Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 19 de março de 2013

TRANSMISSAO ORAL DE TRADIÇOES ESTA AMEAÇADA

grio
Clique na imagem acima e escute a entrevista

    Por muito tempo, as tradições foram transmitidas oralmente, de geração para geração, por meio de contas, lendas e cantigas. A oralidade se tornou um meio de conexão entre o passado e o presente. Mas com a chegada da internet e com o avanço das novas tecnologias, essa forma de comunicação e ensinamento está ameaçada. Especial produzido pelo radiojornalismo da EBC discute a importância da conservação da tradição oral como ferramenta de transmissão do conhecimento. Confira a série de reportagens “Griô – a preservação das tradições orais”.

Você sabe o que é um griô?
De origem africana, ‘griô’ é um guardião da memória da história oral de um povo ou comunidade. A palavra é usada para designar as pessoas que têm a missão de receber e transmitir ensinamentos como um fio condutor entre gerações e culturas.

Cultura oral é desprezada pelo ensino formal
Mesmo com toda riqueza e diversidade da cultura popular, as escolas excluem de seus currículos o ensinamento da transmissão oral de tradições. O professor da Escola de Comunicação e Artes de Universidade de São Paulo (ECA/USP), Sérgio Bairon, diz que o país perde ao desvalorizar esse tipo de conhecimento, presente em inúmeras comunidades.

Jovens ajudam a resgatar tradição oral
Os griô aprendizes estão descobrindo as histórias dos mestres da cultura e reaprendendo a escutar na tentativa de se reconectar com o saber que pode ser transmitido pelas narrativas orais. Nessa busca, eles acabam por se encontrar e se reconhecer na ancestralidade das tradições transmitidas oralmente. Enteda a importância desse resgate.

Griôs são fontes vivas de ensinamentos
Para garantir a valorização da tradição oral e o ensino desse saber nas escolas, foi criado o Projeto da Lei Griô, que pretende implementar uma política nacional para o reconhecimento e incentivo da oralidade.

fonte original http://www.ebc.com.br/cultura/2013/02/transmissao-oral-de-tradicoes-esta-ameacada

terça-feira, 12 de março de 2013

A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO parte 3

 Finalizamos finalmente esta semana com a terceira parte do texto, parte esta que se foca na cultura brasileira e os beneficios e problemas enfrentados assim como os beneficios que ela pode trazer.  

    Somos internacionalmente reconhecidos e admirados por nossa criatividade e pela riqueza de nossa diversidade cultural. Semiodiversidade e biodiversidade são a nossa maior riqueza. É através delas que temos nos afirmado internacionalmente. Nossa verdadeira vocação está delimitada pela cultura brasileira. É ela que nos tem feito singulares e festejados mundo a fora. Existe hoje, em praticamente todo o mundo, um grande interesse pela nossa cultura, que vem acompanhando o crescimento da presença econômica e política do Brasil. Isso acontece com nossa música, nossas manifestações tradicionais, nosso futebol arte, telenovelas, nosso cinema, arquitetura, nossa dança e nossa inteligência corporal. Temos nos destacado pelo nosso amor à vida e por nossa alegria e disposição para celebrações e festas, e pela nossa capacidade de assimilação e convívio entre diferentes… Entretanto, temos que admitir, não estamos preparados para atender a estas demandas culturais elencadas acima, nem internamente, nem para este crescente mercado internacional.

   Tal realidade salta aos olhos. Nós, brasileiros, temos muitas condições e possibilidades de nos tornarmos um dos maiores produtores de conteúdos e bens culturais e a termos nesta economia um dos eixos centrais de desenvolvimento e produção de riqueza, juntamente com a indústria tradicional, o agronegócio e o setor tradicional de serviços.
    Para que em dez ou quinze anos tenhamos atingido essa meta, deveremos pactuar uma grande política, capaz de fazer dessa riqueza cultural uma grande atividade econômica. 

   Essa é uma estratégia que conta com grandes dificuldades para ser elaborada e implementada. A amplitude de questões que envolvem o campo cultural e sua economia são grandes complicadores. É enorme o leque de assuntos em pauta. Ele envolve desde políticas educacionais até novas tecnologias do conhecimento. Ele exige a formatação de novos modelos de negócios. O estágio de dispersão em que vivemos e a falta de formulação e informação do próprio setor cultural sobre as grandes questões que envolvem a cultura, associados aos entraves que restringem as cadeias produtivas e o conjunto dessa economia, bem como a falta de clareza de muitos quanto ao papel do estado e da iniciativa privada, são desafios que temos que enfrentar.

   (...) O Brasil precisa de um novo Projeto de Nação, construí-lo com a sociedade é a nossa maior missão. (...) Temos que ter a compreensão de que não basta aumentar o poder aquisitivo da população. A educação de qualidade e o acesso pleno à cultura são componentes básicos do nosso desenvolvimento. Para que a nossa economia da cultura avance ela também depende da inclusão de milhares de brasileiros que dela carecem.

    O governo herdou a tradição de manter e “estimular” um Ministério da Cultura fraco e atrofiado institucionalmente:(...) a histórica insuficiência de recursos alocados ao setor cultural. Levantamentos apontam que o orçamento do Ministério da Cultura na década anterior recorrentemente o menor de todos os orçamentos ministeriais, criando uma grande desproporcionalidade entre a importância da cultura e sua presença efetiva na vida social do país.

   (...) As razões desse enfraquecimento da responsabilidade do Estado no que se refere à cultura se encontram, por certo, na estreita visão da matéria, e do papel do Estado dela decorrente.

  Além do mais, é por meio do desenvolvimento cultural que a sociedade capacita-se a produzir idéias e processos contra-hegemônicos. 

      "Para nós, a cultura está investida de um papel estratégico, no sentido da construção de um país socialmente mais justo e de nossa afirmação soberana no mundo. Porque não a vemos como algo meramente decorativo, ornamental. Mas como a base da construção e da preservação de nossa identidade, como espaço para a conquista plena da cidadania, e como instrumento para a superação da exclusão social – tanto pelo fortalecimento da auto-estima de nosso povo, quanto pela sua capacidade de gerar empregos e de atrair divisas para o país.

    Quando assumiu o Ministério da Cultura, em janeiro de 2003, o Ministro Gilberto Gil afirmou em seu discurso de posse: “Tenho para mim que a política cultural deve permear todo o Governo, como uma espécie de argamassa de nosso novo projeto nacional”. Nessa frase se expressa de forma clara a nossa convicção sobre a centralidade da atividade cultural numa vida política e social mais elevada, e sobre a importância da atividade cultural para a economia do país, para a criação de novas oportunidades de trabalho mais qualificado.

     A cultura produz muitas “externalidades”; os impactos dos processos simbólicos, das ações e dos conteúdos culturais e artísticos iluminam de diversas formas os diferentes segmentos da sociedade e a vida das pessoas nas mais diversas dimensões: impactos da cultura são visíveis na economia, na saúde, na educação, na ciência e tecnologia, na pesquisa,(...) na possibilidade de desenvolvimento de subjetividades complexas, fundamentais na formação de uma cultura democrática, solidária e participativa. (...)

      Diante desta compreensão passamos a operar uma política cultural unindo três de suas dimensões mais fundamentais.

    Inicialmente, a cultura em sua dimensão simbólica. A arte e a cultura intimamente conectadas com a interpretação que fazemos do mundo. Afinal, é no campo da cultura que se qualifica as relações sociais. É ela quem “dá liga” à cidadania. É através dela que nos identificamos como partes de uma mesma nação.

      Cabe aqui um parêntesis. O destaque que aqui se dá a amplitude do conceito de cultura em nenhum momento pode obscurecer a importância que tem a arte para a sociedade humana. Desde a sua mais remota manifestação a arte está associada ao sentido da vida e à transcendência da condição humana. A arte é a parte mais sofisticada da cultura humana. Ela é sua essência. Arte é a cultura de todos recriada por um indivíduo, por isso cada obra de arte é única, insubstituível.  A arte consegue essa façanha aparentemente impossível: unir o máximo de individualidade e o máximo de expressão coletiva.

     Depois, a dimensão cidadã. A cultura como fator de inserção social, como um direito fundamental, como uma necessidade humana básica,(...). Algo sem o que o ser humano não se realiza.

    E, por fim, a cultura como matéria prima de um dos processos mais dinâmicos da economia, sua dimensão econômica, algo em franca expansão em todo o planeta (...).

   Com base nesses princípios e segundo esses conceitos de política cultural, aqui elencados, avançamos por todo o território nacional.(...)

   Mas, apesar de tudo o que fizemos ainda há muito a realizar. Mesmo com todo o esforço do Governo para ampliar o orçamento da cultura, nosso déficit é imenso (...) 92% dos municípios não têm um cinema sequer, nem teatros ou museus, e menos de 14% dos brasileiros vão ao cinema uma vez por mês; 92% nunca foram a museus, 93% não vão a exposições de arte e 78% não assistem a espetáculos de dança.

   Muitos não sabem que a cultura movimenta uma economia que emprega mais que a indústria automobilística. Essa economia em franca expansão tem demandado regras claras e transparentes, exigido um marco legal que garanta o direito do autor – de artistas e criadores, e que viabilize um maior acesso do cidadão aos bens culturais; que elimine os entraves à livre negociação, e que, ao mesmo tempo, dê segurança jurídica também ao investidor. Precisamos de uma legislação que nos inclua no mundo digital, e que garanta neste universo de relações e mídias os direitos do autor. Que, enfim, nos atualize na história.
(...)

     Juca Ferreira
Sociólogo e Ministro de Estado da Cultura


“A centralidade da cultura no desenvolvimento” – In. Barroso, Aloísio Sérgio; Souza, Renildo (orgs.). Desenvolvimento: idéias para um projeto nacional. São Paulo: Fundação Maurício Grabois, 2010. p. 265-278.


Comentario: Desde o inicio queria evitar as partes relacionadas a governo e me concentrar apenas na fala sobre a cultura, porem num texto retirado de um site de governo é inevitavel entao nao teve como fugir e sim encara-lo de frente pois no papel tudo pode ser escrito e fica muito bonito de ser lido porem vai ver a realidade da cultura num pais no qual as escolas (principal fonte de ensinamento da cultura) muitas vezes nao possui um material descente ou os professores um salario digno sendo que estudar em  escola publica antigamente era orgulho e hoje muitos pais preferem a particular para dar um pouco mais de conhecimento ao filho. No Brasil, obras e bens publicos mal são inaugurados e junto com eles alguem quer deixar sua marca ou algo do tipo. E entao vem um texto deste exaltando a importancia da cultura e ao mesmo tempo nos atualiza aos dados culturais vividos pela vida real, dados estes que são reflexo da condição de muitos que precisam muito mais de comida e casa para morar nao tendo tempo para se preocupar com a cultura que aqui geralmente é ligada a pessoa rica. E ai como ficamos nisso?!

terça-feira, 5 de março de 2013

A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO parte 2

 Continuanado o texto da semana passada sobre a importancia da cultura, a parte de hoje (a qual acho mais legal)  esta centrada na cultura e os beneficios que ela pode trazer a um povo. Tambem começa a falar sobre a cultura brasileira. 

 A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO parte 2

    Cultivar é ordenar e sistematizar um conhecimento, nascido de um conjunto de valores, transformando-o em uma ou mais práticas. Não se pode ter dúvida que o desenvolvimento de uma sociedade humana é a tradução mais corriqueira de um processo civilizatório mais amplo. Projetar o desenvolvimento de uma sociedade é, em última instância, idealizar um modelo de civilização.

    A afinidade entre cultura e civilização é tão grande que costumeiramente são confundidas. Para determinadas correntes de pensamento do século XVIII e XIX elas foram sinônimas. De uma coisa, entretanto, não se pode ter dúvida. A civilização é um projeto de sociedade formado por valores e por uma visão de mundo, corporificados em instituições e representações sociais e políticas; em suas realizações e em seu modo de vida. É evidente, por tudo isto, que a base de uma civilização são suas culturas.

   Todo desenvolvimento material corresponde a um dado desenvolvimento intelectual. São interdependentes, faces de uma mesma moeda. A ninguém espanta que cultura e conhecimento também estejam permanentemente sendo confundidas. Não é para menos, a tradução que fazemos da vida está condicionada ao conhecimento que dela temos. A qualidade de vida numa sociedade humana depende das culturas que nela predominam.  

    Depende das ideias predominantes sobre o valor da vida humana, das necessidades criadas pela nossa existência coletiva, dos modos de satisfazer as necessidades básicas e de criar formas mais variadas de aproveitar a própria vida.  Todas as nossas necessidades são construídas culturalmente ao longo da História, mesmo que sejam as mesmas em qualquer lugar e época. Isso significa que a própria noção de “desenvolvimento” está carregada de valores.

   Especialmente no mundo contemporâneo, não temos como falar em desenvolvimento sem questionar a sua sustentabilidade. O desafio de buscar um desenvolvimento sustentável já é em si mesmo expressão de confronto com um modo de ser que ainda hoje é hegemônico. 
(...). Vivemos num século em que se evidencia a irracionalidade do estilo ocidental de desenvolvimento, construído com base em valores culturais forjados em uma visão de mundo etnocêntrica e antropocêntrica, que marcou e têm ainda marcado em muito o pensamento científico ocidental.

   (...). Como vemos, é a cultura, em suma, quem lhe dá os contornos e as coordenadas de sua ampliação. A questão ambiental, que a busca por um desenvolvimento sustentável nos impõe, está a nos exigir outra sensibilidade e visão de mundo. (...) Meio ambiente não se confunde com a natureza, ele nasce da relação do homem com ela. É resultado de um propósito civilizatório. Não existe sem uma cultura(...).

   Temos uma história que não é apenas “natural”, que também é cultural, urdida por uma natureza muito particular: a humana. A chamada luta contra a natureza foi um dos maiores motes do processo civilizatório ocidental até a bem pouco tempo. A palavra cultura (...) nasce no centro da invenção de uma dicotomia e de um conflito entre o homem e natureza. Está na raiz de sua definição ser algo que nasce em oposição ao natural. Sua meta, em primeira instância, está associada à superação da condição de primata.

   Cultivar é de fato alterar a ordem natural das coisas; a agricultura e o fogo foram nossas duas primeiras interferências no meio ambiente. A cultura passou a ser o nosso grande diferencial frente aos outros animais (...).

   Não é demais repetir: temos que ter em mente, a questão ambiental é, sobretudo, uma questão cultural, que envolve mudança de sensibilidade, comportamento e visão de mundo. 

   (...)Não costumamos ver a cultura como uma necessidade básica. Temos que entender que sem uma radical mudança de valores, não há salvação para a vida do homem no planeta. (...)Carecemos de outra visão do que seja desenvolvimento (...).

    Foi assim, com essa visão do papel estratégico que cabe à cultura no desenvolvimento de nosso país, sentimos a necessidade de ampliar o raio de compreensão da ideia de cultura (...). Eliminamos as caixinhas que o restringiam ao mundo das artes e da literatura. Redesenhamos a sua estrutura institucional para uma atuação mais ampla em todos os sentidos. Sabíamos que tínhamos que ativar todo o corpo cultural brasileiro. 
    (...)Precisávamos desconcentrar a nossa política cultural, trazer para o seu raio de ação expressões culturais até então sem acesso ao apoio do Estado.

   Precisávamos ir ao encontro da diversidade cultural brasileira, enfim. Sabíamos que toda forma de cultura vale a pena. Estamos convencidos de que nossa grande contribuição a um mundo globalizado é a nossa diversidade cultural.(...) Aliás, nossa singularidade é mesmo a nossa pluralidade.(...)
 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A CENTRALIDADE DA CULTURA NO DESENVOLVIMENTO

  O texto de hoje foi dividido em 3 partes e mesmo assim se encontra fragmentado. Como antes foram postados textos sobre diversidade cultural, nada melhor do que falar sobre o significado de cultura e ao transcreve-lo tentei centrar ao maximo no assunto cultura que é o que estamos falando aqui e tirar partes muito teoricas para tornar acessivel ao leitor. Tentei retirar tambem partes que falam sobre governos embora haja partes que precisam ser mostradas. Achei interessante o texto pois ele traz exclarecimentos importantes e significativos sobre o assunto que certa forma sao novos. Esta primeira parte é centrada especificamente em discorrer sobre a cultura e suas funçoes

A centralidade da cultura no desenvolvimento

Artigo do ministro da Cultura, Juca Ferreira, sobre a centralidade da cultura no desenvolvimento.

    Há alguns anos as Nações Unidas adotaram, em seus Relatórios sobre o Desenvolvimento Humano, a ênfase sobre o acesso pleno à cultura como importante indicador para avaliar a qualidade de vida, e a considerar estratégicos os processos criativos e simbólicos para o desenvolvimento de uma sociedade. É muito relevante que a principal agência intergovernamental do planeta tenha adotado a pauta cultural na sua agenda de desenvolvimento. E, que a apresente como parte das atribuições dos Estados Nacionais no século XXI, enquanto realização dos direitos humanos e como fundamental dimensão do desenvolvimento. (...)

    Nós brasileiros estamos, neste momento histórico, diante de grandes desafios. Para a continuidade e consolidação do atual ciclo de crescimento do país, para que o nosso desenvolvimento se torne de duradouro e sustentável, é incontornável o aprimoramento de nossas estratégias de desenvolvimento. (...)

    Entre as muitas condições necessárias para que possamos enfrentar o desafio de superar nossas mazelas históricas e as fragilidades mais recentes, está a sustentabilidade ambiental. Precisamos transformar a riqueza da nossa biodiversidade e de nossos recursos naturais em um ativo poderoso dessa nova etapa de desenvolvimento(...). Temos também diante de nós a possibilidade de ampliação e consolidação do atual processo de inclusão social e econômica e de erradicação total da pobreza em nosso país; em condições de garantir o surgimento de uma sociedade com oportunidades e direitos iguais para todos. A qualificação da educação em todos os níveis é, nesse contexto, um dos principais suportes do desenvolvimento. Este demanda uma escala capaz de satisfazer as necessidades do mercado de trabalho. E também cobra da educação a preparação das novas gerações para viver como cidadãos de uma sociedade que respeita o meio ambiente, em harmonia com a democracia e o estado de direito. O desenvolvimento cultural, aqui compreendido como desenvolvimento da dimensão simbólica em geral e das artes em particular, a ampliação do acesso pleno aos bens e serviços culturais e a sua completa universalização para todos os brasileiros, junto ao fortalecimento da economia da cultura, são partes indissociáveis desse processo.

    Ainda assim, percebo com certa frequência reações de estranheza nos momentos em que, por uma razão qualquer, enfatizo a necessidade de fortalecer a relação entre cultura e desenvolvimento em nosso país.  Interpreto isso como resultado de um erro de percepção, infelizmente muito comum em nosso país, uma deformação herdada do passado que ainda pesa sobre nós com uma força brutal. Podemos resumir esse conflito dizendo que em certo momento esquecemos que não se pode conceber desenvolvimento ou tecnologia sem cultura, porque tudo está impregnado de cultura.

     Essa visão das coisas tem dominado o campo das mentalidades e dos valores. O senso comum, primeira vítima deste erro, tem sistematicamente reduzido a cultura ao campo artístico e às atividades do lazer.  A cultura seria, então, uma espécie de passatempo, algo a que as pessoas se dedicam nos seus momentos de ócio, para distrair-se, para relaxar, algo que não possui uma utilidade intrínseca. Toda a nossa vida cultural seria um complexo de produtos e atividades acessórios, secundários, quando muito, com algum valor de mercado (um lucrativo conjunto de bens e serviços). Predomina em muitos setores esta visão tecnicista e pseudo-pragmática, fortalecendo uma opinião estreita sobre o que a cultura representa para um povo.  Infelizmente, essa visão tem contaminado em muitos momentos a nossa política, os nossos costumes e os nossos arranjos institucionais.

    Diante de tudo isso, sinto que ainda há um bom caminho a trilhar até que tenhamos muito claro o papel estratégico que tem a cultura para o desenvolvimento de um país, especialmente quando o queremos de todos.

     Enxergamos cultura em toda a trama social. A cultura humana é tudo que resulta da ação humana, de suas interferências sobre o mundo; é tudo que torna visível o pensamento do homem sobre si mesmo e sobre o ambiente que o cerca.  Todas as nossas práticas sociais são diferentes formas de concretização da cultura de que fazemos parte. Se estamos assistindo um show de música popular para milhares de pessoas, a tendência natural é imaginar que somente os artistas e suas canções fazem parte da cultura.  Mas a tecnologia que criou a aparelhagem de luz e de som também é cultura; as bebidas e lanches consumidos pelo público são produto da cultura; o sistema econômico de cobrança de ingressos e pagamento de cachês também é resultado de uma cultura; a tradição social do congraçamento coletivo em praça pública, igualmente é cultura; os meios de transporte usados pela equipe, a rede elétrica que alimenta o palco, o palco e a engenharia de sua estrutura; tudo isso faz de um simples show o produto de um tecido intrincado de diferentes culturas superpostas, que convivem invisivelmente na mesma sociedade.

    Este texto continua semana que vem

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"PATRIMONIO IMATERIAL E DIVERSIDADE CULTURAL : decreto para proteção dos bens imateriais."

   Eu ganhei um livro "O Registro do Patrimonio Cultural": dossie final da comissao e do grupo de trabalho PATRIMONIO IMATERIAL. E dentre os artigos que livro possui, eu escolhi ler o texto que possui o titulo do post de hoje; ele possui aproximadamente 123 linhas e o dividi em 4 partes contendo cada uma 30, 35, 31, 30 linhas, a parte escolhida foi muito interessante pois se relacionou com a postagem passada sobre a diversidade cultural
   Hoje será transcrita a parte final que achei a mais importante depois outro dia posso transcrever as outras tres para voces conhecerem o texto. Entao vamos?!  o que está entre () é adição minha para esclarecimento do texto.


    O paragrafo esta falando sobre o novo decreto que o Brasil criou sobre Patrimonio Cultural Imaterial revendo as noções de patrimonio e nao mais dissociando o material do imaterial e que foi um avanço para o país.

"PATRIMONIO IMATERIAL E DIVERSIDADE CULTURAL : decreto para proteção dos bens imateriais." 

                                                                                                                   Autor: Laurent Levi Strauss
tradutoção: Jeanne Marie Claire Sawaya
 
     ... Alem da inclusao de representantes da sociedade civil entre as partes legitimas para propor inscrição, nos livros de registro de um bem imaterial sao 4 os tipos: 1 saberes e fazeres, 2 celebrações ritos e festas, 3 expressoes literarias, artes e cenicas e 4 mercados feiras e santuarios ) e a preocupação constante reafirmada de que toda inscrição deve ser acompanhada de documentação cientifica e tecnica reunida pelo IPHAN (Instituto do Patrimonio Historico e Artistico Nacional) um dos dispositivos do artigo merecem ser especialmente enfatizados: é o artigo 8º, que preve que os bens culturais imateriais inscritos serão reexaminados e reavaliados a cada 10 anos, a fim de se decidir se ainda merece figurar na lista do "Patrimonio Cultural do Brasil". Pois, de fato, mais ainda do que qualquer outro, o patrimonuio imaterial nasce, vive e morre. Intimamente associado a vida cotidiana das pessoas, nao se poderia congela-lo, nem pereniza-lo por decreto. Gostos, necessidades, modo de vida, valores representações sempre evoluiram e continuarão a faze-lo e, se uma comunidade  abandona uma pratica  social nao há como opor. O que pode ser feito, e o decreto atende a isso é, por um lado, inventariar estudar e conservar, e por outro, oferecer reconhecimento social aos detentores deste patrimonio para que tenham reconhecida sua importancia, convidando-o a perpetua-lo e transmiti-lo às novas gerações que, por sua vez, terão tomado consciência de seu valor.
    
      (aqui esta a parte que mais gostei) esde o Renascimento, compreendeu-se que nenhuma civilização pode pensar por si propria sobre si mesma se nao dispuser de uma outra ou varias outras que lhe sirvam de elementos de comparaçao. Para conhecer e compreender sua propria cultura, é necessário aprender a vê-la do ponto de vista do outro, confrontar nossos costumes e crenças com aquelas de outros tempos e de outros lugares. (Tive uma experiencia assim quando mudei de regiao porem continuei no mesmo estado, ao me deparar com outro subsotaque, pude ver o quanto a minha regiao fala carregado ao estilo caipires mesmo, foi interessante esta observação.)
   
 Nas suas relações mutuas, as sociedades humanas nao podemficar abaixo, sem correr riscos (...) Na era da mundialização, em que a diversidade externa tende a torna-se cada vez mais pobre, torna-se urgente manter e preservar a diversidade interna de cada sociedade, gestada por todos os grupos e subgrupos humanos que a constituem e que desenvolvem, cada umm diferenças às quais atribuem extrema importancia, Em certa media, a dicersidade cultural poderá pelo menos ser mantida e estimulada pela preservação das especificidades culturais dos diferentes grupos sociais: assim como se criam bancos de genes  de especies vegetais para evitar seu empobrecimento da diversidade biologica e o enfraquecimento de nosso ambiente terrestre, é preciso, para que a vitalidade das sociedades nao seja ameaçada, conservar, ao menos, a memoria viva de costumes, praticas e saberes insubstituiveis que nao devem desaparecer. Pois é a diversidade que deve ser salva, nao o conteudo historico que cada epoca lhe conferiu e ninguem sabera perpetuar para alem dela propria. A nova legislaçao brasileira abre, neste sentido, vias que poderão ser uteis como inspiraçao para toda comunidade internacional.

     Comentario: Achei interessante o texto porque mesmo sendo escrito por teoricos apresenta ao meu ver uma leitura facil de ser compreendida e que fala muitas verdades que podem proprorcionar a identificaçao pessoal sobre o que é e esta acontecendo com a cultura regional, do pais e ate mundial, ou seja, ela é mutante.

   Um abração e ate a proxima postagem    

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