Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
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terça-feira, 3 de março de 2015

Parte 2 O IMPACTO DO ENSINO DE ARTE (ou da falta dele) NA PERCEPÇÃO DO MUNDO

Continuaçao da semana passada    Era de se esperar que as faculdades que oferecem cursos de artes liberais dessem ênfase à educação artística, mas não é esse o caso. O atual currículo, de estilo self-service, torna os cursos de história da arte disponíveis, mas não obrigatórios. Com raras exceções, as universidades abandonaram toda noção de um núcleo de aprendizado. Os departamentos de humanidades oferecem uma mixórdia de cursos feitos sob medida para os interesses de pesquisa dos professores. Tem havido um gradual eclipse, nos Estados Unidos, do curso de história geral da arte, que cobria magistralmente, em dois semestres, da arte das cavernas ao modernismo. Apesar de sua popularidade entre os estudantes, que se recordam deles como pontos culminantes em suas vivências universitárias, os cursos gerais são cada vez mais vistos como excessivamente pesados, superficiais ou eurocêntricos – e não há mais vontade institucional de estendê-los para a arte mundial.

Jovens professores, criados em meio ao pós-estruturalismo, com sua suspeita mecânica da cultura, consideram-se especialistas, e não generalistas, e não foram treinados para pensar sobre trajetórias tão vastas. O resultado final é que muitos alunos de humanidades se formam com pouco senso da cronologia ou da deslumbrante procissão de estilos que constituía a arte ocidental.

A questão mais importante acerca da arte é: o que permanece e por quê?

As definições de beleza e os padrões de gosto mudam constantemente, mas padrões persistentes subsistem. Defendo uma visão cíclica da cultura: os estilos crescem, chegam ao ápice e decaem para tornarem a florescer, num renascer periódico. A linha de influência artística pode ser vista claramente na cultura ocidental, com várias interrupções e recuperações, desde o Egito antigo até hoje – uma saga de 5 mil anos que não é (como diria o jargão acadêmico) uma “narrativa” arbitrária e imperialista. Grande número de objetos teimosamente concretos – não apenas “textos” vacilantes e subjetivos – sobrevivem desde a antiguidade e as sociedades que moldaram.

A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.

O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas.

Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político.

Hoje, ensinam aos estudantes a olhar a arte com ceticismo, por seus equívocos, suas parcialidades, suas omissões e ocultos jogos de poder. Admirar e honrar a arte, exceto 
quando transmite mensagens politicamente corretas, é considerado ingênuo e reacionário. 

Um único erudito marxista, Arnold Hauser, em seu épico estudo de 1951, A história social da arte, teve bom êxito na aplicação da análise marxista, sem perder a magia e o mistério da arte. E Hauser (uma das influências iniciais do meu trabalho) trabalhava com base na grande tradição da filologia alemã, animada por uma ética erudita que hoje se perdeu.

A arte é o casamento do ideal e do real. Fazer arte é um ramo da artesania. Artistas são artesãos, mais próximos dos carpinteiros e dos soldadores do que dos intelectuais e dos acadêmicos, com sua retórica inflacionada e autorreferencial. A arte usa os sentidos e a eles fala. Funda-se no mundo físico tangível.

O pós-estruturalismo, com suas origens linguísticas francesas, tem a obsessão pelas palavras e, com isso, é incompetente para interpretar qualquer forma de arte além da literatura. O comentário sobre arte deve abordá-la e descrevê-la em seus próprios termos. 

Deve-se manter um delicado equilíbrio entre os mundos visível e invisível. Aqueles que subordinam a arte a uma agenda política contemporânea são tão culpados de propaganda e rigidez literal como qualquer pregador vitoriano ou burocrata stalinista.

- Leia na íntegra este ensaio introdutório por Camille Paglia, o primeiro da obra Imagens cintilantes
Assista à Camille Paglia no canal do Fronteiras no YouTube:
- A ansiedade masculina e a civilização
- Minhas escolhas


Fonte: http://fronteiras.com/canalfronteiras/entrevistas/?16%2C341 

Comentario: No meu entendimento, a autora  esta questionando a falta de teoria que temos sobre arte e sem conhecimento de toda esta historia da arte nos passa despecebidos detalhes que completam e fundamentam o todo e fica vulneravel a ações do mundo, ficamos nas maos do mercado e do excesso de imagem sem poder nem saber criticar

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O IMPACTO DO ENSINO DE ARTE (ou da falta dele) NA PERCEPÇÃO DO MUNDO - (Parte 1)

 O texto inicialmente pode ate parecer nao falar sobre o assunto do titulo porem quando chega na copia do texto da autora propriamente dito ai sim podemos entender do que se trata

O IMPACTO DO ENSINO DE ARTE (ou da falta dele) NA PERCEPÇÃO DO MUNDO
 
"A arte é o casamento do ideal e do real. Fazer arte é um ramo da artesania. Artistas são artesãos, mais próximos dos carpinteiros e dos soldadores do que dos intelectuais e dos acadêmicos, com sua retórica inflacionada e autorreferencial. A arte usa os sentidos e a eles fala. Funda-se no mundo físico tangível." - Camille Paglia, Imagens cintilantes
 
(...). Polêmica até por afirmar que há gêneros. A escritora norte-americana Camille Paglia é conhecida por desafiar as ideias em voga nos mais diversos campos. Professora de Humanidades e Estudos Midiáticos da University of the Arts da Filadélfia, é autora de obras que misturam cultura pop, história da arte, sexualidade e os diferentes meios que tornam o homem um espectador: seja na frente da televisão, de um Pollock ou de sua própria vida. 

Em sua mais recente obra, Imagens cintilantes — uma viagem através da arte desde o Egito a ‘Star Wars’ (Apicuri, 2014), Camille retorna ao local que a consagrou, a crítica à arte contemporânea. No livro, a autora de Personas sexuais analisa 29 obras que considera fundamentais na história da arte e afirma, com certa decepção, que os jovens deixaram ofícios como a pintura e a escultura para emprestar sua lealdade à tecnologia e ao design industrial.

Em entrevista, Paglia resumiu o panorama que motivou a produção do livro: “O olho sofre com anúncios piscando na rede. Para se defender, o cérebro fecha avenidas inteiras de observação e intuição. A experiência digital é chamada interativa, mas o que eu vejo como professora é uma crescente passividade dos jovens, bombardeados com os estímulos caóticos de seus aparelhos digitais. Pior: eles se tornam tão dependentes da comunicação textual e correio eletrônico que estão perdendo a linguagem do corpo.” De acordo com ela, esta degeneração gradativa da percepção/expressão tem um grande inimigo: o mercado – das galerias às instituições de ensino.

Segundo a norte-americana, este mercado não é apenas um objeto a ser combatido, mas sim um profundo problema de visão sobre a vida, que parte, também, do espectador. Ensinado a enxergar o mundo apenas de forma política e ideológica, o homem contemporâneo teria perdido a esfera do sensível, do invisível, do metafísico. A isso, somam-se a rapidez da tecnologia e a promessa de lucro aos artistas, que acabam trocando o lento processo de aprendizado por contratos exclusivos ou por telas digitais.
Longe de ser uma questão restrita a quadros e esculturas, este contexto de constante estímulo atinge a sociedade como um todo, como Camille argumenta logo na introdução da obra:
“A vida moderna é um mar de imagens. Nossos olhos são inundados por figuras reluzentes e blocos de texto explodindo sobre nós por todos os lados. O cérebro, superestimulado, deve se adaptar rapidamente para conseguir processar esse rodopiante bombardeio de dados desconexos. A cultura no mundo desenvolvido é hoje definida, em ampla medida, pela onipresente mídia de massa e pelos aparelhos eletrônicos servilmente monitorados por seus proprietários. A intensa expansão da comunicação global instantânea pode ter concedido espaço a um grande número de vozes individuais, mas, paradoxalmente, esta mesma individualidade se vê na ameaça de sucumbir.

Como sobreviver nesta era da vertigem?  Precisamos reaprender a ver. Em meio à tamanha e neurótica poluição visual, é essencial encontrar o foco, a base da estabilidade, da identidade e da direção na vida. As crianças, sobretudo, merecem ser salvas deste turbilhão de imagens tremeluzentes que as vicia em distrações sedutoras e fazem a realidade social, com seus deveres e preocupações éticas, parecer estúpida e fútil. A única maneira de ensinar o foco é oferecer aos olhos oportunidades de percepção estável – e o melhor caminho para isso é a contemplação da arte.”

Ainda em seu texto introdutório, Camille critica as instituições de ensino por falharem completamente no ensino da visão que nos tiraria desta vertigem. Se precisamos reaprender a ver, as faculdades de arte, para ela, poderiam ser consideradas mais um empecilho do que uma parceira nesta tarefa. Leia, abaixo, o que ela tem dizer sobre isso a partir de excerto do livro Imagens cintilantes

“É de uma obviedade alarmante que as escolas públicas norte-americanas têm feito um mau serviço na educação artística dos estudantes. Da pré-escola em diante, a arte é tratada como uma prática terapêutica – projetos com cartolina do tipo “faça você mesmo” e pinturas com os dedos para liberar a criatividade oculta das crianças. Mas o que de fato faz falta é um quadro histórico de conhecimentos objetivos acerca da arte.  As esporádicas excursões ao museu, mesmo que haja um por perto, são inadequadas. Os cursos de história da arte deveriam ser integrados  ao currículo do ensino primário, fundamental e médio  - uma introdução básica à grande arte e a seus estilos e símbolos. O movimento multiculturalista que se seguiu à década de 1960 ofereceu uma tremenda oportunidade para expandir o nosso conhecimento do mundo da arte, mas suas abordagens têm com demasiada frequência sacrificado a erudição e a cronologia em favor de um partidarismo sentimental e de queixumes rotineiros.

 Continua dia 03-03...


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

CONVERSANDO SOBRE ARTE

    Hoje a postagem é minha e vai o assunto vai ser arte, profissao, enfin. Domingo assinti no canal arte1 um documentario produzido ou chamado arte.tv que falava sobre o contemporaneo e achei varias falas interessantes pela que nao consegui acha-lo e varios nomes vao me fugir aqui entao peço desculpas.

       CONVERSANDO SOBRE ARTE
 
  Ele ja começou com uma fala do artista Tunga dizendo que a arte nao tem significado mas quando uma pessoa chega perto de um trabalho e há uma sintonia entre ambos entao os sentidos e as formas surgem e há ali uma comunicaçao, pois teve uma ali para observar e um objeto que a tocava de alguma forma resumindo arte é uma troca de sensaçoes sentimentos entre pessoa e objeto.
  Em seguida vem uma historiadora e diz que a arte é constantemente produtiva, pois sempre existe alguem a realizando, nao há uma sequencia logica para ela é como se fosse uma constelaçao que ao olhar uma pessoa vem e ve uma constelação neste conjunto de estrelas e destas constelações surgem os grupos de estrela, o mesmo ocorre com os periodos artisticos, eles sao nomeados e definidos por grupos de pessoas que a classificam e como neste momento estamos vivendo uma arte contemporanea do nosso tempo ainda nao temos a dimensao e noção para classifica-la pos não houve o tempo para estar atenta a ela. (Sendo assim, tudo que fazemos, a cultura que construimos, o patrimonio artistico e cultural que conhecemos hoje tudo foi agrupado e selecionado e de certa forma algo acabou sendo excluido. Imagina quantos trabalhos foram produzidos e pessoas fizeram coisas interessantes que se perderam ou que nao chegaram a ser vistos com este olhar de classificaçao. Sendo assim, ao meu ver por darmos muito valor a estas classificaçoes e grupos ja reconhecidos que acabamos ignorando os outros objetos artisticos e patrimoniais.  Por isso, muita gente tem medo de interpretar a arte por terem medo de pensar errado e de certa forma acabam se excluido e excluido a possibilidade de gostar de algo por ele nao ter certos valores artisticos, patrimoniais. Ao mesmo tempo nós seres humanos nao podemos de certa forma guardar de tudo consequentemente há essa necessidade de classificaçao mesmo que seja exclusoria pois é impossivel contemplar tudo e todos).    
    Mas mesmo assim se faz necessaria a educação artistica, cultural no Brasil pois como diz Felipe (curador acho que mam do rj) no video apesar da produçao brasileira em relação a pratica ter  crescido muito, não existe tantos brasileiros que falem sobre nossa produçao entao se assim continuar ficaremos "produzindo objetos" para os outros.
P  Este assunto pode parecer meio sem noção pois estamos falando de arte porem ambos (arte e conservação) se conjugam. E dai cai no mesmo problema da falta de teoricos para discutir e falar de arte. Se nao temos quem a valorize como ter profissionais que as conservem para preservar para a posteridade.
  Nao sei se me fiz expressar bem mas o assunto de hoje foi este. Espero que pelo menos um pouquinho dele tenha tocado alguem, ate mais....

Proxima Postagem 23/12 Museus e crianças

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A CULTURA É INULTIL, FELIZMENTE, por Juan Peces

   Artes, Filosofia, Dança, artesanato... Nao interpretem mal gente, a inutilidade ai se da no caso de ela (a cultura)despertar aquela pergunta "mas voce faz o que para viver" ou seja, cultura enriquece a pessoa intelectualmente porem nem sempre é rentavel e tem que gostar mesmo para se sobressair a tantas criticas e dificuldades. Leiam que o texto é interessante. E ainda bem mesmo que ela é inutil!!! :)

A cultura é inútil, felizmente, por Juan Peces

              Uma imagem composta para representar a leitura e a cultura em geral como um refúgio. 

Uma imagem composta para representar a leitura e a cultura em geral como um refúgio.

   O noticiário policial de 26 de dezembro de 2013 em Paris relata que um escritor desesperado, farto de instituições indiferentes à sua paixão pela cultura, arremessou seu carro contra os portões gradeados do Palácio do Eliseu. O motorista, Attilio Maggiulli, não pôde suportar o que considerava um desprezo oficial ao projeto da sua vida, o Théâtre de la Comédie Italiénne – que perdeu quase 50% de financiamento público em três anos –, e não encontrou melhor maneira de apresentar suas queixas do que carimbar sua indignação contra a residência oficial da presidência da República Francesa.

   Até aqui tem-se o resumo da história de Maggiulli. A notícia remete, no entanto, à história de outro escritor indignado, o professor italiano Nuccio Ordine* (nascido em Diamante, região da Calábria, daí o nome Diamante Ordine em sua certidão de batismo). Com personagens iguais ou parecidos – uma cultura apunhalada, uma educação asfixiada e um povo adormecido –, Ordine, de 55 anos, preferiu usar a palavra para atacar a ignorância das instituições e alertar sobre seus efeitos para a cidadania. Se deixarmos que nos roubem o legado de nossos antepassados e que se mutile o conhecimento, alerta, não apenas deixaremos de ser pessoas cultas, como também todas as gerações futuras deixarão de ser pessoas em sentido estrito.

    O veículo usado por Ordine para seu grito profético é o manifesto chamado L’utilità dell’inutile (“A utilidade do inútil”, sem tradução no Brasil).(...)
   
   O filósofo italiano Nuccio Ordine. / EFEA tese central do livro pode ser resumida na ideia de que a literatura, a filosofia e outros conhecimentos humanísticos e científicos, longe de serem inúteis – como se poderia deduzir por seu progressivo isolamento nos planos educacionais e nos orçamentos ministeriais –, são imprescindíveis. 

“O fato de [tais conhecimentos] serem imunes a qualquer expectativa de benefício” representa, segundo o autor, “uma forma de resistência aos egoísmos do presente, um antídoto contra a barbárie do útil, que chegou a corromper inclusive nossas relações sociais e nossos afetos íntimos”.


O filósofo  italiano Nuccio Ordine./  EFE

Como em um coro grego, Nuccio Ordine monta uma defesa do conhecimento apoiando-se nos autores que o precederam em sua empreitada. Dante, Petrarca, (...), Hugo, Montaigne… Eles são recrutados e contextualizados para mostrar “o peso ilusório da posse e seus efeitos devastadores sobre a dignitas hominis, o amor e a verdade”.

Por que este livro? “Há 24 anos venho tentando convencer meus alunos de que não se frequenta a universidade para obter um diploma, mas para tentarmos ser melhores, isto é, para aprendermos a raciocinar de forma independente.” Para Ordine, a transmissão do amor pelo conhecimento é um esporte de combate. E isso implica desmontar algumas ideias materialistas difundidas pelo sistema capitalista. “As pessoas pensam que a felicidade é um produto do dinheiro. Estão enganadas!”, afirma.

Tal pretensão já se estendeu para todos os âmbitos. “O utilitarismo invadiu espaços aonde nunca deveria ter entrado, como as instituições educativas”, denuncia o professor. E alerta: “Quando se reduz o orçamento para as universidades, escolas, teatros, pesquisas arqueológicas e bibliotecas, a excelência de um país está sendo diminuída, eliminando qualquer possibilidade de formar toda uma geração”.

O autor também se apoia em um discurso de Victor Hugo – em 1848! – diante da própria Assembleia Constituinte da França, onde o escritor pronunciou estas palavras: “As reduções propostas no orçamento especial das ciências, das letras e das artes são duplamente perversas. São insignificantes do ponto de vista financeiro, e nocivas de todos os outros pontos de vista”. Ordine diz que, ao ler esse discurso, deu um pulo até o teto e se apropriou das teses de Hugo ao afirmar (exclamar, na verdade) que “nas épocas de crise é que se deve dobrar o orçamento para a cultura!”.

O manifesto inclui também um texto premonitório de Abraham Flexner, publicado em 1939, que prega a importância da ciência. “Queria que ficasse claro que a defesa do inútil [o que não é ligado ao objetivo de lucro] não diz respeito somente a escritores e humanistas, mas é uma luta que também preocupa os cientistas”, explica Ordine. “O Estado não pode renunciar à ciência básica [por causa dos benefícios advindos]; por isso escrevi um capítulo dedicado às universidades entendidas como empresas.”

A Utilidade do Inútil não é apenas uma série de argumentos contra a tendência ao utilitarismo ou o “comércio satânico” (Baudelaire): é também um manual para superar o que o autor do livro chama de “o inverno da consciência” e para lembrar, com Montaigne, que “é o desfrutar, não o possuir, que nos faz felizes”.

*Nuccio Ordine é filósofo e professor de literatura italiana da Universidade da Calábria. Lecionou na Universidade Yale, na Universidade de Nova York, na Sorbonne (Paris) e no Instituto Warburg (Londres). Desde 2012, é cavaleiro da Legião de Honra francesa. A Utilidade do Inútil é o seu mais recente ensaio.

Fonte: El País

http://defender.org.br/artigos/a-cultura-e-inutil-felizmente-por-juan-peces/

 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

POLÍTICOS VÊEM A CULTURA COMO UMA SENHORA DOENTE

Como este blog fala sobre arte e cultura, nada melhor que colocar um artigo sobre este assunto

Políticos vêem a cultura como uma senhora doente, por Arnaldo Jabour

Os homens do poder no Brasil têm uma visão ultrapassada da cultura brasileira.
A cultura é uma deusa abstrata, uma senhora velha e triste, de camisola grega, que mora num museu, perto das salas das múmias. É assim que a cultura é vista pela maioria dos políticos brasileiros, por deputados metafísicos, por senadores-literatos, e por simples burocratas de todos os escalões. É difícil mexer suas cabeças. A história do cinema brasileiro, por exemplo, tem sido um delírio que faria Kafka reescrever “O processo”. Temíamos as serpentes e esquecemos das minhocas. Achávamos que o “imperialismo” destruiria o cinema nacional, mas quem nos destruiu foi um pequeno cineasta fracassado: Ipojuca Pontes e seu rancor.
Assim, lutávamos contra gigantes e os anõezinhos deram as rasteiras. No país, os psicopatas light são mais perigosos que os grandes canalhas. Vejam os anões do orçamento ou os pequenos relatores das reformas.
Que pensam os políticos e muitos ministros de áreas técnicas sobre a criação brasileira? Quase todos têm uma visão portuguesa de que a cultura precisa de caridade ou ajuda. Ninguém pensa em cultura no Brasil como um ser vivo. E a idéia de ajuda leva ao desejo de intromissão e controle.
Vejamos algumas nuances.
1 – Políticos figurativos: são inteligentes e liberais até a hora em que se fala de cultura. Aí, perdem o rumo, entram em angústia. Eles detestam a coisa fluida da arte. Odeiam o abstrato. Um quadro de Antônio Dias, por exemplo, provoca pânico. Querem pegar o objeto, carimbar vias, exigir certidões, clareza. Eles têm horror da “forma das coisas desconhecidas” como diria ShaKespeare. Querem a figura. Há muitos no PT, todos do PC do B, muitos no PFL e PSDB. Político brasileiro é acadêmico e figurativo.
2 – Políticos anti-utópicos: Ninguém entende que a cultura tem de ser fecundada e não financiada. Os políticos tinham de instrumentos e órgãos que buscassem se extinguir, por desnecessários. Como pais que ensinam os filhos a serem independentes. Mas não conseguem. São aliados dos burocratas dos guichês. O guichê é a dor do artista dependente, a proteção do burocrata e a lojinha de favores de políticos. Através do guichê, passam todos os rituais do clientelismo cordial. O guichê é a portinhola do fisiologismo.
3 – Kafkas e macartistas: Surgiram depois da onda das CPIs. Misturando fobia e correção, transformam todo projeto numa impossibilidade. Só criam decretos em forma de labirinto, com tantas garantias contra desvios, que qualquer lei perde sua função de estímulo. A Lei Rouanet foi assim. A gestão atual do ministério conseguiu melhorá-la, mas, quando foi sancionada, era impossível de ser aplicada. Um burocrata me disse, na época: “Se fosse fácil de aplicar, não tinha graça…”. A lei vira um fim em si. A arte passa a existir para garantir a dificuldade da lei.
Na cabeça do político médio, o artista é uma espécie de marginal que tem de ser vigiado em seu sórdido desejo de criar. O ideal para eles seria um cinema sem filmes, um balé sem danças, um teatro sem peças. De onde vem esta idéia, num país de corruptos, de que o pobre diabo do artista é um assaltante? Dos funâmbulos portugueses do século XV?
4 – Esquerdistas da cultura (Os vingadores): Estes políticos acham que “amam” o povo, e, portanto, concluem que não pode haver cultura porque o povo passa fome. Slogan “Se não há pão, para que arte?”. Neste raciocínio, talvez o fim do balé Corpo acabasse com a miséria no Vale do Jequitinhonha. Gritam de fronte alta: “O Piauí sofre, mas, em compensação, o Jabor não filma mais!”.
5 – Esquerdista da cultura tipo B (a forma): São seletivos em termos de arte. Toda complexidade é “alienação”. São patrulheiros estéticos do formalismo. Para o povo, só as coisas simples, claras. Eles me lembram uma milionária carioca que redecorou a casa toda e botou Picassos na sala e Vitalinos no quarto das empregadas.
6 – Políticos machistas: Acham que arte é coisa de viado. Dizem que esta frase é de Mário Covas.
7 – Empresários sem poesia: Jamais aplicam em cultura, apesar das leis novas. Acham que cultura é o vaso de Murano que a bicha decoradora mandou a mulher dele comprar para a casa pós-moderna do Morumbi. Falam com orgulho, mostrando o vaso ao amigo da Bolsa: “Quer ver o que é arte? Arte é isso!”.
8 – Tecnocratas “Hamlet”: Vivem do medo e da indecisão. Nunca têm coragem de decidir em seu nível. Sempre esperam a instância superior que espera a instância superior e assim por diante. Para eles, nada anda. Odeiam a simplicidade. Se o mundo fosse simples, eles perderiam o emprego. Na época da Embrafilme, eles viviam da fome dos cineastas. Era preciso que houvesse cineastas carentes para que houvesse funcionários. Eles nos queriam vivos, mas em agonia, para que não perdessem os empregos. A Embrafilme gerou uma fornada de cineastas infantilizados e de produtores-despachantes que não conheciam o mundo real do mercado.
9 – Políticos críticos (de cinema ou outra arte): Eles têm gosto próprio. Alguns, por exemplo, só gostam de filmes de ação. Senadores e deputados berram: “Rambo é legal; mas este negócio de filme da arte tem de acabar!”.
10 – Políticos de fino gosto: São poucos, mas existem. Só gostam de filme estrangeiro Adoram Bergman, filmes búlgaros e iranianos. Sabem tudo sobre Tarantino ou Almodóvar. “Filme brasileiro para quê? Já tem novela… “Se os críticos esquerdistas da cultura são típicos dos ministérios econômicos, o burocrata fino é típico do Itamaraty. Cultura para eles, só Ming ou Gobelins. Toleram, no máximo, um Aleijadinho.
11 – Os regionais da cultura: Arte e criação só de micro-regiões. É o pessoal do bumba-meu-boi contra a arte urbana. A cultura tem de ser “descentralizada” (adoram esta palavra) e ser bem pobrezinha e precária para existir como metáfora de nossa miséria mambembe. Slogan preferido: Abaixo Mallarmé! Viva o Maculelê!”.
12 – Afilhados da arte: Sempre que algum deputado ou senador tem de empregar o filho incompetente de algum compadre, grita. “Ele sabe fazer o quê? Nada? Então manda para a cultura!”. Cria-se uma geração de afilhados sem rumo que atravancam as fundações artísticas e as secretarias de cultura dos estados. Cabide também é cultura. “Que que o senhor é?”. “Bem, eu era assassino em Maceió. Agora sou chefe do Departamento de Literatura e Semiologia”.
13 – Literatos engajados: Para estes políticos, a arte é um ornamento que enfeita o triunfo político. Muitos vão ser escritores ou poetas para construir um prestígio que facilite eleições ou postos bem pagos. Para eles, a literatura engajada é aquela que ajuda a descolar bons postos no exterior. Escrevem muito. Gostam de nossas lendas e folclore. Conhecem como poucos a beleza da vida rude de nossos homens do interior, mas vivem em postos de Paris. Este tipo de literatura engajada na política foi inventada no Maranhão.
14 – Juristas implacáveis: Homens em geral muito velhos ou mulheres muito louras e com muito laquê e muito batom. Chamam-se em geral dr. Bevilacqua ou d. Margareth. Comem de marmita e dormem no almoxarifado. Estão nos ministérios há 40 anos e falam muito em Gustavo Capanema. Para eles, nada pode. Tudo é ilegal. Os ministros penam em suas mãos. Destroem qualquer lei coma técnica da regulamentação. Exemplo. A Lei da Cultura de S. Paulo, que Ricardo Othake criou, foi a melhor já feita. No Governo de Covas, foi engavetada por motivos misteriosos. Nunca mais se falou disso.
É isso aí. No Brasil, o Poder pensa que a cultura é uma senhora doente que tem de ser protegida para não morrer.
   Nos EUA, a cultura é uma adolescente criativa que tem de ser estimulada a viver.
Precisamos de um banho americano nesta cultura portuguesa.
Arnaldo Jabor – Segundo Caderno – O Globo 09.01.1996

terça-feira, 25 de junho de 2013

OS ARTISTAS E AS UNIVERSIDADES: LIBERDADE DE CRIAÇAO?

Os artistas e as universidades: Liberdade de Criação? Publicado: 22 de junho de 2013 em Explosão

As universidades sempre valorizaram as manifestações culturais e foi, consequentemente, palco de surgimento de movimentos artísticos. Em um rápido contexto histórico, no Brasil do século XIX, a Faculdade de Direito instalada no antigo Convento de São Francisco, foi cenário de uma grande escola literária: O Ultrarromantismo. Foi também na universidade que Salvador Dalí conheceu Buñuel e Federico García Lorca. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, década de 1970, surgiu a Geração Mimeógrafo. Era em universidades que Austregésilo Carrano Bueno divulgava o seu livro “Canto dos Malditos”.

Diversas bandas de Rock também surgiram ou tocaram pela primeira vez em uma universidade. Foi um período de efervescência cultural e de inquietação que marcou a História, a Psicologia, as Letras, as Artes, que mostravam mecanismos de sobrevivências diante um cotidiano entediante, sufocante e inóspito.

A arte sempre foi uma aliada de intervir na rotina, impactar e de suavizar o sufoco da sociedade e das instituições. Há diferentes formas de intervenção ou de interferência para humanizar um ambiente: pode ser a literária através de matérias-primas do inconsciente e com isso, promover desenhos em versos. Há quem busca na música, as canções de suas dores. Há quem busca no graffiti condições de interação e denunciar o desconforto de estar em um espaço de pouca comunicação, reflexão e companheirismo.

Nos últimos anos, parece que a arte só existe nos livros e na internet. As universidades que outrora prezavam esse contato visceral com os poetas e músicos, deram espaço para uma instituição com parcas manifestações culturais que apenas geram mão de obra qualificada e barata. A Cultura, que era um pilar de sustentação das universidades, foi trocado pelas certezas da racionalidade. Impossível não lembrar uma frase do poeta Chacal: “Cultura sem Educação é entretenimento insosso. Educação sem Cultura é formatação para o mercado de trabalho”. As universidades devem resistir perante as tentações do Capitalismo. É necessário prezar as suas raízes e incentivar as expressões livres do âmago gritante de um sujeito.

Se nem as universidades oferecem espaço para a Liberdade de Criação, onde mais os artistas poderão se expressar livremente? Já que apreciamos a comunicação visual, por que as paredes dos blocos estão sempre em cores neutras? Uma parede pode ser também uma excelente mensageira de angústias. Diferente em uma folha de papel, a escrita não está morta quando é colocado em uma parede, por isso que o graffite impõe a nossa atenção. O graffite denuncia, escandaliza, enfrenta, zomba e nos faz pensar ou nos emocionar. Tudo o que provoca a emoção e nos leva à reflexão, possui valor Estético e Cultural, desenvolve a inteligência, incita a capacidade de socialização, amplia o conhecimento e a sensibilidade.

Acredito na necessidade de não afastarmos os artistas das universidades. São parceiros que deram certos ao longo da História. Se a arte é impactante, serve para repensarmos algumas questões. Se deixarmos o Capitalismo romper de vez a ligação da arte com as universidades, seremos apenas mãos de obras e consumidores. As tentativas do Capitalismo em desprezar a Emoção e a Estética, revela que a próxima tentativa será com a ruptura de conhecimento científico das universidades. A genialidade da frase do Chacal atinge uma precisão incrível e me dou a liberdade de acrescentar um pensamento: Educação sem Cultura é instituição manicomial.

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Obs.: Esse artigo será publicado também, segunda-feira, no site Olhar Direto!!!
 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares (parte 4)




 Exposição de Arte Portugesa, Londres, 1955-1956

C – Os Lugares (Espaços) da Arte

    Se quem faz, faz para o produto ser mostrado, mostrar onde? Quais são os lugares? Em que espaços se vêem Arte?


   Os lugares e os espaços são vários, porque a Arte cabe em todo lugar.


   Herança do século 19 e 20, ainda há os salões com premiações. As Galerias e os Museus de Arte com seus curadores.


    Há os espaços públicos. Há as ruas. Radha Abramo nos historia uma de suas experiências relatando que “no final dos anos 70, organizei a primeira exposição a céu aberto, na ocasião da inauguração da Praça da Sé, em São Paulo. Foram 17 obras, expostas ao público. Se a crítica não gostou ao que conhecemos como Projeto Arte no Metrô, o qual ainda não foi totalmente concluído. Ainda temos obras para colocar nas estações”...


    Vemos assim que no Brasil iniciativas estão sendo tomadas. Falta talvez vencermos nossa timidez e seguir este exemplo de levar a arte para os espaços. Isto ajudaria aos novos artistas e educaria o povo a conviver com a arte.


   Falta o artista vencer seus próprios limites, o poder público incentivar mais, haver a coletivização de ações em prol de um mundo, um Brasil mais voltado para a Arte. Porque a Arte sensibiliza e vai mais longe. Ela levanta questionamentos e se assim é a Arte politiza, transforma, desperta conscientização.


     Terminamos dizendo que Nelson Screnci salienta que “... ainda há muito espaço no Brasil para quem quer criar. É um país em permanente construção, com muitas paredes brancas e vazias a serem preenchidos... Quem quer fazer faz, com autodeterminação e independência: inventa espaços, defende suas idéias, conquista um público e remove montanhas”.


   Portanto, o Brasil, o público, espera que você artista mostre suas habilidade e competências. Queremos ver você mostrando sua Arte. Quanto a você, poder público, secretários de cultura, queremos ver mais ações, promoções de eventos, iniciativas (e menos desculpas dizendo que as verbas não são suficientes). Quanto a você, empresários, gostaríamos de vê-los fazendo parcerias com o poder público ou incentivando algum artista ou escola de arte e ateliês. Pois, afinal Arte também pertence ao mundo dos negócios e é sinal de inteligência.


    Educando o povo, influenciando o imaginário através da arte e incentivando a cultura é que o país cresce e se modifica para melhor. Forma-se assim a Cidadania e reforça a sua soberania.


    Tomemos nossas atitudes acreditando em nosso país e creditando em quem pode fazer mais por ele despertando e sensibilizando consciências.


Fonte original: http://www.barbacenaonline.com.br
 
REFERÊNCIAS:


1) BAIERZ, Silvana. Radha Abramo—um paralelo entre arte e crítica. In. Consulte Arte e Decoração. Ano XIII. 2004. Ed. Nº 34.


2) SCRENCI, Nelson. Jovens Artistas, Novos Espaços. In. Consulte Arte e Decoração. Ano III. 2004. Ed. Nº 34.


Proximas postagens

  • 10 dicas para tornar uma visita divertida
  • A arte em busca do começo
  Para finalizar, vai um pensamento que retirei do blog Ilustratus e que é bem interessante. Para se pensar
 
(...) não existe talento; existe somente uma coisa: compromisso. Nós todos temos criatividade. A chave para expressá-la é aprender a definir o que é que você quer perseguir e criar um compromisso com essa idéia. Então você vai encontrar as ferramentas que você precisa. Você vai ter a paciência para trabalhar com todos os erros , as coisas que não parecem boas, e você vai manter a perseverança até que aconteça do jeito que você quer, ou de uma forma ainda mais maravilhosa do que tinha imaginado.Por David Paladin Chethlahe

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares parte 3

B – O Crítico de Arte


    Já que a Arte é produção, o artista não produz para si. Ele produz para mostrar. E é por isto que a Arte é a releitura que o artista e o observador, cada um com sua decodificação, sua bagagem, sua alfabetização artística faz da vida.

    O crítico de Arte é aquele que se acha melhor entendido para dizer se o quê se produziu foi uma boa mostragem ou não, se o artista soube se expressar, soube inovar, soube usar bem a linguagem artística.

   Élson Screnci justifica argumentando que “a necessidade imperiosa de transformar a matéria mantendo aí uma espécie de diálogo com o mundo da sensibilidade é o que dá autenticidade à arte. Isto não pode ser compreendido inteiramente por quem está de fora e pouco envolvido numa atividade... É conveniente procurar a aprovação do espectador... A opinião dos especialistas, por outro lado, nem sempre pode ser seguida à risca, já que a História da Arte vem demonstrando que geralmente não são bons profetas”.
    Radha Abramo em sua entrevista à Silvana Baierl diz que “O Crítico não pode julgar o que realmente é uma obra de arte ou não”. Entretanto entre esta fala, ela faz duas considerações: “... Você pode absorver tudo, conhecer todas as formas de arte, mas com a consciência de selecionar o que é melhor. É ver tudo, conhecer tudo e eliminar o que não presta”. E depois acrescenta, “há artistas que fazem um trabalho fascinante. Outros trabalham uma arte pública, exposta na rua. Ambas têm seu valor e não podemos afirmar que arte dos museus é mais verdadeira do que vemos nas ruas”. Adverte a própria crítica de arte o seu jeito de trabalhar a crítica. Acredito na conformidade heterogênea da arte... Cada um de nós é diferente, dentro do que somos”.
    Vem-nos uma indagação: e ao crítico, quem julga? Como se faz um especialista? Seu aval, seu crivo é infalível? Até que ponto ele é “puro” em seu julgamento? Até onde o seu profissionalismo passa pelas empatias de seu ser?

    O especialista, o crítico de arte, se faz pelo acúmulo de seus estudos, interesses, preparos, pesquisas e experiência. Apesar de toda sua formação ele não é infalível. Ele também erra e é influenciado. Como Nelson Screnci disse a História da Arte já provou que os especialistas não são bons profetas ao afirmar e autenticar ou não os artistas. E que eles podem errar “principalmente quando indicam a necessidade de enquadrar o trabalho em ‘modas’ ou ‘tendência’, o que se por um lado pode oferecer à criação um lugar ao sol, por outro não é suficiente para assegurar a permanência de uma obra consistente”.

CRITICO DE ARTE " DE NORMAN ROCKWELL

Meus acrescimo: Geralmente os criticos de artes tentam descobrir "novos" talentos. Eles sao os caça taletos que arriscam investindo na carreira destes desconhecidos artistas para tentar alavanca-los e assim ganhar fama junto com eles. É como investir na bolsa: voce pode ganhar milhoes ou perde-los dependendo do seu faro.

Proxima postagem:  
                27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares ultima parte
     

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares (parte 2)


           A – O Artista Hoje (no Brasil)

                                                                  
Imagem do Produtor de arte pega na net

   Antes de falarmos do produtor temos que falar do produto: Arte. Usando estes termos, produtor e produto, pode parecer que estamos sendo frios, racionais e que tratamos de algo do mundo dos negócios, da economia. Estamos sim nos referindo a isto também, porque no mundo capitalizado e globalizado arte é algo que também pertence ao mercado. Mas a razão principal é de tirar do imaginário que arte é coisa somente do plano espiritual ou da fruição dos sentidos ou do fluir. Arte e produção advem das habilidades e competências do fazer, do produzir. Foi-se o tempo que arte era vista como um dom e seu produtor, alguém abençoado por alguma entidade.

    A arte vem da necessidade que o homem sente de criar. De transformar o objeto e de dar a ele uma outra função que não o de sua funcionalidade comum (isto ocorreu sobretudo após as vanguardas do século 20). Além da necessidade de criação que move a Arte, ela é feita pela necessidade de despertar emoção, sentimentos e releitura da vida. Portanto, a Arte também é comunicação.

    Uma vez tirada a Arte de seu pedestal místico e mítico, e sabedores de que ela é o desenvolvimento, o exercício, de habilidades e competências leiamos o quê a historiadora de arte e crítica, Radha Abramo, nos diz sobre o artista, especificamente o artista brasileiro: “O que falta ao artista brasileiro é pesquisa. Arte se faz com pesquisa, conhecimento. Mas para pesquisar, o artista precisa ter material, precisa encontrar registros do que ocorreu na história. E no Brasil, temos poucas literaturas para pesquisar”. (BAIERL).

    Estas palavras são endossadas pelo articulista SCRENCI, “Cada vez mais se exige do artista uma qualificada formação teórica e prática, que favoreça o desenvolvimento de uma criação original livre de resultados óbvios e estereotipados”.

Nelson Screnci afirma ainda, que no Brasil, o artista plástico é confundido com o artesão. Apesar de haver associações das classes de artistas, falta-lhes os sindicatos, os registros em carteiras e o que é pior e que motiva esta confusão: a atividade de artista plástico ainda não foi legalmente reconhecida pelos meios oficiais.

O mesmo articulista aconselha: “Uma grande saída para quem está debatendo nos difíceis começos de uma carreira artística é o apoio de um trabalho coletivo... E desta forma invalidar a triste idéia romântica que vê no sofrimento uma condição necessária ao aparecimento de uma obra-prima” (grifo nosso).

    E ele salienta que, no Brasil de hoje, quando assistimos e os dados estatísticos confirmam para o aumento da expectativa de vida e da faixa etária considerada da terceira idade, “muitas carreira brilhantes começaram na maturidade. É quando temos mais disponibilidade para assumir uma ocupação comprometida apenas com o prazer. E experiência de vida para transformar essa atividade uma grande paixão”. E ainda que “jovens artistas não são necessariamente artistas jovens”, porque “construir uma obra é um investimento de tempo e um ato de abnegação”.

   A historiadora de arte Radha Abramo diz que, no campo das artes plásticas, “acho que o forte da arte brasileira está na escultura e na instalação”.

    Para quem é leigo a instalação, segundo a Wikipedia, “é uma manifestação artística onde a obra é composta de elementos organizados em um ambiente... Uma das possibilidades da instalação é provocar sensações... ou coisas que simplesmente chamem a atenção do público ao redor. A primeira instalação artística foi o ‘Merz Bau”, ou ‘Casa Merz’, o apartamento do poeta e artista plástico Kurt Shwitters, transformado por ele em obra de arte, de 1923, na cidade alemã de Hannover”.


Kurt Shwitters,  "Merz Bau”
Proxima Postagem: 20/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares (parte 3)
                                   27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares (final) 


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares (parte 1))

 
 
                      O inicio de todas as artes: "Arte Rupestre" na Gruta de Altamira

O ser humano desde que tomou ‘consciência de seu Ser’ sentiu necessidade, de muito mais do que seus instintos exigiam (fome, sede, abrigo, proteção), da Arte. Com isto surgiu a figura do artista, que ao longo da história assumiu diversos estados.


Nos primórdios foi aquele que, em cavernas, conseguia fazer fluir a caça. Depois era aquele que conseguia se comunicar com o mundo dos espíritos (surgia neste momento a figura do sacerdote).


Tornou-se artífice em busca do belo no mundo helênico e romano para logo depois ser o artesão da Paixão de Cristo nos Mosteiros e Catedrais.


Na Renascença, quando ousadamente, enquanto mestre, sagrou seu nome em suas obras. A assinatura do artista virou marca, virou etiqueta. E ele tornou-se protegido e financiado por algum mecenas (Nobre ou Clérigo).


As Revoluções Burguesas também alterariam o estado do artista. Agora sem a proteção da Igreja e da Nobreza, o artista se viu em dificuldades. Foi quando, então, no Século 19, na Europa surgiram os Salões cuja finalidade era proteger as Artes Plásticas e promover os recém artistas a fazer nome, a conquistar mercado e a ter o aval do especialista em arte – o Crítico de Arte.


Desta forma, na Contemporaneidade, o mundo da Arte se faz. Ou seja, o Artista, aquele que produz o objeto; o que tem um discurso sobre o produto, o Crítico de Arte; e os lugares onde o objeto é mostrado ao público, que são os salões, museus, galerias e exposições.

Proximas Postagens: A – O Artista Hoje (no Brasil)
                                      B – O Crítico de Arte
                                      C – Os Lugares (Espaço) da Arte


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