Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
Mostrando postagens com marcador restauração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador restauração. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de abril de 2014

PRESERVAR É COISA SERIA. RESTAURAÇÃO TAMBEM,

Preservar é coisa séria. Restauração também, por Jorge Luis Stocker Jr

A restauração de bens históricos é competência do profissional arquiteto e urbanista, segundo a legislação existente e as resoluções internas do CAU. O conhecimento técnico e teórico necessário para propor uma restauração, no entanto, ainda passa longe de integrar efetivamente os currículos. Este conhecimento específico está restrito às pós-graduações profissionalizantes, que ainda são poucas e, devido a geral não exigência de especialização para assumir uma obra de restauro, tornam-se pouco atrativas.
 O efeito Dona Cecília está presente em muitas obras de restauração.
O efeito Dona Cecília está presente em muitas obras de restauração.
O resultado deste lapso de informação e de formação é a agressão contínua a bens patrimoniais de importância ímpar, que são submetidos a intervenções equivocadas ou até desastrosas que aceleram sua degradação, desfiguram seu aspecto volumétrico ou mesmo implicam praticamente na perda total do bem.
Antes de mais nada: Existem casos e casos
É preciso sempre deixar muito claro que patrimônio cultural é diverso e não um conceito fechado e absoluto. Existem diferentes tipos de valores, e diferentes intensidades de importância destes valores, que podem ser atribuídos aos bens culturais.
Existe, portanto, aquele bem que pode ser inventariado como patrimônio cultural ainda que não tenha grandes valores artísticos ou históricos – mas em contrapartida, compõe paisagem ou pertence a uma tipologia característica do local. Estes bens patrimoniais normalmente se prestam a receber intervenções mais profundas, desde que mantenham suas características principais (volumetrias, ritmo de fenestrações, etc).
E existem aqueles bens que tem enorme relevância arquitetônica e/ou histórica, bem como paisagística, documental, social e etc. que, por suas características únicas, merecem muita prudência, sensibilidade e cuidados ao receberem intervenções recuperativas. Isso não significa que não possam ser adaptados e receber anexos, e sim que essas adaptações anexos devem ser elaboradas com todo cuidado e seguindo diretrizes de preservação.
1619557_10202282634404750_213253120_n
Jogo dos 7, ou mais, erros.
1517413_10202282669805635_1385238425_n
É importante frisar que o senso comum de “manter apenas a fachada” é bastante perigoso e equivocado. Faz-se necessário analisar sempre muito bem os valores de cada bem histórico, para que se defina o que nele é importante e o que eventualmente possa não ser.
Intervenções desastradas
Recentemente o caso da desfiguração de uma pintura religiosa promovida pela “dona Cecília” teve grande repercussão na mídia internacional. A deformação de uma obra de arte é bastante fácil de reconhecer. Já a deformação de obras de escultura e de arquitetura muitas vezes passam despercebidas, devido aos poucos bons referenciais estéticos e culturais da população.
O efeito "dona Cecilia" - na arte visual é fácil de reconhecer. Já tentou em edificações?
O efeito “dona Cecilia” – na arte visual é fácil de reconhecer. Já tentou em edificações?
O tema torna-se delicado e difícil pois, para o senso comum, qualquer obra recuperativa seria melhor do que o abandono. O problema é que as obras recuperativas equivocadas acabam sendo tão agressivas para a preservação do bem histórico quanto o abandono. A analogia com a pintura anteriormente apresentada é válida – será que esta “recuperação” salvou a pintura? Será que estas reformas desastrosas salvam, de fato, os bens históricos?
O senso comum considera restaurada a edificação que após algumas obras fica em aparente bom estado, com tinta fresca colorida e “ bonita”. A questão, no entanto, é muito mais complexa: além do conceito de “beleza” ser muito relativo, soluções técnicas inadequadas, mesmo com intenção de recuperar, costumam inclusive piorar a saúde da edificação.
Podemos citar como alguns exemplos mais recorrentes o uso de reboco composto por cimento em edificações incompatíveis (deixando as paredes rapidamente com reboco craquelado – o que facilita infiltrações pluviais); uso de tintas inadequadas – como a latex acrílica ou até a antipixação – sufocando as paredes antigas (que rapidamente se destacam da parede, gerando bolhas que igualmente facilitam infiltrações); construção de lajes, proto-lajes e outros tipos de coberturas ou anexos contíguos a edificação histórica com técnicas inadequadas, gerando áreas de contato problemáticas que facilitam infiltrações, exposição indevida de madeiramentos que passaram décadas escondidos por reboco, expondo material frágil às intempéries, envernizamento de taipas de barro; aterramento de porões e fechamento dos respiros, causando umidade ascendente e prejudicando a longo prazo até mesmo as fundações, entre tantos outros inúmeros desastres.
Efeito do uso de tinta inadequada. Bonitinha, mas ordinária!
Efeito do uso de tinta inadequada. Bonitinha, mas ordinária!
As intervenções inadequadas são muito mais dispendiosas a longo prazo, visto que geram novas patologias e até problemas estruturais graves que precisarão ser corrigidos; e principalmente, descaracterizam o conteúdo cultural da edificação, agredindo o direito à memória de todos os cidadãos. A descaracterização dos bens históricos protegidos por lei é gravíssimo, pois torna questionável todo o esforço pela preservação, uma vez que derruba diretamente o principal objetivo que é a manutenção da memória através do documento histórico (edificação e paisagem), servindo a toda a sociedade.
Reboco inadequado para paredes com rejunte a base de barro e cal e seu efeito...
Reboco inadequado para paredes com rejunte a base de barro e cal e seu efeito…
Torna-se, portanto, urgente e necessária a maior difusão do conhecimento técnico de restauração de bens históricos, tanto para o projeto quanto para a execução das técnicas tradicionais. Ainda mais urgente é a evolução das políticas de patrimônio cultural, para que de fato contemplem e possibilitem que proprietários de imóveis particulares tombados ou inventariados financiem a recuperação dos imóveis com assessoramento técnico adequado. E o aparelhamento dos órgãos de preservação nacional e estaduais, permitindo que contribuam no processo de estabelecimento de diretrizes, aprovação de projetos e acompanhamento das obras mais importantes, uma vez que ainda é numericamente impossível que cada Prefeitura mantenha técnicos capacitados nesta área.
Enquanto a questão não evoluir, continuaremos nos deparando com inúmeras restaurações com o padrão “dona Cecília”.
Jorge Luís Stocker Jr., estudante de Arquitetura e Urbanismo, delegado regional da Defender no Vale do Sinos e Encosta da Serra
Fonte: dzeit.blogspot.com.br

terça-feira, 1 de outubro de 2013

REGULAMENTAÇAO DA PROFISSAO DO CONSERVADOR-RESTAURADOR

 Para quem não sabe a profissão conservador-restaurador apesar de existir cursos para isso não é reconhecida no papel ou no Ministerio do trabalho como uma profissão realmente, sendo assim, estes profissionais nao possuem um conselho que o proteja ou para as pessoas reclamarem, não há um piso salarial ou beneficios para a profissão como risco de insalubridade.  E o processo de regulamentação estava acontecendo, chegou a ser aceito pelo senado e faltava apenas a etoassinatura da presidenta que o Vetou alegando que a ausencia da profissão não causa risco a sociedade. Por outro lado, ela esta investindo altamente no PAC para conservação e restauração das cidades e ninguem imaginaria que este veto iria acontecer. Vejam o artigo abaixo da Universidade de Pelotas

Regulamentação da profissão de conservador-restaurador


É lastimável a concepção equivocada que nossa presidente tem sobre o exercício profissional do conservador-restaurador.
  
  Foi vetado o Projeto de Lei n° 370, de 2007 (nº 4.042/08 na Câmara dos Deputados) que dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de conservador-restaurador de Bens Culturais Móveis e Integrados e autoriza o Poder Executivo a criar o Conselho Federal de Conservação-Restauração de Bens Móveis e Integrados e seus Conselhos Regionais. A justificativa do veto vai contra as concepções de proteção ao patrimônio quando afirma que “O projeto de lei viola o disposto no artigo 5º, inciso XIII da Constituição, que assegura o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, cabendo a imposição de restrições apenas quando houver risco de dano à sociedade, o que não ocorre no exercício das atividades de conservador-restaurador”.
    Essa decisão demonstra uma preocupante falta de conhecimento, pois mãos despreparadas podem causar perdas e danos como o fato que aconteceu recentemente na Espanha que foi muito comentado na mídia, quando uma senhora julgou-se capaz de restaurar uma tela do século 19 e desfigurou a imagem original. Na internet existem vídeos ensinando técnicas de restauro equivocadas que podem causar danos irreversíveis ao patrimônio histórico, artístico e cultural, além de perdas inestimáveis.
  Tentando compreender a decisão presidencial: uma intervenção realizada por pessoas não qualificadas não causaria prejuízo à sociedade? E nossa memória? O que deixaremos para as gerações futuras? Objetos degradados ou com intervenções inadequadas que evitam a leitura original do bem?
  É isso que se quer? É isso que a sociedade precisa? Com certeza não!
    Sou admiradora de toda arte popular, mas o restaurador há muito tempo deixou de ser um artesão ou uma pessoa “jeitosinha”. Os cursos de graduação na área de conservação e restauro vieram para qualificar profissionais e evitar esse tipo de perda e dano. Para isso, estuda-se a história da arte, os estilos, peritagem de obra de arte, moldes, materiais, técnicas e a ética profissional.
    Algumas organizações e associações já estão trabalhando para que esse quadro se reverta, pois precisamos investir na preservação e guarda do patrimônio brasileiro, eleito pela sociedade como parte de sua cultura e identidade.
 Nosso patrimônio cultural móvel e integrado precisa da mobilização de todos. Devemos evitar que esse veto se concretize e esperamos ser reconhecidos por lei. Por Claudia Fontoura Lacerda, bacharel em 
  
Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis – UFPel

terça-feira, 10 de setembro de 2013

SOBRE MONITORIA E RESTAURAÇÃO

Ola a Todos do Blog,


    Hoje a postagem é um relato pessoal advindo da atual experiência que estou vivendo. Sou uma das tecnicas restauradoras da igreja matriz do distrito de uma cidade histórica bastante conhecida no Brasil e estou tendo pela primeira vez a oportunidade de vivenciar os males e delicias deste trabalho que é tão gratificante e contraditório.  Por que males? Porque apesar de nao parecer, restauração é uma profissao periogosa pois voce lida com quimicos que sem o devido cuidado e tornam tóxicos. A poeira é impropria para respirar por ser poluida e fininha. Há contaminação biologica causada pelos fungos, fezes de cupins e pombos e finalmente o perigo de se machucar pela queda de material ou outros acidentes.
  O trabalho é contraditorio pois mesmo sendo ciencia quem decide o que vai ser restaurado ou ser importante para a população ou nao é o homem e neste caso vem a questão do gosto ee brigas sobre cuidado do patrimonio ou criações /transformações dos patrimonios.
  Pois bem, como igreja matriz, ela é a queridinha da cidade com seus altares lindos e a padroeira tao admirada pelos cidadaos.
 E mesmo com todo este perigo a obra de restauro é a uma obra aberta para a cidade ja que atras dela tem um cemiterio onde ainda ocorre enterro alem de todos os eventos do distrito serem frente a ela e isso faz aparecer muitos curiosos para observar a obra o que é um otimo fato pois sendo uma obra aberta a população pode acompanhar o andamento da restauro e sanar sua curiosidade e se quiserem nos tecnicos os acompanhamos mostrando o que estamos fazendo. E é ai que entra a monitoria um papel importante para a valorização da profissao restauro e do reconhecimento do patrimonio que o pessoal daquele lugar tem em maos. Eu, alem de ser técnica em restauro acompanho as escolas que marcam visita para conhecerem a obra. Esta oportunidade de unir monitoria e restauro é otima para o nosso pais pois é um tipo de educação como a que é dada em museu ou escola e ali é um lugar que eles frequentam nao tendo a carga que o museu carrega de ser um lugar para poucos. Se todo lugar que fizesse restauro tivesse esta conscientização de pelo menos ter um local para receber a comunidade e explicar a restauro para eles de um jeito simples, a valorizaçao e o sentimento de pertencimento aumentaria muito mais.
  Esta união me fez lembrar de uma entrevista de emprego na qual fui indagada como uniria minha profissao de artista plastica interessada em monitoria a profissão restauro. Tai a resposta da pergunta, mostrando meu trabalho
    Nao sei se consegui me expressar corretamente mas resumindo: monitoria e restauro juntas sao essenciais para que quem acompanha valorize o que esta sendo "salvo.

Obs: É disto que eu estou faland, a importancia que tem estes projetos

Projeto de restauração de patrimônio inspira e capacita jovens carentes do ES:

http://videos.r7.com/projeto-de-restauracao-de-patrimonio-inspira-e-capacita-jovens-carentes-do-es/idmedia/522755210cf22232322bba70.html

 
   

 

terça-feira, 9 de julho de 2013

GOIÁS - O TRABALHO DOS RESTAURADORES


  Em minha opinião o texto apresenta alguns pequenos erros que vou comentar aqui antes de vocês inicia-los fora isso ele esta correto e faz uma boa apresentação sobre a profissão (* acréscimo meu)
Pequenas correções: "O restaurador tem como função primordial garantir que a obra de arte a ser restaurada permaneça íntegra, mantendo suas características originais durante décadas ou séculos" O restaurador não restaura a peça para que ela mantenha suas caracteristicas originais. Do jeito que esta aqui eu entendi que a peça fica como se fosse antes e nao é assim, a restauração tenta aproximar das caracteristicas originais e se a peça esta faltando e nao ha referencia ela continua faltante sim pois nao se pode criar a partir do que nao se tem referencia. Se o artista criar na restauraçao entao estará falsificando. 

O trabalho dos restauradores


Trabalho de restauradores tem como objetivo perpetuar obras de arte, sejam elas pinturas, 
esculturas ou gravuras (*ou objetos de Igrejas e arquitetura)

Garantir perpetuação e reconhecer o valor histórico das obras de arte de uma forma geral, é o papel dos restauradores. Uma profissão fascinante e minuciosa, que lida diariamente com a ciência, e exige muito cuidado e atenção de seu executor. O restaurador tem como função primordial garantir que a obra de arte a ser restaurada permaneça íntegra, mantendo suas características originais durante décadas ou séculos. São desenvolvidos projetos de restauração e conservação, que evoluem cada dia mais com as novas tecnologias. Entre os objetos que podem ser restaurados, estão: livros, manuscritos, esculturas, pinturas, fotografias e monumentos, seja ele de valor sentimental ou histórico.

   O restaurador analisa as condições em que tais obras de arte ou objeto estão, a partir disso, se devem ou não permanecer no local, com o intuito de prolongar a vida das peças. Este profissional pode trabalhar em órgãos oficiais do patrimônio, museus, igrejas, galerias de arte e bibliotecas ou consultor.
 
   Mônica Lima de Carvalho é restauradora, e atualmente trabalha na Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela coordenou o projeto intitulado “Ação Educativa/Educação e Comunicação: implantação de um novo sistema de comunicação museal para a exposição de longa duração do Museu Antropológico da UFG”. O projeto culminou com a reformulação física da exposição de longa duração, além da implantação de subprojetos de apoio, como a construção de câmara externa de fumigação, a adequação da Reserva Técnica Etnográfica, a implantação do Laboratório de Conservação e Restauro, o estágio de conservação em coleções etnográficas no Royal Albert Memorial Museum Art & Gallery, em Exeter, na Inglaterra, onde teve a oportunidade de especializar-se pelo período de seis meses em conservação, restauração e gerenciamento de coleções etnográficas e arqueológicas.
  • Dificuldades para formação
   Mônica ressalta os prós e contras da profissão, e as possíveis vertentes da restauração. Ela fala da importância, para quem pretende seguir essa carreira, de saber outro idioma, além das dificuldades encontradas no percurso da graduação e possíveis especializações. “Aqui no Brasil, a graduação nesta área, só é encontrada no Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É preciso muita dedicação, não é um curso qualquer em que podemos ficar somente com a sala de aula, a cada especialização, você percebe o quanto o estudo aprofundado é de fundamental importância para seu crescimento como profissional. Uma das graduações da UFG, oferece apenas uma matéria a respeito de montagem de quadros. Atualmente, os cursos oferecidos pela Faculdade de Artes da UFG,  deixam muito a desejar no quesito introdução a preservação e conservação de obras de arte, quanto à tecnologia de construção, como por exemplo, escultura policromada, pintura de cavalete, gravura e técnicas mistas”, esclarece.
  • Exigência de dedicação
    Segundo Mônica, o curso de especialização é realizado em Belo Horizonte, era financiado com a ajuda de verbas do exterior, e disponibilizava bolsas oferecidas pela Capes aos alunos. Ela cita, que no Brasil, não há muito investimento nos profissionais ou na área de restauração. No entanto, o salário para quem pretende ingressar na carreira, pode variar de R$ 3 mil a R$ 6 seis mil, nas universidades federais. “Boa parte das bibliografias do curso são do exterior, ou seja, em outro idioma, por esse motivo, quem sabe mais de uma língua, pode ter mais facilidade nos estudos. Os critérios e técnicas usadas na restauração, também são internacionais. Infelizmente o curso de especialização do Cecor encontra-se desativado no momento, devido a implantação do curso de graduação de conservação da Escola de Belas Artes, UFMG”, explica.
  
     Para a restauradora, o trabalho é estimulante, e a levou a outros países como Inglaterra, Holanda,  Itália, França, Portugal e Índia, tudo em busca de mais conhecimento. “Normalmente, nos casos dos bens culturais móveis, o processo de intervenção é desenvolvido em laboratório de conservação e restauro, mas nos casos de bens culturais integrados, o processo acontece no próprio local de origem, como por exemplo, os elementos artísticos integrados de uma igreja como talhas dos retábulos, altares, pinturas parietais e de forros e outros elementos decorativos”, diz.

  • A importância dos restauradores
  Desde obras de arte particulares, peças de colecionadores até mesmo edificações do patrimônio histórico. Todos podem e devem passar por restauradores, com o intuito de conservar e prolongar o tempo de “vida” da peça ou imóvel. De acordo com o colecionador e professor da UFG João Batista Souza, o bom restaurador tem um papel importantíssimo para a história. “Tem cerca de dez anos que coleciono obras de arte, sejam em quadros, esculturas ou até mesmo mobiliário. Tenho três quadros, de uma família que morava em um casarão na cidade de São Paulo, eles se mudaram para o litoral, e colocaram a venda coisas do mobiliário, por que não caberia no apartamento. Não são de artistas famosos, mas sim quadros acadêmicos. Comprei por que gostei dos quadros, foram os primeiros que comprei. São dos anos de 1911, e 1939. Outro que também adquiri no mesmo período é bem grande e data de 1911, inclusive foi objeto de uma prova recente do vestibular da UFG. Ele ainda não foi restaurado, mas será, está com alguns descascados na pintura, precisa de uma limpeza, porque esta há muito tempo guardado, ou pregado na parede e adquiriu sujidades, excremento de insetos, outros três já foram restaurados. Tenho medo de deixar meus quadros nas mãos de qualquer pessoa. Por esse motivo somente a Mônica (restauradora) faz os trabalhos, já houve casos em que pinturas foram desfiguradas, então precisamos procurar alguém que tenha realmente indicação e seja habilitado para o trabalho. O valor histórico e sentimental que essas obras têm, nos leva a cuidar bem delas”, diz o colecionador.

Para João Batista, além de mandar seus objetos para a restauração, ele tem cuidados especiais em casa, para que a peça dure por muitos anos. “A Mônica me instruiu em relação a como posso limpar os quadros com o pincel”. Fui a São Paulo recentemente e trouxe uma escultura, no trajeto de volta ela quebrou. Em casa nós colamos com cola instantânea, mas daqui um tempo aquilo fica amarelado iria ser notável a deterioração depois de algum tempo,  então eu prefiro aguardar um pouco e, logo vou trazê-la para ser restaurada. Com o tempo eu adquiri uma noção de valores, se vejo algo que compensa, eu peso se vale a pena ou não comprar”, esclarece.
  • A profissão
   A restauração e reconstituição, vem desde o começo do mundo. Existe todo um discurso sobre isso, no renascimento, por exemplo, os artistas eram chamados para fazerem essas restaurações, e achavam que o trabalho de alguns precisava de algumas correções, o que era feito, e designado como restauração. No Renascimento isso gerou problemas, foi um dos fatores de maior degradação de patrimônio cultural.

De acordo com Deolinda, no Brasil desde a década de 30, são desenvolvidos trabalhos na área do restauro. “Inicialmente com Edson Mota no Rio de Janeiro, e outro restaurador da Bahia, ambos foram fazer curso na Bélgica, voltaram para o Brasil e descobriram que era bem mais  fácil trabalhar por lá. 

No Brasil, na época,  não tinha instrumental. Conheci Edson Mota filho, então a saga deles na construção de instrumental, de pesquisa da área de restauro, foi muito interessante e é perceptível como há uma discussão a cerca desses estudos. Você vê as pessoas falando do trabalho do Edson Mota, como tendo causado problemas em determinadas intervenções de restauro que ele fez, porque na época não havia  tecnologia e, neste período as pessoas buscavam fazer as coisas da melhor forma possível, dentro daquilo que havia de conhecimento na época, imaginando que no futuro poderia ter uma saída para aquela obra. Você nunca faz uma intervenção que você não tenha certeza que pode reverter, ou seja, quanto menos você mexer, melhor” ressalta a restauradora.

Deolinda cita a aprovação do Senado Federal, para uma nova lei que regulamenta a profissão. “Só há cursos profissionalizantes, no Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Minas Gerais em Ouro Preto e Belo Horizonte. Há um curso na cidade de Goiás, mas é a nível técnico. Nunca parei de estudar, acho que isso é o fundamental, você não pode dizer que é restaurador se você não estuda, e se recicla. Há outra questão quanto ao retorno financeiro, nunca consegui sobreviver dessa profissão, mas também nunca tentei viver só disso. Gosto muito da profissão, e acho que a maioria das pessoas que entram nessa área  gostam, e se apaixonam. No período dos anos 80 até 2000/2005, éramos desbravadores, pelas mesmas dificuldades que o Edson tinha lá na década de 30, 40, 50”, diz.

De acordo com a restauradora, a profissão também tem seus “perigos”. “Nessa área, somos poucos, você tem um monte de curiosos, tive fases em que, quando chegava um trabalho no ateliê, que já tinha passado pelas mãos de curioso eu sabia que iria dar o dobro de trabalho, então acabava tendo de cobrar mais. E se a obra for roubada? Tem que ter procedência, é preciso saber com o que está lidando. Já me deparei com situações do tipo, chamei os órgãos competentes, e se tratava de um roubo em série, a pessoa chegou na minha casa, no ateliê com indicações, mas a peça tinha carimbos de origem, e eu achei suspeito. Imagine se eu faço o restauro? Fico como cúmplice, na restauração você trabalha com peças, ou que possuem um valor monetário ou afetivo alto, ninguém manda restaurar uma coisa que não tem valor nenhum para ela”, ressalta. (...)
Fonte: DM.com.br

terça-feira, 23 de abril de 2013

POR QUE NAO SE PRESERVA NOSSA HISTORIA?

   O texto de hoje tem a cidade de Fortaleza como foco de atenção porem na pratica o sentido pode ser aplicado a muitas cidades brasileira e é exatamente por isso que esta sendo postado aqui.

Fortaleza (CE) – Por que não se preserva a nossa História?

Para autoridades e especialistas, falta uma cultura de preservação por parte da população de Fortaleza. Futuro da Capital será debatido hoje no Fórum Adolfo Herbster.

Na Jacarecanga (e), casarões antigos, como a Escola de Artes e Ofícios (c), convivem com novas construções. No Centro, o Sobrado Doutor 
José Lourenço (d) é exemplo de preservação. Foto: Edimar Soares

Apreservação do patrimônio histórico de Fortaleza está na pauta do desenvolvimento da Cidade. Casos recentes de demolição de prédios antigos – como o bangalô azul, a Chácara Flora e a antiga sede do Hospital Mira y Lopez – levam a Capital a refletir sobre o modelo de desenvolvimento urbano que está sendo adotado.

Para especialistas ouvidos pelo O POVO, o problema é a falta um espírito de preservação da História no fortalezense. “Precisamos disso urgentemente”, alerta o professor do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC) e articulista do O POVO, Romeu Duarte.

O coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), Alênio Carlos Noronha Alencar, considera que a falta de uma disciplina sobre patrimônio histórico no currículo escolar é uma das raízes que explicam o desprezo de boa parte da população pelos prédios antigos.

A situação também é vivida por cidades consideradas modelos de preservação da História. “Em Recife, a população, de um modo geral, associa o seu patrimônio histórico à coisa velha, ultrapassada, que atrapalha o desenvolvimento da cidade. Isso, em parte, vem de uma formação modernista, onde o passado precisa ir embora. Se possível, sem deixar memória, para que o progresso chegue”, comenta o arquiteto e urbanista Zeca Brandão, coordenador do Núcleo Técnico de Operações Urbanas (NTOU) do Governo de Pernambuco. (...)
  
Cidade e patrimônio
Outro problema é a falta de sensibilidade da iniciativa privada, que, de maneira geral, não leva em conta a preservação em novos projetos. Também é necessário garantir o uso dos equipamentos, sob o risco de eles continuarem desprotegidos mesmo quando tombados. “Os órgãos de preservação não ajudam ao assumir uma postura ‘xiita’ na defesa desse patrimônio. A cidade é um patrimônio em permanente construção e precisa apresentar um certo grau de flexibilidade para se adequar às transformações”, defende o arquiteto e urbanista Zeca Brandão.

Entenda a notíciaAdolfo Herbster é o arquiteto responsável pela confecção da primeira planta detalhada de Fortaleza, em 1859. Outro material produzido por ele, em 1875, serviu de base.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

CONSERVAR PARA NAO RESTAURAR

  Sabem aquele ditado "melhor prevenir que remediar, pois então, o topico de hoje esta relacionado a isso porem foi alterado para melhor conservar que restaurar. Vamos a ele...

Conservar para não restaurar

On 12 de novembro de 2012, in Artigos, Nacional, by Silvana Losekann
Por Gabriela Nogueira Cunha

Denúncia de possível erro na restauração do quadro “A Primeira Missa no Brasil” realça a fragilidade das políticas de preservação de bens culturais no país.

 

    A esta altura do campeonato, a história de Cecilia Giménez, que mobilizou as redes sociais no início de agosto, já esfriou. Mas o caso da espanhola de 80 anos que, cheia de boa vontade, mas com propensão para o desastre, “restaurou” uma imagem de Jesus Cristo pintada no século XIX, serve de alerta sobre a importância deste delicado ofício. Embora a lambança promovida pela amadora senhorinha de Borja seja inigualável, o Brasil também tem histórias mal contadas de restaurações. Uma delas envolve um quadro famosíssimo, abrigado em um dos principais museus do país. Só que aqui a polêmica é velada.
   A obra em questão é nada menos que “A Primeira Missa no Brasil”, de Victor Meirelles de Lima (1832-1903), pintada entre 1859 e 1860 na França. 
    Considerada a primeira pintura histórica produzida por um brasileiro, retrata a missa que Pedro Álvares Cabral mandou rezar para marcar simbolicamente a posse de Vera Cruz pela Coroa portuguesa, assim como a implantação da fé católica no novo domínio, em 1500. Com 2,68 por 3,56 metros, o quadro dificilmente passa despercebido por quem visita a Galeria de Arte Brasileira do Século XIX do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro.
     O que olhares leigos não captam são os possíveis acidentes de percurso resultantes da última restauração da tela, bancada pelo BNDES em 2006. Após a intervenção, duas faixas de cor neutra, nas laterais, passaram a dividir espaço com os elementos épicos da pintura.
    A denúncia foi feita pelo crítico e historiador da arte Carlos Roberto Maciel Levy e endossada pelo restaurador Cláudio Valério Teixeira, atual secretário de Cultura de Niterói (RJ), que na década de 1980 coordenou a restauração de duas das mais importantes telas do acervo do próprio MNBA: “Batalha dos Guararapes” (1879), também de Victor Meirelles, e “Batalha do Avaí” (1872), de Pedro Américo. Em entrevista à Revista de História, Levy contou que na cerimônia de reinauguração do Museu Nacional de Belas Artes, há seis anos, percebeu os novos elementos no quadro, nunca vistos antes. “Quando entrei na sala em que estava a pintura, acompanhado do professor Cláudio Valério Teixeira, reconheci de imediato a moldura original. Ora, eu estava com o maior restaurador de obras de arte do Brasil! Cutuquei o Cláudio, e ele, que já é meio pálido, olhou para a pintura e ficou mais pálido ainda. Não sou restaurador e não vou dar opiniões categóricas, mas naquele momento eu tive a nítida impressão de que a tela havia sofrido um acidente de restauração”.

Fonte: http://www.defender.org.br/conservar-para-nao-restaurar/ 

 Bem como foi dito, houveram alterações no quadro e se tratando de uma restauração que por sinal é feita por humanos, querendo ou nao, mesmo que dizer ser uma ciencia exata e tecnica acho que o trabalho é pacivel existir a subjetividade sim. Vejam comigo, todos nos quando aprendemos a escrever nao aprendemos todos do mesmo jeito e mesmo assim o individual acaba percistindo e dando caracteristica propria a escrita. O mesmo acontece com medicina e com restauração sim e cada um vai por um pouco de si no trabalho mesmo que incosciente. Entao é por isso que se fala em melhor conservar para nao restaurar, pois a conservação nao realiza alterações fisicas na obra, ela trabalha com o controle do ambiente  em que se encontram os trabalhos. Mas se for uma conservação tambem mal feita nao adiantara nada entao vamos o negocio é estudar e quanto mais nos cercamos de cuidado e conhecimento sobre o que estamos fazendo; melhor.
  Ate a proxima ...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

PROFESSOR MOSTRA QUE QUIMICA E ARTE CAMINHAM JUNTAS EM RESTAURO DE BENS CULTURAIS

      O artigo de hoje é para mostrar que arte nem é tao subjetiva assim, se ela se alia a uma materia tao objetiva como quimica e outras materias exatas entao quer dizer que ela tem sua importancia e objetividade.
  
 Reportagem: Fernanda Vilela

Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração de obras de arte (Crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP) 
Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração (crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP)

 Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração de obras de arte (Crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP) Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração (crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP) 
    
     A palavra arte tem origem no latim e significa técnica ou habilidade. Geralmente ela é entendida como a atividade humana ligada à estética e à comunicação, realizada a partir da percepção, emoções e ideias. As manifestações artísticas buscam o mergulho na consciência, dando um significado único e diferente para cada obra. A importância da preservação do patrimônio histórico e cultural de uma nação demonstrou a necessidade da existência de outra habilidade: a conservação e restauração de bens culturais. 
     Com o passar do tempo, as obras de arte envelhecem e se desgastam. Para cuidar desse material tão delicado é necessário ter conhecimento sobre o assunto. Para isso, a união com a Química é fundamental. 
    Um exemplo mal sucedido de restauração feita sem preparo adequado foi o de uma espanhola de 80 anos que decidiu por conta própria restaurar uma pintura do século XIX na parede de uma igreja em Borja, na Espanha. A mulher até agiu com boa vontade, mas acabou distorcendo completamente a obra original, feita pelo artista Elías García Martínez. 
     O Prof. Dr. João Cura D´Ars de Figueiredo Junior, especialista em Química de Bens Culturais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que o químico auxilia diretamente o restaurador ao escolher, por exemplo, um solvente que funcione de uma forma bem específica na limpeza e na remoção das pinturas. “Pensemos em uma situação em que há uma pintura na qual o seu verniz está envelhecido e de cor amarela. Ao usarmos um solvente para remover esse verniz, há o risco de tirarmos também a tinta. A solução que o químico encontra é que diferentes materiais, como o verniz e a tinta, podem possuir diferentes solubilidades. Em uma situação aceitável, o verniz será totalmente polar e a tinta totalmente apolar. Neste caso, poderíamos usar água para remover o verniz sem o risco de que ela dissolva a tinta”, diz. 
    Segundo Figueiredo, em diversos momentos, o restaurador tem a necessidade de identificar substâncias em obras de arte para conhecer a técnica que o artista utilizou ou proteger o estado de conservação da obra. “O estado de conservação nos diz o quanto a obra está deteriorada e o que causou essa deterioração”, explica. 
    O pesquisador diz ainda que, com o avanço tecnológico, os materiais utilizados no processo de restauração de uma obra de arte evoluíram. “Hoje em dia, temos sistemas com géis, bem semelhantes a sabões, que podem usar materiais como a lipase, uma enzima que auxilia na remoção de tintas a óleo. Há também solventes magnéticos. Esses solventes são géis magnéticos misturados a um solvente de uso comum, como as cetonas. Eles apresentam a facilidade de limparem as obras e serem removidos depois com ímãs”, afirma o professor. 

 História 

   Figueiredo explica ainda que as primeiras tentativas de unir a Química e a restauração começaram no século XVIII. Grandes cientistas como Pasteur, Bertholet, Humphry Davy e Faraday foram os precursores. Bertholet chegou a ser requisitado pelo próprio Napoleão Bonaparte para tratamentos químicos em obras encontradas no Egito. 
    Esses cientistas, porém, passaram por dificuldades. Os restauradores os evitavam, pois acreditavam que os químicos não possuíam sensibilidade para tratar a obra de arte com respeito. “Isso acabava encontrando razão, pois muitas vezes as intervenções dos químicos foram desastrosas. Humphry Davy, por exemplo, acabou destruindo vários pergaminhos ao tentar restaurá-los”, revela Figueiredo. 
   “Infelizmente, o passo mais importante para essa união foram as guerras mundiais. A destruição de monumentos e obras artísticas pelos bombardeios e ataques de exércitos gerou um forte sentimento de que eles deveriam ser preservados e todos os esforços para isso, oriundos de qualquer área, seriam importantes”, complementa o pesquisador.

 Arte e Ciência 

                             O prof. João Cura D'Ars de Figueiredo Junior durante aula de análise de materiais de obras de arte

O prof. João Cura D’Ars de Figueiredo Junior durante aula de analise de materiais de obra de arte

 O prof. João Cura D'Ars de Figueiredo Junior durante aula de análise de materiais de obras de arte O prof. João Cura D’Ars de Figueiredo Junior durante aula de análise de materiais de obras de arte Para Figueiredo, a Arte e a Ciência estão interligadas e devem caminhar juntas. “A divisão do conhecimento em disciplinas existe apenas para facilitar o estudo. Não existe um planeta ‘Química’, ou um planeta ‘História’. Bom, podem até existir, mas aqui no planeta Terra todos os conhecimentos são fundamentais para o ser humano. Precisamos saber sobre artes e sobre exatas. O conhecimento de uma não elimina a outra”, diz. O professor conclui citando uma frase do cientista francês Henri Poincaré: “O cientista não estuda a natureza porque ela é útil; estuda-a porque se delicia com ela, e se delicia com ela porque ela é bela. Se a natureza não fosse bela, não valeria a pena conhecê-la e, se não valesse a pena conhecê-la, não valeria a pena viver”. 

 fonte: http://agenciacienciaweb.wordpress.com/2012/09/14/professor-mostra-que-quimica-e-arte-caminham-juntas-em-restauro-de-bens-culturais/

terça-feira, 22 de maio de 2012

CODIGO DE ETICA DO RESTAURADOR


 
    
Olá pessoal,

A postagem de hoje é para todos conhecerem um pouco sobre o codigo de etica do restaurador, aqui esta presente apenas a introdução. O codigo é importante porque dita a postura que este profissional deve tomar diante:
  •    Obra
  •    pesquisa
  •   do contratante
  •   do publico 
  •  dos colegas de profissao

É interessante para todos saberem/terem uma ideia dos procedimentos que devem ser tomados, pois restaurar não é apenas pegar um pincel e ir "consertando tudo", assim como conservação que nao é apenas olhar e medir as olhas, há todo um processo de cuidado e pesquisa com o que esta sendo trabalhado. 


CÓDIGO DE ÉTICA DO CONSERVADOR-RESTAURADOR 
Indice

1.         Relação com os bens culturais
2.         Pesquisa e documentação
3.         Relação com proprietário ou responsável legal
4.         Relação com o público
5.         Relação com colegas e com a profissão


INTRODUÇÃO
           
     Conservar e restaurar obras do patrimônio histórico, artístico e cultural é uma profissão que requer de quem a ela se dedica extensa cultura, treinamento e aptidões especiais.
    Aos cuidados destes profissionais são entregues bens culturais que constituem herança material e cultural da sociedade. Por bens culturais entendemos aqueles objetos a que a sociedade atribui particular valor artístico, histórico, documental, estético, científico, espiritual ou religioso. A sociedade atribui ao conservador-restaurador o cuidado destes bens, o que exige grande senso de responsabilidade moral, além da responsabilidade em relação ao proprietário ou responsável legal, a seus colegas e a seus supervisores, à sua profissão, ao público e à posteridade.
    Entendemos preservação de modo abrangente, compreendendo todas as ações que visam retardar a deterioração e possibilitar o pleno uso dos bens culturais. Conservação-restauração seria o conjunto de práticas específicas, destinadas a estabilizar o bem cultural sob a forma física em que se encontra, ou, no máximo, recuperando os elementos que o tornem compreensível e utilizável, caso tenha deixado de sê-lo. Por conservação preventiva designamos o conjunto de ações não-interventivas que visam prevenir e/ou retardar os danos sofridos, minimizando o processo de degradação dos bens culturais.
   O papel fundamental do conservador-restaurador é a preservação dos bens culturais para benefício da atual geração e das gerações futuras. Para tal, este profissional realiza diagnóstico, tratamentos de conservação e restauração dos bens culturais, a respectiva documentação de todos os procedimentos, além do estabelecimento de atividades referentes à conservação preventiva.
        É ainda da competência do conservador-restaurador:
  •   Desenvolver programas de inspeção e ações de conservação e restauro.
  •   Emitir pareceres técnicos e dar assistência técnica para a conservação e restauro dos  bens culturais.
  •   Realizar pesquisas sobre a conservação e restauro. (materiais e métodos).
  •   Desenvolver programas educacionais, de treinamento, e lecionar conservação e restauro.
  •   Disseminar informação obtida através do diagnóstico, tratamento ou pesquisa.
  •   Promover conhecimento e maior entendimento sobre conservação e restauro.
            O conservador-restaurador não é artista, nem artesão. É um profissional de nível superior, que pode ser oriundo das áreas de ciências humanas, exatas ou biológicas. O artista e o artesão criam, dominam as técnicas e podem conhecer bem os materiais, mas não possuem a formação, nem dispõem de conceitos fundamentais para a intervenção em bens culturais.
            O presente código visa estabelecer normas e princípios que orientem o conservador-restaurador na boa prática de sua profissão. 

Proxima Postagem:05/12 Arte postal
                                   12/06 Releitura de arte

terça-feira, 19 de abril de 2011

DIFERENÇA ENTRE REPINTURA E ARREPENDIMENTO ARTISTICO. Exemplos de restauros mal feitos

    Existem duas situações que podem ocorrem em uma pintura. Em uma primeira vista, elas podem parecer iguais (causam mudanças no trabalho) porém se nos atentamos melhor, vamos ver que se diferenciam bastante. É a diferença entre arrependimento artístico e repintura.

    Arrependimento do artista: ele ocorre quando o próprio faz qualquer alteração em sua obra pois não gostou do resultado anterior do seu trabalho. Esta mudança é feita com um propósito já que o artista sabe qual a intenção que deseja e tenta expressar.

    Já a repintura é alguém que não tem nada a ver com a pintura (pode ate ser um artista) executa mudanças na mesma. Com isso, ocorrem diferenças no traçado e na maneira de realizar o trabalho se comparado com o todo. Estas mudanças podem ocorrem até com o próprio artista quando ele fica um intervalo sem mexer no quadro ou quando ele leva muitos tempo para finalizar um projeto como aconteceu com Renoir em seu quadro:  
  •     O Almoço dos Remadores
 Neste quadro o artista fez um acréscimo posterior de Charles Epbrussi no quadro, o banqueiro ao fundo de cartola. "Ele foi acrescentado depois, pois é possível ver marcas e camadas de tinta diferentes sob a superfície nessa área do quadro que indicam mudanças feitas." pag 89


    Estas alterações podem nem ser perceptíveis a olho nu porém não escapam a um exame mais detalhado da tela.

  •    Exame científico
    Os avanços científicos produziram muitas técnicas para o exame de obra de arte. A análise da tinta é um exemplo: muitos pigmentos só foram introduzidos no século XIX, e assim, se estiverem numa pintura que se alega se anterior a essa época, algo obviamente deve ser explicado. Os raios X permitem ver o trabalho preliminar, sob a superfície do quadro. Mas embora a análise cientifica possa revelar imagens ocultas, nunca poderá desvendar um significado misterioso. pag. 29

Erros de Restauração e afins:
  • Ausência de Sobrancelha: Quadro de Monalisa
    Por que não há sobracelhas? A explicação mais provável é que Da Vinci colocou-as no final, sobre a tinta fresca do rosto, e que na primeira vez em que o quadro foi limpo (talvez no século XVII) o restaurador teria usado um solvente errado, removendo-as para sempre. Isso serve de alerta aos restauradores quanto aos cuidados que é preciso ter. pag 26  
    Observação minha: Este quadro é tão famoso e tão estudado e mesmo assim nem  eu tinha percebido este pequeno detalhe.

  
Leonardo da Vinci (1452-1519)
Mona Lisa [detail: 1]
Oil on poplar panel
c1503-c1505
53 x 77 cm
(20.87" x 30.31")
Musee du Louvre (Paris, France)

     Este é apenas o detalhe focado no rosto para nos atentarmos a ausência de sobracelhas. E a imagem está tão boa que podemos observar o craquelado do quadro (estes quadradinhos) formados superficialmente na tinta com o passar do tempo.
  •   A restauração do Teto Capela Sistina de Michelangelo 
  A restauração do teto, iniciada em 1980, ocupou uma equipe de renomados restauradores de arte por 12 anos, três vezes mais que Michelangelo levou para pintá-lo. Esse trabalho mudou drasticamente a aparência anterior bastante escura, fazendo as cores vivas brilharem. O acúmulo de quase cinco séculos de sujeira - que escureceu a superfície - foi removido e agora podemos ver o teto com toda luminosidade pretendida por Michelangelo. Porém a restauração causou controversias: alguns especialistas afirmam que o processo de remoção da sujeira também eliminou os toques finais de Michelangelo da superfície do afresco. Pag. 31

  • Figura Espectral (exemplo de arrependimento)
      Uma figura vaga, montada a cavalo, mal é visível aqui. Em algum momento Constable (o pintor/autor) trocou-a por uma barrica, e depois pintou por cima dos dois. Com o passar do tempo a tinta a óleo se torna mais transparente e as figuras estão reaparecendo agora sob a superfície da tinta. pag 78

    A barrica parece que foi pintada perpendicular a margem perto do cachorrinho nesta parte grifada.













  • Mudança de expressão
  O primeiro dono do quadro pediu a Hunt (o pintor/autor) que repintasse o rosto da jovem porque sua expressão original era dolorosa demais para que ele aceitasse (olha a força da imagem) A face é iluminada pela luz da janela que aparece no espelho. pag. 80


  •      Imagem Fantasmagórica Quadro O Atelier do Artista de Courbet
      
      No canto direito do quadro, atrás do homem sentado a mesa, e perto do espelho escuro está a imagem fantasmagórica da amante do poeta, Jeanne Durval. Courber pintou a figura, mas ela está reaparecendo à medida que a tinta se torna mais transparente. pag 83

  •      Mudanças na Posição  Quadro Aula de Dança de Degas
     Exames com raio X mostram que Degas fez muitas alterações no quadro. Por Exemplo, havia duas bailarinas no primeiro plano que fitavam o observador. Uma ainda pode ser vista entre outras duas que estão agora lá, pintadas sobre as originais. O professor a princípio estava voltando para a parede do fundo.
 

Proxima Postagem: DIA 26/04 "10 aspectos da Arte Contemporanea"

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ARTES VERSUS RESTAURAÇAO


    Decidi escrever este texto pois nós os artistas geralmente não pensamos no quanto é trabalhoso o restauro ou não pensamos no depois da arte pronta apenas queremos criar e pronto. Falo isso, pois fui tomar consciência deste fator após estudar restauração.
     Quando somos artistas, nos é ensinado a criar, soltar a imaginação e fazer o quisermos de trabalho. Depois esta obra, por exemplo, vai parar na mão de alguém que gosta muito de arte e se deteriora com o tempo ou por acaso e ela acaba sendo enviada para um restaurador. Ai vem o trabalho...
    Todo material sofre deterioração porque suas moléculas vão se tornando acidas resultando no enfraquecimento da estrutura (fato natural para todos os materiais). A função do restaurador é impedir que este desgaste continue.
     O profissional em restauro não pode usar qualquer material ou mexer no trabalho sem ter um conhecimento sobre. Ele precisa fazer vários testes, usar materiais que estão disponíveis em sua área. Falo isso porque muitas vezes ao criar uma arte, nós os artistas, usamos papeis e tinta de baixa qualidade ou por não possuirmos condição de comprar melhores ou por achar que o resultado será mais satisfatório ou simplesmente por não pensar no futuro da obra.
     Se o artista usar o material adequado e com alta qualidade isto prolongara a vida da obra. O bom condicionamento (o jeito de guardar) também ajuda muito. Exemplo: Para uma pintura em tela necessita de uma boa base de preparo. Nada de usar material escolar pois existem materiais profissionais e de marcas conhecidas para isso, há papeis apropriados para cada tipo trabalho, etc.
     Então fica o dilema: Fazer um alto gasto na sua carreira, as vezes, sem ter um bom retorno para que seu trabalho dure ou usar a criatividade, fazer experimentações com variados suportes e materiais. A escolha é de cada um.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

RESTAURAÇÃO VAI MUITO ALEM DA PACIENCIA. HÁ MOMENTOS DE PEDREIRO TAMBEM

      Quando pensamos em restauração, associamos, na maioria das vezes,  com uma profissão que exija muita paciência-detalhista e esquecemos que ela não se resume a isso. Primeiro, restauração pode ser de moveis, de casas, de objetos, ou seja, restaurar é trazer algo  restaurado a vida e/ou a funcionalidade e isso inclui mexer na parte estrutural da obra também. Dentro do curso que fiz de restauração de escultura de madeira, papel e pintura em cavalete, a matéria que era mais "delicada" entre todas era a de papel que exige muita destreza com os materiais alem de um olho clínico milimétrico e mesmo assim trabalhávamos carregando baldes ou usando a prensa que necessita de muita força para ser movimentada.
  Ao dizer que esquecemos o outro lado, é porque as vezes, temos que ser pedreiros ou pintores; subirmos em andaimes o que exige o uso de materiais de segurança, usamos venenos e produtos altamente tóxicos que precisam ser usados com cautela para nossa saúde não correr risco fora os fungos que vem junto com as peças nas quais manipulamos e respira-los causa vários tipos de doenças.
Tanto é, que fiz uma pequena apresentação esquemática do curso usando fotos minhas feitas durante o tempo de estudo.

 Em nosso laboratório                              fazemos limpeza total            chegamos as vezes a lavar e a passar 





    Geralmente temos que ser carpinteiros, marceneiros, pedreiros alem de fazermos descobertas na bruta (com raspagens a base de bisturis )


Aprendemos a ser fotógrafos e levar nossas obras para tirarem radiografia










    
    

Também nos fazemos por culinaristas ou cientistas cientista que misturam trabalham com proporções, química, biologia.



    Para isso temos que usar o material necessário: luvas, jalecos e mascaras e qualquer outro que precisar. Tudo para manter nossa segurança total


    Também realizamos operações complicadas com nossos pacientes, e lidamos com situações e casos delicados que as vezes (para não dizer todas) também podem nos fazer mau/ são eles fezes de Insetos xilófagos (foto da direita), fungos e outros destruidores de peças/coleções



     Preenchemos lacunas porém não tornamos nada novo
 

     


E ainda temos que disfarçar rasgos para depois cortas tudo certinho

E vamos as alturas literalmente para conquistamos nossos objetivos

  

   Este link é de um trabalho em que uma colega de turma atuou. Preste atenção no que a restauradora chefe fala sobre o processo desta igreja e que serve de exemplo para todo trabalho feito em restauração.


  Esta é mais uma das postagens do blog, ate a próxima

Pesquisar este blog

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...