Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A ARTE EM BUSCA DO COMEÇO

   Nestes artigos que aqui publico, tenho tentado refletir sobre as diferentes questões envolvidas no processo da arte contemporânea. Posso às vezes parecer repetitivo, mas, de fato, se recoloco problemas e retomo argumentos já expostos em artigos anteriores, pretendo, na verdade, aprofundar-lhes a compreensão e tirar deles novas conclusões. Isto significa que não tenho respostas prontas para as referidas questões nem juízos definitivos.

     Dentro desta perspectiva, abordo de um outro ângulo o processo que conduziu à situação atual da arte. Trata-se de uma tendência que, no Brasil, atingiu um grau de radicalidade jamais experimentado antes, com o movimento neoconcreto, principalmente nas obras de Lygia Clark e Hélio Oiticica. Falo do abandono da linguagem e das técnicas pictóricas em função de uma nova linguagem a ser inventada. A ruptura se dá quando Lygia Clark deixa de pintar na tela para, em vez disso, agir sobre ela, cortá-la, estufá-la, substituí-la por estruturas metálicas manuseáveis.


    O ponto que pretendo examinar é o seguinte: a ruptura com as linguagens artísticas existentes, levada às últimas conseqüências, aponta para o abandono do universo semântico (*significado, sentido) e o inevitável retorno ao “mundo natural”, que é o oposto do universo da arte.

    Esta tendência estava implícita de modo geral em quase todos os movimentos de vanguarda do início do século 20, mas, pelo fato mesmo de que implicava, em última instância, o fim da arte, todos eles se detiveram antes de dar o passo decisivo. Tomemos o exemplo de Kasimir Malevitch com seu Suprematismo, que o levou a pintar um quadro que consiste num quadrado branco sobre um fundo branco: depois disso, seria a tela totalmente em branco, ou seja, o fim ou o recomeço da pintura.

    O passo adiante – à parte qualquer juízo de valor – foi dado pelo Neoconcretismo, talvez mesmo porque este movimento tenha surgido décadas depois de Malevitch, quando o processo artístico já exigia que esse passo fosse dado. Mas esta hipótese não se coaduna (*Combina) com a tese – que defendo – de que a arte não evolui. De fato, esse passo adiante era uma possibilidade efetiva do curso tomado pela arte moderna e poderia ser dado a qualquer momento ou não. No Brasil do final da década de 1950, começo da de 60, a conjunção de uma série de fatores o tornaram impositivo.

   Mas é possível ao artista atravessar a fronteira entre a arte e o “mundo natural”, livrar-se da cultura e recuperar a vivência sensorial virgem, limpa de toda a experiência passada? Evidentemente, não, mesmo porque o único caminho possível para essa passagem para fora da arte é a própria arte; noutras palavras, não é possível de fato efetivá-la, uma vez que toda e qualquer expressão, seja artística ou não, ainda é cultura, isto é, o contrário da natureza. Donde a conclusão inevitável de que o preço para recuperar a experiência natural, primeira, é a desintegração progressiva de toda e qualquer linguagem existente. E aí, defronta-se o artista com um novo impasse: se cria um linguagem nova, volta a afastar-se da experiência “natural”; se não a cria, não faz arte.

   Este impasse com que se defrontaram tanto Lygia Clark quanto Hélio Oiticica, ao final de sua aventura artística, repetiu o impasse a que chegou a pintura após eliminar do quadro a figura e recuperar a tela em branco: se pintasse, ainda que fosse uma forma abstrata, recomeçaria a pintura; se não pintasse, desistiria dela, como ocorreu com Malevitch que, como mais tarde fariam os neoconcretos, também saiu para o espaço tridimensional, com suas “construções no espaço”, constituídas de placas coloridas semelhantes a maquetes arquitetônicas.

   A solução adotada pela artista brasileira foi mais radical e creio que mais conseqüente, mais orgânica, por assim dizer. Ao contrário do pintor russo, que simplesmente abandonou o espaço virtual da tela e optou pela construção no espaço real, Lygia, em face da tela em branco, decidiu trocar a ação metafórica do pintor no espaço fictício do quadro pela ação real sobre a tela cortando-a, estufando-a, desarticulando-a, até transformá-la numa estrutura de placas metálicas no espaço tridimensional.

   O caminho seguido por Hélio Oiticica é, no início, semelhante, mas menos elaborado e complexo que o de Lygia, pois, como Malevitch, passa para o espaço tridimensional sem antes exercer a ação real sobre a tela mudada em objeto natural anterior à cultura. Explico-me: no momento em que Lygia desiste de pintar sobre a tela para, em vez disso, cortá-la e estufá-la, esta deixa de ser suporte da linguagem pictórica (cultural) para se tornar quase apenas um objeto material; digo “quase”porque, sendo tela, ainda que em branco, era de qualquer modo o lugar onde esteve a pintura e, por isso mesmo, cortá-la e estufá-la são ações que ainda pertencem ao universo semântico da arte, que ela assim violenta, desmonta, destrói. Deste modo, os seus Bichos são seres nascidos desta operação no limite do universo pictórico, ao avesso dele; por isso, sempre afirmei que essas obras de Lygia – que parecem esculturas – são de fato filhos da pintura, que pariu os seus contrários. Oiticica não realiza essa complexa transição e, por isso mesmo, os seus “relevos” espaciais suspensos são objetos intermédios entre a pintura e a escultura, guardando daquela a cor tornada estrutura desdobrada (ou dobrada) no espaço. Diferentes dos quadros por não terem avesso e estarem pendurados do teto, estão no entanto mais perto das construções malevitchianas que dos “bichos” de Lygia Clark. A experiência de Oiticica só alcança a radicalidade da não-arte em seus Bólides, quando ele convida o espectador a manusear caixas inseridas em caixas e descobrir dentro delas panos sujos, serragens, enfim, matéria “natural” que lhe possibilitam uma experiência sensorial bruta, fora do universo estético.

 
   
Lygia manipulando um de seus bichos

















                                                                                              Helio e seus Bolides






 
    Lygia, por sua vez, radicaliza a experiência fora da cultura quando elimina de seu trabalho o resto de expressão visual (que ainda persiste nos Bichos) e busca passar ao outro – que já nada tem de espectador – dados meramente sensoriais; sacos de plásticos cheios d’água para pôr sobre o corpo ou novelos de fios plásticos postos na boca e de lá puxados pelo próprio “paciente”. Tais experiências situam-se anteriormente a toda linguagem e mesmo se negam a chegar a ela, como a afirmar que só é verdadeiro o que se apreende sensorialmente. Trata-se de uma atitude anticultural e de certo modo niilista, pois, a manter-se no nível da mera sensação, o indivíduo abre mão da própria consciência, que o distingue dos outros animais e o torna capaz de criar a arte, a ciência, a filosofia, a religião e todos os valores que fazem dele um ser mais cultural que natural.


Fonte original: Revista Continente Multicultural  www.continentemulticultural.com.br
Fonte onde peguei:http://www.portalartes.com.br/artigos/682-a-arte-em-busca-do-comeco.html 
Obs: As fotos e as palavras entre parenteses e com asterisco sao adiçoes minhas
Proximas postagens:
  • A Aura e a Obra
  • Arte na idade industrial
  • Impasse da Antiarte

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DEZ DICAS PARA TORNAR UMA VISITA AO MUSEU DIVERTIDA

Continuando com o topico museus, aqui vao dicas para crianças e adultos serem mais atraidos por um museu. É o primeiro passo para se apaixonar por um...

CULTURA

10 dicas para tornar uma visita ao museu divertida

Incentivar seu filho a interagir com a exposição e contar suas próprias histórias pode aproximá-lo do mundo da arte

18/05/2011 15:49
Texto Marina Pastore
Educar


                       Foto: Reprodução
                       Foto: Uma obra de arte como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, é um ótimo caminho para despertar a imaginação da criança
Uma obra de arte como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, é um ótimo caminho para despertar a imaginação da criança

Um museu pode parecer um ambiente chato e entediante para as crianças. Por isso, uma visita a uma exposição nem sempre é lembrada na hora de escolher o passeio do fim de semana. Mas não precisa ser assim: além do aprendizado enorme que a criança pode ter em contato com obras de arte, muitas instituições produzem material educativo especialmente para aproximar a exposição do universo infantil e, assim, torná-la mais interessante. Você mesmo também pode estimular seu filho a fazer mais do que simplesmente observar: a obra de arte tem a capacidade de despertar a imaginação da criança e estimulá-la a conversar sobre aspectos de sua própria vida.

Conheça agora 10 dicas para ajudar seu filho a se divertir no museu!
  
Você não precisa conhecer detalhes sobre o artista e sua obra, mas saber o que vocês vão encontrar pode ajudar a conversar sobre a exposição durante a visita. É muito mais interessante do que simplesmente observar as obras. Para isso, o próprio site do museu pode ajudar muito; alguns inclusive oferecem atividades infantis online. Aproveite para checar se a entrada é gratuita para crianças.

2. Procure museus com atrações interativas
Isso vale especialmente para crianças pequenas. Recursos multimídia, por exemplo, ou mostras baseadas em brincadeiras com o público, prendem mais a atenção e despertam o interesse com mais facilidade. Se vocês forem a um museu mais tradicional, destinado a adultos, não esqueça de explicar ao seu filho que ele não deve tocar nas obras, gritar ou correr pelas salas.

3. Converse com seu filho antes da exposição
Tente perceber o que mais o agrada e pergunte o que ele acha que vai encontrar, como ele imagina que seja o artista e suas obras. Assistir a um filme ou ler um livro sobre o assunto também pode ajudar a deixar seu filho animado com a atividade.

4. Tente aproximar o artista do seu filho
Saber um pouco mais sobre a vida do artista - como era sua personalidade, sua casa, sua família - mostra que ele é uma pessoa como qualquer outra, e que seu filho também pode desenhar, pintar ou escrever, se tiver vontade. Falar sobre o artista na forma de uma história vai interessar a criança e deixá-la com vontade de conhecer suas obras.

5. Fique atento aos recursos pedagógicos oferecidos pelo museu
Muitas instituições elaboram material para crianças, mesmo quando a exposição não é voltada ao público infantil. Cadernos, cartilhas e jogos podem ser usados tanto no museu, observando o acervo, quanto na sala de aula ou mesmo em casa. Verifique também se o museu possui espaços para que a própria criança faça sua arte, desenhando, pintando ou escrevendo, por exemplo.

6. Participe de visitas guiadas
Além de conhecer muito bem o acervo, educadores do museu podem realizar atividades que facilitem o entendimento, como contação de histórias, músicas, filmes e jogos. Tudo isso relaciona a exposição com a experiência própria da criança e, por isso, prende sua atenção.

7. Incentive seu filho a falar sobre a obra
É muito comum que crianças pequenas usem uma imagem como estimulo para contar alguma história de sua própria vida. Uma pergunta simples feita na frente de um quadro, como "o que você vê aqui?", pode despertar a imaginação.

8. Procure conhecer os programas de férias
Muitos museus têm programações especiais para crianças nos meses de recesso escolar, com filmes, visitas guiadas e atividades interativas. É uma boa oportunidade para seu filho ter contato com a arte na companhia de outras crianças.

9. Não force a criança
Tentar fazer seu filho aprender sobre características objetivas da obra - como o autor, estilo ou período histórico - pode gerar resistência. Entrar no universo próprio da infância, contando uma história, por exemplo, desperta naturalmente o interesse. Isso pode não acontecer na primeira ou na segunda visita, mas os passeios regulares a museus deixarão a criança mais à vontade no mundo da arte.

10. Incentive o prazer de estar diante de uma obra de arte
Isso é muito mais importante do que qualquer detalhe técnico da exposição. Além de estimular no seu filho o gosto pela arte, uma visita ao museu pode ser, antes de tudo, um divertido passeio em família.

Para quem tem criança Aproveite e faça o teste do site: Voce sabe tornar uma visita divertida (pena que é voltado para quem tem filho) http:/ Voce sabe tornar uma visita divertida

Proximas terça:  A arte Em busca do começo

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares (parte 4)




 Exposição de Arte Portugesa, Londres, 1955-1956

C – Os Lugares (Espaços) da Arte

    Se quem faz, faz para o produto ser mostrado, mostrar onde? Quais são os lugares? Em que espaços se vêem Arte?


   Os lugares e os espaços são vários, porque a Arte cabe em todo lugar.


   Herança do século 19 e 20, ainda há os salões com premiações. As Galerias e os Museus de Arte com seus curadores.


    Há os espaços públicos. Há as ruas. Radha Abramo nos historia uma de suas experiências relatando que “no final dos anos 70, organizei a primeira exposição a céu aberto, na ocasião da inauguração da Praça da Sé, em São Paulo. Foram 17 obras, expostas ao público. Se a crítica não gostou ao que conhecemos como Projeto Arte no Metrô, o qual ainda não foi totalmente concluído. Ainda temos obras para colocar nas estações”...


    Vemos assim que no Brasil iniciativas estão sendo tomadas. Falta talvez vencermos nossa timidez e seguir este exemplo de levar a arte para os espaços. Isto ajudaria aos novos artistas e educaria o povo a conviver com a arte.


   Falta o artista vencer seus próprios limites, o poder público incentivar mais, haver a coletivização de ações em prol de um mundo, um Brasil mais voltado para a Arte. Porque a Arte sensibiliza e vai mais longe. Ela levanta questionamentos e se assim é a Arte politiza, transforma, desperta conscientização.


     Terminamos dizendo que Nelson Screnci salienta que “... ainda há muito espaço no Brasil para quem quer criar. É um país em permanente construção, com muitas paredes brancas e vazias a serem preenchidos... Quem quer fazer faz, com autodeterminação e independência: inventa espaços, defende suas idéias, conquista um público e remove montanhas”.


   Portanto, o Brasil, o público, espera que você artista mostre suas habilidade e competências. Queremos ver você mostrando sua Arte. Quanto a você, poder público, secretários de cultura, queremos ver mais ações, promoções de eventos, iniciativas (e menos desculpas dizendo que as verbas não são suficientes). Quanto a você, empresários, gostaríamos de vê-los fazendo parcerias com o poder público ou incentivando algum artista ou escola de arte e ateliês. Pois, afinal Arte também pertence ao mundo dos negócios e é sinal de inteligência.


    Educando o povo, influenciando o imaginário através da arte e incentivando a cultura é que o país cresce e se modifica para melhor. Forma-se assim a Cidadania e reforça a sua soberania.


    Tomemos nossas atitudes acreditando em nosso país e creditando em quem pode fazer mais por ele despertando e sensibilizando consciências.


Fonte original: http://www.barbacenaonline.com.br
 
REFERÊNCIAS:


1) BAIERZ, Silvana. Radha Abramo—um paralelo entre arte e crítica. In. Consulte Arte e Decoração. Ano XIII. 2004. Ed. Nº 34.


2) SCRENCI, Nelson. Jovens Artistas, Novos Espaços. In. Consulte Arte e Decoração. Ano III. 2004. Ed. Nº 34.


Proximas postagens

  • 10 dicas para tornar uma visita divertida
  • A arte em busca do começo
  Para finalizar, vai um pensamento que retirei do blog Ilustratus e que é bem interessante. Para se pensar
 
(...) não existe talento; existe somente uma coisa: compromisso. Nós todos temos criatividade. A chave para expressá-la é aprender a definir o que é que você quer perseguir e criar um compromisso com essa idéia. Então você vai encontrar as ferramentas que você precisa. Você vai ter a paciência para trabalhar com todos os erros , as coisas que não parecem boas, e você vai manter a perseverança até que aconteça do jeito que você quer, ou de uma forma ainda mais maravilhosa do que tinha imaginado.Por David Paladin Chethlahe

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares parte 3

B – O Crítico de Arte


    Já que a Arte é produção, o artista não produz para si. Ele produz para mostrar. E é por isto que a Arte é a releitura que o artista e o observador, cada um com sua decodificação, sua bagagem, sua alfabetização artística faz da vida.

    O crítico de Arte é aquele que se acha melhor entendido para dizer se o quê se produziu foi uma boa mostragem ou não, se o artista soube se expressar, soube inovar, soube usar bem a linguagem artística.

   Élson Screnci justifica argumentando que “a necessidade imperiosa de transformar a matéria mantendo aí uma espécie de diálogo com o mundo da sensibilidade é o que dá autenticidade à arte. Isto não pode ser compreendido inteiramente por quem está de fora e pouco envolvido numa atividade... É conveniente procurar a aprovação do espectador... A opinião dos especialistas, por outro lado, nem sempre pode ser seguida à risca, já que a História da Arte vem demonstrando que geralmente não são bons profetas”.
    Radha Abramo em sua entrevista à Silvana Baierl diz que “O Crítico não pode julgar o que realmente é uma obra de arte ou não”. Entretanto entre esta fala, ela faz duas considerações: “... Você pode absorver tudo, conhecer todas as formas de arte, mas com a consciência de selecionar o que é melhor. É ver tudo, conhecer tudo e eliminar o que não presta”. E depois acrescenta, “há artistas que fazem um trabalho fascinante. Outros trabalham uma arte pública, exposta na rua. Ambas têm seu valor e não podemos afirmar que arte dos museus é mais verdadeira do que vemos nas ruas”. Adverte a própria crítica de arte o seu jeito de trabalhar a crítica. Acredito na conformidade heterogênea da arte... Cada um de nós é diferente, dentro do que somos”.
    Vem-nos uma indagação: e ao crítico, quem julga? Como se faz um especialista? Seu aval, seu crivo é infalível? Até que ponto ele é “puro” em seu julgamento? Até onde o seu profissionalismo passa pelas empatias de seu ser?

    O especialista, o crítico de arte, se faz pelo acúmulo de seus estudos, interesses, preparos, pesquisas e experiência. Apesar de toda sua formação ele não é infalível. Ele também erra e é influenciado. Como Nelson Screnci disse a História da Arte já provou que os especialistas não são bons profetas ao afirmar e autenticar ou não os artistas. E que eles podem errar “principalmente quando indicam a necessidade de enquadrar o trabalho em ‘modas’ ou ‘tendência’, o que se por um lado pode oferecer à criação um lugar ao sol, por outro não é suficiente para assegurar a permanência de uma obra consistente”.

CRITICO DE ARTE " DE NORMAN ROCKWELL

Meus acrescimo: Geralmente os criticos de artes tentam descobrir "novos" talentos. Eles sao os caça taletos que arriscam investindo na carreira destes desconhecidos artistas para tentar alavanca-los e assim ganhar fama junto com eles. É como investir na bolsa: voce pode ganhar milhoes ou perde-los dependendo do seu faro.

Proxima postagem:  
                27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares ultima parte
     

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares (parte 2)


           A – O Artista Hoje (no Brasil)

                                                                  
Imagem do Produtor de arte pega na net

   Antes de falarmos do produtor temos que falar do produto: Arte. Usando estes termos, produtor e produto, pode parecer que estamos sendo frios, racionais e que tratamos de algo do mundo dos negócios, da economia. Estamos sim nos referindo a isto também, porque no mundo capitalizado e globalizado arte é algo que também pertence ao mercado. Mas a razão principal é de tirar do imaginário que arte é coisa somente do plano espiritual ou da fruição dos sentidos ou do fluir. Arte e produção advem das habilidades e competências do fazer, do produzir. Foi-se o tempo que arte era vista como um dom e seu produtor, alguém abençoado por alguma entidade.

    A arte vem da necessidade que o homem sente de criar. De transformar o objeto e de dar a ele uma outra função que não o de sua funcionalidade comum (isto ocorreu sobretudo após as vanguardas do século 20). Além da necessidade de criação que move a Arte, ela é feita pela necessidade de despertar emoção, sentimentos e releitura da vida. Portanto, a Arte também é comunicação.

    Uma vez tirada a Arte de seu pedestal místico e mítico, e sabedores de que ela é o desenvolvimento, o exercício, de habilidades e competências leiamos o quê a historiadora de arte e crítica, Radha Abramo, nos diz sobre o artista, especificamente o artista brasileiro: “O que falta ao artista brasileiro é pesquisa. Arte se faz com pesquisa, conhecimento. Mas para pesquisar, o artista precisa ter material, precisa encontrar registros do que ocorreu na história. E no Brasil, temos poucas literaturas para pesquisar”. (BAIERL).

    Estas palavras são endossadas pelo articulista SCRENCI, “Cada vez mais se exige do artista uma qualificada formação teórica e prática, que favoreça o desenvolvimento de uma criação original livre de resultados óbvios e estereotipados”.

Nelson Screnci afirma ainda, que no Brasil, o artista plástico é confundido com o artesão. Apesar de haver associações das classes de artistas, falta-lhes os sindicatos, os registros em carteiras e o que é pior e que motiva esta confusão: a atividade de artista plástico ainda não foi legalmente reconhecida pelos meios oficiais.

O mesmo articulista aconselha: “Uma grande saída para quem está debatendo nos difíceis começos de uma carreira artística é o apoio de um trabalho coletivo... E desta forma invalidar a triste idéia romântica que vê no sofrimento uma condição necessária ao aparecimento de uma obra-prima” (grifo nosso).

    E ele salienta que, no Brasil de hoje, quando assistimos e os dados estatísticos confirmam para o aumento da expectativa de vida e da faixa etária considerada da terceira idade, “muitas carreira brilhantes começaram na maturidade. É quando temos mais disponibilidade para assumir uma ocupação comprometida apenas com o prazer. E experiência de vida para transformar essa atividade uma grande paixão”. E ainda que “jovens artistas não são necessariamente artistas jovens”, porque “construir uma obra é um investimento de tempo e um ato de abnegação”.

   A historiadora de arte Radha Abramo diz que, no campo das artes plásticas, “acho que o forte da arte brasileira está na escultura e na instalação”.

    Para quem é leigo a instalação, segundo a Wikipedia, “é uma manifestação artística onde a obra é composta de elementos organizados em um ambiente... Uma das possibilidades da instalação é provocar sensações... ou coisas que simplesmente chamem a atenção do público ao redor. A primeira instalação artística foi o ‘Merz Bau”, ou ‘Casa Merz’, o apartamento do poeta e artista plástico Kurt Shwitters, transformado por ele em obra de arte, de 1923, na cidade alemã de Hannover”.


Kurt Shwitters,  "Merz Bau”
Proxima Postagem: 20/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares (parte 3)
                                   27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares (final) 


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