A postagem de hoje é sobre musica mas pode ser aplicada a qualquer atividade cultural que chega na midia. Fala da diferença de tempo que tem um evento, pois se ele é bom e te toca de alguma forma, ele continua te povocando e trazendo boas sensações caso contrario fica vazio... Enfim, so lendo o texto para entender o que ele esta dizendo
Quanto tempo dura a música que você ouve?
É
interessante notar que dentro do ambiente cultural no Brasil as
mudanças que ocorrem vêm sendo extremamente rápidas, passageiras,
demonstrando um consumo imediato, de apelo popular e onde não se
valoriza o artista em si, mas, sim, aquilo que ele tem a contribuir para aquele único momento. A situação, hoje, define a arte. A criatividade ficou em segundo plano.

Um computador, hoje, faz mais que um estúdio inteiro daquela época.
Tudo era feito na unha, como se diz por aí, no jargão musical, na raça e
não existia essa evolução digital dos últimos anos, ou seja, daquelas
salas de gravação saíram canções tão melhores e tão maravilhosas quanto
as que temos atualmente.
Nasci em uma época posterior a essa que comentei, portanto
vivi muito do que os anos 70 e 80 ofereceram e nem de longe, em 2013,
temos a mesma qualidade musical daqueles tempos. Escrevo isso baseado
nas letras e nas melodias compostas nesse período. Ao fazer uma análise
dos arranjos musicais, daqueles anos, percebe-se que as composições
foram elaboradas de forma a contemplar o cantor, a banda, a forma como
cada vocalista usava seu timbre de voz já que, geralmente, os artistas
eram compositores natos ou de formação. Hoje, temos o especialista em
ajustar a voz com softwares como o Auto-Tune e outros, só para citar
como o mercado funciona mesmo para quem não sabe cantar ou tocar.
Comentei com esse amigo, que é desenhista, ilustrador, empresário
nesse ramo e que havia enviado o link do vídeo, que a maior fonte de
criatividade do ser humano é ver outra fonte jorrando criatividade. Como
não se deliciar ao som daquela banda e ao mesmo tempo não sentir a
emoção à flor da pele para poder criar algo novo, no mesmo sentido? A
inspiração, dentro do ambiente cultural, é necessária dentro de todo
esse processo. Se você ouve, sente ou vê coisas belas, a tendência é que
a sua criação, também, tenha a mesma expressão daquilo que você sentiu.
Então, comecei a imaginar qual seria a fonte de inspiração desse
pessoal que faz música nos dias de hoje?
Fui criado ouvindo pop rock ou qualquer rótulo que se queira dar às músicas que tocavam nas rádios na década de 80. De Dire Straits, U2, The Police, Pink Floyd, Supertramp, todo o pessoal da Motown, como Lionel Richie, Dionne Warwick, Gladys Knight, ao pop do A-ha, Madonna, Duran Duran ou Michael Jackson, entre muitos, todos eles permaneceram – e ainda estão – em nossas cabeças, como boas recordações do passado que vivemos.
Fui criado ouvindo pop rock ou qualquer rótulo que se queira dar às músicas que tocavam nas rádios na década de 80. De Dire Straits, U2, The Police, Pink Floyd, Supertramp, todo o pessoal da Motown, como Lionel Richie, Dionne Warwick, Gladys Knight, ao pop do A-ha, Madonna, Duran Duran ou Michael Jackson, entre muitos, todos eles permaneceram – e ainda estão – em nossas cabeças, como boas recordações do passado que vivemos.
Mas a pergunta é: quanto tempo dura a música que você ouve? Essa resposta depende…
As músicas que eu ouço não duram três, quatro minutos, como de
costume. Geralmente, elas duram, pra mim, uma eternidade, pois levo em
conta não somente o tempo corrido, cronológico delas, em minutos, mas,
também, toda uma história que cada canção carrega sobre determinada
época que vivi. Muito mais que o tempo que corre na barra de execução de
um player, pelo computador, por exemplo, ou da agulha riscando o
microscópico sulco dos discos, elas possuem a história da minha vida.
Creio que seja assim que ocorre com outras pessoas.
Mas e hoje? Quanto tempo dura a música que você escuta?
O sucesso
parece durar o tanto de tempo que o público quer. Ou seja, não é mais a
música que decide se veio para ficar, é o público quem decide o quanto
ela deve durar. O sucesso é passageiro assim como a música que o
acompanha. A música, a meu ver, não apresenta mais relação de emoção,
sentimento, com a vida das pessoas, como antes. Raríssimas exceções, um
hit e o artista que o produz ou interpreta sobrevive se não cair no
gosto das massas. Não que as massas, o grande público nunca tenha sido
importante.
Claro que sim, pois é dele que o artista vive ou sobrevive, mas esse público deixou de ser exigente na qualidade e caminhou apenas para os rótulos musicais. É um gosto tão variado e sedento por novidades que dificilmente alguém consegue ficar mais que um ano com a mesma música – geralmente ela é usada até o próximo carnaval. Você não ouve, somente escuta. Há uma profunda diferença nisso, embora pareçam sinônimos.
Claro que sim, pois é dele que o artista vive ou sobrevive, mas esse público deixou de ser exigente na qualidade e caminhou apenas para os rótulos musicais. É um gosto tão variado e sedento por novidades que dificilmente alguém consegue ficar mais que um ano com a mesma música – geralmente ela é usada até o próximo carnaval. Você não ouve, somente escuta. Há uma profunda diferença nisso, embora pareçam sinônimos.
Acho que falta um olhar mais apurado no passado. Olhar a tradição é
olhar o antigo. Muitas vezes, essa palavra vem como sinônimo de velho,
mas não é. Antigo é o que tem uma existência no tempo e ainda possui
vitalidade. Nesse sentido, as músicas antigas são excelentes
referências, pois muitas delas nunca perderam essa capacidade de
continuar a emocionar pessoas. Há canções que atravessam gerações e são
ouvidas pelos mais novos que sentem a mesma emoção de quando ela foi
apresentada pela primeira vez. Se essas canções não tivessem essa
vitalidade, não conseguiriam ser atemporais.
Infelizmente o que presenciamos são bandas e artistas jogados no
cenário musical com o intuito de fazer dinheiro, o mais rápido possível,
com alguma característica física ou comportamental que ira influenciar o
público, de maneira geral. A música passou a ser artigo secundário
nesse mundo de “Anittas” e “Naldos”. O que importa é a participação
deles no mercado publicitário para atrair consumidores. São fabricados,
criados para esse fim. Explorados ao máximo, até a exaustão do hit
comercial. Por isso é que a música fica chata, insípida, desinteressante
a partir de um momento. Esse é o cenário musical em que vivemos hoje.
De resto, eu fico com a minha playlist com músicas dos anos 60, 70 e 80.
Quem estava certo era Humberto Gessinger, líder da banda Engenheiros
do Hawaii, que cantava, nos anos 80, que “a juventude é uma banda numa
propaganda de refrigerantes”.

fonte: http://www.popmidia.com.br/talentos/quanto-tempo-dura-a-musica-que-voce-ouve/