Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 19 de julho de 2011

HISTORIA EM QUADRINHO Parte 2: O que será apresentado aqui



Esta é outra parte dos Textos da série História em quadrinhos: um recurso de aprendizagem². Foi feito um resumo para introduzir o leitor ao conteudo dos textos que serão apresentados.

     A série História em quadrinhos: um recurso de aprendizagem visa discutir este gênero, que constitui um poderoso meio auxiliar nos diversos segmentos da comunicação de massa e, ainda, destacar a importância de sua ampla utilização na sala de aula e em outros espaços educativos e culturais.
  •     Texto 1: Origens das histórias em quadrinhos (autor JAL)
    No Texto 1, o autor comenta que a linguagem que hoje chamamos de quadrinhos foi criada no início de nossa civilização e, por incrível que pareça, continua sendo a linguagem do século XXI. Observa que temos exemplos de arte sequencial nos hieróglifos egípcios, nos panôs e desenhos nas igrejas da Via Sacra de Jesus, difundidos na Idade Média, e até nos túmulos de reis, onde havia sequências de sua dinastia em alto relevo. Apresenta, também, alguns autores que se destacaram na produção das histórias em quadrinhos no mundo, em especial nos EUA, e os mais conhecidos autores de histórias em quadrinhos no Brasil, como Mauricio de Sousa e Ziraldo, destacando que os personagens criados por eles se tornaram verdadeiros ícones de nossa cultura.

² Estes textos são complementares à série História em quadrinhos: um recurso de aprendizagem, com veiculação no programa Salto para o Futuro/TV Escola de 04/04/2011 a 08/04/2011.
  • Texto 2: Quadrinhos além dos gibis (autor JAL)
    No Texto 2 , o autor observa que a linguagem dos quadrinhos vai muito além dos gibis. Procura demonstrar os diversos caminhos que uma HQ pode trilhar fora de sua comercialização em bancas, como por exemplo: quadrinhos de informação empresarial; quadrinhos para a área publicitária; quadrinhos paradidáticos; quadrinhos jornalísticos: quadrinhos terapêuticos; quadrinhos religiosos; quadrinhos de vanguarda; quadrinhos no design e na decoração; quadrinhos no cinema, entre outros. Destaca, ainda, que a linguagem dos quadrinhos tem em sua base a diversidade de outras artes, em especial o cinema, a literatura, o teatro, as artes plásticas.
  • Texto 3: Quadrinhos na sala de aula
     O Texto 3 tem como objetivo motivar os professores a utilizar as Histórias em Quadrinhos como uma ferramenta de trabalho na sala de aula, visando desenvolver as habilidades de leitura e de compreensão de textos e, ainda, ensinar a alfabetização visual para os pequenos e jovens leitores do século XXI. Destaca alguns elementos que entram na composição dos quadrinhos, como as onomatopeias, os balões e diversos outros recursos gráficos. A partir da análise dos elementos constitutivos deste gênero textual, são sugeridos exercícios de linguagem escrita e oral, como um incentivo para as criações literárias e artísticas dos alunos.

Proxima postagem dia 26/07 parte 3 dos quadrinhos
    
E posteriores: +2 partes de desenho em quadrinhos, Sugestões de obras em quadrinhos e sites/blogs de quadrinistas, Sobre o desenho (texto da mesma autora que arte e artesanato porque barreiras), Sobre o Cartaz na arte e a arte publicitaria

terça-feira, 12 de julho de 2011

HISTORIA EM QUADRINHOS parte 1

    Quem nunca leu uma história em quadrinhos? Quando crianças, alguns de meus primos tinham um baú cheio de revistinhas! Morria de inveja, meu sonho era ter um baú daqueles. E agora com este programa sobre Quadrinhos pude relembrar os velhos tempos; o que adorei e por isso resolvi compartilhar com vocês estes textos. Na verdade, este é um arquivo unico que dividi em partes para a leitura ficar mais atrativa.

História em quadrinhos: um recurso de aprendizagem
 Nestor Canclini 
Culturas híbridas – Estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo:
Editora da USP, 2000 (p.339)
  
  Faz tempo que os quadrinhos estão presentes nas escolas. Houve uma época em que circulavam, sorrateiramente, por baixo das carteiras ou eram camuflados entre as páginas do livro de estudos. E se fossem descobertos, era confusão na certa: (...)  até a ... tão temida Secretaria!
  Mas os tempos mudaram, as escolas se transformaram. Ainda que não com a rapidez de muitas transformações (...) , as novidades da chamada indústria cultural vão aos poucos entrando no ambiente escolar. (...) Como uma fileira de pequenas formigas diligentes e carregadeiras, crianças, jovens e adultos, todos, vão levando nas pastas, mochilas, bolsas e, sobretudo nas conversas e na imaginação, as experiências vividas além dos muros das escolas. (...)
    Hoje as histórias em quadrinhos são valorizadas como gênero literário que conjuga imagem e palavra, símbolos e signos. Sua linguagem se insere nos campos da cultura e da arte. Autores como Humberto Eco
e Nestor Canclini, citado em epígrafe, entre outros, estudiosos da chamada cultura de massa valorizam o potencial das HQ. 
    Nas escolas, os quadrinhos integram os livros didáticos e fazem parte do acervo das salas de leitura. Projetos pedagógicos elegem os quadrinhos como gênero textual a ser desenvolvido nas classes.
    Muitos professores e professoras buscam formação para melhor trabalhar com as revistas e também com as tiras que “frequentam” os cadernos culturais dos jornais.
     O programa Salto para o Futuro apresenta a série História em quadrinhos: um recurso de aprendizagem, com a consultoria de Sonia M. Bibe Luyten (Pesquisadora de Histórias em Quadrinhos, que em 1972 iniciou o primeiro curso regular de HQ na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e presidente do Troféu HQMIX). (...)
    
 Texto de Rosa Helena Mendonça
                                                    (Supervisora pedagógica do programa Salto para o Futuro/TV
                                                                       ESCOLA (MEC)).
disponivel para download no site

História em quadrinhos: um recurso de aprendizagem  

Introdução:
Sonia M. Bibe Luyten¹

“A mente que se abre a uma nova  ideia 
                                                             jamais volta ao seu tamanho original”
                                                                                                          (Albert Eistein).

         A série História em quadrinhos: um recurso de aprendizagem tem como proposta discutir este  gênero, tendo em vista sua ampla difusão tanto no Brasil como na maioria dos países do mundo. Esta modalidade de comunicação – considerada a “nona arte” – tem colaborado para as atividades didáticas e constitui um poderoso meio auxiliar nos diversos segmentos da comunicação de massa, que também podem ser considerados sistemas educativos.    
           Ao apresentar esta série, o programa Salto para o Futuro tem como objetivo auxiliar o professor de várias maneiras. Uma delas é proporcionando a oportunidade de que ele se familiarize com a linguagem desta arte, pois nem todos conhecem seu valor. Alguns estigmas ainda prevalecem, por causa deste desconhecimento e de ideias que foram espalhadas pelo mundo a partir da década de 1950.    
       Gerações e gerações de crianças cresceram lendo histórias em quadrinhos furtivamente, escondidas dos pais e dos professores, que viam nesta arte um desperdício de tempo e um perigo às mentes dos jovens.         
      Isto foi devido ao livro Seduction of the Innocent (Sedução do Inocente), cujo autor, o psiquiatra Fredric Wertham, não mediu esforços para acabar com a oitava arte, numa série de textos que se propunham demonstrar que os quadrinhos propiciavam a violência, além das atividades danosas em toda a juventude. Logo estas ideias foram ao encontro da posição do Senado norteamericano na pessoa de Joseph McCarthy. Ele dirigiu uma cruzada censurando toda atividade que acreditava fomentar o comunismo, a violência e tudo aquilo tido como antiamericano. Todos os meios de criação e seus criadores foram submetidos à censura, ou seja, os quadrinhos não fugiram à regra das perseguições do chamado macartismo. As revistas deveriam conter um selo com os dizeres: Aprovado pela autoridade do código dos quadrinhos. O Brasil também teve um selo semelhante no começo dos anos 1960.    
   O livro deste autor só se popularizou quando foi colocado em forma de reportagens pela revista Seleções Reader’s Digest, traduzida em dezenas de idiomas, em vários países, reforçando a ideia de que pais e professores deveriam proibir que as crianças lessem quadrinhos. Embora hoje não existam mais radicalismos como esse, o preconceito ainda se manifesta de várias formas.      
    O que devemos lembrar, contudo, é que, sem sombra de dúvida, as Histórias em Quadrinhos formam a linguagem do século XX e continuam sendo a deste novo milênio. Esta afirmação está baseada na complexidade da simbologia e da terminologia criadas ao longo do desenvolvimento de sua criação.É injusto, portanto, afirmar que os quadrinhos são subarte e subliteratura. Eles são um meio de expressão com um código ideográfico que não precisa de uma chave para ser interpretado. A imagem é complexa, mas pessoas inteligentes, como as crianças e os adolescentes, conseguem vislumbrar isto sem restrições.      Os quadrinhos estão ganhando também, já há algum tempo, uma respeitabilidade na escola graças a um programa cada vez mais popular e criativo, visando aos novos leitores, incentivando as crianças para criar e, em muitos casos, usando temas de suas próprias vidas.     
     No plano pedagógico, os quadrinhos proporcionam experiências narrativas desde o início do aprendizado, fazendo os alunos adquirirem uma nova linguagem. Crianças e adolescentes seguem a história do começo ao final, compreendem seu enredo, seus personagens, a noção de tempo e espaço, sem necessidade de palavras sofisticadas e habilidades de decodificação. As imagens apoiam o texto e dão aos alunos pistas contextuais para o significado da palavra. Os quadrinhos atuam como uma espécie de andaime para o conhecimento do estudante.       
    As Histórias em Quadrinhos na sala de aula também motivam os alunos relutantes ao aprendizado e à leitura. Elas os envolvem num formato literário que eles conhecem. E também as HQs “falam” com eles de uma forma que entendem e, melhor do que isto, se identificam. Mesmo para os alunos que já estão  com o hábito de leitura formado, os quadrinhos dão a oportunidade de ler um material que combina a imagem com texto para expressar simbolismos, pontos de vista, drama, humor, sátira, tudo isto num só texto.      
      Muitos alunos leem fluentemente, mas têm dificuldades para escrever. Eles têm muitas ideias, mas lhes falta habilidade para criar um começo, seguir uma sequência e, depois, terminar com uma conclusão lógica. E é exatamente esta aparência lúdica das Histórias em Quadrinhos que as torna um veículo de comunicação poderoso, bem aceito por estudantes, que se sentem estimulados a refletir e a se expressar por meio delas.      
    Este é o outro objetivo deste programa: fazer o professor ver mais um benefício dos quadrinhos que é o de escrever, pesquisar e criar em qualquer área de conhecimento. Muitos alunos, frequentemente, perguntam se podem desenhar enquanto estão escrevendo. Eles buscam por imagens para dar apoio à sua escrita. Portanto, neste outro passo, a permissão de usar imagens e palavras vai resolver problemas relacionados à narrativa de uma ideia. Para colocar o texto num balão, é preciso habilidade de síntese e domínio completo da língua. O erro não será permitido, uma vez que o texto será lido por mais pessoas e não só o professor. 
      Além disso, os quadrinhos contêm uma riqueza tanto no conteúdo das histórias como no desenvolvimento dos personagens. São extensamente lidos em todo o mundo, especialmente no Japão, onde os mangás (quadrinhos japoneses) perfazem 25% das publicações do mercado editorial.    Minha experiência profissional com quadrinhos já atinge quatro décadas. Comecei como leitora e meu pai me dava livros e quadrinhos para ler. Não deixei nem os livros, nem os quadrinhos, ao longo de minha vida. Ambos completaram minha formação. Iniciei o primeiro curso universitário sobre Histórias em Quadrinhos na Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo em 1972 e, como pesquisadora, em todos estes anos, procurei mostrar aos alunos o potencial das Histórias em Quadrinhos em todos os seus segmentos.      
    Em 1983 lancei o livro Histórias em quadrinhos e leitura crítica, em que já abordava, num dos capítulos, o uso de HQ como prática pedagógica. Serve de roteiro para os professores explorarem ao máximo em suas disciplinas itens como: uso dos quadrinhos como tema de discussões, na linguagem  escrita e oral, identificação projetiva da personalidade do aluno e dicas para avaliar se alguns livros didáticos empregam corretamente a sua linguagem.       
    Nesta série de textos para o programa Salto para o Futuro, os docentes encontrarão novas possibilidades para motivar, ensinar e obter resultados em sala de aula. Os equívocos da década de 1950 são coisas do passado. Tanto os professores como os pais já estão prontos para uma nova geração de materiais educativos que ensinem através dos quadrinhos.      
       Acredito que o objetivo de todo professor é educar, mesmo se o método parecer não convencional. Consequentemente, se as Histórias em Quadrinhos melhorarem as habilidades da leitura, compreensão, imaginação, pesquisa e até disciplina em sala de aula, elas devem transformar-se numa ferramenta de trabalho para ele.

¹Sonia M. Bibe Luyten
Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo, com tese sobre mangá, os quadrinhos japoneses em 1988. 
Foi professora do Departamento de Jornalismo e Comunicações da ECA/USP (1972-1984) e professora convidada de várias universidades no exterior como no Japão, Holanda e França.
Autora de livros sobre este tema como: O que é Histórias em Quadrinhos; Histórias em Quadrinhos – Leitura Crítica; Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses; Cultura Pop Japonesa – mangá e animê. Atualmente é presidente do Troféu HQMIX – premiação considerada o “Oscar” das Histórias em Quadrinhos e Humor Gráfico no Brasil. Consultora da série.

Proxima postagem 19/07 História em quadrinhos parte 2

terça-feira, 5 de julho de 2011

GRAFISMO (desenho infantil)

  • Evolução do Grafismo

   Já dizia Saul Steimberg que o desenho é a forma de raciocinar sobre o papel. Desenhar é exercitar a inteligência. Na verdade o desenho não reproduz as coisas que vemos mas traduz a visão que se tem delas. A elaboração de uma obra se inicia no momento em que as imagens captadas pelo artista, as formas que compõe esta imagem começam a ser traduzidas e ganham uma conotação particular, individualizada. Podemos dizer que o desenvolvimento do grafismo é a revelação da natureza emocional e psiquica da criança. É a sua linguagem gráfica onde deixa registrado suas idéias, suas vontades e suas fantasias. É através da evolução do grafismo que podemos acompanhar as mudanças e aprimoramentos dos desenhos da criança. Por volta de um ano e meio, a criança já explora o meio à sua volta, imita o que as pessoas fazem, descobrindo, dessa forma, que também é capaz de fazer coisas. Se dermos um lápis e um papel para ela, descobrirá que é capaz de deixar ali, naquele pedaço de papel, sua marca. Se surpreenderá que ao repetir o movimento, mais uma marca surgirá, e assim ela agirá com gestos sucessivos despertando o interesse e o gosto por esta espetacular descoberta. Se dermos uma caixa de giz de cera com cores variadas, ela irá usar cada uma das cores, sem qualquer pretensão de expressar coisa alguma, apenas repetirá inúmeras vezes este gesto para certificar-se do seu domínio sobre o lápis, o papel e sobre seu próprio corpo. É a conhecida fase das garatujas À medida em que for interagindo com o meio perceberá que pode fazer novos movimentos, ainda sem qualquer compromisso com a representação. Ela irá perceber a relação que existe entre o seu movimento e as marcas que deixa. Isto propiciará um aumento do seu controle sobre a mão. 

      Passarão então a surgir os movimentos em espirais e caracóis que contribuirão muito para o aparecimento do primeiro círculo fechado. Isto deverá ocorrer por volta dos 3 anos. 

       Esta descoberta para a criança é muito importante, pois evidencia a descoberta da forma. Na seqüência estas garatujas começam a ganhar nomes e detalhes como olhos, pernas e braços e até cabelos. Aqui já começa a existir uma intenção de linguagem escrita, pois ela irá desenhar os que estão mais próximos, como pai, mãe, irmã bem como, ela mesma. A cor usada para desenhar e pintar não condiz ainda com a realidade. Nesta fase a criança ainda está descobrindo as cores, por isso a necessidade de experimentá-las. Nesta fase já se pode incentivar a criança em sua linguagem oral, estimulando-a a falar sobre o que ou quem desenhou. O próximo passo é a utilização das linhas perpendiculares, paralelas, curvas e inclinadas, demonstrando um amadurecimento das suas habilidades. Passa da simples ação para um processamento de idéias do que pensa e do que observa. Os desenhos já passam a significar alguma coisa. Eles não estão somente ali, eles “fazem” alguma coisa ali. Quanto mais a linguagem oral for estimulada nesta fase, melhor será o seu desempenho na evolução da linguagem escrita (desenhos). Perto dos cinco anos, ela já desenha pessoas (inclusive com corpo) e objetos, porém todos soltos, como se estivessem voando. Não que ela tenha a intenção de que voem, mas ela ainda não consegue abstrair que os desenhos tem que estar apoiados numa grama ou numa estrada ou num chão qualquer. 

     Aqui ainda não existe a relação com o real e sim com o emotivo. Ela passa a desenhar não só o que vê mas também o que imagina. No que se refere à linguagem oral, ela já sente prazer em contar o que desenhou e já começa a dar “corpo” à sua história. Na evolução, ela começa a ordenar seus desenhos dando origem “as cenas”. Ela distribui tudo que fica no chão, na parte de baixo do papel, bem rente ao final da folha e lá em cima, coloca o sol, as núvens e os pássaros. As cores já começam a se relacionar com o real e inicia-se o primeiro passo para a proporção. 

     A proporção está ligada tanto ao tamanho real quanto ao tamanho emocional. As pessoas mais queridas são desenhadas em tamanho maior que as de menor afinidade. Nas situações de medo, sempre o fato gerador é destacado pelo tamanho. Concomitantemente, a linguagem oral também se amplia surgindo as histórias sobre seus desenhos. As histórias já começam a ter início, meio e fim. Depois disso, a criança vai amadurecendo os detalhes tentando chegar o mais próximo da realidade. Esta fase é mais lenta em relação ao desenho (linguagem escrita), ficando madura por volta dos nove anos, mas muito mais rápida quanto à linguagem oral. Aqui a história já tem um título e há o destaque dos personagens que irão compor essa história. Já começa a contar usando o “Era uma vez” e após o desenrolar de toda a história, consegue terminar resolvendo todos os problemas e dizendo que “viveram felizes para sempre”. É mágico o resultado pois é nesse momento que ela tem a real consciência de que tudo que ela fala pode ser colocado no papel, agora, através da escrita. É o ser criança caminhando rumo ao ser adulto...

  •  Grafismo Infantil 

    Heloise Martins

    
Para Vygotsky, o brincar e o desenhar deveriam ser estágios preparatórios ao desenvolvimento de linguagem escrita.
    Será que damos a devida atenção a tais atividades?
    O desenho parece surgir de forma espontânea e evoluir junto ao processo de desenvolvimento global da criança. Também é uma tentativa de comunicação formal e um meio de representação e simbolização. A criança expressa em seu grafismo aquilo que ainda não consegue com outras linguagens, por exemplo, a fala ou a escrita.
    Lais Pereira, em seu texto “O Desenho Infantil e a Construção da Significação”, traz considerações de Piaget e de Vygotsky sobre o grafismo infantil. E também um estudo de caso de uma criança de 4 anos com uma discussão interessante fundamentada na literatura, em que podemos visualizar os aspectos do desenho discutidos pelos autores.

PIAGET
     Para Piaget a criança desenha menos o que vê e mais o que sabe. Ao desenhar ela elabora conceitualmente objetos e eventos. Daí a importância de se estudar o processo de construção do desenho junto ao enunciado verbal que nos é dado pelo indivíduo.
“O desenho é precedido pela garatuja, fase inicial do grafismo. Semelhantemente ao brincar, se caracteriza inicialmente pelo exercício da ação. O desenho passa a ser conceituado como tal a partir do reconhecimento pela criança de um objeto no traçado que realizou. Nessa fase inicial, predomina no desenho a assimilação, isto é, o objeto é modificado em função da significação que lhe é atribuída, de forma semelhante ao que ocorre com o brinquedo simbólico.”

Fases do desenho segundo Piaget:
Fonte: Descoberta de um universo: a evolução do desenho infantil, de Thereza Bordoni

Garatuja: na fase sensório motora ( 0 a 2 anos) e parte da pré-operacional (2 a 7 anos). A criança demonstra extremo prazer e a figura humana é inexistente. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo contraste. Pode ser dividida em:
  Desordenada: movimentos amplos e desordenados. Ainda é um exercício. Não há preocupação com a preservação dos traços, sendo cobertos com novos rabiscos várias vezes. 
  Ordenada: movimentos longitudinais e circulares; coordenação viso-motora. Figura humana de forma imaginária, exploração do traçado; interesse pelas formas.
Nessa fase a criança diz o que vai desenhar, mas não existe relação fixa entre o objeto e sua representação. Por isso ela pode dizer que uma linha é uma árvore, e antes de terminar o desenho, dizer que é um cachorro correndo.

  Pré- Esquematismo: fase pré-operatória, descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Os elementos são dispersos e não relacionados entre si. O uso das cores não tem relação com a realidade, depende do interesse emocional.
 
  Esquematismo: fase das operações concretas (7 a 10 anos).Esquemas representativos, começa a construir formas diferenciadas para cada categoria de objeto, por exemplo descobre que pode fazer um pássaro com a leta "V". Uso da linha de base e descoberta da relação cor objeto. Já tem um conceito definido quanto a figura humana, porém aparecem desvios do esquema como: exagero, negligência, omissão ou mudança de símbolo. Aparecem fenômenos como a transparência e o rebatimento.

  Realismo:  final das operações concretas . Consciência maior do sexo e autocrítica pronunciada. No espaço é descoberto o plano e a superposição. Abandona a linha de base. As formas geométricas aparecem. Maior rigidez e formalismo. Acentuação das roupas diferenciando os sexos.

  Pseudo Naturalismo:  fase das operações abstratas (10 anos em diante).É o fim da arte como atividade expontânea. Inicia a investigação de sua própria personalidade.
   Características: realismo, objetividade, profundidade,espaço subjetivo, uso consciente da cor.
Na figura humana as características sexuais são exageradas, presença das articulações e proporções.

VYGOTSKY Duas condições são investigados pelo autor:  
  • Domínio do ato motor - inicialmente, o desenho é o registro do gesto e logo passa a ser o da imagem. Assim a criança percebe que pode representar graficamente um objeto. Indício de que o desenho é precursor da escrita.
  • Relação com a fala - primeiro o objeto representado só é reconhecido após a ação gráfica quando a criança fala o que desenhou. Depois ela passa a antecipar o ato gráfico, verbalizando o que vai fazer. Vygotsky afirma que a linguagem verbal é a base da linguagem gráfica.

Fases do desenho segundo Vygostky: texto do professor Ricardo Japiassu, da Universidade do Estado da Bahia

Outros autores que tratam da temática Desenho Infantil: 
Edith Derdyk, 1989
Sueli Ferreira, 2001
Viktor Lowenfeld, 1977
Ana Angélica Albano Moreira, 1984
Analice Dutra Pilar, 1996
Herbert Read,1977

"Antes eu desenhava como Rafael, mas precisei de toda uma existência para aprender a desenhar como as crianças"Picasso

Interações entre Desenho e Escrita
     "O desenho começa como uma escrita, e a escrita como um desenho, depois a criança cria formas de diferenciação e de coordenação entre elas..."
    Em uma matéria publicada na Revista Viver Mente e Cérebro - Especial Emília Ferreiro, a autora Analice Pilar mostra o resultado de uma pesquisa sobre o desenho e sua relação com a escrita, além de descrever e discutir as fases do desenho segunto Luquet. (...)

Sugestão da autora - "Enfim, é importante o professor de artes visuais, de educação infantil e das séries iniciais compreender os sistemas de desenho e de escrita em seus níveis de construção, a apropriação desses objetos de conhecimento pela criança e algumas interações entre desenho e escrita. Não se trata de etiquetar a criança quanto aos níveis de desenho e escrita, mas de entender a construção dessas linguagens."

   O que pode ser observado no Desenho:  A produção gráfica da criança é bastante rica em detalhes que, se bem observados e interpretados, podem ser úteis na mediação da aprendizagem da criança.
    
Segundo Anabel Guillén, são aspectos observáveis:
  • Fases do desenvolvimento cognitivo, psicomotor e sócio-afetivo
  • Percepção visual
  • Oralidade
  • Expressão
  • Reprodução
  • Criatividade
  • Traços da Subjetividade
  • Psicopatologias

Slides: Análise do Desenho Numa Perspectiva Psicopedagógica, da psicopedagoga Anabel Guillén, (o arquivo está em 3 partes).


Plano de aula: 23.09
  • Minhas considerações
   Após ler estes textos, vemos que todas as pessoas começam a se comunicar através da arte e do contanto com a mesma. As vezes começa a ser alfabetizada através dos quadrinhos que tambem é uma forma artistica. Sem falar que a música esta presente no respirar do humano e a expressão que nos remete ao teatro. Então como explicar esta desvalorização ou aversão que muitos, após crescerem, criam por estas linguagem dizendo não as entender ou algo do tipo. Por outro lado, a quantidade de pessoas que abandonam tudo para viver de arte ou algo relacionado a ela. 
  Todos estes fatos mostram a importancia que a arte possui e que mesmo sem saber defini-la nós necessitamos dela. Muitos perguntam como seria a vida sem Arte. Então o que percebemos é que mesmo os que dizem não gostar dela mesmo sem perceber necessitam de arte para vive.

Proxima postagem: 12/07 Serie da TV Escola sobre desenho em quadrinho parte 1
       
 4 partes desenho em quadrinhos, 
Sugestões de obras em quadrinhos e sites/blogs de quadrinistas, 
Sobre o desenho (texto da mesma autora que arte e artesanato porque barreiras), 
Sobre o Cartaz na arte e a arte publicitaria

terça-feira, 28 de junho de 2011

O QUE É "DIGIGRAFIA"?

                        

                                                                Foto do site digigrafia.net

Esta postagem é para todos conhecerem como eu esta nova terminologia/categoria das artes

Mauro Andriole

     A presente explicação do significado de "Digigrafia" foi retirada de um e-mail do artista plástico Mauro Andriole dirigido ao diretor da Casa da Cultura André Masini, que lhe havia pedido que o ajudasse a entender o termo. O texto do e-mail, apesar de escrito sem maiores preocupações, é tão rico de informações e impressões, que foi necessário compartilhá-lo com todos nossos visitantes.
"Digigrafia" é o nome dado a uma técnica relativamente nova, que parte de um desenho (e.g. um desenho feito em nanquim sobre papel) que é digitalizado através de um scanner, manipulado em um programa para tratamento de imagens (por exemplo o Photoshop) e depois impresso através de uma impressora de grande qualidade.
   Esse processo vem a atender "necessidades mercadológicas" a priori. Os meios tradicionais ficaram demasiadamente caros para os artistas, de modo que, litografias, gravuras em metal ou xilografias, tornaram-se raras, sobretudo em SP. O que é positivo na "digigrafia", é o fator "difusão em larga escala" - costuma-se reproduzir até 300 unidades, assinadas uma a uma pelo artista -, permitindo o acesso à obra para públicos que jamais teriam condições de possuir uma litografia ou metal. Por outro lado, a algo de impessoal nesse meio digital que incomoda ao artista, fato discutido pelos gravadores que conheço, principalmente os mais velhos. No entanto, não aderir a essa "necessidade mercadológica" significa, no mais das vezes, parar de produzir gravuras, pois o maior atelier de gravuras de SP, talvez o maior do país, deixou de fazer parcerias com os artistas. Até os anos 90, o atelier produzia litografias e metal, dividindo a edição com os artistas. Todos os grandes nomes da gravura brasileira passaram por lá , chama-se GLATT & YMAGOS. Mas essa prática ficou inviável de uns 5 anos para cá. A falta de conhecimento sobre o assunto por parte dos compradores fez com que o preço de uma gravura ficasse injustificável diante de uma reprodução mecânica. De maneira geral o "produto" parecia o mesmo para o leigo, que optava pelo preço mais baixo por razões óbvias.
    A gravura sempre foi uma técnica nobre, exigindo grande perícia durante todo processo, desde a elaboração da imagem pelo artista, até a impressão feita pelos "artistas impressores", por sinal, não há como omitir esse personagem fantástico. São pessoas que manipulam as prensas, operários da imagem, e que desvendam diante do olhar do artista aquilo que estava latente em seu peito. Dessa forma mágica, a obra acontece a quatro, às vezes a seis mãos ! E o resultado são as gravuras que conhecemos. Assim foram realizadas as grandes obras de Aldemir Martins, Maria Bonomi, Guilherme de Faria, Renina Katz, Darel Valença, Burle Marx e tantos outros. A relação estreita entre o artista e o impressor já foi tema de Bienal, creio que em 1982 ou 85, quando realizaram uma mostra de um "impressor", apresentando obras de inúmeros artistas.
     Voltando à digigrafia, não creio que se dará o mesmo, e nem podemos exigir tal coisa. A questão que se coloca é a da reprodução em larga escala. Esse tema foi muito debatido nos anos 30 pelos filósofos Adorno e W. Benjamim, sendo o primeiro um ferrenho opositor à idéia da reprodução da obra, e o segundo um defensor. No meu entender ambos estão corretos, discutiam sobre focos diferentes apenas.
Mas a despeito das dificuldades da produção da gravura, alguns artistas ainda mantém suas produções em suas oficinas. Claro que isso implica numa prática que beira o sacerdócio, devido ao grande esforço que a técnica exige, são etapas longas e onerosas principalmente para os mais idosos, e não há como saltá-las. Eu instalei a pouco tempo uma pequena prensa em meu atelier, dessa que se usava para encadernar, e venho criando imagens numa técnica chamada "linóleo". Trata-se de um carimbo, a grosso modo, que recebe a tinta que é transferida para o papel através da pressão. Foi uma saída que encontrei para driblar os percalços da "contemporâneidade".
-- x --
    A Digigrafia Arte e Sobrevivência partiu de um desenho feito em nanquim sobre papel que foi digitalizado através de um scanner, depois manipulado no "Photoshop 5.0" e por fim impresso através de uma impressora de grande porte - jato de tinta -sobre papel. Não lembro agora o nome do papel, mas é algo semelhante ao Canson, numa gramatura alta, por volta de 280gr.

O Autor, Mauro Andriole, é artista plástico, estudioso de filosofia, sobretudo de temas que convergem para a ciência e a metafísica.

Proxima postagem dia 05/07: Texto sobre os grafismos infantis (desenhos iniciais da criança)

terça-feira, 21 de junho de 2011

SOBRE A GRAVURA

                                              Gravura e matriz de linoleo (linoleogravura)

Este texto é sobre uma das tecnicas de arte mais antigas da humanidade: a Gravura.  Esta em uma primeira olhada parece uma tecnica simples porém para faze-la requer grande habilidade pois a gravura se destaca pela possibilidade de reprodução e esta copias necessitam de serem as mais aproximadas possiveis uma das outras quanto a sua aparência e foi isto que me pegou: a dificuldade de imprimi-las e quanto mais colorida mais a gravura exige do seu gravador pois as cores são colocadas uma de cada vez necessitando um encaixe perfeito. E por eu ter tido estas dificuldades quando aprendi que me fazem admirar mais ainda estas imagens.
 Vamos ao texto: 
  • Gravura: conceito, história e técnicas 
Mauro Andriole
    
O termo "gravura" é muito conhecido pela maioria das pessoas, no entanto, as várias modalidades que constituem esse gênero, costumam confundir-se entre si, ou com outras formas de reprodução gráfica de imagens. Isto faz da gravura uma velha conhecida, da qual pouco sabemos de fato.
     De um modo geral, chama-se "gravura" o múltiplo de uma Obra de Arte, reproduzida a partir de uma matriz. Mas trata-se aqui de um reprodução "numerada e assinada uma a uma", compondo desta forma uma edição restrita, diferente do "poster", que é um produto de processos gráficos automáticos, e reproduzido em larga escala sem a intervenção do artista.
Um carimbo pode ser a matriz de uma gravura, a grosso modo. Mas quando esse "carimbo" é fruto da elaboração e manipulação minuciosa de um artista, temos um "original" - uma matriz - de onde surgirão as imagens que levarão um título, uma assinatura, a data e a numeração que a identificam dentro da produção desse artista: torna-se uma Obra de Arte.
     Cada imagem reproduzida desta forma, é única em si, independentemente de suas cópias, consequentemente, cada gravura "é única", é uma Obra original assinada. O fato de haver cópias da mesma imagem, nada tem a ver com a questão de sua originalidade. Ao contrário disso, a arte da gravura está justamente na perícia da reprodução da imagem, na fidelidade entre as cópias, este é um dos fatores que distinguem o artista "gravador".
     Quando falamos de gravura, temos em mente um processo inteiramente artesanal. Desde a confecção da matriz, até o resultado final da imagem impressa no papel, a mão do artista está em contato com a Obra.
Depois de impressa, cada gravura recebe a avaliação particular do artista, que corrige os efeitos visuais ou os tons e cores, ou ainda, acrescenta ou elimina elementos que reforcem o caráter que quer dar à imagem.
     Quando a imagem chega ao "ponto", define-se a quantidade de cópias para a edição. As gravuras editadas são assinadas, numeradas e datadas pelo próprio artista. Em geral a numeração aparece no canto inferior esquerdo da gravura - 1/ 100, ou 32/ 50 por exemplo - isto indica o número do exemplar (1 ou 32), e quantas cópias foram produzidas daquela imagem (100 ou 50). O número de cópias varia muito, e depende de fatores imprevisíveis, que vão desde a possibilidade técnica que cada modalidade permite, ou também da demanda "comercial", ou do desejo do artista apenas. Grandes edições não chegam a 300 cópias, mas em geral o número é muito menor, ficando por volta de 100. Gravuras em Metal costumam ser as de menor tiragem, devido ao desgaste da matriz, que não costuma agüentar muito mais de 50 cópias.
     Outras indicações também são usadas em gravuras: PI (prova do impressor), BPI (boa para impressão, quando chega-se ao resultado desejado para todas as cópias), PE (prova de estado, que indica uma etapa da imagem antes de sua configuração final), PCOR ( prova de cor, correspondendo à investigação de combinações de cores e tons), e também PA (prova do artista, que representa um percentual que o artista separa para seu acervo, em geral 10% da edição)
Além do trabalho do artista, há também a preciosa atuação do "impressor", uma figura que está atrás do pano, por assim dizer, alguém que não cria a imagem, tampouco assina a Obra, mas faz com que ela "apareça" aos olhos do artista, literalmente.
      O impressor é quem domina os segredos do "processamento da matriz e da reprodução fiel das cópias". Há artistas impressores também, mas no geral, a gravura é fruto de um trabalho coletivo.
    A gravura é um meio de expressão que sempre ocupou lugar de destaque na produção da maioria dos artistas, pois possui características sem equivalência em outras modalidades artísticas. Suas operações sofisticadas e a invenção dos métodos de imprimir, e das próprias prensas, fizeram do ofício do artista gravador um misto de gênio da criação, com engenheiro e alquimista. Não é difícil imaginar as dificuldades de produção de uma gravura em Metal, ou Litografia em épocas que eram iluminadas a fogo, num tempo em que a carroça e o cavalo eram os transportes mais comuns nas grandes cidades, e que nada se sabia sobre plástico ou nem se imaginava a possibilidade de comprar uma lixadeira elétrica na loja de ferragens.
    A Arte da gravura exigia conhecimentos que iam muito além do seu próprio universo. E igualmente, sua penetração na sociedade nada tinha de comum com o que hoje observamos, daí seu alto valor como técnica e conhecimento dentro das atividades humanas num mundo pré-industrial.
    A gravura serviu de laboratório para grandes idéias e para veicular ideais com maior facilidade, criando interação entre camadas distintas da sociedade.
A interação do artista com o impressor pode comparar-se a do maestro com o músico durante uma sinfonia. Cada um é mestre em seu ofício, e não há mérito maior para um ou para outro, senão o de "juntos" obterem a Obra de Arte.
   Existem vários tipos de gravura, ou, técnicas distintas de reproduzir uma Obra. As mais utilizadas pelos artistas são: a gravura em Metal, a Litografia, a Xilografia, o Linóleo e a Serigrafia.
    Daremos uma breve descrição destas modalidades de gravura, apenas como uma aproximação inicial, levando em consideração que o estudo aprofundado exigiria muito mais tempo e formas específicas que fogem completamente do propósito deste artigo. De alguma forma, contudo, investigaremos o fascinante universo da gravura e comprovaremos que ela é objeto de grande valor na história humana.
  • METAL ou Calcogravura
Calcogravura 
    A gravura em Metal é uma das mais antigas, temos Obras nesta técnica, produzidas por vários gênios da Renascença, como Albert Dürer por exemplo, datando de 1500 d.C.
    A técnica do Metal consiste na "gravação" de uma imagem sobre uma chapa de cobre. Os meios de obter a imagem sobre a chapa são muitos, e não seria exagero dizer que são quase "infinitos", pois cada artista desenvolve seu procedimento pessoal no trato com o cobre. De um modo geral, o artista faz o desenho por meio de uma ponta seca - um instrumento de metal semelhante a uma grande agulha que serve de "caneta ou lápis". A ponta seca risca a chapa, que tem a superfície polida, e esses traços formam sulcos, micro concavidades, de modo a reterem a tinta, que será transferida através de uma grande pressão, imprimindo assim, a imagem no papel.
     Esta não é a única forma de trabalhar com o Metal, como dissemos antes, mas é um procedimento muito usual para os gravadores. Além de ferir a chapa de cobre com a ponta seca, obtendo o desenho, a chapa também pode receber banhos de ácido, que provocam corrosão em sua superfície, criando assim outro tipo de concavidades, e consequentemente, efeitos visuais. Desta forma o artista obtém gradações de tom e uma infinidade de texturas visuais. Consegue-se assim uma gama de tons que vai do mais claro, até o mais profundo escuro.
     Os dois procedimentos, a ponta seca e os banhos de ácido, são usados em conjunto, e além destes, ainda há outros mais sofisticados, mas que exigem longas explicações, pois envolvem a descrição de operações muito complexas. A ponta seca é o instrumento mais comum, mas existem vários outros para gravar o cobre, cada qual conferindo um possibilidade diferente ao artista.
  • LITOGRAFIA (Lito=pedra)
          A Litografia surge por volta de 1797, inventada por Alois Senefelder.
Desta vez, a matriz a partir da qual se reproduzem as cópias é uma pedra, que é igualmente polida, como o cobre, e que também receberá banhos corrosivos que criarão micro sulcos para reter a tinta que será impressa no papel.
       O processo de gravação na pedra litográfica se dá primeiramente através da utilização de material oleoso, com o qual se elabora a imagem. Este material pode ter várias formas diferentes.
Existem como "lápis litográficos" ( possuindo gradações distintas quanto ao seu grau de dureza, assim como os lápis de grafite de desenho - série H, os mais duros, e série B, os macios.) Também podem ser em formato de "barrinhas", como o giz de cera comum, com os quais se desenha na pedra. E há tintas à base de óleo que também gravam a pedra, usando-se o pincel, como uma espécie de nanquim. E até o contato da mão do artista pode "marcar" a imagem, fato que exige perícia na hora de desenhar, evitando manchas acidentais. O desenho feito na pedra é sempre em preto, as cores só vão surgir na hora de imprimir a imagem no papel.
        Temos, portanto, em síntese, que a pedra litográfica é sensível à gordura, e que a imagem produzida, pode ser obtida através de inúmeras formas conforme os materiais acima citados. Fica claro que isto permite uma vasta diferenciação entre as técnicas de cada artista, conferindo assim, sempre efeitos muito pessoais na criação da imagem.
Além de "gravar" a pedra com "gordura", é preciso que o artista isole as áreas que ficaram "em branco", ou seja, que continuam sem desenho. Isto se faz com uma goma, "lacrando" a pedra para o processo de corrosão. Somente as áreas desenhadas sofrerão o ataque corrosivo, de modo a criar micro concavidades para a receber a tinta, as demais continuarão "em branco" e estarão sempre molhadas durante a impressão. A tinta também é oleosa, por isso só adere aonde está o desenho, nas área "em branco" sofre a ação repelente da água.
         A tinta é transferida para a pedra já "processada" usando-se um rolo de borracha, semelhante ao rolo de esticar massas. Apenas uma fina camada de tinta é suficiente para imprimir a imagem no papel.  A operação final é a "passagem" da imagem para o papel usando-se uma grande prensa que esmaga o papel sobre a pedra.

  • XILOGRAFIA (xilo=madeira + grafia = escrita)
 

      A forma mais antiga de impressão é a utilização de um relevo que recebe a tinta, a partir do qual se transfere a imagem para outra superfície. Dentre estes processos está a Xilografia.
A Xilografia consiste numa matriz em alto relevo produzida em madeira. Esta forma de gravação foi amplamente utilizada ao longo de toda história. Grandes nomes da Arte serviram-se de seus recursos, seja em períodos longínquos, ou em nossa época.
      A imagem é gravada através de goivas, formões e pontas cortantes. O artista "entalha" seu desenho na madeira, ao modo de um escultor, mas tem em mente que essa matriz não é a Obra, e sim o meio para alcançá-la. Depois disso, a matriz recebe a tinta e vai para a prensa com o papel. Há também a impressão com as costas de uma colher. Esta técnica exige grande habilidade do artista e permite a obtenção de detalhes que a prensa não consegue alcançar.(Obs quem quiser saber mais sobre a tecnica, entre neste Link: Casa da Xilogravura, nada mais confiavel que um local de fonte especifica sobre o assunto http://www.casadaxilogravura.com.br/xilo.html#Hist%C3%B3ria
  • LINÓLEO
     Esta técnica assemelha-se ao entalhe da Xilogravura, no entanto, ao invés de madeira, a matriz é de material sintético - placas de borracha, chamadas "linóleo".
Igualmente a "Xilo", a placa de linóleo receberá a tinta que ficará nas partes em alto relevo, e sobre pressão será transferida para o papel.
      Esta técnica é mais recente do que a Xilogravura devido ao material de sua matriz, e foi muito utilizada pelos artistas modernos, como Picasso por exemplo.
  • SERIGRAFIA
    A Serigrafia é a modalidade mais recente das técnicas apresentadas até então. Convivemos diariamente com Serigrafias sem desconfiarmos que também são usadas por artistas. Geralmente conhecemos pelo nome Silk-Screen, isto é, Estamparia.
Este meio de impressão é muito comum na utilização comercial, servindo para uma larga aplicação, seja em tecidos, plásticos, vidro, cerâmica, madeira ou metal.
    Quando se trata de uma Obra de Arte no entanto, a Serigrafia se sofistica e recebe tratamento diferenciado em todo seu processo, tanto quanto nas tintas usadas, como também no número de impressões que formam a imagem, ganhando assim qualidade, mais distanciando-se da aplicação comercial em larga escala.
O processo de gravação consiste em transferir a imagem desenhada para uma "tela de nylon". O desenho pode ser feito com tinta opaca (nanquim) em material transparente (acetato ou papel vegetal), obtendo-se o "filme" que servirá para gravar a tela (matriz).
   Este processo assemelha-se ao da fotografia. Em resumo, o filme desenhado é posto sobre a tela de nylon, que recebeu uma fina camada de líquido (emulsão) sensível à luz. Dentro de uma caixa escura, a tela de nylon com o desenho são expostos a luz muito forte. Passado alguns minutos a emulsão que recebeu a luz seca e adere ao nylon, e a que ficou protegida pelo desenho é retirada com água.
O resultado é uma espécie de "peneira", digamos assim, sendo que a parte desenhada esta livre para a passagem da tinta e o restante está vedado pela emulsão.
   A impressão se faz através de rodos que "empurram" a tinta que é posta dentro da tela de nylon, pelos orifícios deixados em aberto que formam o desenho. A impressão é feita numa mesa na qual se fixa a tela com dobradiças, de modo a permitir que levante-se a tela (como quem abre e fecha uma porta) e coloque-se o papel sempre no mesmo lugar para receber a imagem. O número de impressões é que permite a composição total do desenho, somando as cores e formas a cada nova impressão -assim como quem pinta uma paisagem, e primeiro pinta o tudo o que é azul, depois o que é amarelo, e assim por diante, e dessa forma chega ao resultado final.
  • NÚMERO DE IMPRESSÃO E MATRIZES
      Em geral uma gravura pode ser feita com apenas uma matriz e uma impressão, isto serve para todas as modalidades consideradas aqui. Mas a utilização de várias matrizes e várias impressões também é bastante comum, sobretudo nas Serigrafias. Desta forma, o processo descrito para a gravação da imagem numa matriz, seja no cobre, na pedra, na madeira, na borracha ou no nylon, é multiplicado pelo número de vezes que o artista precisou para obter sua imagem ideal. O mesmo ocorre com a impressão. Assim, temos gravuras que resultam de 4, 5, 8 matrizes, e que exigiram o mesmo número de impressões. Há casos de Serigrafias com até 30 impressões ou mais.
       Isto torna o processo da gravura muito dispendioso, e seu produto numa Obra de grande empenho do artista e do impressor, pois estamos falando de operações sofisticadas, inteiramente manuais, que envolvem muita atenção e força, principalmente no trato com as pedras litográficas e polimento de matrizes de cobre.
E diga-se de passagem, que não citamos os cuidados com os papeis, que exigiria outro artigo de igual tamanho, além da limpeza de tudo o que esta arte envolve.
         No entanto, é importante termos em mente, que seja qual for a técnica escolhida pelo artista - Metal, Litografia, Xilogravura, Linóleo ou Serigrafia - o que vale acima de tudo, é a capacidade de expressão que cada meio permite, e como isto irá de encontro às necessidades do artista.
         Desse panorama da gravura, chega-se rápido a compreensão de como é uma atividade especializada, e como não pode ser comparada aos produtos fabricados pelos meios industriais. Antes de qualquer conclusão, um fato destaca-se a priori: a Obra de Arte é sempre fruto de muito empenho, dedicação, estudo e Amor à Beleza.
        Assim, cada modalidade de gravura terá seu "idioma" peculiar, ainda que cada artista pronuncie seus próprios "poemas" com ele. Isto significa que as comparações não são cabíveis, pois não se trata de avaliar perícia e virtuosismo de um em detrimento de outro. Na verdade, quando falamos sobre Arte, não alcançamos jamais sua essência mirando nos aspectos técnicos. É possível, sim, que o virtuosismo de um artista nos impressione, mas isso não nos revela mais do que a superfície de seu espírito. Se desejamos mais do que isso, precisamos de silêncio e muito desprendimento de tudo aquilo que é material, e só assim a Obra se revelará plenamente em nós e cumprirá seu destino: emocionar. 

Veja o video produzido pela faculdade de Joinville sobre a gravura


    Para saber como se faz gravrura há varios videos do processo no youtube basta digitar gravura

Proxima postagem dia 28/06: O que é Digigrafia      

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