Aos Leitores do blog

Sejam Bem-vindos!!! Este é um espaço dedicado a arte e aos seus (futuros) admiradores. Ele é uma tentativa de despertar em seus visitantes o gosto pelo assunto. Aqui, poderão ser encontradas indicações de sites, livros e filmes de Artes Visuais, imagens de artistas, alem do meu processo de trabalho. É o meu cantinho da expressão. Espero que sua estadia seja bastante agradável e proveitosa.
Este Blog é feito para voces e por voces pois muitas das postagens aqui presentes foram reproduzidas da internet. Alguma das vezes posso fazer comentarios que de maneira parecem ofensivos porem nao é minha intençao, sendo assim, me desculpem. Se sua postagem foi parar aqui é porque ela interessa a mim e ao blog e tento focar os pontos mais interessantes. A participaçao dos autores e dos leitores é muito importante para mim nestes casos para nao desmerecer o texto nem acabar distorcendo o assunto

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares parte 3

B – O Crítico de Arte


    Já que a Arte é produção, o artista não produz para si. Ele produz para mostrar. E é por isto que a Arte é a releitura que o artista e o observador, cada um com sua decodificação, sua bagagem, sua alfabetização artística faz da vida.

    O crítico de Arte é aquele que se acha melhor entendido para dizer se o quê se produziu foi uma boa mostragem ou não, se o artista soube se expressar, soube inovar, soube usar bem a linguagem artística.

   Élson Screnci justifica argumentando que “a necessidade imperiosa de transformar a matéria mantendo aí uma espécie de diálogo com o mundo da sensibilidade é o que dá autenticidade à arte. Isto não pode ser compreendido inteiramente por quem está de fora e pouco envolvido numa atividade... É conveniente procurar a aprovação do espectador... A opinião dos especialistas, por outro lado, nem sempre pode ser seguida à risca, já que a História da Arte vem demonstrando que geralmente não são bons profetas”.
    Radha Abramo em sua entrevista à Silvana Baierl diz que “O Crítico não pode julgar o que realmente é uma obra de arte ou não”. Entretanto entre esta fala, ela faz duas considerações: “... Você pode absorver tudo, conhecer todas as formas de arte, mas com a consciência de selecionar o que é melhor. É ver tudo, conhecer tudo e eliminar o que não presta”. E depois acrescenta, “há artistas que fazem um trabalho fascinante. Outros trabalham uma arte pública, exposta na rua. Ambas têm seu valor e não podemos afirmar que arte dos museus é mais verdadeira do que vemos nas ruas”. Adverte a própria crítica de arte o seu jeito de trabalhar a crítica. Acredito na conformidade heterogênea da arte... Cada um de nós é diferente, dentro do que somos”.
    Vem-nos uma indagação: e ao crítico, quem julga? Como se faz um especialista? Seu aval, seu crivo é infalível? Até que ponto ele é “puro” em seu julgamento? Até onde o seu profissionalismo passa pelas empatias de seu ser?

    O especialista, o crítico de arte, se faz pelo acúmulo de seus estudos, interesses, preparos, pesquisas e experiência. Apesar de toda sua formação ele não é infalível. Ele também erra e é influenciado. Como Nelson Screnci disse a História da Arte já provou que os especialistas não são bons profetas ao afirmar e autenticar ou não os artistas. E que eles podem errar “principalmente quando indicam a necessidade de enquadrar o trabalho em ‘modas’ ou ‘tendência’, o que se por um lado pode oferecer à criação um lugar ao sol, por outro não é suficiente para assegurar a permanência de uma obra consistente”.

CRITICO DE ARTE " DE NORMAN ROCKWELL

Meus acrescimo: Geralmente os criticos de artes tentam descobrir "novos" talentos. Eles sao os caça taletos que arriscam investindo na carreira destes desconhecidos artistas para tentar alavanca-los e assim ganhar fama junto com eles. É como investir na bolsa: voce pode ganhar milhoes ou perde-los dependendo do seu faro.

Proxima postagem:  
                27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares ultima parte
     

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares (parte 2)


           A – O Artista Hoje (no Brasil)

                                                                  
Imagem do Produtor de arte pega na net

   Antes de falarmos do produtor temos que falar do produto: Arte. Usando estes termos, produtor e produto, pode parecer que estamos sendo frios, racionais e que tratamos de algo do mundo dos negócios, da economia. Estamos sim nos referindo a isto também, porque no mundo capitalizado e globalizado arte é algo que também pertence ao mercado. Mas a razão principal é de tirar do imaginário que arte é coisa somente do plano espiritual ou da fruição dos sentidos ou do fluir. Arte e produção advem das habilidades e competências do fazer, do produzir. Foi-se o tempo que arte era vista como um dom e seu produtor, alguém abençoado por alguma entidade.

    A arte vem da necessidade que o homem sente de criar. De transformar o objeto e de dar a ele uma outra função que não o de sua funcionalidade comum (isto ocorreu sobretudo após as vanguardas do século 20). Além da necessidade de criação que move a Arte, ela é feita pela necessidade de despertar emoção, sentimentos e releitura da vida. Portanto, a Arte também é comunicação.

    Uma vez tirada a Arte de seu pedestal místico e mítico, e sabedores de que ela é o desenvolvimento, o exercício, de habilidades e competências leiamos o quê a historiadora de arte e crítica, Radha Abramo, nos diz sobre o artista, especificamente o artista brasileiro: “O que falta ao artista brasileiro é pesquisa. Arte se faz com pesquisa, conhecimento. Mas para pesquisar, o artista precisa ter material, precisa encontrar registros do que ocorreu na história. E no Brasil, temos poucas literaturas para pesquisar”. (BAIERL).

    Estas palavras são endossadas pelo articulista SCRENCI, “Cada vez mais se exige do artista uma qualificada formação teórica e prática, que favoreça o desenvolvimento de uma criação original livre de resultados óbvios e estereotipados”.

Nelson Screnci afirma ainda, que no Brasil, o artista plástico é confundido com o artesão. Apesar de haver associações das classes de artistas, falta-lhes os sindicatos, os registros em carteiras e o que é pior e que motiva esta confusão: a atividade de artista plástico ainda não foi legalmente reconhecida pelos meios oficiais.

O mesmo articulista aconselha: “Uma grande saída para quem está debatendo nos difíceis começos de uma carreira artística é o apoio de um trabalho coletivo... E desta forma invalidar a triste idéia romântica que vê no sofrimento uma condição necessária ao aparecimento de uma obra-prima” (grifo nosso).

    E ele salienta que, no Brasil de hoje, quando assistimos e os dados estatísticos confirmam para o aumento da expectativa de vida e da faixa etária considerada da terceira idade, “muitas carreira brilhantes começaram na maturidade. É quando temos mais disponibilidade para assumir uma ocupação comprometida apenas com o prazer. E experiência de vida para transformar essa atividade uma grande paixão”. E ainda que “jovens artistas não são necessariamente artistas jovens”, porque “construir uma obra é um investimento de tempo e um ato de abnegação”.

   A historiadora de arte Radha Abramo diz que, no campo das artes plásticas, “acho que o forte da arte brasileira está na escultura e na instalação”.

    Para quem é leigo a instalação, segundo a Wikipedia, “é uma manifestação artística onde a obra é composta de elementos organizados em um ambiente... Uma das possibilidades da instalação é provocar sensações... ou coisas que simplesmente chamem a atenção do público ao redor. A primeira instalação artística foi o ‘Merz Bau”, ou ‘Casa Merz’, o apartamento do poeta e artista plástico Kurt Shwitters, transformado por ele em obra de arte, de 1923, na cidade alemã de Hannover”.


Kurt Shwitters,  "Merz Bau”
Proxima Postagem: 20/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares (parte 3)
                                   27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares (final) 


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O FAZER ARTISTICO – Artistas, Críticos e Lugares (parte 1))

 
 
                      O inicio de todas as artes: "Arte Rupestre" na Gruta de Altamira

O ser humano desde que tomou ‘consciência de seu Ser’ sentiu necessidade, de muito mais do que seus instintos exigiam (fome, sede, abrigo, proteção), da Arte. Com isto surgiu a figura do artista, que ao longo da história assumiu diversos estados.


Nos primórdios foi aquele que, em cavernas, conseguia fazer fluir a caça. Depois era aquele que conseguia se comunicar com o mundo dos espíritos (surgia neste momento a figura do sacerdote).


Tornou-se artífice em busca do belo no mundo helênico e romano para logo depois ser o artesão da Paixão de Cristo nos Mosteiros e Catedrais.


Na Renascença, quando ousadamente, enquanto mestre, sagrou seu nome em suas obras. A assinatura do artista virou marca, virou etiqueta. E ele tornou-se protegido e financiado por algum mecenas (Nobre ou Clérigo).


As Revoluções Burguesas também alterariam o estado do artista. Agora sem a proteção da Igreja e da Nobreza, o artista se viu em dificuldades. Foi quando, então, no Século 19, na Europa surgiram os Salões cuja finalidade era proteger as Artes Plásticas e promover os recém artistas a fazer nome, a conquistar mercado e a ter o aval do especialista em arte – o Crítico de Arte.


Desta forma, na Contemporaneidade, o mundo da Arte se faz. Ou seja, o Artista, aquele que produz o objeto; o que tem um discurso sobre o produto, o Crítico de Arte; e os lugares onde o objeto é mostrado ao público, que são os salões, museus, galerias e exposições.

Proximas Postagens: A – O Artista Hoje (no Brasil)
                                      B – O Crítico de Arte
                                      C – Os Lugares (Espaço) da Arte


terça-feira, 29 de novembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DAS ARTES VISUAIS NAS SÉRIES INICIAIS

*Obs:[] são grifos meus
Este texto da Jucilene fala sobre uma experiencia pessoal que pode ser aplicada para o geral



Autor: JUCILENE CATARINA DA VEIGA

POR QUE ENSINAR ARTE?

    
Após uma análise feita na Escola Municipal de Educação Básica Air Addor, chegamos a conclusão que a disciplina Educação Artística é caracterizada pela imposição de atividades já prontas, onde os alunos devem se submeter. Trabalhando com desenhos prontos somente para pintar, tirando todo o sentido da arte que é incentivar a produção do aluno. [Esse caso acontece em todo Brasil, isso quando o professor nao dá um jeitinho de "enrolar" a aula, mesmo com a formação de professores em arte ainda existe muito despreparo ou professores que nao sao da materia e dao aula]
   Então, foi realizado o projeto com intenção de mostrar para os professores que trabalhar arte com atividades diferenciadas e produzidas pelos alunos desenvolvem sua auto-estima, e o interesse em freqüentar a sala de aula.

"A Educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracteriza um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas". (PCN, 2001, p.19).

    A Educação em arte é uma prática ligada à produção e reconstrução de suas experiências, conhecendo a arte o aluno torna-se capaz de perceber sua realidade cotidiana mais vivamente, reconhecendo objetos e formas que estão à sua volta. Solicitando todos os sentidos como portas de entrada para uma compreensão mais significativa.
   Este trabalho evidência a importância de uma educação de qualidade onde o professor deve criar um ambiente de construção e de descoberta encorajando as crianças a desenvolver a sua criatividade. Assim o professor conduz o ensino proporcionando mais prazer na construção do conhecimento artístico, despertando na criança o prazer de criar.
   A Educação Artística é fragmentada muitas vezes pela falta de visão e de preparação do professor em trabalhar artes no desenvolvimento do indivíduo.
   Pensando nisso, montamos um projeto específico nesta área "O Prazer da Arte" que tem como objetivo incentivar o gosto de trabalhar arte de forma prazerosa, utilizando várias técnicas de pintura com resultados magníficos.

"Na arte-Educação, o que importa não é o produto final obtido; não é a produção de boas obras de artes. Antes, a atenção deve recair sobre o processo de criação pelo qual o educador deve elaborar seus próprios sentimentos em relação ao mundo a sua volta". (DUARTE JUNIOR, 1988, p.73). [o interessante é isso, se na arte nao importa o produto final, como avaliar o aluno e mostrar para ele a importancia da disciplina na escola? Pois muitos alunos nao dao valor a materia por ela "nao ser util" para eles.]

    A arte tem uma função tão importante quanto a dos outros conhecimentos, no processo de ensino e aprendizagem.
    Através da arte pode-se despertar a atenção de cada um para a sua maneira particular de sentir, sobre a qual se elaboram todos os outros processos racionais.

"A Educação é por certo, uma atividade profundamente estética e criadora em si própria. Ela tem o sentido do jogo em que nos envolvemos prazerosamente em busca de uma harmonia. Na educação joga-se com a construção do sentido que deve fundamentar nossa compreensão do mundo e da vida que nele vivemos". (DUARTE JUNIOR, 1988, p.74).

   Durante o desenvolvimento do projeto, foi observado a criatividade e o interesse dos alunos em relação as atividades.
   No momento em que começa a produzir sua imaginação, flui o seu interesse de se destacar em sala, realizando atividades maravilhosas e criativas.
   A execução do projeto no Estágio Supervisionado foi gratificante não só para nós educadores, mas também para os educandos de 3ª e 4ª séries, que adoraram e aprenderam muito, modificando também a maneira de trabalho do professor de artes.
   Enfim, todas as pessoas comprometidas com a aprendizagem, deve ver a arte como forma de conhecimento e trabalhar para que esses conhecimentos se desenvolva.

Perfil da Autora:

JUCILENE CATARINA DA VEIGA, 33 ANOS, FORMADA EM PEDAGOGIA E POS GRADUADA EM PSICOPEDAGOGIA, TRABALHA COM ALFABETIZAÇÃO
Fonte:http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-importancia-das-artes-visuais-nas-series-iniciais-3616689.html

Proximas Postagens: 06/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares parte 1
                         13/12 Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares parte 2
                         20/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares parte 3
                  27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares ultima parte
                     

terça-feira, 22 de novembro de 2011

SOMENTE TEM FUTURO QUEM GUARDA MEMORIA


                        foto Representando a Guarda das memorias

     Logo apos eu fazer uma breve contextualização sobre o que é o Patrimonio me sai uma noticia dessa para reforçar e confirmar a importancia do mesmom.... Juro que nao foi premeditado mas valeu a pena.
19/10/11 • Artigos • Rio Grande do Sul -

Por José Francisco Hillal Tavares Botelho*Delegado Regional da Defender

    Existe uma lição extremamente sutil, e geralmente despercebida pela maioria das pessoas, na onda de crises que vêm assolando o que antes conhecíamos como “Primeiro Mundo”. Todos já sabemos que as outrora pujantes economias européias adentraram uma fase histórica de decadência e desaceleração – mas enquanto vemos as bolsas despencarem de Atenas a Londres, existe uma pergunta que até agora poucos fizeram. A pergunta é: diante desse horizonte de turbulências financeiras, o que seria dos países europeus se não fosse por seu exuberante (e bem cuidado) patrimônio cultural e histórico?

   Não é preciso um diploma em economia para se perceber que a preservação do patrimônio e da memória, hoje, é o que salva a Europa de um futuro ainda mais sombrio e caótico. Durante décadas – ao menos, desde a Segunda Guerra Mundial – países como França e Itália investiram de forma profunda e ampla na manutenção de sua cultura edificada. Agora, passados os loucos anos do crescimento econômico supostamente ilimitado, esses países contam com uma sobranceira tábua de salvação: o turismo cultural. Por mais endividadas que andem as empresas francesas e italianas, pessoas do mundo inteiro continuarão viajando a Roma e a Paris, para ver de perto algumas das ruas e das construções mais belas e charmosas do mundo.
     
     Poderíamos complementar esse raciocínio construindo uma distopia: imaginemos agora que franceses e italianos houvessem destruído todos os seus bulevares, demolido o Coliseu e as vielas de Florença, soterrado em concreto as praças de Veneza e posto abaixo a Catedral de Notre Dame e as escadarias de Montmartre – tudo para erguer estacionamentos, prédios comerciais e condomínios de trinta andares. Ao apagar seu passado, que tipo de futuro restaria a esses países?
  
   






 




Coliseu:"Este grandioso anfiteatro foi 
construído no centro de Roma em honra
aos legionários vitoriosos e para celebrar
a glória do império romano. 
  O seu design conceitual mantém até aos
nossos dias, uma vez que após cerca de 
2000 anos, praticamente todos os 
modernos estádios desportivos
continuam a ter o cunho inconfundível                                               Catedral de Notre Dame
do design original do Coliseu."



    A lição, enfim, é esta: a beleza não é um capricho, e a cultura não é uma frivolidade etérea. Um povo que leiloa sua identidade está condenando as futuras gerações não somente à pobreza espiritual, mas também à mais material das indigências. Sem políticas que preservem e valorizem os traços estéticos e arquitetônicos de uma região, fica- se à mercê dos humores imprevisíveis dos mercados e da oscilação bipolar dos capitais globalizados. Cultivando e respeitando o passado histórico e a herança estética, as comunidades plantam o alicerce de um futuro menos abismal, menos histérico, e mais humano.

   E nem precisamos cruzar o Atlântico para evidenciar o benefício econômico da preservação cultural. Aqui, bem perto de nós, há duas cidades que renasceram das trevas financeiras graças a corajosas cruzadas pela salvaguarda da memória histórica. Jaguarão, pequeno município perdido no pampa, tornou-se referência turística – e converte- se gradualmente num pólo cultural efervescente, cuja indústria hoteleira e de serviços não para de crescer. Tudo isso por conta dos tombamentos realizados na cidade pelo Iphan. Já Pelotas, que até alguns anos atrás tinha ratos correndo em suas praças, reverdeceu em dignidade e autoconfiança, por conta da campanha de restaurações de seu extraordinário patrimônio arquitetônico. Quem hoje anda por Pelotas tem a impressão de estar em uma cidade que cresce no real sentido da palavra – ou seja, amadurece, aprimora- se e respeita a si mesma.

   Um exemplo mais limitado, e todavia muito contundente, é o do Centro de Porto Alegre. Até meados dos anos 2000, a área era uma das mais degradadas da capital. A expansão imobiliária mal planejada e desordeira havia deixado em seu rastro ruas sujas, praças escuras e milhares de negócios falidos. Mas os projetos de restauração dos prédios históricos fizeram a região renascer dos escombros – o resultado é que hoje todos os imóveis ali se valorizaram, o comércio renasceu e o bairro voltou, inclusive, a ter um caráter residencial. Naturalmente, ainda resta muito por fazer – o Viaduto Otávio Rocha, espécie de coração profundo do patrimônio edificado porto-alegrense, continua mergulhado no esquecimento e no desleixo; o magnífico Edifício Hermann continua sob risco de demolição; e de tempos em tempos vemos mais fachadas descaracterizadas ou simplesmente ruindo. Enfim, não se desfaz de uma hora para outra o efeito de décadas de abandono moral; mas é inegável que, pouco a pouco, a capital gaúcha volta a ter algo parecido com uma alma própria.

   Bagé, cidade essencialmente histórica, com um dos legados artísticos e arquitetônicos mais impressionantes do Rio Grande do Sul, deve mirar- se nos bons exemplos de suas irmãs regionais, as façanhudas Jaguarão e Pelotas – evitando cair nos precipícios da degradação urbana e da amnésia histórica voluntária. A destruição do patrimônio denota uma certa insegurança psíquica – se alguém  deseja destruir o que tem, é porque não acredita ter nada de bom. Nada menos bageense que essa espécie de bairrismo invertido. (É curioso, diga-se de passagem, que o discurso gaúcho de auto-afirmação tenha negligenciado por tanto tempo esta evidente expressão de orgulho local, que é a defesa do patrimônio edificado). Encontramo-nos agora num estado de graça: podemos apostar nos potenciais da região, purgando os erros passados e semeando um futuro digno de nós mesmos; ou podemos despencar ladeira abaixo, rumo à baderna, à diluição neurótica das identidades, ao redemoinho da descaracterização e da feiúra.
A decisão é nossa.

*José Francisco Hillal Tavares Botelho é jornalista, escritor, Mestre em Letras e Delegado Regional da Defesa Civil do Patrimônio Histórico (Defender) em Bagé.

Fonte: José Francisco Hillal Tavares Botelho - Delegado Regional da Defender

Proximas posstagens  29/11 A IMPORTÂNCIA DAS ARTES VISUAIS NAS SÉRIES INICIAIS
                        06/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares parte 1
                        13/12 Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares parte 2
                        20/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares parte 3
                  27/12 O Fazer Artístico – Artistas, Críticos e Lugares ultima parte

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