Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

TRILHAS E CAMINHOS PARA A PRODUÇÃO CULTURAL

  Como este blog tem como foco a cultura artistica e o patrimonio, nao poderiamos deixar de falar sobre a profissao de produtor cultural que tambem esta envolvida no assunto. Este profissional ajuda a desenvolver a cultura de um local desenvolvendo projetos e organizando eventos. Como é uma materia que surgiu a partir de pesquisa feita, entao ela possui muitos dados estatisticos e que nos ajuda a entender um pouco mais sobre estes profissionais que na maioria sao artistas interessados em promover a cultura e seus pares.

Trilhas e caminhos para a produção cultural

| quarta-feira, 21 novembro 2012

Gestão (ou produção) cultural é uma profissão que, apesar de recentemente ter sido compreendida como tal, ainda não é reconhecida formalmente no território nacional. (isso tambem acontece com profissoes antigas)

   Dos produtores/gestores culturais que responderam à pesquisa Panorama Setorial da Cultura Brasileira 2011/2012 - patrocinada pela Vale e Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet -, 64% afirmam terem começado a produzir por ter surgido a oportunidade; 47% por serem artistas e, assim, terem se tornado produtores de seus próprios trabalhos; 31% sugeriram que a produção de projetos culturais é um meio para conseguirem atingir sua vocação real, a artística; 25% e 19% indicaram a influência de amigos produtores e da família de artistas, respectivamente; e 25% ingressaram na atividade por pertencerem a um grupo artístico que precisava de produtor.

  Porém, nestes números, existem mais informações para entendermos – de onde vem? – este produtor, que não constam do relatório da pesquisa, publicado em agosto de 2012.
    
   Destes todos, vale ressaltar um dado muito representativo: 52% dos pesquisados tiveram a oportunidade de se iniciar na atividade por serem artistas – ainda que apenas 20% dos produtores tenham afirmado este como principal motivo para o exercício da produção. Nesses casos, a perspectiva pessoal incentivou em muito o exercício da atividade. Além de ser artista, “a paixão (que tenho) pela cultura, pela arte, pela história brasileira (…) motivou o meu ingresso na atividade”, conta um artista-produtor entrevistado.

   Claro que a necessidade também entrou em ação na hora de ‘motivar’ os artistas a exercerem a função de produtores. 41% dos artistas-produtores – 21% do total de produtores entrevistados – pertencem a um grupo artístico que precisava de alguém para produzir.

   O interessante é que, dos artistas que se tornaram produtores, apenas 7,5% enxerga os artistas brasileiros como “artistas-produtores”. Nesta perspectiva, apontam que os artistas que se produzem são “muito criativos porque fazem de tudo um pouco, carregam e tocam o piano ao mesmo tempo (…) desde a criação do projeto até sua finalização”, “multiplicam-se para atender o público”.

   O índice de 7,5% de “artistas-produtores” para definir os artistas brasileiros também representam a perspectiva dos produtores que não são artistas.

    Esses números são constrastantes com o percentual de produtores que ingressaram na atividade por serem artistas. Porém, tornam-se irrelevantes se comparados com os 76,5% de artistas que se tornaram produtores e vêem os artistas brasileiros como alguém “dedicado/apaixonado” e, assim, natural que toda e qualquer tarefa seja realizada em nome de sua arte.

  Em geral, essa percepção apareceu ligada à obstinação do artista em desenvolver sua atividade artística, mesmo que em situações adversas. Isto os faz “guerreiros apaixonados pela causa”, já que “não têm o apoio de ninguém – governo, patrocinador – e têm muita dificuldade para sobreviver”.

  Destes mesmos artistas que se tornaram produtores, 34,5% verificam que os produtores são viabilizadores, “pessoas importantes dentro dos projetos”, que “permitem que os artistas trabalhem e mostrem seu talento e seu trabalho”. 29% dos entrevistados que não são artistas enxergam os produtores da mesma forma, caracterizando-os como “intermediadores da arte e do patrocínio”.

   Para 32% dos artistas-produtores, os produtores culturais são guerreiros, heróis por trabalharem em um mercado em que “as dificuldades são imensas como, por exemplo, ter pouco incentivo, respeito e informação geral sobre a profissão”. Isso é percebido por 27% daqueles que não são artistas.

  Já 29,5% dos artistas-produtores verificam que são “profissionais que desenvolvem, planejam e executam projetos culturais”, contra 15% dos não artistas, que compreendem o produtor como “articuladores que fazem tudo num projeto cultural”, já que “é difícil montar uma equipe com bons profissionais (…) cabe ao produtor fazer tudo ao mesmo tempo, atuar em várias frentes”.

  Será mesmo por isso que ingressaram na atividade?
Dos produtores que desenvolveram e explicaram em maiores detalhes por que produzem (6,2% do total dos entrevistados), 26% afirmaram que o que os motiva são questões sociais, como “viabilizar o resgate do nosso patrimônio cultural de bens, móveis e imóveis”, ou ainda a “melhor qualidade cultural da cidade”.

   “O que me faz produzir é ajudar as pessoas de menor poder aquisitivo a terem acesso à cultura” e “ajudar as pessoas” foram explicações que caminharam no sentido de fazer com que o papel do produtor se assemelhe com funções filantrópicas e, às vezes, assistencialistas. Será?

   Certamente este não é o ponto de vista de um grupo menor de produtores. 6,5% deles acreditam que a produção é um negócio e constituem um “empreendimento (…) na área cultural”.

   Há também os que acreditam no trabalho de produção e se realizam pessoalmente a partir dele. Esse é o caso de 29% dos respondentes que explicaram melhor os motivos que os levaram  a produzir; seja por “realização pessoal” ou pela “satisfação do trabalho”, seja pela crença em alguma manifestação ou arte como “a paixão pelo cinema” ou “pela história (…) mineira”. Já outros 17% dos que detalharam seu início na atividade discorreram sobre a necessidade de promover seus próprios trabalhos e entenderam a produção como “única maneira de colocar a visibilidade no meu trabalho”.

   Já nem 1% dos que explanaram sobre o que os levou a produzir, sugeriram que sua formação acadêmica os orientou nesta direção. Também nesta mesma representatividade, verificam-se aqueles que produzem como necessidade gerada por outro trabalho como, por exemplo, “consequência do trabalho como diretora de escola” ou pela “oportunidade (gerada) por desenvolver atividades com crianças”.

    Sejam quaisquer dos motivos que tenham sido detalhados, percebeu-se que a atividade da produção cultural ainda não apresenta formação orientada para seu exercício. Além disso, seu não reconhecimento acarreta em mercado não estruturado que, além de permitir posturas das mais amadoras às mais profissionalizadas, favorece as mais distintas maneiras de ingresso na atividade.
Há o que se pensar!

   *Matéria escrita a partir de base de dados originária de questionário aplicado com proponentes de projetos inscritos na Rouanet, em entrevistas realizadas por telefone no mês de abril de 2011. Mais informações sobre a metodologia desta pesquisa em www.panoramadacultura.com.br.

fonte: http://www.culturaemercado.com.br/analise/trilhas-e-caminhos-para-a-producao-cultural/ 

Proxima Postagem: Refletindo sobre publicos: Turismo, patrimonio, museus

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

É PRECISO MOSTRAR QUE AS ARTES VISUAIS SAO IMPORTANTES

  Este é um texto que parte do local para o particular mas é importante para toda a classe artista visual sendo assim por ser mais especifico o texto nao se encontra na integra. *[] partes incluidas por mim.

É preciso mostrar que as Artes Visuais são importantes


   É cada vez maior a preocupação da classe artística em mudar o panorama atual da gestão pública de cultura no Rio Grande do Norte [nao so la mas em todo o país]. Movimentos independentes são organizados para realização de eventos culturais sem apoio público e para discutir ações para a área. E é dentro desse contexto que o Fórum de Artes Visuais do RN (FAV-RN) elaborou um documento com uma série de propostas de políticas públicas para o setor e entregou ao gabinete da Fundação José Augusto (Leia a íntegra do documento aqui).

   As propostas tem como base o Plano Nacional de Artes Visuais, que ainda está em processo de construção, mas que já estabelece diretrizes para o setor[...]. 

   Segundo Sanzia Pinheiro, ex-chefe do Núcleo de Artes Visuais da Funcarte e  uma das que participam do FAV-RN, o momento é de construção. “Uma Secretaria Estadual de Cultura está prestes a ser criada e é importante que se escute os profissionais que trabalham com as artes visuais e se discuta políticas públicas adequadas para esta área específica”, diz.

   Outro que participa do Fórum é o artista plástico paranaense e vice-chefe do Departamento de Artes da UFRN Marcos Andruchak. “Eu desconhecia o mercado das Artes aqui do Estado. Só quando vim morar em Natal que percebi que a produção é boa. Temos artistas de qualidade espalhados por aí que poucos conhecem, pois não tem apoio para expor ou produzir suas obras. O que falta mesmo são políticas públicas permanentes. Sabemos que podemos melhorar a situação atual e isso se faz por meio da união. Queremos mais oportunidades”, comenta.

   Sanzia também concorda com a qualidade artística local e fala que a visibilidade fora do estado pode ser melhor. “Organizei e participei de várias curadorias e é comum os curadores falarem positivamente sobre a produção daqui. Eles se surpreendem porque em outros estados não se tem conhecimento das artes potiguares [na verdade nao temos noçao da qualidade de muitos estados aqui ja que o país é grande e normalmente os artistas preferem se fechar enquanto momento de produçao se abrindo somente em exposiçoes]. É uma das intenções da gente conseguir o apoio público para se dar mais visibilidade. Queremos dar um foco nas Artes Visuais, assim se verá mais nomes aparecendo no cenário nacional”, fala.

  Situação dos espaços expositivos e diversidade de linguagens

Dentre as várias propostas para a área, o Fórum de Artes Visuais do RN espera que haja ampliação, aperfeiçoamento e atualização do quadro de professores de artes para o ensino fundamental e médio; criação do curso de Artes Visuais na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte; incentivos para o empreendedorismo cultural; criação de um conselho permanente de Artes Visuais para assessoramento direto de todos os projetos voltados para o setor; além de ações como melhorias no funcionamento de espaços culturais públicos.

  “O RN tem vários espaços expositivos, falta movimentá-los. É preciso abrir editais para ocupação, fazer cronograma de exposições com lista de artistas convidados de fora do Estado.[...]

  “Há espaços, mas se não estão sendo usados, é como se eles não existissem”, comenta Andruchak, que também atenta para um fato, [...]

   O Fórum reconhece a importância de manifestações artísticas tradicionais, mas espera que o poder público busque apoiar a arte em suas variadas linguagens, sem restrições ou privilégios, como aponta Sanzia. “Todas as linguagens precisam ser incentivadas. [...]”.

   Questionado sobre o interesse dos potiguares pela arte, Andruchak pensa um pouco e responde. “O poder aquisitivo do Natalense é alto. Essas pessoas podiam estar consumindo arte, mas por que não consomem? Porque elas não conhecem. Não tem acesso a produção local. Se elas não conhecem, elas vão comprar outro carro, ou vão fazer uma viagem. As pessoas o tempo todo pensam em arte. Na hora de comprar se observa o design de um carro, ou a cor de uma roupa ao mesmo tempo em que se pensa na eficiência do produto. A arte está em todos os lugares. Mas é preciso mostra que ela é importante”.

Sobre o Fórum

O  Fórum  de  Artes  Visuais  do  Rio  Grande  do  Norte  (FAV-RN) é um espaço autônomo e apartidário de reflexão e discussão. Criado em agosto de 2010, o Fórum é formado por artistas, professores/educadores, estudantes, pesquisadores, críticos, produtores e gestores, que se reúnem mensalmente no SEBRAE/RN para debater temas relacionados às artes visuais no Estado e no país. O FAV-RN faz parte da grande rede brasileira em torno de fóruns estaduais e, a nível nacional, do Colegiado Nacional de Artes Visuais, para refletir, discutir e sugerir novas políticas públicas para a área.

fonte: http://revistacatorze.com.br/2011/e-preciso-mostrar-que-as-artes-visuais-sao-importantes

terça-feira, 27 de novembro de 2012

CONSERVAR PARA NAO RESTAURAR

  Sabem aquele ditado "melhor prevenir que remediar, pois então, o topico de hoje esta relacionado a isso porem foi alterado para melhor conservar que restaurar. Vamos a ele...

Conservar para não restaurar

On 12 de novembro de 2012, in Artigos, Nacional, by Silvana Losekann
Por Gabriela Nogueira Cunha

Denúncia de possível erro na restauração do quadro “A Primeira Missa no Brasil” realça a fragilidade das políticas de preservação de bens culturais no país.

 

    A esta altura do campeonato, a história de Cecilia Giménez, que mobilizou as redes sociais no início de agosto, já esfriou. Mas o caso da espanhola de 80 anos que, cheia de boa vontade, mas com propensão para o desastre, “restaurou” uma imagem de Jesus Cristo pintada no século XIX, serve de alerta sobre a importância deste delicado ofício. Embora a lambança promovida pela amadora senhorinha de Borja seja inigualável, o Brasil também tem histórias mal contadas de restaurações. Uma delas envolve um quadro famosíssimo, abrigado em um dos principais museus do país. Só que aqui a polêmica é velada.
   A obra em questão é nada menos que “A Primeira Missa no Brasil”, de Victor Meirelles de Lima (1832-1903), pintada entre 1859 e 1860 na França. 
    Considerada a primeira pintura histórica produzida por um brasileiro, retrata a missa que Pedro Álvares Cabral mandou rezar para marcar simbolicamente a posse de Vera Cruz pela Coroa portuguesa, assim como a implantação da fé católica no novo domínio, em 1500. Com 2,68 por 3,56 metros, o quadro dificilmente passa despercebido por quem visita a Galeria de Arte Brasileira do Século XIX do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro.
     O que olhares leigos não captam são os possíveis acidentes de percurso resultantes da última restauração da tela, bancada pelo BNDES em 2006. Após a intervenção, duas faixas de cor neutra, nas laterais, passaram a dividir espaço com os elementos épicos da pintura.
    A denúncia foi feita pelo crítico e historiador da arte Carlos Roberto Maciel Levy e endossada pelo restaurador Cláudio Valério Teixeira, atual secretário de Cultura de Niterói (RJ), que na década de 1980 coordenou a restauração de duas das mais importantes telas do acervo do próprio MNBA: “Batalha dos Guararapes” (1879), também de Victor Meirelles, e “Batalha do Avaí” (1872), de Pedro Américo. Em entrevista à Revista de História, Levy contou que na cerimônia de reinauguração do Museu Nacional de Belas Artes, há seis anos, percebeu os novos elementos no quadro, nunca vistos antes. “Quando entrei na sala em que estava a pintura, acompanhado do professor Cláudio Valério Teixeira, reconheci de imediato a moldura original. Ora, eu estava com o maior restaurador de obras de arte do Brasil! Cutuquei o Cláudio, e ele, que já é meio pálido, olhou para a pintura e ficou mais pálido ainda. Não sou restaurador e não vou dar opiniões categóricas, mas naquele momento eu tive a nítida impressão de que a tela havia sofrido um acidente de restauração”.

Fonte: http://www.defender.org.br/conservar-para-nao-restaurar/ 

 Bem como foi dito, houveram alterações no quadro e se tratando de uma restauração que por sinal é feita por humanos, querendo ou nao, mesmo que dizer ser uma ciencia exata e tecnica acho que o trabalho é pacivel existir a subjetividade sim. Vejam comigo, todos nos quando aprendemos a escrever nao aprendemos todos do mesmo jeito e mesmo assim o individual acaba percistindo e dando caracteristica propria a escrita. O mesmo acontece com medicina e com restauração sim e cada um vai por um pouco de si no trabalho mesmo que incosciente. Entao é por isso que se fala em melhor conservar para nao restaurar, pois a conservação nao realiza alterações fisicas na obra, ela trabalha com o controle do ambiente  em que se encontram os trabalhos. Mas se for uma conservação tambem mal feita nao adiantara nada entao vamos o negocio é estudar e quanto mais nos cercamos de cuidado e conhecimento sobre o que estamos fazendo; melhor.
  Ate a proxima ...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

PROFESSOR MOSTRA QUE QUIMICA E ARTE CAMINHAM JUNTAS EM RESTAURO DE BENS CULTURAIS

      O artigo de hoje é para mostrar que arte nem é tao subjetiva assim, se ela se alia a uma materia tao objetiva como quimica e outras materias exatas entao quer dizer que ela tem sua importancia e objetividade.
  
 Reportagem: Fernanda Vilela

Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração de obras de arte (Crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP) 
Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração (crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP)

 Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração de obras de arte (Crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP) Caso da espanhola que tentou recuperar pintura mostra que é necessário conhecimento para restauração (crédito: Centro de Estudos Borjanos/AFP) 
    
     A palavra arte tem origem no latim e significa técnica ou habilidade. Geralmente ela é entendida como a atividade humana ligada à estética e à comunicação, realizada a partir da percepção, emoções e ideias. As manifestações artísticas buscam o mergulho na consciência, dando um significado único e diferente para cada obra. A importância da preservação do patrimônio histórico e cultural de uma nação demonstrou a necessidade da existência de outra habilidade: a conservação e restauração de bens culturais. 
     Com o passar do tempo, as obras de arte envelhecem e se desgastam. Para cuidar desse material tão delicado é necessário ter conhecimento sobre o assunto. Para isso, a união com a Química é fundamental. 
    Um exemplo mal sucedido de restauração feita sem preparo adequado foi o de uma espanhola de 80 anos que decidiu por conta própria restaurar uma pintura do século XIX na parede de uma igreja em Borja, na Espanha. A mulher até agiu com boa vontade, mas acabou distorcendo completamente a obra original, feita pelo artista Elías García Martínez. 
     O Prof. Dr. João Cura D´Ars de Figueiredo Junior, especialista em Química de Bens Culturais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que o químico auxilia diretamente o restaurador ao escolher, por exemplo, um solvente que funcione de uma forma bem específica na limpeza e na remoção das pinturas. “Pensemos em uma situação em que há uma pintura na qual o seu verniz está envelhecido e de cor amarela. Ao usarmos um solvente para remover esse verniz, há o risco de tirarmos também a tinta. A solução que o químico encontra é que diferentes materiais, como o verniz e a tinta, podem possuir diferentes solubilidades. Em uma situação aceitável, o verniz será totalmente polar e a tinta totalmente apolar. Neste caso, poderíamos usar água para remover o verniz sem o risco de que ela dissolva a tinta”, diz. 
    Segundo Figueiredo, em diversos momentos, o restaurador tem a necessidade de identificar substâncias em obras de arte para conhecer a técnica que o artista utilizou ou proteger o estado de conservação da obra. “O estado de conservação nos diz o quanto a obra está deteriorada e o que causou essa deterioração”, explica. 
    O pesquisador diz ainda que, com o avanço tecnológico, os materiais utilizados no processo de restauração de uma obra de arte evoluíram. “Hoje em dia, temos sistemas com géis, bem semelhantes a sabões, que podem usar materiais como a lipase, uma enzima que auxilia na remoção de tintas a óleo. Há também solventes magnéticos. Esses solventes são géis magnéticos misturados a um solvente de uso comum, como as cetonas. Eles apresentam a facilidade de limparem as obras e serem removidos depois com ímãs”, afirma o professor. 

 História 

   Figueiredo explica ainda que as primeiras tentativas de unir a Química e a restauração começaram no século XVIII. Grandes cientistas como Pasteur, Bertholet, Humphry Davy e Faraday foram os precursores. Bertholet chegou a ser requisitado pelo próprio Napoleão Bonaparte para tratamentos químicos em obras encontradas no Egito. 
    Esses cientistas, porém, passaram por dificuldades. Os restauradores os evitavam, pois acreditavam que os químicos não possuíam sensibilidade para tratar a obra de arte com respeito. “Isso acabava encontrando razão, pois muitas vezes as intervenções dos químicos foram desastrosas. Humphry Davy, por exemplo, acabou destruindo vários pergaminhos ao tentar restaurá-los”, revela Figueiredo. 
   “Infelizmente, o passo mais importante para essa união foram as guerras mundiais. A destruição de monumentos e obras artísticas pelos bombardeios e ataques de exércitos gerou um forte sentimento de que eles deveriam ser preservados e todos os esforços para isso, oriundos de qualquer área, seriam importantes”, complementa o pesquisador.

 Arte e Ciência 

                             O prof. João Cura D'Ars de Figueiredo Junior durante aula de análise de materiais de obras de arte

O prof. João Cura D’Ars de Figueiredo Junior durante aula de analise de materiais de obra de arte

 O prof. João Cura D'Ars de Figueiredo Junior durante aula de análise de materiais de obras de arte O prof. João Cura D’Ars de Figueiredo Junior durante aula de análise de materiais de obras de arte Para Figueiredo, a Arte e a Ciência estão interligadas e devem caminhar juntas. “A divisão do conhecimento em disciplinas existe apenas para facilitar o estudo. Não existe um planeta ‘Química’, ou um planeta ‘História’. Bom, podem até existir, mas aqui no planeta Terra todos os conhecimentos são fundamentais para o ser humano. Precisamos saber sobre artes e sobre exatas. O conhecimento de uma não elimina a outra”, diz. O professor conclui citando uma frase do cientista francês Henri Poincaré: “O cientista não estuda a natureza porque ela é útil; estuda-a porque se delicia com ela, e se delicia com ela porque ela é bela. Se a natureza não fosse bela, não valeria a pena conhecê-la e, se não valesse a pena conhecê-la, não valeria a pena viver”. 

 fonte: http://agenciacienciaweb.wordpress.com/2012/09/14/professor-mostra-que-quimica-e-arte-caminham-juntas-em-restauro-de-bens-culturais/

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CULTURA E EDUCAÇÃO

    Quando a Educação se afasta da Cultura ela perde sua alma. Quando a Cultura se afasta da Educação ela perde seu corpo. Reaproximar Cultura e Educação é reaproximar corpo e alma.
 
    Um programa de integração entre Cultura e Educação deveria ser estruturante para todo programa de governo. Há acúmulo teórico e experiência prática, comprovando que este encontro entre Cultura e Educação não somente dá certo como é indispensável para uma cultura cidadã e uma educação emancipadora, como o movimento mundial pelas Cidades Educadoras, ou o conceito das Escola-Parque, formulado pelo pedagogo brasileiro Anísio Teixeira, ou dos Parques Infantis, implantados na década de 1930 em São Paulo, por Mário de Andrade.

    Aqui não se trata da pedagogização da cultura e das artes, mas da integração entre cultura e educação, em um processo permanente, que aconteça em todos os lugares, com todas as gerações e por toda vida. A base da cidadania cultural está neste sutil exercício.

   Integrado Cultura e Educação (e também esportes, lazer e meio ambiente) é possível implantar, paulatinamente, a Educação em Tempo Integral, mas não em tempo integral na escola e sim utilizando toda a rede de Cultura da cidade (não somente a municipal, como também de demais instituições a partir de parcerias). Fora do horário na escola os alunos poderiam participar:

.    a)  Cursos de iniciação artística em Escolas Municipais de Iniciação Artística
.    b)  Formação de público com freqüência a teatros, museus, centros culturais e cinemas;
.    c)  Projetos especiais como o Recreio nas Férias – assegurando programação cultural e esportiva de férias para todas as crianças e adolescentes da cidade;
.    d)  Corpos Artísticos Juvenis (ou vocacionais), como orquestras e corais, grupos de teatro, dança, circo e coletivos em artes visuais ou audiovisual. 
O objetivo seria assegurar a todas crianças e jovens o acesso a, pelo menos, um curso de iniciação artística e freqüência mensal em, no mínimo, uma programação em teatro, cinema ou exposição e uma semana de férias nas atividades do Recreio nas Férias (com atividades de cultura, esporte e lazer nos pólos de férias, passeios e visitas a áreas de lazer – quando desenvolvi esta experiência em Campinas, no início dos anos 90 e em São Paulo, no governo Marta Suplicy, conseguimos atender a mais de 100.000 crianças e jovens por edição).

    Quanto aos Corpos Artísticos Juvenis, faço um exercício para demonstrar o quanto é viável. Imaginemos uma cidade que contasse com 50 Orquestras e Corais Infantis e Juvenis, com participação entre 60 e 100 jovens em cada um. 
  O custo de manutenção de cada orquestra seria de R$ 400 mil/ano, garantindo contratação de regente e professores por naipe (violino, violoncelo, percussão, etc…); um sistema de orquestras jovens com este porte asseguraria 1.000 apresentações de música de câmera por ano (2 por mês, durante 10 meses, por cada orquestra), envolvendo diretamente entre 3 a 5 mil jovens músicos, além de gerar postos de trabalho para músicos recém formados, que atuariam como regentes e professores de orquestra (aproximadamente 500 no total). Há que contabilizar também o público beneficiado com a série de concertos, alcançando centenas de milhares, ou até milhões, de pessoas. O custo total desta ação seria de R$ 20 milhões/ano (numa cidade que assumisse 50 orquestras jovens), pouco para o alcance educacional e cultural da iniciativa.
     A Orquestra de Heliópolis, em São Paulo, é um exemplo de transformação social e beleza que resulta de um trabalho como este. Por que as cidades do Brasil não podem contar com tantas mais experiências como a surgida na favela de Heliópolis, em São Paulo? O mesmo poderia acontecer com grupos de teatro, dança, coral, etc… (neste caso a um custo menor por grupo constituído). Como parâmetro de eficácia, devemos observar o Sistema de Orquestras Jovens da Venezuela, conhecido como El Sistema (atualmente a Venezuela é o país que mais forma músicos eruditos no mundo – em relação à população); com 30 milhões de habitantes, o país conta com mil orquestras e 300 mil músicos em atividade (em proporção, a cidade de São Paulo deveria contar com 100 mil músicos e mais de 300 orquestras jovens).   
       Todo município brasileiro pode e deve ter seu Sistema de Corpos Artísticos Juvenis, seja uma banda de coreto ou orquestra, um grupo de teatro, dança ou circo, ou vários. Investindo muito ou pouco, mas investindo e cuidando de sua gente, este deveria ser o principal objetivo de todo governo.
Sistema Municipal de Bibliotecas, livro e leitura, outra ação indispensável. Biblioteca é patrimônio cultural e, sobretudo, formação. Além de assegurar, ao menos, uma biblioteca por município ou distrito, cabe integrar a rede de bibliotecas públicas com as bibliotecas escolares, bibliotecas comunitárias e demais iniciativas de difusão do livro e da leitura. E ir além da integração e disponibilização de acervos.
      É preciso atualizar o conceito de bibliotecas, transformando-as em espaços convidativos e agradáveis, com acervo atualizado e livros ao alcance direto do leitor (ao menos o acervo mais atual), espaços iluminados e aconchegantes, atividades lúdicas em brinquedotecas e constante programação cultural e artística. Há diversos bons exemplos de como a instituição Biblioteca pode assumir um novo papel de estimulador social e cultural, que vai muito além da guarda e consulta de acervos. A cidade de Medellin, na Colômbia, é um belo exemplo de como potentes bibliotecas se transformam em âncora para a regeneração urbana e o exercício de uma cultura cidadã; isso também pode acontecer em qualquer cidade do Brasil.
       E para além das Bibliotecas. Há a necessidade de políticas de difusão do livro e da leitura, levando-o mais próximo ao público, com iniciativas que vão desde a distribuição gratuita de livros de baixo custo no sistema de transporte público (a exemplo do programa “Para ler de boleto en el metro”, na cidade do México) até a organização de bancas/estantes em praças e pontos de ônibus (a exemplo da cidade de Bogotá, ou da bela iniciativa de um Ponto de Cultura em um açougue, na cidade de Brasília, que disponibiliza 100.000 livros nos pontos de ônibus da cidade). E difusão se faz com gente, Agentes de Leitura (jovens da Cultura Viva, que difundem a leitura em casas, ruas e espaços comunitários) e o próprio incentivo à criação literária. Enfim, não há Cultura e Educação sem a devida prioridade às bibliotecas, livros e leitura.

*Terceiro texto da série “A Potência da CULTURA – ensaio com sugestões para programas de governo”, publicada originalmente e na íntegra na revista Fórum. Clique aqui para ler o segundo texto.

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