Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
Mostrando postagens com marcador conceito. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A RELAÇÃO ILUSTRADOR X MERCADO DE TRABALHO

Oi Gente, Boa Noite.

Resolvi tentar ressuscitar o blog e tentar pelo menos voltar a publicar 1 vez por mês, (antes publicava toda semana). Para mim, por postar muito fui achando menos noticias e também cá entre nós, o facebook foi facilitando postagens para publicações nele e tirando as atenções do site, além do que meu trabalho também tirou minhas horas vagas para pesquisa e publicações. Mas deixando o desabafo de lado, vamos lá:

 A Relação do Ilustrador com o Mercado de Trabalho

(retirado do blog da ABRA) 

Como saber se escolhendo a Ilustração como profissão você estará no caminho certo?
Com a chamada “economia criativa” em plena expansão, a nova era do marketing e a popularização do empreendedorismo, em nossa opinião, esta é uma das áreas que definitivamente mais cresce no cenário atual.

Mas, claro que uma decisão importante como esta deve ser muito bem pensada porque afinal falamos de carreira.

O objetivo deste texto é esclarecer alguns pontos da profissão de Ilustrador e certamente vai dar uma luz para você que está pensando em se jogar de vez no mundo dos desenhos e ilustrações.

Partimos então de que para atuar com ilustração, é muito importante (quase que imprescindível) que você saiba desenhar, então, se você ainda não tem esta habilidade desenvolvida, procure aperfeiçoa-la com um curso ou oficinas que, com certeza, fará grande diferença na sua carreira como Ilustrador.

Ao mesmo tempo, a ilustração na sua concepção, não está apoiada apenas no desenho. A Ilustração pode ser representada por qualquer meio visual que ilustre um tema, um assunto, uma história etc.

Designers, fotógrafos, muralistas, entre outros tipos de artistas também são considerados ilustradores, o design e as artes visuais estão totalmente ligados à ilustração.

O Ilustrador é o elemento chave que conecta ideias e as representa em estampas, logotipos, gravuras, ideias e conceitos, apenas utilizando a sua maior habilidade que é criar com intenção.

Seja como fixo em alguma agência de publicidade&propaganda ou como ilustrador freelancer, este profissional pode se desenvolver produzindo desde embalagens, novos produtos, personagens de desenhos, comerciais ou games.

O QUE FAZ UM ILUSTRADOR?
Um ilustrador normalmente pode atuar em várias frentes, então, ele produz identidades visuais de marcas, ilustrações como elementos gráficos, storyboards, concepts de cenários, personagens, realiza pintura digital de imagens, ilustração vetorial, animação 2D, materiais para aulas EAD, fotomontagens, entre outras atividades – tendo como base sempre o desenho.


QUANTO GANHA?
A faixa salarial de um(a) Ilustrador(a) varia de R$ 2.500 a R$10.000,00 dependendo do nível e tempo de atuação do profissional.


PERFIL E CARACTERÍSTICAS DO PROFISSIONAL
Dominar os principais softwares de ilustração e edição de imagens como Adobe Photoshop, Illustrator é fundamental, além disso, deverá dominar a pintura digital, ter noções avançadas de luz e sombra, perspectiva, composição de cena, anatomia, ter flexibilidade de estilos e traços.


Perfis mais avançados já possuem outros aspectos como diferenciais, que envolvem conhecimentos técnicos em edição de vídeo, Motion Graphics, animação 2D e/ou 3D, Flash, web design, experiência na área e portfólio.

Graduação ou curso equivalente na área de Design, ilustração, desenho ou animação, também ajudam bastante na hora de uma colocação profissional.


FONTE: http://www.abraonline.com.br/artigos/ilustracao_mercado_de_trabalho/ 

(Programei postagens para os proximos 3 meses)

Proxima postagem: 07/09 27 Profissões Ligadas ao Desenho





terça-feira, 12 de setembro de 2017

CRONOLOGIA DA ARTE



Boa Tarde, apos muito tempo sem publicar continuamente na terça,(inclusive se tiverem sugestão de assunto estamos ai porque aqui a inspiração esta pequena), hoje volto com uma publicação: cronologia ou linha do tempo na arte. Um dos lados bons de dar aula é o de pesquisar. É ele que te inspira a estar sempre inovando e descobrir coisas novas para tanto para voce mesmo quanto para os alunos. E nisso, procurando maneiras de melhorar o aprendizado da arte, encontrei vários esquemas de linha do tempo da arte que achei bem legal. Aqui estão alguns deles (alguns modificados):

  •  Desenhos sobre movimentos Artísticos:
Assinatura dos artistas                                                           Cachorros pela visao dos artistas
   
Gatos dos artistas


 
Virus na arte

     Dinossauros na arte

            


  • As linhas do tempo que resumem a historia da arte: 
 Era Pré Historica (é assim conhecida porque nao havia nenhuma forma de registro para sua comprovaçao) - Era Pre clássica (a antiguidade e idade media é onde ocorre o desenvolvimento da escrita e esta passa a ser fonte de poder dos poderosos pois apenas eles sabem ler e escrever sendo assim é usadas para catequisar os dominados atraves das imagens criadas pelos vitrais do gotico e mosaicos do bisantino ) -  Era Clássica que foi incentivada pela perspectiva, foi nesta epoca que desencolveram a tinta a oleo -  Era Moderna por causa das guerras que devastaram a Europa e a influencia do surgimento da fotografia os artistas vão buscar influencias externas. As mascaras possibilitaram o surgimento do Cubismo Fovismo e Futurismo), a simplificação e expressão das formas  - Era Contemporânea: Nesta epoca ocorre o desenvolvimento das tecnologias (computador, TV, filmadora) o artista deixa de ter uma classificação (pintor, escultor desenhista) e passa a ser apenas o artista pois desenvolve multiplas linguagens












       Outros movimentos surgidos no pós anos 60 além da  Pop e OP arte: performance, instalação, video arte, etc.
 A arte se aproxima mais da vida havendo um maior contato entre arte e publico.

Vendo estas imagens que estao disponiveis na internet, o conteúdo do ENEM e os meus conhecimentos adquiridos na faculdade, pude montar minha própria linha da arte claro respeitando cada acontecimentos.   

Era
     Pré-história      
Característica: Não existia a escrita
Se dividiu em 2 períodos 


Paleolítico                                       Neolítico
 (Pedra Lascada)                              (Pedra Polida)
         Representaçao apenas de animais                          Surge a figura do homem
          em tamanho e aparencia real                              As imagens são mais abstratas
           Flechas                                                                    desenho geométrico


Antiguidade ou Pré-Clássica
Característica: Surgimento da escrita
letramento através da imagem

P eriodos: Gotico (vitral), Bizantino (mosaico), arte grega e romana


Arte Clássica (1500-1899)
Descobrimento da perspectiva na Arte


Renascimento                                      Barroco                                 Rococó

       Representantes: 4 tartarugas ninja (associação para lembrar)
   Leonardo, Donatello, Michelangelo e Rafael
A arte atinge seu ápice com o desenvolvimento da tinta a óleo que por sua secagem lenta há inovações na pintura.


Arte Moderna (180...-195...)
Revolução Industrial
 
Impressionismo 
 
Descobrimento da Fotografia                           Período das Grandes Guerras
Possibilitando o conhecimento da cor)          (Com a Europa devastada houve a
possibilidade de olhar para os outros povos: África China)                     
                                                     
                                                                    Influencia das Mascaras
                            
 
O contato com a arte não europeia e o objeto mascara, favoreceram o surgimento destas principais escolas:                                                                                                                                                                      Expressionismo,  Fovismo  e Cubismo
                                 alem dos outros ismos
 
          A Apropriação (uso de elementos comuns do cotidiano) e a Colagem surgem no Cubismo


1960
Arte contemporânea

(Evolução dos meios de comunicação de massa)
O artista se torna mais livre, passando por varias técnicas deixando de ser conhecido por pintor ou escultor passando a ser apenas artista.

Ex:Pop Arte     Arte Abstrata    Arte conceitual   Performance  Instalação  Vídeo






terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AFINAL, O QUE É ARTE CONTEMPORANEA? (parte 2)

Continuaçao das respostas de varios pensadores ligadis a area
Marcia Tiburi (doutora em filosofia, escritora e apresentadora de TV)
“Arte contemporânea é um conceito que, a meu ver, vale mais como produto da ‘arte conceitual’ do que como recorte histórico que signifique algo. Na verdade, é uma definição anacrônica, tanto quanto a arte conceitual, que nasceu da crise dos críticos (a morte da crítica, sim, foi pouco avaliada). Também a palavra arte se tornou anacrônica. Ninguém entende de arte, nem de arte conceitual. Nem de conceitos. Não temos, é claro, aparato conceitual que dê conta dos fenômenos. Em outras palavras: ‘arte contemporânea’ é uma definição que usamos vagamente para sinalizar que nas produções atuais vemos algo de arte. Mas não sabemos o que é arte e ficamos a insistir em arte contemporânea por falta de domínio conceitual. Círculo vicioso, sim. Portanto, eu não confio nessa ideia. O povo? Ora, deixemos o povo pra lá que, como o marido, é o último a saber. Mais importante é avaliar que estamos no tempo da performance, do design e do espetáculo. Performance é o que há de mais parecido com o que chamávamos de arte, design com o que envolvia conceitos, espetáculo com o que chamávamos cultura de massa. Enquanto as categorias permanecerem em tensão, nossa cultura tem futuro. Do ponto de vista das formas, o que me interessa hoje é literatura como tal, que não se importa em ser literatura, que cospe nos roteiros de cinema disfarçados de escritura, que vomita no contentamento dos semianalfabetos de alma, que o são também políticos, ou os bem-pensantes; prefiro os insuportáveis, os sem-medo nem limites, quem sabe Lobo Antunes, mas, sobretudo, os pichadores das cidades grandes. Para mim, tudo o que chamamos de arte um dia está nos muros, perturbando a ordem enfeitadinha do nosso circo. Mas não é mais arte, é apenas o que nos faz ver que retornamos ao pó.”

Márcio Harum (pesquisador do grupo Hélio Oiticica e do Programa Ambiental)
“Essa indagação não é nada simples e não tem resposta alguma que satisfaça as pessoas… Enquanto estou aqui pensando, acho que não vou conseguir escapar das reminiscências do credo difundido por Charles Baudelaire (1821-1867): ‘É preciso ser de seu tempo’ (Il faut être de son temps, citação original do pintor Honoré Daumier, 1808-1873). Hoje em dia, o ponto de inflexão comum a todos talvez seja: ‘Preciso ser mesmo do meu tempo, mas que tempos são esses, afinal?’.”

Sônia Alves Dias (formada em artes plásticas, participou do coletivo Vinte e Sete+Um e assina o blog A Letreira)
“Chama-me atenção o fato de vivermos uma fase artística carente de novos talentos individuais. Há uma sensação incômoda no ar, de que no mundo atual uma parte significativa da sociedade se autodenomina artista e, em decorrência desse excesso de pseudotalentos, a arte fica no meio-fio entre o que é permitido e o que é possível e quem são os executores práticos dessas ideias. Não dá para falar em arte contemporânea sem pensar em TV, internet e tantos outros recursos tecnológicos e audiovisuais, que fazem com que as transformações e intervenções da arte em movimento sejam captadas e reinventadas em tempo real. Atualmente, o que mais chama atenção é o campo literário. Pois a quantidade de escritores fantasmas que se revelam através de blogs e comunidades literárias é cada vez maior. No Brasil, inclusive, existem cursos acadêmicos de formação de escritores e agentes literários, onde cada aluno mantém um blog. Essa nova condição de escritor virtual multiplica-se vertiginosamente deixando no ar a pergunta ‘o que esperar da escrita futura feita por escritores formados e formatados?’.”


(...)
Eduardo Senna Boaventura (historiador, artista visual, gestor cultural)
“Como é visível em tudo que foi dizível por diversos autores, arte contemporânea constrói uma divisibilidade, própria das contradições em sermos ‘contemporâneos de nós mesmos’, cuja existência é inexoravelmente contradição em uma história marcada pelo exercício da corrupção. A arte mostrou-se no processo histórico como o melhor dos meios de comunicação para retratar a realidade em que cada autor esteve ou está contextualizado.


Ao lutarmos contra as imagens prontas, os desejos pasteurizados, as conclusões acabadas, não nos opomos aos instrumentos de comunicações dominantes, mas ao domínio dos instrumentos como fórmulas prontas de resultados previstos e testados.
A guerra contra a imagem como instrumento de subversão da realidade não pode se opor à realidade como forma de subversão da imagem, nas quais atuamos como criadores e criaturas.”
Christiana Daisy
“De qualquer modo qualquer coisa é sempre alguma coisa…!


   Algo muito simples, algo muito complexo, algo muito controverso ou talvez contra o verso, o inverso do que se pretende ser? o universo do ser? Como definir arte contemporânea se o próprio termo arte ainda é algo vago, abstrato e intangível. Arte, anti-arte afinal do que se trata? Haja singularidade, pluralidade, imcompletude, polissêmia, o dito e o não dito, o vísivel e o invisível, o tangivel e o intangível …afinal do que se trata?! O que legitima, o que exclui, o que torna a arte mais arte que outra arte? O que torna a arte uma anti-arte ou uma arte qualquer. O que é arte contemporânea afinal? Seria a arte deste tempo, do nosso tempo? Seria a arte com tempo? a arte sem tempo? Porquê arte contemporânea e não arte Extemporânea? Porque arte? Porque perguntar? Porque responder? Porque o confronto? Porque o conflito? Arte é tudo que assim se denomina? Ou tudo o que domina, pre-domina? O instituído, o constituído, o destituído? Afinal oq que é arte contemporanea? A arte que se faz no confronto com a obra, independente de seu estado, de seu estágio, de seu tempo? O que se cria, concebe e denomina? O que se diz arte? o que se sente arte? O que o artista cria, o que o observador casual e o aficcionado entendem do que se cria? Outras criações? Arte afinal o que é? Um valor construido pelo olhar especializado, ou desconstruido pelo olhar despretencioso do olhar comum, do senso-(in)comum? Arte-final, finalizada…obra imcompleta de nosso imaginário. Arte afinal, o que é? Como definir? Porque ~simplesmente “não fruir e usufruir” do que se diz arte, se assim se intitula? Arte que se consuma na fruição, arte que se consome na fruição, arte que consumo, arte com sumo, em suma o que afinal é arte comtemporânea retirados os conceitos, preceitos e preconceitos que embalam, rotulam e lacram e isolam tudo o que não seja arte, ou pelo menos a arte que vemos, a arte que cremos , a arte que acreditamos ver? Algo muito simples, algo muito complexo, algo muito controverso…melhor só indagar, não responder…deixar que a arte se faça em seu confronto com a obra, com o artista, com o público e com o privado…desde que a arte se faça contemporânea, extemporânea ou como queiram!”
Charô (que acredita que meerkats don’t wa-da-tah to the shama cow e assina o blog Artposts da Charô e @acharolastra)
“Definir arte tem como objetivo tolher horizontes. Trata-se de impor limites sócio-culturais, financeiros e políticos à expressão humana. Ainda assim, diria que arte pode ser encontrada em tudo o que é concebido, interpretado ou entendido como arte. Mas isso seria perda de tempo.”


Daniel Brazil (roteirista e diretor de TV e assina o blog Fósforo)
“O velho conceito dicionarizado de arte ainda resiste: arte é tudo aquilo feito pelo homem com intenção de provocar uma emoção de ordem estética.


Mudaram os suportes, os contextos, as técnicas, mas não mudou a intenção primordial. No limite, se relativizou. Sensações como o tédio, o desconforto, a irritação e a mera curiosidade ganharam status de emoção estética. Sintoma de contemporaneidade.”

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

AFINAL, O QUE É ARTE CONTEMPORANEA? parte 1

SE a pergunta o que é arte ja nos aflinge tanto imagine o que arte contemporane. Nao me pergunte pois ate hoje estou na primeira pergunta e ainda custo a entender mesmo gostando pois muita das coisas nao precisa entender pra gostar, basta sentir ne? Este é um artigo com varias opinioes para escolherem a sua

Afinal, o que é arte contemporânea?

Micheliny Verunchk
Decifra-me ou te devoro. É o que parece dizer a arte contemporânea a qualquer pobre mortal que ousa encará-la. Filha do desencanto e das tensões advindos do instável século XX, surge representando uma ruptura com o que, até então, se chamava arte moderna.
Como a esfinge, que aqui lhe serve de metáfora, a arte contemporânea nasceu, sobretudo, questionadora, amante da polêmica. Não lhe interessavam os velhos moldes, o cânone, o sentido tradicional da beleza. No entanto, denunciam alguns, e atualmente tem se rendido a um mercado cada vez mais manipulador e caracterizado por cifras estratosféricas.
Oscilando entre a incompreensão e os julgamentos de valor traduzidos em questões sobre sua utilidade e autenticidade, é alvo de discussões apaixonadas. Assim, a Continuum convidou algumas pessoas a responder ao enigma: O que é arte contemporânea?
Affonso Romano de Sant’anna (poeta, ensaísta e professor)
“A expressão ‘arte contemporânea’ é muito precária, não resiste a uma análise. Não se pode considerá-la sem investigar outra expressão igualmente confusa: ‘pós-modernidade’. Isso, de maneira geral, caracteriza muito do que se fez nos últimos 40 anos. Tem muita bobagem teórica e prática para ser revista. Cito alguns tabus. Veja John Cage – tinha algum talento e perdeu-se no histrionismo. Veja Duchamp, mal lido e mal interpretado há 100 anos. Continuo insistindo: temos que passar o século XX a limpo, não para voltar ao XIX, mas para equacionar os equívocos de nossa geração. Uma das tolices de nossa época foi achar que a ‘modernidade’ era o topo da história. Como se diz, ‘pretensão e água benta cada um toma quanto quer’. ”

Ana Mae Barbosa (doutora em arte-educação e professora)
“Não dá para resumir a arte contemporânea numa só característica, pois a pluralidade domina nosso tempo. Assim, podemos apreendê-la pela seguinte série de qualidades:
– consciência da morte da autonomia da obra ou do campo de sentido da arte em prol da contextualização.
– metalinguagem: reflexão sobre a própria arte.
– incorporação de matrizes populares na arte erudita.
– preocupação em instaurar um diálogo com o público e levá-lo a pensar.
– tendência ao comentário social.
– ‘interritorialidade’ das diversas linguagens.
– tecnologias digitais substituindo a vanguarda.
O que mais me tem chamado atenção é a confirmação do comentário de Arthur Danto, de que sob a designação de arte contemporânea temos muitas vezes a continuação da arte moderna. Isso é verdade especialmente no Brasil, que é muito apegado ao modernismo.”

Dalva Soares Bolognini (especialista em cultura popular)
“Arte contemporânea é toda expressão artística que revela, em traços ou por inteiro, a atualidade da vida social – local ou mundial. Assim, cada momento da sociedade, cada mudança visível de um grupo social, pode ser representado e percebido nos seus vários suportes. Historicamente esse tempo social é geralmente longo, suficiente para gerar um movimento artístico. Gostaria de mencionar que, no final da Segunda Guerra Mundial, os automóveis americanos, pesados e quase sempre pretos, que haviam cedido seu lugar nas fábricas para os veículos bélicos, ressurgiram enormes e coloridos, como a sinalizar um tempo de bonança e felicidade plena, onde o espaço era primordial.”

Ivôn Rabelo (mestrando em literatura e interculturalidade pela Universidade Estadual da Paraíba)
“O dizer sobre arte, em si, já é algo complicado. Mas carrega algo de simplório, pois qualquer tentativa de expressão que condense os conhecimentos acumulados pela humanidade, e, além disso, os saiba traduzir como manifestação simbólica, deve ser alçada ao posto de discurso sacralizado. A arte na contemporaneidade não foi vanguarda, mas torna-se agora, em nossa pós-contemporaneidade: um atributo da velocidade com que (es)corre a areia fina da ampulheta do século XXI, passagem instantânea que a deixa (es)correndo pelas frestas da litania [ladainha] de paz e paciência pela qual oramos diariamente nessa grande sala babélica de exibições em que se transformou a internet, a TV digital, a parafernália musical, audiovisual e literária das celebridades instantâneas de Warhol. Nada precisa fazer ou dizer fazer um sentido, mas, sim, vários (além dos triviais e exauridos cinco que desde sempre disseram que possuímos), em qualquer forma de expressão dita artística, pós-contemporaneamente falando. É essencial que nos remeta ao mais pré-histórico dos intentos: uma tentativa de união com um algo dito sagrado. Ou até mesmo perfeita e convincentemente profano. Mas que seja sacro, e não um saco!”


Parte 1. O texto continua semana que vem com o link de referencia

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A ARTE E O ABSTRACIONISMO (Parte 3 final)

Tentativa de definição

Na experiência, do ponto de vista da relação com os objetos, o abstracionismo dá conta do possível distanciamento psíquico que sente o artista em sua produção, do temor, da constante intenção de transcendência ao fluxo do real. Coloca-se, desta forma, em oposição ao naturalismo, cuja base na experiência psíquica dá-se pela aproximação com o objeto, à empatia, ao envolvimento.
Ao chamarmos o abstracionismo uma categoria, não significa que ele se identifique com a definição kantiana do a priori puro. O abstracionismo não é uma forma dada anteriormente, sobre a qual é possível meditar-se sem qualquer relação ao real. Depende, ao contrário, inteiramente de um contato com o mundo da experiência; forja-se, o abstracionismo, diretamente sobre a vivência humana.
Por outro lado, não há coincidência entre o abstracionismo como categoria estética e o progressivo distanciamento entre o sensível e o racional, formulado por Hegel. Primeiro porque esta categoria abstrata é uma forma dada já na apreensão do objeto, portanto não necessariamente distante do sensível. Segundo, porque o distanciamento do real na experiência faz-se não em direção a uma análise (racional), logocêntrica, mas em direção à uma síntese plástica.

O abstracionismo e o estilo

Ao retornarmos à questão do estilo, após esta colocação do abstracionismo como uma categoria estética, é possível obter muitas luzes na análise das obras de arte. Diversamente de agrupar as obras apenas enquanto tem esta ou aquela aparência, pode-se buscar uma abordagem mais profunda, que saliente as raízes destes estilos na experiência vivencial com que foram produzidos.
É possível entender certas "anomalias" estilísticas, que ficariam não compreendidas se apelássemos para distinções superficiais. O estilo pontilhista, por exemplo, que superficialmente é figurativo, tem a abstração como concepção estética produtora. Contrariamente, a catedral gótica, que é abstrata na aparência e na construção, exige uma aproximação estética empática. Estes exemplos mostram como as categorias podem se relacionar complexamente com os estilos.
Por outro lado, é possível compreender o verdadeiro lugar do surgimento da abstração contemporânea: ao invés de apenas um modismo, como muitas vezes tem sido encarada por artistas e críticos, a abstração vem dar resposta às novas formas de experiência trazidas pela Revolução Industrial e pela Revolução da Informação.


Fonte: http://www.auladearte.com.br/galeria/abstracionismo.htm#ixzz3rJnHFoNI 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A ARTE E O ABSTRACIONISMO (PARTE 2)

Abstração e estética

Se tomarmos o estilo abstrato, entretanto, no seu aspecto positivo na modernidade, desenvolvido principalmente pelos abstracionistas formais, e que consistia em uma resposta aos (então) novos contextos sociais, então é possível situar e entender não somente a arte abstrata contemporânea, como delimitar a verdadeira esfera do abstracionismo inerente à arte.
Não tomaremos o abstracionismo apenas enquanto um estilo artístico, entre outros, mas relacionaremos o abstracionismo à experiência vivencial, não só no tempo presente mas no passado também. A própria constatação de que o abstracionismo surge como estilo em diversos períodos históricos, leva-nos a supor que as suas características são muito mais gerais que particulares, muito mais comuns a vários períodos que restritas a este ou aquele específico.
A tese que se coloca é a de que o abstracionismo é, na verdade, uma autêntica categoria de experiência estética. O abstracionismo seria uma forma de experiência, qual seja, uma maneira que tem o sujeito de experimentar o real.
Se concordamos em que, genericamente, nosso trânsito com o real dá-se na experiência, ou por aproximação ou por distanciamento (não físico, mas psíquico), então podemos situar o abstracionismo como uma categoria estética. Se por aproximação entendermos toda forma de experiência que se constitua pela empatia com o objeto, então distanciamento seria toda forma de experiência que visa a um deslocamento, a uma transcendência dos objetos.
A categoria abstrata, em arte, seria caracterizada pela representação que não tivesse, por experiência psíquica, uma necessidade de apropriação ou envolvimento com objetos particulares. Essa categoria abstrata buscaria, pelo distanciamento ao real, uma universalização da linguagem artística.
É possível perceber, mesmo ainda sem exemplos ilustrativos de obras de arte, que essa categoria abstracionista seria uma descrição, particularizada na experiência estética artística, do processo abstrativo geral da cultura, que, em um amplo quadro histórico, conduziu às formulações de uma religião transcendental monoteísta em oposição aos mitos animistas anteriores, a um processo de investigação pelo pensamento em oposição às práticas mágicas anteriores, etc.
continuaçao 15/12

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A ARTE EO ABSTRACIONISMO (parte 1 de 3)

A ARTE EO ABSTRACIONISMO
JOÃO WERNER, autor
   A arte abstrata é uma grande polêmica entre artistas, críticos e historiadores. A questão de saber o que é abstracionismo, como pode ser apreendido esteticamente, ou, até mesmo, se pode o abstracionismo serartístico, foi central em inúmeros debates.
   A arte abstrata pode ser pensada como um estilo, entre outros diversos, dentro da história da arte. Como estilo, foi retomada a partir da modernidade inicialmente com cubistas e futuristas, disseminando-se, a partir de então, em diversas outras tendências artísticas, ora formais, que prezam a articulação inerente à obra, ora informais, cuja intenção é a desarticulação interna da obra.
   Como abstracionistas formais teríamos o Neoplasticismo, a Arte Concreta, a Minimal Art, etc. Como exemplos do abstracionismo informal temos a Action Painting, o Tachismo, o Neo-Expressionismo etc.
   A retomada do estilo abstrato nos primeiros anos do século, teve uma dupla origem. Por um lado, foi fruto das novas experiências estéticas exigidas pela modernidade econômica e social na Europa. Por outro lado, o estilo abstrato foi retomado porque prestava-se, como "novidade", às intenções vanguardistas de alguns movimentos artísticos.
   Neste segundo sentido, vanguardista, a arte abstrata foi retomada porque representava, para a época, um "estar à frente do tempo". Dado que, desde antes da Renascença, nenhuma tradição artística européia podia assumir ser a origem do abstracionismo artístico, este estilo dava a nítida impressão a todos de umaruptura com aquelas tradições.
   Esta intenção de colocar o abstracionismo no epicentro de um movimento social e político de ruptura, especialmente levado a cabo por abstracionistas informais, revelou-se despropositada.
   Como estilo artístico, o abstracionismo é quase tão antigo no tempo como a sua antítese, o naturalismo. Se, na pré-história, toda a arte do período paleolítico foi de um naturalismo vigoroso, no neolítico, ao contrário, a linguagem artística usual era o abstracionismo.
    Nos desenhos rupestres neolíticos, no uso das técnicas da cestaria ou da cerâmica, está atestada uma origem para o estilo abstrato. Cai por terra a idéia de uma "novidade" no ressurgimento do estilo abstrato na modernidade.
Continuaçao dia 8/12


terça-feira, 17 de novembro de 2015

ARTE CONTEMPORANEA

ARTE CONTEMPORANEA

Almandrade, autor

    Quando se fala em "arte contemporânea" não é para designar tudo o que é produzido no momento, e sim aquilo que nos propõe um pensamento sobre a própria arte ou uma análise crítica da prática visual. Como dispositivo de pensamento, a arte interroga e atribui novos significados ao se apropriar de imagens, não só as que fazem parte da historia da arte, mas também as que habitam o cotidiano. O belo contemporâneo não busca mais o novo, nem o espanto, como as vanguardas da primeira metade deste século: propõe o estranhamento ou o questionamento da linguagem e sua leitura.
     Geralmente, o artista de vanguarda tinha a necessidade de experimentar técnicas e metodologias, com o objetivo de criar novidades e se colocar à frente do progresso tecnológico. Hoje, fala-se até em ausência do "novo", num retorno à tradição. O artista contemporâneo tem outra mentalidade, a marca de sua arte não é mais a novidade moderna, mesmo a experimentação de técnicas e instrumentos novos visa a produção de outros significados. Diante da importância da imagem no mundo que estamos vivendo, tornou-se necessário para a contemporaneidade insinuar uma critica da imagem. O artista reprocessa linguagens aprofundando a sua pesquisa e sua poética. Ele tem à sua disposição como instrumental de trabalho, um conjunto de imagens. A arte passou a ocupar o espaço da invenção e da crítica de si mesmo.
    As novas tecnologias para a arte contemporânea não significam o fim, mas um meio à disposição da liberdade do artista, que se somam às técnicas e aos suportes tradicionais, para questionar o próprio visível, alterar a percepção, propor um enigma e não mais uma visão pronta do mundo. O trabalho do artista passa a exigir também do espectador uma determinada atenção, um olhar que pensa. Um vídeo, uma performance ou uma instalação não é mais contemporâneo do que uma litogravura ou uma pintura. A atualidade da arte é colocada em outra perspectiva. O pintor contemporâneo sabe que ele pinta mais sobre uma tela virgem, e é indispensável saber ver o que está atrás do branco: uma história. O que vai determinar a contemporaneidade é a qualidade da linguagem, o uso preciso do meio para expressar uma idéia, onde pesa experiência e informação. Não é simplesmente o manuseio do pincel ou do computador que vai qualificar a atualidade de uma obra de arte.
   Nem sempre as linguagens coerentes com o conhecimento de nosso tempo são as realizadas com as tecnologias mais avançadas. Acontece, muitas vezes, que os significados da arte atual se manifestam nas técnicas aparentemente «acadêmicas». Diante da tecnologia a arte reconhece os novos instrumentos de experimentar a linguagem, mas os instrumentos e suportes tradicionais estão sempre nos surpreendendo, quando inventam imagens que atraem o pensamento e o sentimento.
     Mas em que consiste essencialmente a arte contemporânea? Ou melhor: qual o segredo da arte na atualidade? Pode parecer um problema de literatura ou de filosofia. - É muito mais uma questão de ética do que de estilo, para se inventar com a arte uma reflexão. Não existem estilos ou movimentos como as vanguardas que fizeram a modernidade. O que há é uma pluralidade de estilos, de linguagens, contraditórios e independentes, convivendo em paralelo, porque a arte contemporânea não é o lugar da afirmação de verdades absolutas.
Almandrade, autor
Artista plástico, poeta, arquiteto

Fonte: http://www.auladearte.com.br/galeria/almandrade.htm#ixzz3rJgzzPc5 
Proximas postagens : Interatividade nos museus e as 3 partes de: A Arte e o abstracionismo de JOÃO WERNER


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