro, é ótimo ter alguém do lado, mas é especialmente reconfortante quando esse alguém é você. Quanto mais coisas fizer sozinho, mais você sentirá que pode lidar com os desafios independentemente.
Afinal, o museu pode ser um excelente lugar para solteiros, casais e grupos, e todos que buscam um lugar tranquilo e de contemplação.
Cada uma dessas experiências não é necessariamente melhor que a outra, mas são qualitativamente diferentes.
A ideia de visitar um lugar tão público quando um museu sozinho pode ser intimidante, mas eu incentivo você a experimentar.
Você pode descobrir um outro lado de si mesmo, da arte ou das pessoas que você não teria vivenciado de outra forma.

Fonte http://exame.abril.com.br//estilo-de-vida/noticias/6-motivos-dentre-muitos-para-ir-ao-museu-sozinho/lista

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Continuaçao de: "MUSEU FAZ BEM A SAUDE" (parte 2)

Vamos ao segundo exemplo. No fim de 2015 houve a inauguração do Museu do Amanhã, um gigante (em custos, em mídia, arquitetura e objetivos) que teve a infelicidade de, após inúmeros adiamentos, ser lançado enquanto a saúde do Rio de Janeiro enfrentava (ainda enfrenta) mais um baque, com o fechamento de hospitais e o habitual desrespeito aos doentes e seus acompanhantes.
A crucificação foi imediata. A julgar pela reação das pessoas nas redes sociais, não se pode investir em um equipamento novo se outros estiverem em mau estado. E não se deveria investir tanto dinheiro em cultura se a saúde estiver no CTI. Não concordo com a segunda afirmação, e não sei se acredito na primeira.
É verdade que vários museus, dos mais de três mil existentes no Brasil, estão em situação delicada: imóveis que precisam de restauro, equipamentos quebrados, gestão ineficiente, escassez de pessoal especializado, falta de recursos – para falar dos problemas mais evidentes. Temos museus fechados de facto e museus "fechados" porque não sabem ou não conseguem se relacionar com o público e o entorno. Neste cenário, há um tema que precisa ser debatido com urgência, num exercício interno da área museal, mas também compartilhado com toda a população: a ideia do "museu do século XXI".
E que museu é esse? O que devemos esperar, o que podemos cobrar dele? Muito. A ideia de museu se modificou imensamente nas últimas décadas, e mesmo a mais recente definição de museu, divulgada em 2007 pelo Conselho Internacional de Museus (Icom, na sigla em inglês), está sendo rediscutida. Usada como referência na comunidade internacional, essa definição afirma que "o museu é uma instituição sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, que adquire, conserva, pesquisa, comunica e expõe o patrimônio tangível e intangível da humanidade e do ambiente, com o propósito de educação, estudo e prazer". Para além do fato de esta definição já estar defasada, se quiséssemos chamar de "museu" apenas as instituições que se encaixam, ao pé da letra, nessa classificação, teríamos problemas.
Os museus mudaram muito, mas precisam continuar mudando para se adaptar a uma sociedade e a um planeta completamente diferentes daqueles do século passado. Há pouco mais de trinta anos, não havia internet, redes sociais, selfies e nem buscadores como o Google. Não tínhamos noção da enormidade do problema ambiental que a raça humana estava impingindo ao planeta. A superpopulação assustava menos. Os modelos intelectuais do século XIX, no que diz respeito à economia, à política e à educação, ainda eram vigentes (ainda o são, embora estejam em plena transformação).
O museu do século XXI não precisa ser físico nem ter patrimônio tangível. Ele pode, por exemplo, ter acervo virtual ou colecionar memórias pessoais, como é o caso do Museu da Língua Portuguesa (cujo imóvel foi consumido pelo fogo há alguns meses, mas cujo acervo foi salvo porque havia backup) ou do novíssimo e experimental Museu das Coisas Banais, projeto de pesquisa de um grupo de estudantes da Universidade Federal de Pelotas.
O museu de hoje pode estar num prédio histórico ou ser todo um território, como o recém-inauguradoEcomuseu de Santa Cruz, no Rio. Ele pode viajar num ônibus cheio de mestrandos que ensinam ciências em regiões remotas, como o Questacon Science Circus australiano, ou ser um dos pilares de transformação de toda uma cidade, como o Parque Explora foi para Medellín, na Colômbia. O museu do século XXI transcende seu espaço, reavalia, propõe, inova, incomoda. Cria formas de ajudar pessoas com demência, como fez oNational Museums Liverpool, no Reino Unido, e abre literalmente as portas para a comunidade à sua volta (expondo-se, inclusive, a reações acaloradas nada positivas), como fez o Santa Cruz Museum of Art & History, nos Estados Unidos. Ele pode inovar nas redes sociais, como o Horniman Museum, de Londres, que passeou com sua morsa taxidermizada pelo sul da Inglaterra e criou para ela um perfil no Twitter que interagia com as pessoas ao longo da viagem. Pode falar do legado do inimigo a um país, como fez o Canadian War Museum em 2014, em sua exposição sobre os alemães em memória da I Guerra Mundial. Pode ser o Museu da Empatia, ou o Museu dos Relacionamentos Partidos.
Ao contrário de um tempo em que museu era sinônimo de coisa velha e empoeirada, os museus do século XXI querem ser espaços de discussão, criatividade e pensamento crítico. São fóruns dinâmicos, e não caixinhas de joias. São relevantes para a vida real do público que o frequenta porque o ajudam a lidar com ela. Abrem diálogo com imigrantes, drogados, marginalizados. Constroem exposições e projetos em conjunto com adultos, crianças e idosos, leigos e doutores.
JPEG - 38.1 KB
Vista lateral do Museu do Amanhã (Foto: MAHM)
É neste contexto que acho que o Museu do Amanhã tem sua maior relevância. Para além da discussão sobre seu potencial turístico ou de seus elevados custos de implantação, ele traz para a população do Rio de Janeiro uma proposta muito diferente da que ela está acostumada a entender como museu. Ele apresenta todo o seu conteúdo por meio de tecnologia digital, de um modo grandioso e interativo como ainda não tínhamos visto na cidade. Ele é contemporâneo, impactante, fresco, ambientalmente sustentável. Já nasceu trabalhando em parcerias, tanto com o Museu de Arte do Rio (MAR) quanto com outros museus, como o Museu da Vida (da Fiocruz) e o Science Museum de Londres. Ele fala de ambiente fazendo advocacia do tema: ele se posiciona, o que é raro num museu.
Se o Museu do Amanhã vai resistir ao amanhã, isso o tempo vai dizer. Espera-se que um projeto dessa dimensão tenha um plano de gestão coerente com a realidade brasileira, e isso inclui previsão de recursos para manutenção, tanto do equipamento, quanto do conteúdo em si, que, no modelo proposto, terá de ser renovado com periodicidade razoavelmente curta. Mas o fato é que se trata de um museu que buscou trazer para o cidadão do Rio outros tipos de respostas, diferentes das que estavam, antes, ao nosso dispor. Sua existência vem estabelecer outros patamares, liberar novas possibilidades, definir novos parâmetros de expectativa do público.
Não sei se o Museu do Amanhã, que muito promete, será um bom museu, pois evito julgar um museu em seus primeiros momentos de vida. Também não sei se o MAM, com seu curador recém-empossado, será um museu melhor. O que sei é que os museus, quando são bons, inspiram, alegram, aceleram, acalmam, agregam, melhoram, frutificam. Eles fazem bem à saúde, de uma forma mais sutil do que a de uma cirurgia bem feita, mas com resultados igualmente positivos e duradouros. Com a vantagem de que suas intervenções podem alcançar toda uma sociedade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

MUSEU FAZ BEM A SAÚDE (parte 1)

 O texto a seguir ao mesmo tempo que fala bem da instituição  Museu, faz tambem uma critica ao modelo empregado na maioria das instituiçoes do Brasil que ate agora nao se atentaram para a importancia que o local tem aos seu publico, pois geralmente nao cuidamos ou valorizamos as instituições educadoras, apenas as criamos e nao a mantemos alem de nao acompanharmos suas evoluçoes... Enfim, é preciso ler para entender.  

Museu faz bem à saúde

Ao contrário de um tempo em que museu era sinônimo de coisa velha e empoeirada, os museus do século XXI querem ser espaços de discussão, criatividade e pensamento crítico. São fóruns dinâmicos, e não caixinhas de joias. São relevantes para a vida real do público que o frequenta porque o ajudam a lidar com ela. Abrem diálogo com imigrantes, drogados, marginalizados. Constroem exposições e projetos em conjunto com adultos, crianças e idosos, leigos e doutores.
"Museu faz bem à saúde". Esta afirmação, cada vez mais repetida por profissionais de museus, pesquisadores e acadêmicos no mundo todo, ainda pega muitas pessoas desprevenidas, inclusive no Brasil. No início deste ano, no Rio de Janeiro, vivenciei dois exemplos de como nós ainda não nos convencemos do poder benéfico que o museu pode ter na saúde e no bem-estar do ser humano.
O primeiro foi de natureza pessoal. Comemorando o ano novo, aderi à provocação de uma campanha no Twitter que incitava as pessoas a visitarem um museu novo, logo após o réveillon. Certo, eu trapaceei: o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) não era exatamente novo para mim, pois foi lá que comecei minha carreira, há mais tempo do que me interessa confessar. Mas fazia tempo que não ia até lá, e havia uma exposição que interessava à família toda. Fomos.
Não bastasse o espetacular projeto arquitetônico de Eduardo Affonso Reidi, em meio a um parque planejado por Lina Bo Bardi com jardins de Burle Marx, o MAM possui um acervo igualmente grandioso, ao qual se junta a Coleção Gilberto Chateaubriand (cedida em comodato ao museu desde 1993), uma das melhores seleções de arte moderna e contemporânea brasileira. Para esta museóloga de alma modernista, tudo isso já seria garantia de um ótimo domingo. Não foi.
A visita nos lembrou o castelo da Bela Adormecida, um reino perfeitamente próspero e funcional que, de repente, para no tempo. Os jardins e espelhos d’água estavam descuidados, sem corte, sem poda e com lixo.
JPEG - 21.7 KB
O estado do balcão de madeira logo à entrada do Café do MAM (foto: Claudia Porto)
À entrada do museu, nem mesmo um "bom dia". Tudo o que ouvimos, ao encostar o código de barras do bilhete no leitor digital da catraca, foi um "pode passar direto, não está funcionando". "Vivemos ", pensei, "na terra em que os equipamentos são instalados mas não se planeja a sua manutenção no longo prazo".
O castelo adormecido ficou ainda mais palpável quando subimos para o segundo andar e percorremos as exposições. O MAM costuma ter uma programação de qualidade irretocável; o que precisa ser urgentemente repensado é o modo como esse conteúdo é tratado.
Uma das coisas que mais incomoda no MAM é a falta de qualquer oportunidade de nos aprofundarmos em um determinado assunto, seja lendo mais sobre a técnica e o pensamento de um artista, sobre a época em que ele viveu ou até sobre fatos curiosos de sua personalidade. Será que o público não adoraria saber o que passou pela cabeça de Cildo Meireles ao criar o Zero Dollar? Isso poderia ser feito, por exemplo (mas não só), por meio digital: tablets, telas touch e apps para as exposições temporárias seriam apenas algumas formas de ampliar o conteúdo, despertar o interesse de diferentes faixas etárias e grupos sociais e promover uma maior interação com o público – outra coisa que o MAM não vem explorando em sua programação.
Se a exiguidade de conteúdos disponíveis nas exposições do MAM nos remete ao distanciamento entre o museu e seu público, as etiquetas só reforçam esse fato. Em um país onde as estatísticas não param de alertar para o fato de que a população está envelhecendo, etiquetar as obras com letra de corpo pequeno é não se importar com a transmissão da informação mais básica (lembro-me de mostras em que as etiquetas, em letra muito pequena, foram aplicadas diretamente no chão, e dava pena ver as pessoas mais velhas se curvando ou, pior, desistindo de ler).
A expografia que se repete há décadas, a falta de conhecimento, diálogo e relacionamento com o público, a dificuldade de ressignificar as coleções, de provocar questionamentos e de, assim, passar a ocupar um espaço real e relevante na vida das pessoas: nada disso é prerrogativa do MAM. Há inúmeros museus nessa situação, no Brasil e em tantos outros países – mesmo naqueles do "primeiro mundo".
Postei um resumo desta crítica nas redes sociais e duas respostas surgiram de imediato: a culpa seria dos curadores e da falta de dinheiro. Não concordo (quem dera o problema fosse tão simples!) e deixo o assunto propositalmente em aberto, esperando que este artigo possa gerar novas respostas e debates.
Continua (09/02)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

AFINAL, O QUE INTERATIVIDADE EM MUSEUS?

Interatividade nao é claro para muita gente mas para quem usa videogames isso eh bem claro. O interativo quer dizer age entre duas coisas ou mais, isso quer dizer se voce faz uma ação ele te responde com uma reação imediata sem precisar que alguem o lembre disso. Entao os totens de respostas, os eletronicos, enfim... 

Afinal, o que é interatividade em museus?

   Na última década, tem crescido a febre por “Museus Interativos”. E as definições divulgadas na mídia nada mais são do que uma confusão danada, tentando convencer os visitantes que qualquer coisa que pisque, é interativa.  Apertou um botão? Passou e um sensor ascendeu uma luz? Viu um vídeo?  Olha que coisa, está interagindo com o museu! Só que não.
Vamos então fazer o caminho contrário. O que não é interatividade em museus?
   O fato de um museu ter muitos monitores, vídeos, gadgets, luzes e efeitos especiais não o torna interativo. O fato de dar qualquer estímulo sensorial para o museu também não o torna interativo por si só. Diversão em museu, joguinhos, controles remotos, entre outros, por si só, também não o são.
O fetiche pelos dispositivos digitais fez com que se investissem milhões de reais (ou dólares) nas Novas Tecnologias de Informação e Comunicação e dos dispositivos audiovisuais e muito pouco em pesquisa. A aparente “facilidade” da apreensão do conteúdo, data por esses recursos, é capaz de transformar grandes museus em parques de diversões. Não sou contra o visitante aprender se divertindo. Nada disso. Mas até que ponto isso ocorre realmente nos museus brasileiros modernos, como o da Língua Portuguesa ou o do Futebol?

Se olharmos no dicionário, encontraremos a definição de interativo:
Diz-se de fenômenos que reagem uns sobre os outros.
Dotado de interatividade.
Diz-se de um suporte de comunicação que favorece uma permuta com o público.
  • HANDS ON: muito utilizada em museus de ciência, é aquela em que o visitante tem uma interação mecânica com um objeto e assim é demonstrado um fenômeno.
  • MINDS ON: “Aqui, os elementos de interação estimulam o funcionamento da mente, instigando os visitantes a empreender um “exercício” mental, elaborando questões, solucionando problemas, criando analogias e percebendo contradições. Coloca-se, então, a expectativa de que, ao se estabelecer uma atividade capaz de correlacionar mente e realidade através da reflexão, se faça possível a produção de significados e o desejo de se colocar novas questões. Esse tipo de interatividade nem sempre se produz pelo intermédio de recursos digitais, podendo a experiência ser “desencadeada” em momentos de interação entre visitantes ou por um processo de mediação ou visita guiada.” (http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/article/viewFile/273/267)
  • HEART ON: busca uma identidade cultural do visitante com o objeto exposto e reforça as questões emocionais de vivenciar a experiência.

      A interatividade do tipo “hand-on” é a que mais se difundiu e se distorceu nos ultimos anos. Nos museus de ciências, em geral esta experiência tem como função comprovar conceitos físicos, através da experimentação do usuário. Como se vê em:  https://youtu.be/boEyU0Pq_Lc


Mas essa experiência não tem nenhum valor se não se entender o conceito explicado, em geral mediado por um monitor da exposição ou por algum aparato explicativo.



   Caso contrário, ela se torna uma experiência vazia, como a exposição temporária de Bia Lessa, em que o visitante fazia o movimento de puxar as 400 paginas ampliadas de Grande Sertão Veredas e ler um trecho em um dispositivo diferente. Essa “experiência” não agrega valor ao conteúdo e o leitor não aprende com ela. A interatividade “hands-on” se torna então, um belíssimo aparato cenográfico.


                                   

Fonte:https://criticaexpografica.wordpress.com/2015/11/18/afinal-o-que-e-interatividade-em-museus/

Proximas postagens: A ARTE EO ABSTRACIONISMO (parte 1 de 3)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

COMO SER UM MONITOR DE MUSEUS?

   O texto desta semana fala sobre um dos profissionais de grande importancia no museu assim como todos os outros que trabalham nestas instituições. 
   Por falar em museus, há muitas profissões atuando neste local e as vezes nem as imaginamos ou damos o devido valor. Isso porque elas  atuam ardua e "secretamentes" nos bastidores, sem serem vistos. Alem dos seguranças e da recepção ou secretaria no museu encontramos:
   Historiadores: resposaveis pelas pesquisas, bibliotecarios, conservadores e restauradores de obra, o museologo, curador, curriers, produtores culturais, turismologos, os monitores. E é justamente destes ultimos que trataremos no artigo abaixo escrito por:Thayse Aragão


Como ser um monitor de museus?


Descubra como ser um monitor

  A carreira de monitor em instituições de educação não formal como museus parece um tanto obscura, isso porque os profissionais que atuam nessa função não possuem formação específica em nível técnico ou de graduação: não há um curso de mediação e monitoria em universidades. Diferente do que muitas pessoas pensam, não é o museólogo que atua nessa função e é relativamente fácil fazer parte desse campo profissional tão interessante. O primeiro fato que é preciso ter em mente é que a contratação de monitores e mediadores por parte dos museus varia muito. Existem instituições ligadas ao Estado que contratam seus mediadores através de concurso público, nesses casos as exigências para o cargo podem ser diversas, desde simples ensino médio, até graduação em uma área específica passando por formação técnica em turismo ou experiência no setor de educação não formal e turismo ou arte (variando de acordo com o enfoque da instituição).

  Neste caso do concurso público basta ficar atento ao perfil desejado, ver se enquadra-se e prestar a prova. Contudo essa não é a forma mais comum de contratação de monitores e mediadores. Mesmo em instituições públicas a maior parte desses funcionários tem um caráter de contratação temporária. Muitos são estagiários e outros trabalham em caráter de escala em função do serviço.
   
   Os estagiários são em sua maioria estudantes de graduação ou ensino médio. Nesses casos normalmente a instituição oferece um curso para preparar os interessados em atuar na mediação do museu. É importante ficar atento nos fins e inícios de semestre, quando esses cursos são abertos, normalmente divulgados nos sites das instituições. Muitos deles não tem custo algum, e os melhores candidatos ganham então as vagas para atuar na instituição. Também pode ser requerida que a formação do candidato tenha relação com a área que vá atuar, portanto busque museus e galerias de arte se sua formação é nessa área ou museus e centros de ciência se é da área de exatas.   Como muitas dessas instituições possuem setor educativo que planeja atividades voltadas para o público escolar, pedagogos e licenciados tem mais chances de atuar na área. Algumas instituições possuem monitores de vários níveis, sendo eles com formações diferentes que vão desde o ensino médio até a graduação e experiência específica na área. Vale a pena investir nessa carreira quem gosta de frequentar museus e se relacionar com as pessoas. Como não é regularizado como profissão a remuneração não é tão alta, contudo é um comum primeiro emprego para quem se interessa, pois não exige experiência na maior parte dos casos.    As dificuldades da profissão ficam por conta dos horários de trabalho, podendo ter que atuar frequentemente nos finais de semana e feriados, dias em que essas instituições recebem mais visitantes. No entanto, é um ótimo e agradável local para atuar profissionalmente e desenvolver importantes habilidades, verdadeiramente apaixonante.

Foto: etgandiamaritima.wordpress.com
Fonte do material http://euquerotrabalho.com/como-ser-um-monitor-de-museus.html


 Meus comentarios sobre o texto: Falar que a carreira parece obscura acho enganoso pois a autora mesmo comentou que as pessoas que trabalham como monitor, sao preparados atraves de cursos oferecidos pelo proprio museu. Em minha opiniao, nao sao apenas os museus, como tambem as faculdades com area em licenciaturas (professor) possuem cursos para monitores pois monitor é um tipo de professor.  
  
   Alem da teoria, as pessoas  precisam praticar pois nao há nada melhor que aprender fazendo. Nao são apenas as materias que vao preparar estes profissionais. Conversar com os artistas, curadores ou museologos que organizam a exposição tambem é um tipo de aula que nao deve ser descartada, pois partindo disso, será possivel observar as varias visoes tidas em relaçao a exposição, visoes estas que podem ser complementadas por sua propria interpretação. O proprio objeto exposto tambem  acaba sendo um grande material que está a mao do monitor; basta se atentar a ele. Os proprios quadros e objetos instalados na exposição falam por si ensinando quem trabalha no local. 
  O publico tambem oferece pistas sutis ao monitor de como encaminhar sua visitaçao. Isso porque ele manifesta naturalmente seus interesses em relaçao os objetos e como reage a ele. Tudo depende da atenção, interpretaçao e perspicacia dos educadores/monitores. 


Fonte: http://euquerotrabalho.com/como-ser-um-monitor-de-museus.html



terça-feira, 29 de setembro de 2015

O QUE É HOJE UM MUSEU? DOS OBJETOS AS EXPERIENCIAS (materia em espanhol) parte 3 de 4


El tema de los liderazgos tiene mucha tela por cortar en la Argentina. Así lo analiza Florencia Battiti, crítica de arte, docente y curadora del Parque de la Memoria: "Los museos argentinos están cambiando, de a poco, para mejor. 

Aún tenemos pendiente erradicar una modalidad muy argentina, que tiene que ver con los personalismos que se dan en la dirección de instituciones. Es lamentable ver cómo algunos museos van tomando el carácter o la personalidad de quien los dirige, con narcisismos exacerbados o, en el peor de los casos, con desidia... Afortunadamente están apareciendo profesionales que ponen a la institución en primer lugar, que arman equipos en los que la autoridad y legitimidad se asienta sobre objetivos como la creación de comunidad. De esta manera, los cargos se van renovando, como es lógico, pero a la institución le va quedando para sí el trabajo construido".

  "El museo debe contar una historia relevante para su comunidad. Es donde se da el diálogo entre generaciones. El desafío es repensar su problemática, reimaginarlos. Trabajar en un museo es un placer enorme, pero a la vez produce una gran frustración cuando no hay público y los directores no acompañan los cambios", dice Castilla. "Hay que cambiar la estructura de los museos, como logramos hacerlo en 2007 con el Museo Nacional de Bellas Artes, donde establecimos que el puesto fuera ocupado por concurso, y lo desglosamos en director artístico, director administrativo y consejo asesor. Le dimos la potencia para gestionar, y ningún otro museo lo imitó", dice Castilla, que ahora es organizador del concurso para elegir el nuevo director del museo mayor de la Argentina; según se comenta, podría estar designado antes de las elecciones presidenciales de octubre.

  Integra ese jurado Ticio Escobar, director del Museo del Barro en Paraguay y pensador de estos temas, que señala el fin del museo holístico, el museo-total orientado a explicar y traducir todo el arte de una cultura, una civilización o una etapa histórica. "Los museos contemporáneos tienden a centrarse en recortes particulares. En América Latina, al lado de los grandes museos-templo aparecen los museos de sitio, de la memoria, del territorio; museos de culturas acotadas y cruzadas por otras; museos abiertos a la diversidad cultural y a la especificidad (temporal y espacial) del arte contemporáneo", describe.

En esa línea está el Museo Nacional de Historia y Cultura Afro Americana, otro de los 19 espacios del gigante Smithsonian de Washington, que abrirá a mediados del año próximo. "Es una invitación a que no sigamos trabajando dentro de los mismos modelos, y de los mismos ejes definidos por nación, clase, raza y género. Debemos tener la confianza colectiva de lidiar con cuestiones que son conflictivas, con lo desconocido, con lo que no se ha resuelto", dice Deborah L. Mack, directora de servicios a la comunidad de esa institución.




  

Pesquisar este blog

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...