Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
Mostrando postagens com marcador contemporaneo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contemporaneo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

APRENDA COMO APRECIAR A ARTE CONTEMPORANEA

Ola pessoal, primeiramente Feliz ano novo. Aqui esta o primeiro post do ano fresquinho e copiado integramente. Espero que gostem!!!

 Aprenda como apreciar a arte contemporânea


"Olá, leitores do Canal do Ensino!
Gostar de arte é uma questão de opinião, certo? Será? Será que você sabe como apreciar uma obra de arte, principalmente em se tratando de arte contemporânea? Este artigo é para você parar para pensar e, até mesmo, aprendercomo apreciar a arte contemporânea.
Obras de arte contemporânea, mesmo sendo estas figurativas, podem parecer abstratas aos olhos da maioria dos observadores. Além disso, a arte moderna é frequentemente taxada de “desenho de criança” quando o espectador se depara, por exemplo, com uma série de rabiscos ou manchas coloridas.

Evolução da arte

A arte é uma grande incompreendida e o artista, na maior parte das vezes, é taxado de excêntrico ou gênio, sendo a sociedade no geral bastante complacente com suas atitudes, sem nunca levá-los realmente a sério fora de seu campo de trabalho.
É importante notar que o artista na Antiguidade e Idade Média, era valorizado por suas habilidades manuais – aí entendemos o motivo pelo qual no grego antigo, a palavra téchne (“técnica” ou “ofício”) era o mais próximo na língua para designar o temo “arte”. Porém, a ideia de gênio criador, veio somente com a Renascença e a Idade Moderna. A noção de “artista maldito” – aquele sofredor depressivo que através desse fundo de poço e seu dom genial cria grandes obras – se popularizou após Van Gogh que teve um fim trágico, além de cortar a própria orelha.

As obras de arte

A artista plástica e historiadora Aline Pascholati publicou um artigo no site Literatorturano qual ela fala como é o processo de apreciação da arte.
Segundo Aline, quando, por exemplo, pensamos nas mais “recentes” formas de arte, da arte conceitual (que como o nome diz, é o conceito antes de tudo) até as mais tecnológicas e inusitadas (vídeo arte, performance e instalação), a percepção do público leigo é ainda pior, a não ser que se trate de algo interativo, legal e bonitinho.
Aí entra algo fundamental para apreciação da arte: o conhecimento, aliado à observação e à reflexão. É claro que existem obras que devem apenas ser sentidas, ou artistas não muito sérios que jogam algo na tela com o único intuito de ganhar dinheiro, mas isso já é outra história, que não caracteriza necessariamente e exclusivamente a grande maioria dos casos.
É mais fácil admirar e apreciar uma arte bela ou que ostenta alta qualidade técnica, reproduzindo o mundo de maneira “perfeita”. Quando é preciso verdadeiramente refletir para entender uma obra e suas referências, é bastante difícil fazê-lo sem possuir as ferramentas intelectuais necessárias, além de que o ser humano, por natureza, tende a lei do mínimo esforço, com a ideia quase inconsciente de que “pensar dá preguiça”.

Como apreciar uma obra de arte

Aline Pascholati diz que um ponto de extrema importância é que nós não somos educados e treinados a refletir frente a uma obra de arte. E isso é uma característica do Brasil. Em diversos países da Europa, principalmente no caso da França, as crianças entram desde cedo em contato com a arte – até mesmo a contemporânea.
Aline conta que já presenciou diversas vezes no Museu do Louvre, em Paris, professores e alunos, com menos de dez anos de idade, frente àquelas imensas pinturas a óleo. E antes de “explicar” a obras, o mestre pedia que as crianças dissessem o que pensavam e o que sentiam enquanto observavam. E nesse meio ia explicando sobre a arte.
A artista ainda diz que sente falta aqui no Brasil de um treino da simples reflexão, através da qual podemos penetrar em pelo menos parte da obra. Sobretudo no mundo da arte contemporânea, essa reflexão é extremamente importante, pois, apesar de alguns artistas tratarem de temas facilmente reconhecíveis, como aqueles que fazem referência à cultura pop, muitos possuem temas únicos e maneiras exclusivas de representá-los, gerando assim, uma quantidade bem grande de informação a assimilar.
Segundo Aline, nos dias atuais está mais difícil definir a que estilo ou corrente artística este ou aquele artista pertence. Pelo menos em teoria, hoje o artista é completamente livre e a falta desses padrões dificulta uma leitura mais automática da obra.

Dicas para apreciar obras de arte

Aline Pascholati dá algumas dicas que podem ajudar:
  • Comece por mostras mais “fáceis”, digamos de algum artista renomado, seja um daqueles “das antigas”, um Da Vinci, por exemplo, ou um dos grandes da arte contemporânea.
  • No caso de uma visita a um museu bem grande, com centenas de obras, escolha somente algumas, as que lhe chamaram mais atenção ou aquelas que já ouviu falar. E então pare frente a esta, observe, sinta, interprete, aprecie. Tentar absorver um Louvre inteiro em uma só visita pode ser bastante desgastante.
  • Tudo bem que, quando você é um turista, quer absorver o máximo no pouco tempo que tem. Mas vá com calma, senão você sairá de lá com um turbilhão de imagens misturadas e dor de cabeça.

  • Escolha algumas peças de cada período e as “famosas” do museu em questão, se você fizer questão de vê-las. Esse exercício pode ser feito em qualquer tipo de museu.

  • Leituras de arte: leia sobre arte, seja livro, revista, entrevistas de artistas, e não só isso, mas também música, cinema – pois as artes se influenciam mutuamente e assim será mais fácil reconhecer referências diretas que as cruzem.
Pouco a pouco, esses quadros, esculturas e todo tipo de arte que, a princípio pareciam incompreensíveis, passará a ter talvez um pouco mais de sentido, na maioria dos casos.
Embarque nessa aventura e aprenda a apreciar arte contemporânea! É conhecimento e alimento para mente e alma.
Até mais!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AFINAL, O QUE É ARTE CONTEMPORANEA? (parte 2)

Continuaçao das respostas de varios pensadores ligadis a area
Marcia Tiburi (doutora em filosofia, escritora e apresentadora de TV)
“Arte contemporânea é um conceito que, a meu ver, vale mais como produto da ‘arte conceitual’ do que como recorte histórico que signifique algo. Na verdade, é uma definição anacrônica, tanto quanto a arte conceitual, que nasceu da crise dos críticos (a morte da crítica, sim, foi pouco avaliada). Também a palavra arte se tornou anacrônica. Ninguém entende de arte, nem de arte conceitual. Nem de conceitos. Não temos, é claro, aparato conceitual que dê conta dos fenômenos. Em outras palavras: ‘arte contemporânea’ é uma definição que usamos vagamente para sinalizar que nas produções atuais vemos algo de arte. Mas não sabemos o que é arte e ficamos a insistir em arte contemporânea por falta de domínio conceitual. Círculo vicioso, sim. Portanto, eu não confio nessa ideia. O povo? Ora, deixemos o povo pra lá que, como o marido, é o último a saber. Mais importante é avaliar que estamos no tempo da performance, do design e do espetáculo. Performance é o que há de mais parecido com o que chamávamos de arte, design com o que envolvia conceitos, espetáculo com o que chamávamos cultura de massa. Enquanto as categorias permanecerem em tensão, nossa cultura tem futuro. Do ponto de vista das formas, o que me interessa hoje é literatura como tal, que não se importa em ser literatura, que cospe nos roteiros de cinema disfarçados de escritura, que vomita no contentamento dos semianalfabetos de alma, que o são também políticos, ou os bem-pensantes; prefiro os insuportáveis, os sem-medo nem limites, quem sabe Lobo Antunes, mas, sobretudo, os pichadores das cidades grandes. Para mim, tudo o que chamamos de arte um dia está nos muros, perturbando a ordem enfeitadinha do nosso circo. Mas não é mais arte, é apenas o que nos faz ver que retornamos ao pó.”

Márcio Harum (pesquisador do grupo Hélio Oiticica e do Programa Ambiental)
“Essa indagação não é nada simples e não tem resposta alguma que satisfaça as pessoas… Enquanto estou aqui pensando, acho que não vou conseguir escapar das reminiscências do credo difundido por Charles Baudelaire (1821-1867): ‘É preciso ser de seu tempo’ (Il faut être de son temps, citação original do pintor Honoré Daumier, 1808-1873). Hoje em dia, o ponto de inflexão comum a todos talvez seja: ‘Preciso ser mesmo do meu tempo, mas que tempos são esses, afinal?’.”

Sônia Alves Dias (formada em artes plásticas, participou do coletivo Vinte e Sete+Um e assina o blog A Letreira)
“Chama-me atenção o fato de vivermos uma fase artística carente de novos talentos individuais. Há uma sensação incômoda no ar, de que no mundo atual uma parte significativa da sociedade se autodenomina artista e, em decorrência desse excesso de pseudotalentos, a arte fica no meio-fio entre o que é permitido e o que é possível e quem são os executores práticos dessas ideias. Não dá para falar em arte contemporânea sem pensar em TV, internet e tantos outros recursos tecnológicos e audiovisuais, que fazem com que as transformações e intervenções da arte em movimento sejam captadas e reinventadas em tempo real. Atualmente, o que mais chama atenção é o campo literário. Pois a quantidade de escritores fantasmas que se revelam através de blogs e comunidades literárias é cada vez maior. No Brasil, inclusive, existem cursos acadêmicos de formação de escritores e agentes literários, onde cada aluno mantém um blog. Essa nova condição de escritor virtual multiplica-se vertiginosamente deixando no ar a pergunta ‘o que esperar da escrita futura feita por escritores formados e formatados?’.”


(...)
Eduardo Senna Boaventura (historiador, artista visual, gestor cultural)
“Como é visível em tudo que foi dizível por diversos autores, arte contemporânea constrói uma divisibilidade, própria das contradições em sermos ‘contemporâneos de nós mesmos’, cuja existência é inexoravelmente contradição em uma história marcada pelo exercício da corrupção. A arte mostrou-se no processo histórico como o melhor dos meios de comunicação para retratar a realidade em que cada autor esteve ou está contextualizado.


Ao lutarmos contra as imagens prontas, os desejos pasteurizados, as conclusões acabadas, não nos opomos aos instrumentos de comunicações dominantes, mas ao domínio dos instrumentos como fórmulas prontas de resultados previstos e testados.
A guerra contra a imagem como instrumento de subversão da realidade não pode se opor à realidade como forma de subversão da imagem, nas quais atuamos como criadores e criaturas.”
Christiana Daisy
“De qualquer modo qualquer coisa é sempre alguma coisa…!


   Algo muito simples, algo muito complexo, algo muito controverso ou talvez contra o verso, o inverso do que se pretende ser? o universo do ser? Como definir arte contemporânea se o próprio termo arte ainda é algo vago, abstrato e intangível. Arte, anti-arte afinal do que se trata? Haja singularidade, pluralidade, imcompletude, polissêmia, o dito e o não dito, o vísivel e o invisível, o tangivel e o intangível …afinal do que se trata?! O que legitima, o que exclui, o que torna a arte mais arte que outra arte? O que torna a arte uma anti-arte ou uma arte qualquer. O que é arte contemporânea afinal? Seria a arte deste tempo, do nosso tempo? Seria a arte com tempo? a arte sem tempo? Porquê arte contemporânea e não arte Extemporânea? Porque arte? Porque perguntar? Porque responder? Porque o confronto? Porque o conflito? Arte é tudo que assim se denomina? Ou tudo o que domina, pre-domina? O instituído, o constituído, o destituído? Afinal oq que é arte contemporanea? A arte que se faz no confronto com a obra, independente de seu estado, de seu estágio, de seu tempo? O que se cria, concebe e denomina? O que se diz arte? o que se sente arte? O que o artista cria, o que o observador casual e o aficcionado entendem do que se cria? Outras criações? Arte afinal o que é? Um valor construido pelo olhar especializado, ou desconstruido pelo olhar despretencioso do olhar comum, do senso-(in)comum? Arte-final, finalizada…obra imcompleta de nosso imaginário. Arte afinal, o que é? Como definir? Porque ~simplesmente “não fruir e usufruir” do que se diz arte, se assim se intitula? Arte que se consuma na fruição, arte que se consome na fruição, arte que consumo, arte com sumo, em suma o que afinal é arte comtemporânea retirados os conceitos, preceitos e preconceitos que embalam, rotulam e lacram e isolam tudo o que não seja arte, ou pelo menos a arte que vemos, a arte que cremos , a arte que acreditamos ver? Algo muito simples, algo muito complexo, algo muito controverso…melhor só indagar, não responder…deixar que a arte se faça em seu confronto com a obra, com o artista, com o público e com o privado…desde que a arte se faça contemporânea, extemporânea ou como queiram!”
Charô (que acredita que meerkats don’t wa-da-tah to the shama cow e assina o blog Artposts da Charô e @acharolastra)
“Definir arte tem como objetivo tolher horizontes. Trata-se de impor limites sócio-culturais, financeiros e políticos à expressão humana. Ainda assim, diria que arte pode ser encontrada em tudo o que é concebido, interpretado ou entendido como arte. Mas isso seria perda de tempo.”


Daniel Brazil (roteirista e diretor de TV e assina o blog Fósforo)
“O velho conceito dicionarizado de arte ainda resiste: arte é tudo aquilo feito pelo homem com intenção de provocar uma emoção de ordem estética.


Mudaram os suportes, os contextos, as técnicas, mas não mudou a intenção primordial. No limite, se relativizou. Sensações como o tédio, o desconforto, a irritação e a mera curiosidade ganharam status de emoção estética. Sintoma de contemporaneidade.”

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

AFINAL, O QUE É ARTE CONTEMPORANEA? parte 1

SE a pergunta o que é arte ja nos aflinge tanto imagine o que arte contemporane. Nao me pergunte pois ate hoje estou na primeira pergunta e ainda custo a entender mesmo gostando pois muita das coisas nao precisa entender pra gostar, basta sentir ne? Este é um artigo com varias opinioes para escolherem a sua

Afinal, o que é arte contemporânea?

Micheliny Verunchk
Decifra-me ou te devoro. É o que parece dizer a arte contemporânea a qualquer pobre mortal que ousa encará-la. Filha do desencanto e das tensões advindos do instável século XX, surge representando uma ruptura com o que, até então, se chamava arte moderna.
Como a esfinge, que aqui lhe serve de metáfora, a arte contemporânea nasceu, sobretudo, questionadora, amante da polêmica. Não lhe interessavam os velhos moldes, o cânone, o sentido tradicional da beleza. No entanto, denunciam alguns, e atualmente tem se rendido a um mercado cada vez mais manipulador e caracterizado por cifras estratosféricas.
Oscilando entre a incompreensão e os julgamentos de valor traduzidos em questões sobre sua utilidade e autenticidade, é alvo de discussões apaixonadas. Assim, a Continuum convidou algumas pessoas a responder ao enigma: O que é arte contemporânea?
Affonso Romano de Sant’anna (poeta, ensaísta e professor)
“A expressão ‘arte contemporânea’ é muito precária, não resiste a uma análise. Não se pode considerá-la sem investigar outra expressão igualmente confusa: ‘pós-modernidade’. Isso, de maneira geral, caracteriza muito do que se fez nos últimos 40 anos. Tem muita bobagem teórica e prática para ser revista. Cito alguns tabus. Veja John Cage – tinha algum talento e perdeu-se no histrionismo. Veja Duchamp, mal lido e mal interpretado há 100 anos. Continuo insistindo: temos que passar o século XX a limpo, não para voltar ao XIX, mas para equacionar os equívocos de nossa geração. Uma das tolices de nossa época foi achar que a ‘modernidade’ era o topo da história. Como se diz, ‘pretensão e água benta cada um toma quanto quer’. ”

Ana Mae Barbosa (doutora em arte-educação e professora)
“Não dá para resumir a arte contemporânea numa só característica, pois a pluralidade domina nosso tempo. Assim, podemos apreendê-la pela seguinte série de qualidades:
– consciência da morte da autonomia da obra ou do campo de sentido da arte em prol da contextualização.
– metalinguagem: reflexão sobre a própria arte.
– incorporação de matrizes populares na arte erudita.
– preocupação em instaurar um diálogo com o público e levá-lo a pensar.
– tendência ao comentário social.
– ‘interritorialidade’ das diversas linguagens.
– tecnologias digitais substituindo a vanguarda.
O que mais me tem chamado atenção é a confirmação do comentário de Arthur Danto, de que sob a designação de arte contemporânea temos muitas vezes a continuação da arte moderna. Isso é verdade especialmente no Brasil, que é muito apegado ao modernismo.”

Dalva Soares Bolognini (especialista em cultura popular)
“Arte contemporânea é toda expressão artística que revela, em traços ou por inteiro, a atualidade da vida social – local ou mundial. Assim, cada momento da sociedade, cada mudança visível de um grupo social, pode ser representado e percebido nos seus vários suportes. Historicamente esse tempo social é geralmente longo, suficiente para gerar um movimento artístico. Gostaria de mencionar que, no final da Segunda Guerra Mundial, os automóveis americanos, pesados e quase sempre pretos, que haviam cedido seu lugar nas fábricas para os veículos bélicos, ressurgiram enormes e coloridos, como a sinalizar um tempo de bonança e felicidade plena, onde o espaço era primordial.”

Ivôn Rabelo (mestrando em literatura e interculturalidade pela Universidade Estadual da Paraíba)
“O dizer sobre arte, em si, já é algo complicado. Mas carrega algo de simplório, pois qualquer tentativa de expressão que condense os conhecimentos acumulados pela humanidade, e, além disso, os saiba traduzir como manifestação simbólica, deve ser alçada ao posto de discurso sacralizado. A arte na contemporaneidade não foi vanguarda, mas torna-se agora, em nossa pós-contemporaneidade: um atributo da velocidade com que (es)corre a areia fina da ampulheta do século XXI, passagem instantânea que a deixa (es)correndo pelas frestas da litania [ladainha] de paz e paciência pela qual oramos diariamente nessa grande sala babélica de exibições em que se transformou a internet, a TV digital, a parafernália musical, audiovisual e literária das celebridades instantâneas de Warhol. Nada precisa fazer ou dizer fazer um sentido, mas, sim, vários (além dos triviais e exauridos cinco que desde sempre disseram que possuímos), em qualquer forma de expressão dita artística, pós-contemporaneamente falando. É essencial que nos remeta ao mais pré-histórico dos intentos: uma tentativa de união com um algo dito sagrado. Ou até mesmo perfeita e convincentemente profano. Mas que seja sacro, e não um saco!”


Parte 1. O texto continua semana que vem com o link de referencia

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ARTE CONTEMPORANEA

ARTE CONTEMPORANEA

Almandrade, autor

    Quando se fala em "arte contemporânea" não é para designar tudo o que é produzido no momento, e sim aquilo que nos propõe um pensamento sobre a própria arte ou uma análise crítica da prática visual. Como dispositivo de pensamento, a arte interroga e atribui novos significados ao se apropriar de imagens, não só as que fazem parte da historia da arte, mas também as que habitam o cotidiano. O belo contemporâneo não busca mais o novo, nem o espanto, como as vanguardas da primeira metade deste século: propõe o estranhamento ou o questionamento da linguagem e sua leitura.
     Geralmente, o artista de vanguarda tinha a necessidade de experimentar técnicas e metodologias, com o objetivo de criar novidades e se colocar à frente do progresso tecnológico. Hoje, fala-se até em ausência do "novo", num retorno à tradição. O artista contemporâneo tem outra mentalidade, a marca de sua arte não é mais a novidade moderna, mesmo a experimentação de técnicas e instrumentos novos visa a produção de outros significados. Diante da importância da imagem no mundo que estamos vivendo, tornou-se necessário para a contemporaneidade insinuar uma critica da imagem. O artista reprocessa linguagens aprofundando a sua pesquisa e sua poética. Ele tem à sua disposição como instrumental de trabalho, um conjunto de imagens. A arte passou a ocupar o espaço da invenção e da crítica de si mesmo.
    As novas tecnologias para a arte contemporânea não significam o fim, mas um meio à disposição da liberdade do artista, que se somam às técnicas e aos suportes tradicionais, para questionar o próprio visível, alterar a percepção, propor um enigma e não mais uma visão pronta do mundo. O trabalho do artista passa a exigir também do espectador uma determinada atenção, um olhar que pensa. Um vídeo, uma performance ou uma instalação não é mais contemporâneo do que uma litogravura ou uma pintura. A atualidade da arte é colocada em outra perspectiva. O pintor contemporâneo sabe que ele pinta mais sobre uma tela virgem, e é indispensável saber ver o que está atrás do branco: uma história. O que vai determinar a contemporaneidade é a qualidade da linguagem, o uso preciso do meio para expressar uma idéia, onde pesa experiência e informação. Não é simplesmente o manuseio do pincel ou do computador que vai qualificar a atualidade de uma obra de arte.
   Nem sempre as linguagens coerentes com o conhecimento de nosso tempo são as realizadas com as tecnologias mais avançadas. Acontece, muitas vezes, que os significados da arte atual se manifestam nas técnicas aparentemente «acadêmicas». Diante da tecnologia a arte reconhece os novos instrumentos de experimentar a linguagem, mas os instrumentos e suportes tradicionais estão sempre nos surpreendendo, quando inventam imagens que atraem o pensamento e o sentimento.
     Mas em que consiste essencialmente a arte contemporânea? Ou melhor: qual o segredo da arte na atualidade? Pode parecer um problema de literatura ou de filosofia. - É muito mais uma questão de ética do que de estilo, para se inventar com a arte uma reflexão. Não existem estilos ou movimentos como as vanguardas que fizeram a modernidade. O que há é uma pluralidade de estilos, de linguagens, contraditórios e independentes, convivendo em paralelo, porque a arte contemporânea não é o lugar da afirmação de verdades absolutas.
Almandrade, autor
Artista plástico, poeta, arquiteto

Fonte: http://www.auladearte.com.br/galeria/almandrade.htm#ixzz3rJgzzPc5 
Proximas postagens : Interatividade nos museus e as 3 partes de: A Arte e o abstracionismo de JOÃO WERNER


terça-feira, 29 de setembro de 2015

O QUE É HOJE UM MUSEU? DOS OBJETOS AS EXPERIENCIAS (materia em espanhol) parte 3 de 4


El tema de los liderazgos tiene mucha tela por cortar en la Argentina. Así lo analiza Florencia Battiti, crítica de arte, docente y curadora del Parque de la Memoria: "Los museos argentinos están cambiando, de a poco, para mejor. 

Aún tenemos pendiente erradicar una modalidad muy argentina, que tiene que ver con los personalismos que se dan en la dirección de instituciones. Es lamentable ver cómo algunos museos van tomando el carácter o la personalidad de quien los dirige, con narcisismos exacerbados o, en el peor de los casos, con desidia... Afortunadamente están apareciendo profesionales que ponen a la institución en primer lugar, que arman equipos en los que la autoridad y legitimidad se asienta sobre objetivos como la creación de comunidad. De esta manera, los cargos se van renovando, como es lógico, pero a la institución le va quedando para sí el trabajo construido".

  "El museo debe contar una historia relevante para su comunidad. Es donde se da el diálogo entre generaciones. El desafío es repensar su problemática, reimaginarlos. Trabajar en un museo es un placer enorme, pero a la vez produce una gran frustración cuando no hay público y los directores no acompañan los cambios", dice Castilla. "Hay que cambiar la estructura de los museos, como logramos hacerlo en 2007 con el Museo Nacional de Bellas Artes, donde establecimos que el puesto fuera ocupado por concurso, y lo desglosamos en director artístico, director administrativo y consejo asesor. Le dimos la potencia para gestionar, y ningún otro museo lo imitó", dice Castilla, que ahora es organizador del concurso para elegir el nuevo director del museo mayor de la Argentina; según se comenta, podría estar designado antes de las elecciones presidenciales de octubre.

  Integra ese jurado Ticio Escobar, director del Museo del Barro en Paraguay y pensador de estos temas, que señala el fin del museo holístico, el museo-total orientado a explicar y traducir todo el arte de una cultura, una civilización o una etapa histórica. "Los museos contemporáneos tienden a centrarse en recortes particulares. En América Latina, al lado de los grandes museos-templo aparecen los museos de sitio, de la memoria, del territorio; museos de culturas acotadas y cruzadas por otras; museos abiertos a la diversidad cultural y a la especificidad (temporal y espacial) del arte contemporáneo", describe.

En esa línea está el Museo Nacional de Historia y Cultura Afro Americana, otro de los 19 espacios del gigante Smithsonian de Washington, que abrirá a mediados del año próximo. "Es una invitación a que no sigamos trabajando dentro de los mismos modelos, y de los mismos ejes definidos por nación, clase, raza y género. Debemos tener la confianza colectiva de lidiar con cuestiones que son conflictivas, con lo desconocido, con lo que no se ha resuelto", dice Deborah L. Mack, directora de servicios a la comunidad de esa institución.




  

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O QUE É HOJE UM MUSEU? DOS OBJETOS AS EXPERIENCIAS (materia em espanhol) Parte 2 de 4

"Los museos hoy son espacios de encuentro y debate, pero también de educación no formal y esparcimiento. Los más exitosos son aquellos que, parafraseando al museólogo norteamericano Stephen E. Weil, pasaron «de ser museos sobre cosas a ser museos para personas». En América Latina esta transición todavía está en curso", dice desde Chile Claudio Gómez, director del Museo Nacional de Historia Natural de ese país. Recomienda conocer a los públicos, tener una misión institucional clara, un equipo de trabajo motivado, echar mano de las redes sociales y estar atento al entorno.

  Frente a la obra hoy se ha vuelto rara la actitud contemplativa. Los dispositivos electrónicos se interponen y generan un nuevo tipo de acceso. "Las redes pueden llenar las lagunas que existen entre los museos tradicionales y nuestro mundo moderno", dice la especialista inglesa Mar Dixon, creadora de #MuseumSelfie y #MusSocks. "Son plataformas para que el público vea que los museos pueden ser y son diversión", explica. La semana pasada la consigna fue #MuseumInstaSwap: diez instituciones de Londres se aliaron para compartir en Instagram sus historias. El 16 de septiembre será @AskACurator, el día para hacer preguntas difíciles a los curadores más respetados de la aldea global: participan 700 espacios de 40 países.

   Luis Marcelo Mendes, consultor de comunicación de Fundação Roberto Marinho, dice que los museos deben entrar en la cultura de la apertura de la información, el libre flujo de datos. "Se reservan para sí mismos, como su primera obligación, la conservación. Sin su trabajo, la mayor parte del patrimonio ya habría sido reducida a escombros, como la destrucción de las estatuas históricas y el templo de Baalshamin de Palmira o la detonación de los Budas de Bamiyán. Pero la pregunta es cómo salir de la posición de software propietario, entrar en la era del software libre y revisar el significado de la autoridad". Mendes se refiere a la idea de Open Authority de la blogger estadounidense Lori Byrd Phillips (activista de Wikipedia), que propone la integración de comunidades abiertas, digitales y cooperativas en el diálogo con los museos: "Una mezcla de experiencia institucional con los debates, experiencias y puntos de vista de un público amplio".

   Pero también los museos siguen planteando problemas vinculados con el patrimonio material de algunos grupos sociales. En este momento en el Instituto Nacional de Antropología se están embalando las 4500 piezas arqueológicas que habían sido ingresadas ilegalmente en el país desde 2003 y que en estos días serán restituidas a Perú y Ecuador. "Estamos empezando a hacer preguntas sobre lo que pasó y por qué, y qué pasó con nuestra cultura material. La respuesta obvia es que acabaron en colecciones de museos de todo el mundo como curiosidades. Pero se han convertido en repositorios culturales de nuestro saber indígena pasado, porque no tenemos un registro escrito. ¿Cómo conseguir el acceso a este conocimiento? Tenemos que trabajar en el cambio de conciencia de la sociedad mundial", dice Sven Haakanson, conservador de Antropología Norteamericana en el Museo Burke de Washington, nativo sugpiaq, arqueólogo y artista.
El investigador Néstor García Canclini defiende el valor de la interculturalidad. 

"Hoy no está tan claro qué es un museo, sino lo que ya no puede ser. No puede exhibir la cultura como trofeo de las conquistas, ni como simple orgullo de la identidad nacional. No puede consagrar al arte contemporáneo como si fuera la última etapa de las bellas artes y no puede ser una app del mercado. Al repensarlo como medio de comunicación, se trata de que se vean las obras como parte de procesos sociales", señala.

Sobre los avances, se muestra escéptico: "Dos recursos de las últimas décadas están menguando. Uno es construir envases arquitectónicos que desean asombrar más que las obras. ¿Cuántos Guggenheim o equivalentes se pueden seguir encargando a Frank Gehry o a Herzog & de Meuron? En los países árabes y en China -que el año pasado construyó unos 300 museos nuevos- los necesitan para acompañar su potencia de coleccionar y edificar. 


  Pero en Francia, España, México y Brasil, la austeridad post-2008 está permitiendo pensar en otras cosas. La otra gran fantasía innovadora son las herramientas tecnológicas. Permiten visualizar bienes culturales sin la posesión de grandes colecciones. Contribuyen notablemente a la interactividad. Pero también la estrechez financiera atrofia los programas: en España, de los más de 1500 centros públicos y privados existentes sólo un 1,6% utiliza aplicaciones móviles. Muchos museos locales y provinciales, como en América Latina, carecen de páginas web. Habría que hallar la forma de que se incorporen a esa mezcla del mundo real y el virtual", analiza.

"Ya no es adecuado para los museos presentar sus colecciones y esperar pasivamente a los visitantes. En un entorno de redes sociales y comunicación instantánea, los museos proponen estrategias atractivas que calan hondo en las comunidades, demuestran capacidad de respuesta a los problemas sociales, y se convierten en lugares de debate cívico. Esta transformación tiene lugar ahora con liderazgos jóvenes y enérgicos en los museos", señala James Volkert, asesor norteamericano sobre desarrollo de exposiciones y gerenciamiento de museos.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O QUE É HOJE UM MUSEU? DOS OBJETOS AS EXPERIENCIAS (materia em espanhol) parte 1 de 4

A materia de hoje foi achada em espanhol e fala sobre as mudanças que os museus veem passando para atrair mais publico, por ser grande sera dividida em partes para facilitar a leitura e para quem nao entende manda um tradutor ai vale a pena ler. Na primeira parte, sao descritos alguns eventos que agora tambem estao ocorrendo em museus para poder introduzir as mudanças que estao ocorrendo nestas instituições para acompanhar os novos tempos



¿Qué es hoy un museo? De los 

objetos a las experiencias

Conservación, entretenimiento, educación, debate y vanguardia: todo eso, sumado a la interactividad con el público, se espera hoy de un museo. ¿Es posible lograrlo?

Por   | Para LA NACION
Foto: LA NACION / Gosia Herba

DE COSAS A PERSONAS
EL SELLO DEL DIRECTOR

  Algo está cambiando en los museos. Suena cumbia y hay barra de tragos en el Museo de Arte Moderno de Buenos Aires. En el Museo Nacional de Bellas Artes las performances y la música interactúan con el patrimonio. Nacen y crecen relucientes museos privados. Los templos añosos del arte culto se actualizan con tiendas, cafés,merchandising, membresías para jóvenes, actividades para chicos y ciclos de música y cine. Las fotos ya no están prohibidas, sino que se alienta a compartirlas en las redes conhashtags y arrobas. Claro, los tiempos son otros y el museo va camino a ser un espacio amigable, informal, cercano, un punto de encuentro o un lugar de moda. Pero los cambios no se dan sólo a nivel superficial.

   Las visiones sobre qué es hoy un museo son muchas, y abren debates que involucran cuestiones estéticas, arquitectónicas, tecnológicas y hasta geopolíticas. ¿Cómo convive la preservación con la función de intervenir en los debates contemporáneos? ¿Deberían los museos integrarse a la lógica del mercado o permanecer en la del arte ilustrado? ¿Cómo hablar a un público activo e informado?



   Para plantearse esas y otras cuestiones, la Fundación TyPA (Teoría y Práctica de las Artes) de Argentina, y American Alliance of Museums (AAM) de Estados Unidos, unieron fuerzas para organizar El Museo Reimaginado, un encuentro con más de 60 oradores y 400 inscriptos, en su mayoría profesionales. Comienza este miércoles en la Usina del Arte, con el fin de analizar casos de transformaciones exitosas y buscar enfoques innovadores. 

   No habrá sólo conferencias magistrales, sino también presentaciones ágiles, concursos de proyectos, almuerzos temáticos, talleres y un curioso juicio a los dispositivos electrónicos, con fiscales y abogados defensores. "Hay muchísimas ganas de conversar sobre los museos. Se está creando esa masa crítica que es indispensable para generar un cambio", dice Américo Castilla, director de TyPA, que intenta imprimirle al encuentro un clima distendido. "Así queremos que funcionen estas instituciones: con profundidad, ideas inspiradoras, flexibilidad, informalidad, teniendo en cuenta al otro y sin bajar doctrina", asegura.
  
  Entonces, ¿qué es hoy un museo? "Es un espacio social, comunitario, un santuario, un centro de actividades, un refugio y un almacén del tesoro público. En ocasiones, todo a la vez. El mayor reto es tratar de ser relevantes para la comunidad, en un momento en el que la información se encuentra en la punta de los dedos, los ciudadanos están cada vez más pobres de tiempo, y el patrimonio está muchas veces bajo amenaza física", analiza Seb Chan, gurú australiano en tecnología para museos. "Van a surgir nuevos tipos de instituciones privadas y públicas que replicarán las funciones tradicionales del museo. La única constante será el cambio, y los más flexibles y resistentes prosperarán", vislumbra.
   
   Uno de esos casos puede ser el museo-taller Ferrowhite, de Ingeniero White, un museo comunitario que alberga 5000 piezas del ferrocarril y el puerto reunidas entre los vecinos, y un lugar en el que las cosas, además de ser exhibidas, se fabrican. Ahí es normal encontrar cientos de personas jugando al Meccano, un bingo entre señoras que toman el té y un juego de memoria hecho por los visitantes. "Si algo perdieron en su larga historia son certezas. Los museos tienen alguna oportunidad de intervenir críticamente en la definición de nuestro tiempo si problematizan el pasado y, a su vez, intentan miradas hacia el porvenir, evitando que las cuestiones relacionadas con la identidad obturen la posibilidad del disenso", piensa Nicolás Testoni, su director.

(continua)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

DILEMAS DA CURADORIA

  O texto de hoje é sobre o que enfrenta a curadoria atual e como este papel surgiu no Brasil (ele foi editado apenas as partes que falavam sobre exposiçao que ja passaram e nao interfere no contexto)  
  O trabalho do curador de arte passa por desafios e conflitos inerentes a uma época em que o mercado dita as regras. Como atuar entre as questões conceituais e econômicas?

 Dilemas da curadoria

“Ser contemporâneo é estar preso a um paradoxo e, ao mesmo tempo, estar aberto a conflitos e desafios”, afirmou nesta quinta-feira (4/9) o escocês Charles Esche, durante o III Seminário Internacional ARTE!Brasileiros – A Arte Contemporânea no séc. XXI. 
   O evento aconteceu no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.(...)Ele relacionou o processo curatorial com as contradições inerentes à questão que abriu o seminário: o que é ser contemporâneo?
   (...)Esche já declarou que a arte deve ser democrática e não deve ficar confinada em galerias ou submetidas às leis do mercado.
  (...) As relações entre arte e mercado, por si só, ainda são vistas como conflitos e um dos principais desafios a serem enfrentados pelos curadores no mundo contemporâneo.
(...)
Arte x mercado - Para o artista plástico Traplev foi um dos selecionados deste ano para o Laboratório Curatorial da SP-Arte, um espaço para formação de curadores jovens, sob o comando de Adriano Pedrosa. Sua expectativa ao se inscrever para o projeto era justamente poder provocar e realizar uma crítica reflexiva dentro do circuito e do mercado de arte. “Eu atuo como artista desde o início dos anos 2000 e sou editor da publicação recibo, de artes visuais, que já distribuiu mais de 60 mil exemplares gratuitos. Não estou vinculado diretamente ao mercado de arte de galerias, feiras e etc, minha atuação sempre foi paralela a esses contextos”, conta.
   José Augusto Ribeiro, curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo, acredita que tem havido uma “financeirização da vida”, com a economia ditando muitas escolhas, e a arte obviamente tem participado disso. O mercado altera a forma como a arte aparece no jornal e como os trabalhos são adquiridos para a coleção de um museu, por exemplo. “A expansão de mercado contribui. Nunca tivemos tantas galerias em São Paulo, tantos espaços de exposição, tantos artistas e militantes de arte.  
 
   As coisas vão muito bem e muito aquecidas pelo mercado. O contraste é que parece que cada vez tem mais público e, ao mesmo tempo, o lugar público que a arte ocupa está restrito a questões extra-artísticas, que são as econômicas”, analisa.
  Nesse sentido, um desafio dos curadores hoje em dia, para Ribeiro, é montar um quadro pertinente à teoria e à história da arte. “Talvez uma tarefa seja devolver relevância a essas disciplinas e armar um debate para a agenda pública”, diz, refletindo que o espaço da crítica de arte migrou para a figura do curador, hoje uma figura muito responsável pela visibilidade e circulação de determinados trabalhos. “O compromisso do curador deve ser com o trabalho de arte, mas hoje ele faz parte, é influenciado e influencia o mercado.”
   O desaparecimento da crítica de arte nos meios de comunicação também é apontado pelo professor Martin Grossmann, coordenador do Fórum Permanente: Museus de Arte entre o Público e o Privado, como um fator para o empoderamento do curador no circuito da arte. “A gênese da curadoria está dentro de um momento da história, na década de 1960, na Europa, quando os curadores transitavam muito mais entre os museus e os espaços alternativos. A relação com o mercado vai se fortalecer a partir dos anos 1980/90. É quando a cultura, no Brasil, deixa de ser ornamento e quando a política pública entende que a cultura é economia. A globalização tem um efeito muito marcante na conceituação do que é arte e o que é cultura. E a economia acaba formatando o curador”, afirma.
Entender o seu papel diante dessas dimensões, desse campo cultural mas que também é econômico, é um dos principais desafios dos curadores hoje, segundo Grossmann, e entra no âmbito da ética. “Por exemplo, um curador que dá assessoria a uma galeria e também para espaços públicos de arte faz o mesmo trabalho para o mercado privado e para o público. Ele não pode ser ingênuo diante disso, ou irresponsável”, defende.
    Para o professor, o curador, assim como mediador, como um gestor cultural, como um educador, precisa estar atento às características dessas condições. “Ele precisa estar bem informado sobre tudo isso e, ao fazer a mediação, alertar o público diante dessas contradições.”
    Na abertura do III Seminário Internacional ARTE!Brasileiros, o diretor do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, levantou outra questão que os curadores encontram hoje em dia: a desconstrução da curadoria frente aos novos formatos de construção colaborativa. Um debate que, segundo ele, ainda não tem respostas.
Fonte: http://www.culturaemercado.com.br/destaque/curadoria-em-questao/

Pesquisar este blog

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...