Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
Mostrando postagens com marcador escolhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escolhas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O DESCASO PELA ARTE (parte 2)

  Continuando o texto da semana passada...
 
Há um desinteresse geral pela cultura que ocupa um lugar cada vez menos importante nos discursos do cotidiano. Para ser artista, antes de mais nada, é preciso um tráfego de influências pessoais, acesso à mídia e aos patrocinadores, que fazem da arte um produto incapaz de atribuir um sentido à existência da sociedade. E quem realmente patrocina a arte? – "Os contribuintes pagam aquilo que as empresas recuperam através de isenções fiscais pelas suas doações, e somos nós que verdadeiramente subvencionamos a propaganda." (Hans Haacke). Numa sociedade comandada pela economia, tudo se resume à lei da oferta e da procura.
A arte, burocraticamente falando, é mais uma imagem carente de sentido que divulga um certo prestígio social e econômico, e menos um meio de conhecimento indispensável para o homem contemplar o mundo. Se a obra de arte é expressão de uma sociedade, testemunho de um tempo, de um estágio de conhecimento, renunciar à sua inteligibilidade é renunciar à história.
A política, por sua vez, apropriou-se da cultura e fez dela um verniz para animar ou dar um polimento ao discurso político. A arte perdeu sua inocência, ela agora é objeto do mercado, do Estado e de outras instituições que desconhecem seus mecanismos de produção e sua história. Se os partidos políticos que falam de cultura em seus programas de campanha querem fazer alguma coisa pela cultura, não deveriam fazer coisa alguma, e sim, devolverem aos intelectuais, aos artistas, a quem trabalha diretamente com a cultura, o poder de decisão e o comando do processo cultural. É preciso devolver à arte seu território perdido.
Quem atualmente exerce o poder sobre o destino dos bens culturais, trabalha, direta ou indiretamente para o mercado, ou é burocrata de carreira que pouco entende das linguagens artísticas e suas leituras. Acabam desprezando os seus valores a serviço do senso comum. Muitas instituições que lidam com a arte, sem recursos econômicos e sem um corpo técnico ligado à área, perderam a importância e a autonomia, quando não são agências de eventos irregulares sem um projeto definido. A mídia dominou a cultura e o artista deixou de lado a indagação da linguagem da arte, abandonou a solidão do atelier, para se tornar um personagem público do teatro social. E a proliferação de um produto designado como arte e do discurso estético, sem a arte, pode significar o desaparecimento da própria arte.
Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O DESCASO PELA ARTE (parte 1)

     O texto foi dividido em duas partes e é bastante critico, pois comenta como a arte e as politicas culturas sao vistas pelos governantes...

 DESCASO PELA ARTE

"Olá pessoal,
compartilhamos um texto escrito
pelo Almandrade.
Agradecemos a gentileza
e desejamos boa leitura a todos!!"


"Na época atual, a fatalidade de toda e qualquer arte é ser contaminada pela inverdade da totalidade dominadora."

Theodor W. Adorno
   A arte como um trabalho intelectual, que amplia a experiência que o homem tem do real e do imaginário, se opõe ao trabalho alienante da sociedade moderna. Por outro lado, no meio de arte convivem compromissos e interesses alheios à própria arte; suas condições de produção se encontram dentro de um campo social e político, sujeito a um conjunto de pressões. O Estado, os patrocinadores e o mercado, visando interesses imediatos, privilegiam, muitas vezes, artistas cujas obras pouco acrescentam ao mundo da inteligência.

No espetáculo montado pela política, tudo se confunde, tudo passa pela ideologia do poder e pela estética do espetáculo, como a educação, a economia, a ecologia e os discursos políticos. Nesse palco, a cultura foi relegada a uma coisa mundana, uma espécie de conhecimento ornamental que serve à mídia e ao jogo social; a arte perdeu sua singularidade e suas qualidades que a colocavam acima das banalidades do cotidiano, deixando de ser o olhar que interroga, que transforma cores, texturas, formas, experiências sensoriais em meio de conhecimento. Nesta relação cultura e poder, insere-se a "crise da arte", onde o poder tem prevalecido diante da pesquisa estética.

Enquanto trabalhos que têm alguma importância pela pesquisa neles investidos, passam despercebidos trabalhos diluidores da informação, reproduções de clichês divulgados pela mídia são celebrados pelos consumidores de decorações e divertimentos culturais. Uma sociedade sem demandas culturais acaba fazendo da arte uma atividade menor. O cotidiano da política e da economia faz o discurso que se infiltra em todos os espaços, expulsando a cultura para a periferia dos interesses da cidadania. Os artistas, que mesmo sem construírem uma obra, tem os seus reconhecimentos garantidos pela indústria da publicidade, se sobrepõem àqueles que têm uma vida dedicada à pesquisa e ao trabalho de edificar uma linguagem, contribuindo para a demolição da ética e do pensamento crítico.

Sem uma consciência crítica e sem uma convicção ética, artistas, críticos, intelectuais, administradores culturais inventados pela mídia e pelo poder político tomam posição e decidem contra a autonomia e a independência do trabalho de arte. Promovem e divulgam os bens culturais em proveito próprio, para se sustentarem de forma privilegiada numa relação de poder. – Nada mais paradoxal, por exemplo, do que essas leis de incentivo a cultura. Por que incentivar a cultura se ela é um componente essencial para o enriquecimento da sociedade? Antes de ser uma questão de lei, a cultura é uma questão de sensibilidade e de cidadania.
(PArte 1)
 
Continua na semana que vem. Para ver o texto todo clique aqui: http://repensandomuseus.blogspot.com.br/2014/11/o-descaso-pela-arte_18.html?spref=fb
 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A CULTURA É INULTIL, FELIZMENTE, por Juan Peces

   Artes, Filosofia, Dança, artesanato... Nao interpretem mal gente, a inutilidade ai se da no caso de ela (a cultura)despertar aquela pergunta "mas voce faz o que para viver" ou seja, cultura enriquece a pessoa intelectualmente porem nem sempre é rentavel e tem que gostar mesmo para se sobressair a tantas criticas e dificuldades. Leiam que o texto é interessante. E ainda bem mesmo que ela é inutil!!! :)

A cultura é inútil, felizmente, por Juan Peces

              Uma imagem composta para representar a leitura e a cultura em geral como um refúgio. 

Uma imagem composta para representar a leitura e a cultura em geral como um refúgio.

   O noticiário policial de 26 de dezembro de 2013 em Paris relata que um escritor desesperado, farto de instituições indiferentes à sua paixão pela cultura, arremessou seu carro contra os portões gradeados do Palácio do Eliseu. O motorista, Attilio Maggiulli, não pôde suportar o que considerava um desprezo oficial ao projeto da sua vida, o Théâtre de la Comédie Italiénne – que perdeu quase 50% de financiamento público em três anos –, e não encontrou melhor maneira de apresentar suas queixas do que carimbar sua indignação contra a residência oficial da presidência da República Francesa.

   Até aqui tem-se o resumo da história de Maggiulli. A notícia remete, no entanto, à história de outro escritor indignado, o professor italiano Nuccio Ordine* (nascido em Diamante, região da Calábria, daí o nome Diamante Ordine em sua certidão de batismo). Com personagens iguais ou parecidos – uma cultura apunhalada, uma educação asfixiada e um povo adormecido –, Ordine, de 55 anos, preferiu usar a palavra para atacar a ignorância das instituições e alertar sobre seus efeitos para a cidadania. Se deixarmos que nos roubem o legado de nossos antepassados e que se mutile o conhecimento, alerta, não apenas deixaremos de ser pessoas cultas, como também todas as gerações futuras deixarão de ser pessoas em sentido estrito.

    O veículo usado por Ordine para seu grito profético é o manifesto chamado L’utilità dell’inutile (“A utilidade do inútil”, sem tradução no Brasil).(...)
   
   O filósofo italiano Nuccio Ordine. / EFEA tese central do livro pode ser resumida na ideia de que a literatura, a filosofia e outros conhecimentos humanísticos e científicos, longe de serem inúteis – como se poderia deduzir por seu progressivo isolamento nos planos educacionais e nos orçamentos ministeriais –, são imprescindíveis. 

“O fato de [tais conhecimentos] serem imunes a qualquer expectativa de benefício” representa, segundo o autor, “uma forma de resistência aos egoísmos do presente, um antídoto contra a barbárie do útil, que chegou a corromper inclusive nossas relações sociais e nossos afetos íntimos”.


O filósofo  italiano Nuccio Ordine./  EFE

Como em um coro grego, Nuccio Ordine monta uma defesa do conhecimento apoiando-se nos autores que o precederam em sua empreitada. Dante, Petrarca, (...), Hugo, Montaigne… Eles são recrutados e contextualizados para mostrar “o peso ilusório da posse e seus efeitos devastadores sobre a dignitas hominis, o amor e a verdade”.

Por que este livro? “Há 24 anos venho tentando convencer meus alunos de que não se frequenta a universidade para obter um diploma, mas para tentarmos ser melhores, isto é, para aprendermos a raciocinar de forma independente.” Para Ordine, a transmissão do amor pelo conhecimento é um esporte de combate. E isso implica desmontar algumas ideias materialistas difundidas pelo sistema capitalista. “As pessoas pensam que a felicidade é um produto do dinheiro. Estão enganadas!”, afirma.

Tal pretensão já se estendeu para todos os âmbitos. “O utilitarismo invadiu espaços aonde nunca deveria ter entrado, como as instituições educativas”, denuncia o professor. E alerta: “Quando se reduz o orçamento para as universidades, escolas, teatros, pesquisas arqueológicas e bibliotecas, a excelência de um país está sendo diminuída, eliminando qualquer possibilidade de formar toda uma geração”.

O autor também se apoia em um discurso de Victor Hugo – em 1848! – diante da própria Assembleia Constituinte da França, onde o escritor pronunciou estas palavras: “As reduções propostas no orçamento especial das ciências, das letras e das artes são duplamente perversas. São insignificantes do ponto de vista financeiro, e nocivas de todos os outros pontos de vista”. Ordine diz que, ao ler esse discurso, deu um pulo até o teto e se apropriou das teses de Hugo ao afirmar (exclamar, na verdade) que “nas épocas de crise é que se deve dobrar o orçamento para a cultura!”.

O manifesto inclui também um texto premonitório de Abraham Flexner, publicado em 1939, que prega a importância da ciência. “Queria que ficasse claro que a defesa do inútil [o que não é ligado ao objetivo de lucro] não diz respeito somente a escritores e humanistas, mas é uma luta que também preocupa os cientistas”, explica Ordine. “O Estado não pode renunciar à ciência básica [por causa dos benefícios advindos]; por isso escrevi um capítulo dedicado às universidades entendidas como empresas.”

A Utilidade do Inútil não é apenas uma série de argumentos contra a tendência ao utilitarismo ou o “comércio satânico” (Baudelaire): é também um manual para superar o que o autor do livro chama de “o inverno da consciência” e para lembrar, com Montaigne, que “é o desfrutar, não o possuir, que nos faz felizes”.

*Nuccio Ordine é filósofo e professor de literatura italiana da Universidade da Calábria. Lecionou na Universidade Yale, na Universidade de Nova York, na Sorbonne (Paris) e no Instituto Warburg (Londres). Desde 2012, é cavaleiro da Legião de Honra francesa. A Utilidade do Inútil é o seu mais recente ensaio.

Fonte: El País

http://defender.org.br/artigos/a-cultura-e-inutil-felizmente-por-juan-peces/

 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O PARADOXO POR DETRAS DA ARTE

   No texto postado da semana anterior que tem como tema "A arte tambem se constroi com a troca" gera um grande paradoxo em torno do assunto que é tratado e que pode bem polemico. Se a arte tambem se faz com a troca, por que o egoismo impera tanto por parte de seus integrantes fazendo que sejem tão isolados entre si? Esta caracteristica não se limita apenas a arte como tambem as areas que exigem criatividade, subjetivas e exploradoras do novo e da melhoria.
     Este questionamento que faço não é somente meu, ele acompanha muitos alunos durante a faculdade e pessoas inexperientes. É claro que existem excessões, entretanto se olharmos atentamente, o que predomina nesta area é o famoso grupinho de amigos, guerra de profissionais do mesmo ramo e o estrelismo (ate mesmo professores que deviam trocar conhecimento com os alunos fica ocultando informações). Contraditoriamente, estes profissionais chegam a dizer que querem ou comentam sobre a importancia de se realizar troca de tecnicas e experiencias. Isto nao é estranho?!
     E o que se pode fazer quanto a isso? Sinceramente, nao sei. Alguem sabe? Por outro lado, estes metodos sao ocultados para a preservação do trabalho, para que ele nao seja imitado ou ainda nao seja usado de maneira errada por leigos que podem deturpar o trabalho ou o profissional do ramos.

proxima Postagem 11/02 com o testo "Sobre o novo na arte" sobre a criação  

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

MINHA ESCOLHA DE ESTUDAR ARTE e o CURSO TECNICO EM CONSERVAÇAO e RESTAURO DE BENS

  O tópico de hoje é para falar como cheguei a estas duas formações: Artes Plasticas/Visuais que tanto amo e o tecnico em  Conservação e Restauração de bens móveis que descobri e aprendi a gostar quando fiz o curso.

      Artes Plasticas:

   Falar sobre as artes plásticas é fácil, pois toda criança que frequenta a escola já descobre o lápis e as cores bem cedo e isso pelo jeito me encantou e me influenciou na minha escolha. Eu cresci com livros infantis/ilustrados (minha mãe sempre nos deu livros e nos incentivou a ler; que é minha outra paixão).
     Foi vendo estes livros que comecei a prestar atenção nas imagens e depois passei a copia-las apenas olhando. Porem não sabia que existia a profissão artista até os 10 ou 12 anos de idade já que na minha infância as aulas de arte eram mais ligadas as formas e não para conhecer artistas e suas obras.
     Tomei minha decisão de se tornar artista quando vi, em uma revista de curso a distancia, o curso de desenho e pintura. A partir de então não tirei mais esta ideia de ser desenhista da cabeça, pois desenho para mim era transformador; capaz de mudar o mundo. Tanto que isso me levou a formar em Artes Plásticas na área bidimensional (desenho, pintura, gravura e desenho gráfico).
     Mesmo tendo esta certeza do que eu queria, ainda sim no 2º período do curso tive uma crise de me achar incapaz para o curso (o que não mudou muito pois até hoje) ao ponto de querer mudar de faculdade porem nenhuma outra me satisfazia tanto quanto a artes e continuei.

    Conservação e Restauração em Bens Moveis

     Já falar sobre restauração é bem estranho pois no meu curso de artes sempre haviam alunos apaixonado por arquitetura, construções, coisas antigas e restauração lembra muito isso e eu não conseguia entender este gosto. Para mim, não tinha graça nenhuma visitar museu de moveis, ver casas (eu era preconceituosa mesmo neste assunto). Ao meu ver museu interessante era só de telas, escultura e gravuras.
      Então após um tempo de formada e como sempre desesperada por não exercer minha profissão e não ter emprego, minha mãe quem diria (apegada e superprotetora como ela é) me "expulsou" de casa: Ela viu na propaganda que uma Fundação de arte (700 Km de distancia de onde morava) iria abrir vagas de seleção para restauração e ficou mais empolgada que eu. Quando vi a grade do curso, achei muito interessante as matérias ligadas a arte e teóricas pois elas complementavam o que eu não tive no meu curso anterior.
    Aceitei o desafio de sair pela primeira vez de casa, conhecer o novo!  Fiz o curso, cresci tanto como pessoa quanto estudante, prendi a mudar o meu olhar para o antigo, me interessei  em conhecer Igrejas e a  prestar atenção nos santos, dos quais não sabia nada, pois não tenho religião e não gosto do assuntos.
    Agora é diferente, você aprender sobre o significado de cada imagem para a religião ate porque a maioria dos símbolos religiosos já existiam antes da própria igreja, ela que os tomou para si e lhes deu um sentido melhor que lhe interessava. Para conviver com o sacro, basta  observar  tudo pelo lado estético/tecnico e não religioso e assim consigo sair bem das situações alem de aprender um pouco sobre cada coisa.
   Bem, este foi o tópico de hoje, quando eu tiver mais ideia do que escrever volto a postar aqui e se tiverem sugestão também ...
                                                                                             Obrigada e Ate mais

Proxima Postagem dia 14/12 "Quem faz arte e porque necessitamos dela?"

Pesquisar este blog

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...