Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto
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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

PATRIMONIO ESTRATEGICO

A reportagem de hoje trata de uma realidade cruel, mas verdadeira: "Porque adoramos as cidade bem conservadas europeias, mas negligenciamos nossos centros urbanos e seus fabuloso ambiente". Isso vale tambem para arte.

Patrimônio estratégico

Por que adoramos as cidades bem conservadas europeias, mas negligenciamos os nossos centros urbanos e seu fabuloso ambiente construído ao acaso?

  
    Centro Historico de Salvador BA                                 Centro Histórico de Guimarães, Portugal

Este ano, a vigésima-sétima edição do Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade, nosso “Nobel” do patrimônio cultural, promovida pelo Iphan, reconheceu seis iniciativas importantes: o registro da artesania das rabecas e seus músicos, no Ceará; o trabalho de salvaguarda dos circos tradicionais e familiares, em Minas Gerais; a recuperação da técnica tradicional para construção de barcas de buriti, no Pará; a estratégia econômica e social de preservação das técnicas de bordado, em Goiás; o resgate cultural do Cariri através de iniciativas de indústria cultural, na Paraíba; o apoio com recursos públicos à restauração de imóveis privados através de seleção de projetos, o edital Pró-Apac, no Rio de Janeiro.
Curiosamente, vimos pela imprensa, nas últimas semanas, casos de marcas e produtos que buscam na dimensão histórica, e no discurso da tradição, uma força que os diferencie competitivamente. É o que os publicitários chamam de storytelling: uma narrativa que conecte pessoas às marcas.
É interessante observar as dimensões de memória e identidade como campos poderosos, capazes de alavancar e sustentar processos socioeconômicos, e ir além: são capazes de dar sentido à vida. Seja no interior do país, na Amazônia, nas grandes metrópoles, de modo orgânico e real; seja criando produtos ou marcas culturais, de modo construído e artificial. Não há maniqueísmo nestas práticas. Elas são parte da vida.
O ato de colocar espirito humano na matéria, na busca pelo sentido, pertencimento e significado, confere ao patrimônio cultural uma força estratégica que muitas vezes não é compreendida. E muitas oportunidades são perdidas.
Por que importamos e apreciamos queijos e vinhos europeus, com Denominação de Origem Controlada, um controle de qualidade, mas criamos empecilhos burocráticos a fabulosos produtos nacionais, genuínos e radicais, como o queijo do serro, o pão de queijo, a goiabada, a cachaça?
Por que adoramos as cidades bem conservadas europeias, mas negligenciamos os nossos centros urbanos e seu fabuloso ambiente construído ao acaso? (Raramente realizamos jantares para angariar fundos para recuperar o nosso acervo construído) Por que celebramos visitas ao Flatiron District, ou ao Marais, ou Covent Garden, mas não percebemos a força de marcas urbanas como Lapa, Ipanema, Brique da Redenção, ou Ver-O-Peso, e sua capacidade de atração e vitalidade? Como são geridas áreas estratégicas nas grandes cidades do mundo?
Será que estamos atentos ao “pré-sal” inesgotável que é o patrimônio cultural, rural e urbano, brasileiro? Qual é a força econômica desta jazida?
O designer e artista plástico Aloisio Magalhães, responsável por verdadeiros monumentos gráficos brasileiros, presidente do Iphan de 1979 até 1982, quando faleceu, dizia que a cultura, na dimensão do patrimônio cultural, seria como a borracha do bodoque: quanto mais forte e flexível, para suportar grande tensão para trás, mais longe seriam a trajetória da pedra e seu alcance.
O Rio de Janeiro é a única capital do país que está colocando efetivamente o Centro Histórico como vetor principal de seu desenvolvimento urbano. Um patrimônio que tínhamos, que era a malha de mais de 400 quilômetros de bonde, e que abandonamos, pela sedução do urbanismo modernista, começa a ser resgatado com o VLT agora, por exemplo. Dentro deste Centro existem lugares que são núcleos culturais pulsantes como Lapa, Estácio, Morro da Conceição, Cinelândia etc.; dentro destes lugares existem pessoas, empresas, serviços, produtos, que cuidam e reinventam tradições como Confeitaria Colombo, Cordão da Bola Preta, Chapelaria Porto, Teatro Rival, Circo Crescer e Viver etc. Estes lugares, estas iniciativas, estas tradições e inovações são marcas culturais.
O potencial estratégico do patrimônio cultural como força econômica, no Rio, é vasto, mas é necessário que uma nova narrativa comece a ser estabelecida na cabeça dos cariocas: seus filhos morarão no Porto ou no Centro. Talvez até você. É necessário reocupar esta área. Esta região está sendo preparada para isto. Precisamos romper com a depreciação do nosso passado, com a manutenção de imóveis vazios por anos, décadas, e começar a adotar ferramentas como o IPTU Progressivo, ou utilização compulsória, por exemplo, para dar significado a estes lugares cheios de riquezas, e que podem gerar outras.
O patrimônio puro e intocável é também uma invenção do urbanismo modernista. O patrimônio é dinâmico, faz parte da vida e pode ser também seu sustentáculo. Todos nós vivemos dentro da História, até a Economia.
 
Autor: Washington Fajardo é arquiteto e urbanista

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/patrimonio-estrategico-14692066
Proximas postagens: 30/12 e 06/01 Crianças no museu parte 1 e 2

terça-feira, 29 de julho de 2014

COMO A HERANÇA ARQUITETONICA FORMA NOSSA EXPERIENCIA parte 2

Continuaçao de como a herança arquitetonica forma nossa experiencia...
  • Contribuição para a vitalidade da cidade
Apesar de uma das coisas de que eu mais goste no Glen Echo Park seja o fato de ele ser relativamente quieto (com exceção das crianças brincando) e não particularmente urbano, uma nova pesquisa do National Trust confirma que propriedades menores e mais velhas também são responsáveis por contribuições importantes para a vitalidade urbana.
  Com base em análises estatísticas do tecido construtivo de três grandes cidades americanas, a pesquisa (intitulada Mais Velha, Mais Forte, Melhor) indica que bairros estabelecidos com uma mistura de prédios menores e mais antigos têm melhor performance em várias métricas econômicas, sociais e ambientais do que aqueles com estruturas novas e maiores. A chave parece ser a diversidade que prédios mais velhos e menores trazem para os bairros:
   “Edifícios de diversas idades e pequena escala oferecem espaços flexíveis e baratos para empreendedores lançarem novos negócios e servem como cenários atraentes para novos restaurantes e para o comércio local. Eles também oferecem opções de moradia que atraem jovens e criam espaços com escala humana para caminhadas, compras e interações sociais.”
   Em particular, o estudo – conduzido pelo Laboratório Verde de Preservação do National Trust com vários parceiros respeitados – se baseou em análises espaciais para determinar o papel relativo da idade, diversidade de idades e tamanho, além de outras medições. Mais de 40 métricas de performance foram consideradas, entre elas vibração cultural, performance do mercado imobiliário, opções de transporte e intensidade de atividade humana.
   Comparados com distritos dominados por prédios mais novos e maiores, aqueles com edifícios menores e mais velhos têm várias vantagens, de acordo com o estudo:
. Distritos mais antigos têm maior densidade populacional e mais negócios por metro quadrado comercial;
. Prédios menores e mais antigos sustentam a economia local com mais negócios locais e menor presença de grandes cadeias;
. Distritos mais antigos oferecem mais oportunidades para o empreendedorismo, incluindo para mulheres e negócios cujos donos pertencem a minorias;
. Há mais espaços culturais em bairros antigos e de uso múltiplo (residencial e comercial);
. Os índices de Walk Score e Transit Score são melhores;
. Edifícios antigos atraem mais jovens e têm mais diversidade de faixas etárias;
. Há mais vida noturna em ruas com prédios de diferentes idades.
   De fato, pode-se dizer com base nesses resultados que os bairros mais antigos, com prédios de variadas idades e tipos são mais urbanos, pelo menos no sentido tradicional, que aqueles onde há prédios maiores e mais modernos. A metodologia parece ter sido rigorosa e eu aconselho os leitores interessados a mergulhar no estudo completo, que tem cem páginas e muitos apêndices.
  • Contribuição para a sustentabilidade ambiental
   Quando se trata de sustentabilidade – pelo menos no sentido literal – não precisamos de dados para demonstrar a performance de edifícios mais velhos: sua existência continuada prova que eles, de fato, se sustentam ao longo do tempo. Dito isto, temos dados, pelo menos no que diz respeito à sustentabilidade ambiental.
   Em particular, outro estudo do Laboratório Verde de Preservação, lançado dois anos atrás, concluiu que pode demorar entre 10 a 80 anos para que um edifício novo e eficiente do ponto de vista energético supere os impactos causados por sua construção. A pesquisa considerou seis tipos de prédios em quatro cidades americanas de climas diferentes: Portland, Phoenix, Chicago e Atlanta.
   Os dados foram compilados e analisados para os seis tipos de uso dos edifícios (ou reuso, no caso de prédios mais antigos), incluindo residências de uma só família, prédios com mais de uma família, edifícios de escritórios, edifícios de uso misto, escolas fundamentais e armazéns convertidos. O estudo examinou o papel de geografia, performance energética, tipos de energia utilizada, tipo de construção e tempo de vida da construção na performance ambiental geral quando comparados prédios antigos reutilizados e novas construções.
   As principais conclusões do estudo incluem:
. A reutilização de edifícios tipicamente oferece mais ganhos ambientais de curto prazo que demolições e novas construções. Para cinco dos seis tipos de prédios avaliados no estudo, o prazo para superar os impactos ambientais negativos relativos à construção podem levar de 10 a 80 anos, caso o novo prédio seja 30% mais eficiente que um edifício existente de performance energética mediana;
. Os benefícios são maximizados se a reutilização é praticada em escala. Por exemplo, adaptar, em vez de demolir e construir, apenas 1% dos prédios de escritório e residenciais na próxima década ajudaria a cumprir 15% das metas de redução de emissões de CO2 do condado de Multnomah para os próximos dez anos;
. Os maiores benefícios do reuso são obtidos com a minimização do uso de novos materiais de construção.
   Eu acrescentaria que edifícios antigos, desenhados e construídos antes do que meu amigo e arquiteto Steve Mouzon chama de “era do termostato”, costumavam ser planejados com mais atenção às condições climáticas do que as construções atuais. Medidas como paredes mais grossas, pés-direitos altos, ventilação adequada e orientação dão a essas construções as “propriedades verdes” que ajudam a economizar energia e evitar emissões de gases causadores do efeito estufa.
  • Mude, mas faça as perguntas certas
   Para concluir, devo acrescentar enfaticamente que, apesar de tudo, não quero dizer que os lugares não devam mudar ou evoluir. Seria hipocrisia da minha parte, como um defensor da revitalização, sugerir o contrário. Devemos abraçar as mudanças para melhor — uma mudança que, como sugere o professor Ujang, não borra a distinção de lugar, mas sim acrescenta a ela. O que é importante é termos consciência: admito que não é fácil discernir com antecedência quais mudanças serão positivas e quais serão negativas com relação a nossa experiência de lugar, mas os bons planejadores sempre têm de fazer essa pergunta. E temos sempre tentar o nosso melhor para garantir que as mudanças nutram, e não diminuam, a experiência humana.

F. Kaid Benfield, Conselheiro Especial para Soluções Urbanas do Natural Resources Defense Council
Fonte: Brasil Post

 Continuando o texto vou alem... nao somente a arquitetura, mas tambem os objetos materiais que nos cercam. Todos eles nos faz fazer parte de um tempo que nao experimentamos. Nos despertam curiosidades de como era viver daquele modo ou usando-o. Ex: Estamos tao dependentes do cartao e dos caixas eletronicos imagina como era na epoca que contavamos apenas com o dinheiro e cheque que tinhamos. Quando nao existia celular ou orelhao. A televisao nao tinha controle e o carro direçao hidraulica. As mulheres e homens usavam aquelas tantas roupas nada praticas. Tudo nos faz pensar naquilo que nao vivemos e como seria.

Proxima Postragem: 12/08 http://www.blogacesso.com.br/?p=7554

terça-feira, 22 de julho de 2014

COMO A HERANÇA ARQUITETONICA FORMA NOSSA EXPERIENCIA DE LUGAR

   O texto de hoje é de uma pessoa de fora do Brasil por isso as referencias em ingles. Ele conta a influencia que a arquitetura tem sobre nos. Consequentemente e indiretamente ele fala tambem sobre a cultura. Como é longo foi dividido em 2 partes

Como a herança arquitetônica forma nossa experiência de lugar, 

por F. Kaid Benfield

      Venho tentando entender o que faz os lugares históricos tão especiais para tantos de nós. Parte da razão é que eles são relativamente raros nos Estados Unidos, eu acho. Durante várias décadas, nossa nova arquitetura cotidiana – nossas subdivisões, os blocos comerciais, prédios de escritórios – tem sido ao mesmo tempo insossa e mortalmente entediante em sua consistência.
   Todos lugares se parecem entre si, ou pelo menos parece ser assim. Apesar de isso não ser literalmente verdadeiro – alguns prédios empolgantes são construídos e erguidos, novos lugares nutritivos estão sendo concebidos –, os nossos melhores prédios e bairros antigos têm uma distinção própria quase automática.
   Mas também acho que talvez exista algo mais profundo acontecendo. Gravitamos para lugares antigos porque eles nos colocam no chão temporal e espacialmente. Também há uma literatura emergente nos ensinando que eles funcionam muito bem. Não quero fingir ter todas as respostas, mas eis alguns conceitos que gostaria de trazer para consideração.
  • Continuidade de lugar
  Deixe-me começar com um conceito que vou chamar de continuidade de lugar. Todos tivemos a experiência de estar num lugar que foi bastante transformado – pela demolição de um grupo de edifícios, talvez, ou pela construção de novos prédios – desde a última vez em que ali estivemos. Às vezes a mudança pode acontecer em só uma semana. As coisas parecem meio erradas, fora do lugar. Geram ansiedade, enquanto tentamos nos localizar e procurar na memória como as coisas eram antes. Essa ruptura na continuidade pode ser irritante.
   No ano passado, Tom Mayes escreveu um artigo para o Preservation Leadership Forum que considera as associações positivas que temos com a continuidade:
   “A ideia de continuidade é que, num mundo em constante mudança, lugares antigos dão às pessoas a sensação de fazer parte de um contínuo necessário para a saúde mental e psicológica. Essa é uma ideia que há muito tempo é reconhecida como um valor subjacente à preservação história, apesar de nem sempre explicado. Em With Heritage So Rich (em tradução livre, com um patrimônio histórico tão rico), a ideia de que a continuidade é capturada na frase ‘senso de orientação’, a ideia de que a preservação dá “um senso de orientação para nossa sociedade, usando estruturas e objetos do passado para estabelecer valores de tempo e lugar.”
   Mayes cita um ensaio do internacionalmente conhecido arquiteto Juhani Pallasmaa, que reforça o conceito de tempo em relação à nossa experiência de lugares antigos:
   “Temos uma necessidade mental de sentir que temos raízes no contínuo do tempo. Não habitamos somente o espaço, mas moramos também no tempo… Prédios e cidades são museus do tempo. Eles nos emancipam da pressa do presente e nos ajudam a experimentar o tempo lento e saudável do passado. A arquitetura nos permite ver e entender o processo lento da história e participar de ciclos temporais que vão além do escopo de uma vida individual.”
    Isso soa verdadeiro para mim. Há algo reconfortante em lugares antigos.
  • Pesquisa sobre ligação a lugares e continuidade
   De fato, isso já foi comprovado por pesquisas acadêmicas internacionais. Pesquisando o tópico para este artigo, encontrei um trabalho do professor malaio Norsidah Ujang sobre “Ligação com Lugares e Continuidade da Identidade de Lugares Urbanos”
Ujang argumenta que conceitos uniformes de planejamento e a “comoditização dos lugares” – tudo parecido com todo o resto – enfraquecem a identificação e a ligação com certos lugares. Depois de questionar sistematicamente 330 usuários de três ruas comerciais importantes de Kuala Lumpur, os pesquisadores concluíram que a familiaridade com um lugar contribui para sensações de conforto psicológico, enquanto “desconforto psicológico e fortes expressões emocionais” são “fortemente sentidos como reação contra mudanças físicas e intervenções inadequadas”.
   O estudo recomenda que planejadores urbanos tomem medidas para reforçar a identidade de lugar e a legibilidade, em vez de rompê-las, e busquem “garantir a continuidade da identidade de lugar por meio do entendimento dos lugares como dimensões físicas, sociais e psicológicas da experiência humana”.
   Outro aspecto importante do nosso legado arquitetônico compartilhado é que ele é, de fato, compartilhado. Nossas experiências e sentimentos de conforto pela continuidade dos lugares antigos são coletivos, não individuais. A praça central e o fórum, talvez também a velha igreja e a antiga escola – até mesmo as mansões vitorianas enfileiradas na rua próxima – nos unem, e essa coesão diminuiria se o lugar mudasse rapidamente. O legado desses lugares e construções não é apenas meu, mas nosso.
  • Engajamento cultural
  Intimamente ligado à continuidade de lugar, mas um pouco diferente, acredito, é algo que chamarei de engajamento cultural. Lugares antigos que não são familiares e com os quais não tivemos continuidade também podem provocar experiências positivas poderosas. Imagine alguém vendo as grandes pirâmides de Gizé pela primeira vez, ou um pueblo de índios americanos. Esses lugares são mágicos justamente porque temos pouca ou nenhuma experiência prévia, ou continuidade, com eles.
   Em vez de nos confortar com sua familiaridade, esses lugares desafiam nossa imaginação ao invocar outros tempos e ao nos conectar com culturas passadas de maneiras a que não estamos acostumados.   
   Eles nos educam e nos equipam com uma visão de mundo mais ampla e profunda – uma visão que nos liga com a sabedoria do passado –, a qual podemos então trazer para nossa existência contemporânea.
    Tenho um exemplo favorito, mas mais modesto, que coloco em meu novo livro People Habitat: 25 Ways to Think About Greener, Healthier Cities (Habitat das pessoas: 25 maneiras de pensar em cidades mais verdes e mais saudáveis, em tradução livre). A apenas alguns quilômetros da minha casa, logo depois da fronteira de Maryland com Washington DC, há um parque de diversões antigo e parcialmente restaurado, da era Art Déco. O antigo carrossel ainda funciona durante a temporada e deleita as crianças; você ainda pode comer algodão doce por lá. Mas não é mais um parque de diversões – não há montanha russa, e o salão onde ficavam os carrinhos de trombar hoje é usado de vez em quando para shows. Com certeza é diferente de qualquer parque de diversões que eu já vi na vida.
   Hoje, ele existe com um lugar de descanso para adultos e de brincadeiras para as crianças e como uma evocação de um parque de diversões, em vez de um parque 100% funcional. Ele desafia o visitante a trazer consigo sua imaginação, para que nos encontremos na metade do caminho: como uma expressão parcial de um passado e uma cultura que não existem mais da mesma maneira. Vou sempre ao Glen Echo Park porque, além de estar no caminho de um dos meus roteiros de treino de bicicleta, eu o amo de um jeito que não amaria se ele fosse novo, mesmo que fisicamente o parque fosse igual. Ele faz uma ligação com conexões culturais que não existiriam se eu soubesse que o lugar não teve uma história anterior para dividir com seus visitantes.

continua dia 29/07

terça-feira, 22 de abril de 2014

PRESERVAR É COISA SERIA. RESTAURAÇÃO TAMBEM,

Preservar é coisa séria. Restauração também, por Jorge Luis Stocker Jr

A restauração de bens históricos é competência do profissional arquiteto e urbanista, segundo a legislação existente e as resoluções internas do CAU. O conhecimento técnico e teórico necessário para propor uma restauração, no entanto, ainda passa longe de integrar efetivamente os currículos. Este conhecimento específico está restrito às pós-graduações profissionalizantes, que ainda são poucas e, devido a geral não exigência de especialização para assumir uma obra de restauro, tornam-se pouco atrativas.
 O efeito Dona Cecília está presente em muitas obras de restauração.
O efeito Dona Cecília está presente em muitas obras de restauração.
O resultado deste lapso de informação e de formação é a agressão contínua a bens patrimoniais de importância ímpar, que são submetidos a intervenções equivocadas ou até desastrosas que aceleram sua degradação, desfiguram seu aspecto volumétrico ou mesmo implicam praticamente na perda total do bem.
Antes de mais nada: Existem casos e casos
É preciso sempre deixar muito claro que patrimônio cultural é diverso e não um conceito fechado e absoluto. Existem diferentes tipos de valores, e diferentes intensidades de importância destes valores, que podem ser atribuídos aos bens culturais.
Existe, portanto, aquele bem que pode ser inventariado como patrimônio cultural ainda que não tenha grandes valores artísticos ou históricos – mas em contrapartida, compõe paisagem ou pertence a uma tipologia característica do local. Estes bens patrimoniais normalmente se prestam a receber intervenções mais profundas, desde que mantenham suas características principais (volumetrias, ritmo de fenestrações, etc).
E existem aqueles bens que tem enorme relevância arquitetônica e/ou histórica, bem como paisagística, documental, social e etc. que, por suas características únicas, merecem muita prudência, sensibilidade e cuidados ao receberem intervenções recuperativas. Isso não significa que não possam ser adaptados e receber anexos, e sim que essas adaptações anexos devem ser elaboradas com todo cuidado e seguindo diretrizes de preservação.
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Jogo dos 7, ou mais, erros.
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É importante frisar que o senso comum de “manter apenas a fachada” é bastante perigoso e equivocado. Faz-se necessário analisar sempre muito bem os valores de cada bem histórico, para que se defina o que nele é importante e o que eventualmente possa não ser.
Intervenções desastradas
Recentemente o caso da desfiguração de uma pintura religiosa promovida pela “dona Cecília” teve grande repercussão na mídia internacional. A deformação de uma obra de arte é bastante fácil de reconhecer. Já a deformação de obras de escultura e de arquitetura muitas vezes passam despercebidas, devido aos poucos bons referenciais estéticos e culturais da população.
O efeito "dona Cecilia" - na arte visual é fácil de reconhecer. Já tentou em edificações?
O efeito “dona Cecilia” – na arte visual é fácil de reconhecer. Já tentou em edificações?
O tema torna-se delicado e difícil pois, para o senso comum, qualquer obra recuperativa seria melhor do que o abandono. O problema é que as obras recuperativas equivocadas acabam sendo tão agressivas para a preservação do bem histórico quanto o abandono. A analogia com a pintura anteriormente apresentada é válida – será que esta “recuperação” salvou a pintura? Será que estas reformas desastrosas salvam, de fato, os bens históricos?
O senso comum considera restaurada a edificação que após algumas obras fica em aparente bom estado, com tinta fresca colorida e “ bonita”. A questão, no entanto, é muito mais complexa: além do conceito de “beleza” ser muito relativo, soluções técnicas inadequadas, mesmo com intenção de recuperar, costumam inclusive piorar a saúde da edificação.
Podemos citar como alguns exemplos mais recorrentes o uso de reboco composto por cimento em edificações incompatíveis (deixando as paredes rapidamente com reboco craquelado – o que facilita infiltrações pluviais); uso de tintas inadequadas – como a latex acrílica ou até a antipixação – sufocando as paredes antigas (que rapidamente se destacam da parede, gerando bolhas que igualmente facilitam infiltrações); construção de lajes, proto-lajes e outros tipos de coberturas ou anexos contíguos a edificação histórica com técnicas inadequadas, gerando áreas de contato problemáticas que facilitam infiltrações, exposição indevida de madeiramentos que passaram décadas escondidos por reboco, expondo material frágil às intempéries, envernizamento de taipas de barro; aterramento de porões e fechamento dos respiros, causando umidade ascendente e prejudicando a longo prazo até mesmo as fundações, entre tantos outros inúmeros desastres.
Efeito do uso de tinta inadequada. Bonitinha, mas ordinária!
Efeito do uso de tinta inadequada. Bonitinha, mas ordinária!
As intervenções inadequadas são muito mais dispendiosas a longo prazo, visto que geram novas patologias e até problemas estruturais graves que precisarão ser corrigidos; e principalmente, descaracterizam o conteúdo cultural da edificação, agredindo o direito à memória de todos os cidadãos. A descaracterização dos bens históricos protegidos por lei é gravíssimo, pois torna questionável todo o esforço pela preservação, uma vez que derruba diretamente o principal objetivo que é a manutenção da memória através do documento histórico (edificação e paisagem), servindo a toda a sociedade.
Reboco inadequado para paredes com rejunte a base de barro e cal e seu efeito...
Reboco inadequado para paredes com rejunte a base de barro e cal e seu efeito…
Torna-se, portanto, urgente e necessária a maior difusão do conhecimento técnico de restauração de bens históricos, tanto para o projeto quanto para a execução das técnicas tradicionais. Ainda mais urgente é a evolução das políticas de patrimônio cultural, para que de fato contemplem e possibilitem que proprietários de imóveis particulares tombados ou inventariados financiem a recuperação dos imóveis com assessoramento técnico adequado. E o aparelhamento dos órgãos de preservação nacional e estaduais, permitindo que contribuam no processo de estabelecimento de diretrizes, aprovação de projetos e acompanhamento das obras mais importantes, uma vez que ainda é numericamente impossível que cada Prefeitura mantenha técnicos capacitados nesta área.
Enquanto a questão não evoluir, continuaremos nos deparando com inúmeras restaurações com o padrão “dona Cecília”.
Jorge Luís Stocker Jr., estudante de Arquitetura e Urbanismo, delegado regional da Defender no Vale do Sinos e Encosta da Serra
Fonte: dzeit.blogspot.com.br

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O PATRIMONIO CULTURAL É HUMANO

    O texto de hoje pelo que entendi fala da mania de progresso do homem que se empolga com as novidades e é graças aos registros que possuimos e a identificação com alguns objetos antigos e/ou lugares que podemos conhecer o que já existiu e o que ainda é preservado tornando assim nao so apenas de um povo como da humanidade.

O Patrimônio cultural é humano, por Telmo Padilha Cesar


“Podemos viver sem a arquitetura de uma época, mas não podemos recordá-la sem a sua presença. Podemos saber mais da Grécia e de sua cultura pelos seus destroços do que pela poesia e pela história.” John Ruskin (1819 – 1900)

Diariamente, o bicho homem extingue florestas, degrada montanhas, rios, lagos e cachoeiras para extrair madeira, minerais, plantar commodities ou criar animais. Sem pudor e sem amor pelo seu habitat ainda polui, envenenando o planeta e sua família. O progresso justifica, a maioria nem se importa. Somos menos racionais, por exemplo, do que os índios. Os “guarany” organizavam suas ocas em círculos, nas clareiras da mata, deixando um grande espaço livre no centro para seu convívio e celebrações. Já os racionais homens brancos, construtores de hoje, ao contrário, entopem ruas, avenidas, esgotos e calçadas das cidades, edificando gigantescos condomínios de forma desordenada, para abrigar milhares de pessoas, seus automóveis e lixos, exatamente em áreas que foram planejadas no século retrasado.

   Quando no período colonial, os portugueses nos ensinaram a erguer paredes de taipa e de estuque para abrigar famílias do sol, da chuva e da vista alheia, não se imaginava o concreto. Quando os alemães nos ensinaram a técnica de construção enxaimel, ficamos deslumbrados. Já nos séculos 18 e 19, quando vieram mestres italianos e franceses nos ensinar a construir palácios e palacetes, trabalhar o mármore e o bronze para abrigar autoridades e famílias ricas, vibramos. De tudo, o pouco que nos sobrou, não são apenas prédios, nem construções. São obras da arte e da inteligência humana, portadoras de concepção, volume, alma, histórias, memória, significados e identidade. São como as pessoas: irreproduzíveis.

  De herança, muitos desses estrangeiros nos deixaram além de prédios, desenhos projetos e fotografias de freguesias, vilas e cidades. Lugares arquitetados para o convívio, visando o transcorrer de vidas com qualidade. Espaços, praças, sol,  passeios, arte, horizontes, ar puro e verde, muito verde. 
  
 Também deixaram como herança, manuscritos, edifícios, pontes, casas, livros, sobrados, músicas, receitas, bebidas, obras de arte, invenções, plantas e muitas técnicas utilizadas como referência. Um manancial de conhecimento com incomensurável valor que registra as diferentes etapas do desenvolvimento social, cultural e econômico do nosso processo civilizatório. 
Reconhecido o seu valor histórico, tecnológico e cultural, vem a necessidade de sua proteção.
 
    Publicam-se então, o Decreto-Lei nº 25/1937, o Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/1940), a Constituição Federal de 1988, a Lei do Meio Ambiente nº 9.605/1998, além das inúmeras Convenções e Cartas Internacionais das quais o Brasil é signatário. Aos estados, Distrito Federal e municípios, compete a elaboração de leis e responsabilidades em relação ao seu patrimônio cultural que, antes de tudo, é brasileiro. Mesmo com a rica Tutela, o chamado patrimônio edificado é alvo, principalmente por interesse econômico, de diferentes ardis, que vão do sutil abandono, passam pelo desabamento e chegam ao criminoso incêndio, quando simplesmente não são demolidas ao arrepio da lei. Sonega-se assim, que gerações inteiras venham usufruir destas obras de arte, verdadeiros documentos e registros da história do lugar e do Brasil. Isso ocorre diariamente e de forma impune. O mesmo não acontece com telas e quadros de valor artístico, porque são móveis, servem como moeda de troca, investimento e são considerados símbolos de posse e de poder.

    Mas, nem tudo está perdido. Ainda existem seres humanos que viram feras na defesa do seu meio ambiente. Estão nesse grupo, por exemplo, moradores, usuários e pessoas que não querem ver a descaracterização do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A defesa decana e unânime do conjunto de casas da Rua Luciana de Abreu se justifica pela arte projetada por Theodor Alexander Josef Wiederspahn, de rica arquitetura e indiscutível valor cultural, se justifica pelo meio ambiente criado ali, pela alta qualidade de vida e lazer aos usuários do lugar. Uma ilha cultural no meio de uma selva de concreto. 

    Um lugar único e para todos. À luta feroz deve se acrescentar o sentimento de apropriação e pertencimento. Isso é humano. Isso é desenvolvimento. Isso é coletivo. Errou feio quem deveria seguir as leis e ouvir a sociedade nesses 10 anos. Errou quem devia, mas não inventariou nem tombou aquele sítio.

    Pior, não se pode falar ou acreditar em política pública voltada para o Patrimônio Cultural sem que tenhamos destinados recursos compatíveis para sua implantação. Inexiste um programa ou projeto que aporte recursos suficientes para financiar, de forma diferenciada, tipo “Minha Casa, Meu Patrimônio”, os proprietários de bens tombados para execução de conservação e manutenção. Para alguns, em algumas cidades, o Programa Monumenta, que não é o ideal, mas faz o que pode. Há ainda, um escondido benefício pífio que permite o desconto no imposto de renda, mas que exige muito bilro e renda. 

   Recentemente o Governo Federal lançou o PAC Cidades Históricas, iniciativa louvável, mas de pouca abrangência. É possível ainda, a responsabilização, pelo proprietário sem condições, do poder público que outorgou o tombo ou a inventariação, porém, apesar da lentidão da Justiça e dos inumeráveis recursos possíveis, resultará em sentença sim, mas publicada somente  quando restar apenas o recolhimento de entulhos.

  No todo, ainda se convive com a falta de conhecimento ou de interesse dos poderes públicos e da própria sociedade sobre sua importância. Aliás, sociedade essa, tardia mas finalmente, em mobilização crescente. Explodem pelo Brasil inteiro, como nunca, manifestações em defesa do nosso patrimônio. Ressalte-se com louvor, as efetivas ações do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal, verdadeiros guardiões do nosso patrimônio. Assim, aplaudidos por um lado e vaiados por outro, vão se formando grupos de pessoas que entregam seu tempo, seu conhecimento e seu dinheiro para defender o que é de todos e está expresso na leis, movidos apenas pela certeza de cumprir com os deveres e exigir os direitos da cidadania. É o caso de outras iniciativas como o Moinhos Vive: Movimento Chega de Demolir Porto Alegre, do coletivo Consciência Coletiva de Novo Hamburgo e Ivoti, de movimentos em Bagé, Santo Ângelo, Santo Antônio da Patrulha, Caxias do Sul, Taquara, Arroio Grande, Esteio, entre outros municípios gaúchos. Graças a Deus!

Telmo Padilha Cesar, gestor cultural e presidente da Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico.

terça-feira, 16 de julho de 2013

PATRIMONIO CULTURAL EM RISCO PERMANENTE

Patrimônio cultural em risco permanente

O texto a seguir nos conta a historia do surgimento dos mercados, porem na minha opinião esquece de informar diretamente aos leitores que mercados são considerados patrimonios imateriais, pois isso é deixado subentendido. Mas porque considerar o mercado como patrimonio imaterial se ele é um elemento físico. Isso ocorre porque o mercado somente existe verdadeiramente quando se esta aberto ao publico e la ocorrem manifestações e transitos que somente a estrutura física deste espaço nao consegue representar por si só. 




Por Sandra Cureau*


O descaso das autoridades com um dos cartões postais de Porto Alegre dá bem a marca da importância que emprestam ao patrimônio cultural.


  Nas sociedades primitivas, a distribuição dos produtos agrícolas era feita a 
todos os integrantes dos grupos sociais, conforme vínculos e alianças que se formavam entre eles.

   
  Os mercados surgiram na Idade Média, para permitir aos senhores feudais a venda das colheitas de suas terras. Eram semelhantes às feiras livres e não tinham locais ou datas fixos. Forneciam, além dos produtos do campo, utensílios comuns à vida diária.

   
   Em 1137, na Baixa Idade Média, iniciou-se a construção do mercado dos Halles em Paris. Nessa época, o aumento demográfico e o renascimento do comércio na Europa, associados às inovações técnicas que permitiam maior produtividade do solo, geraram a necessidade da construção de prédios para comercialização dos produtos do campo.

   
       Os mercados espalharam-se pelas cidades e são hoje, em todo o mundo, pontos de atração turística pela importância histórica que adquiriram, pelas características arquitetônicas e pela própria dinâmica e riqueza interior.


   O Mercado Central de Porto Alegre, também conhecido como Mercado Público, foi construído em 1869, em estilo neoclássico. Estabelecimentos que nele se encontram, ou se encontraram um dia, como o restaurante Treviso _ famoso pelas canjas que oferecia nas madrugadas à boemia porto-alegrense e que foi testemunha de importantes acontecimentos históricos _, tornam-se parte da memória coletiva da cidade.


   O incêndio da noite do último sábado, de grandes proporções, consumiu a maior parte do pavimento superior e o telhado antigo de cerâmica. Apesar da chuva, o fogo alastrou-se rapidamente e só foi controlado três horas depois. Especialistas estimam que outras partes do prédio podem ter ficado comprometidas. (...)


    O tempo presente é uma construção social: lembrar-se é, em grande parte, não esquecer. Neste contexto, os bens patrimoniais servem como um apoio à memória, uma vez que o passado só existe porque se apoia nos objetos que lhe estão ligados.


    Este é o quarto incêndio que atinge o prédio do Mercado. Os outros ocorreram em 1912, 1976 e 1979.  O comprovado descaso das autoridades com um dos cartões postais de Porto Alegre dá bem a marca da importância que emprestam ao patrimônio cultural, como testemunho da memória e da identidade do nosso povo.


  *Vice-procuradora-geral da República e especialista em Direito do Patrimônio Cultural

Fonte: Zero Hora

 O que o texto nos quis mostrar alem da historia do mercado e a importancia do mercado. Que mesmo que os monumentos se tornem caracteristica e simbolo de uma cidade, as autoridades esquecem de manter os devidos cuidados com estes conjuntos de bens culturais da cidade deixando os desprotegidos sem haver a conservação e a proteção necessária para a sua manutenção e permanencia

terça-feira, 21 de maio de 2013

ARQUITETURA, CULTURA E PATRIMONIO

  A postagem de hoje tem muito a ver com o que eu pensava antes de fazer o curso tecnico de restauração: Arquitetura mesmo sendo qualquer construção humana, ela ainda esta assim como antes para mim era ligada ao objeto casa e por isso me passava desapercebida. Porem apos mudar para uma cidade historica na qual as "construções" se diferenciavam do que eu conhecia e volta e meia tinha que fazer tour pela cidade para fazer visita tecnica meu olhar foi sendo educado. Ou seja, precisou que alguem indiretamente me chamasse atenção para um objeto que eu estava acostumada a ver e olha-lo com outros olhos, dar um sentido aquilo e é isso que precisamos fazer com os fazers tanto humanos quanto naturais

Arquitetura, cultura e patrimônio


Por Romeu Duarte*

“No nosso ambiente profissional, a arquitetura ainda está longe de ser considerada em sua fundamental faceta cultural”.

De que maneira e em que medida a arquitetura faz parte da cultura de Fortaleza e do Ceará? Teria a arte de construir uma presença tão forte e intensa entre nós tal como outras manifestações culturais reconhecidamente relevantes como a música e as artes visuais, por exemplo? É algo que somente interessa aos arquitetos e a alguns poucos iniciados ou que mergulha fundo, embora silencioso, na alma popular? Ou a arquitetura só é percebida em seu potencial de uso ou valor imobiliário? Estas são indagações que brotam automaticamente quando se tenta identificar, no âmago de uma cultura como a nossa, que resta ainda desconhecida, a arquitetura como patrimônio tangível e intangível de um povo.

No nosso ambiente profissional, nos escritórios, na academia ou nas instituições de arquitetos, a arquitetura ainda está longe de ser considerada em sua fundamental faceta cultural. A quase inexistência de debates, exposições, publicações e premiações condena o nosso acervo, conformado pelas obras do passado e pela produção contemporânea, a um injusto e incômodo ostracismo, tornando-o desconhecido tanto para o público erudito quanto para o leigo.

Essa carência de reflexão e prestígio faz com que naturalmente vicejem preconceitos de toda sorte, geradores de comentários que revelam a arquitetura presa a um pantanoso meio onde imperam gostos e idiossincrasias. Muita construção, pouca arquitetura ou escassas informações e discussões disponíveis?

Nas camadas populares reina uma mitologia própria deste lugar, fértil produtor de mitos, que pouco ou nada tem a ver com a real essência do objeto ou lhe acrescenta algo de útil. O maior edifício de alvenaria do mundo, o túnel assombrado entre o sobrado e o teatro na Ribeira dos Icós e o palácio das carabinas apontadas para o povo são algumas dessas narrativas, que apenas fantasiam as edificações a que se referem. É bem verdade que nos últimos tempos tem havido uma preocupação coletiva com a proteção de alguns imóveis como bens patrimoniais, momento em que um edifício transcende a sua condição utilitária para ser compreendido como monumento histórico; entretanto, isso se dá em um hábitat onde essa prática ainda não pode ser chamada de tradicional ou corriqueira.

Oxalá, dentre outros esforços, a realização frequente de eventos tais como o Fórum Jovens Arquitetos Latino-americanos e o XX Congresso Brasileiro de Arquitetos/IAB-CAU, previsto para 2014 em Fortaleza, possa aproximar cada vez mais, nesta taba de Alencar, os substantivos que intitulam este texto.

*Arquiteto e professor da UFC

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